segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Clara  Ant   e   o   atentado   ao Instituto Lula:  país na rota do fascismo                                                 

“Fabricação caseira é a que mais mata”…

CONVERSA AFIADA             Paulo Henrique Amorim


Na foto, o buraquinho do Merval 

O Conversa Afiada reproduz texto de Clara Ant, diretora do Instituto Lula.


Como se sabe, nenhum colonista (ver no ABC do C Af) 'piguento' resumiu de forma mais cortante a tentativa de minimizar o significado do atentado que o Ataulpho Merval (também no ABC do C Af): ele se referiu a um “buraquinho”.

No mesmo dia, porém, sem que esse fosse o alvo, o Janio de Freitas(AQUI) lhe deu a devida resposta.

Clara segue a mesma linha:

Amig@s, 

desde sexta feira (31/7/2015) estou tentando encontrar palavras para transmitir meu sentimento com relação ao que está ocorrendo ultimamente no nosso Brasil e particularmente depois que uma bomba (link 01) foi arremessada ao local do Instituto Lula do qual sou diretora com muito orgulho e onde trabalhei anos a fio antes mesmo de participar do governo federal nos dois mandatos de Lula. 

Para mim, uma bomba atirada contra a sede do Instituto Lula (ou de qualquer outra instituição) é um ataque à democracia. Para mim, que fui criada por dois sobreviventes do nazismo e me formei politicamente na tradição trotskista, o ataque à democracia é indubitavelmente um ataque à humanidade, à liberdade. 

Penso que se o desrespeito às pessoas (autoridades ou não), se o deboche dos seres humanos, se a zombaria do direito e dos direitos, se linchamentos e estupros, não despertam em nós preocupação e não nos levam à ação política, talvez estejamos vivendo um momento extremamente perigoso. 

Muitos apontam nesses atos e atitudes um comportamento fascista. Provavelmente se trate mais de manifestações de brutalidade e ignorância do que de fascismo propriamente dito. Mas certamente o alastramento desses comportamentos pode sim levar ao enaltecimento e à consolidação de um rumo fascista. 

Não faltou na Alemanha quem não se importasse com o ato de empurrar os comunistas para a ilegalidade em 1933 e com a chamada “solução final” em 1941/42 estruturada para exterminar o povo judeu (link 02). Não faltou também, na União Soviética quem achasse que era normal condenar, prender e inclusive matar, os dissidentes para supostamente garantir a revolução socialista. 

Aos que nalguns órgãos de imprensa tentaram minimizar o episódio da bomba no Instituto Lula por se tratar de uma bomba caseira, observo que não faltam dispositivos caseiros com potencial letal (link 03) e rememoro a tragédia provocada pelo “simples” envelope dirigido à OAB que matou a Sra. Lyda em 1980. (link 04) . 

Não paro de pensar, cada vez que revejo as imagens, o que teria sido se alguém estivesse passando por lá no momento da explosão. 

Por fim, reproduzo aqui o relevante alerta de Jânio de Freitas na Folha de hoje (02/8/15): “É bem possível que a bomba de agora seja vista, depois, como um ponto inicial.” E conclui gravemente com a frase: “Nem sugiro de quê”. (link 05)

Clara Ant

link 01

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link 04

link 05

P.S. Tomo a liberdade de anexar uma breve síntese dos 25 anos da existência do Instituto, incluindo os anos noventa quando era chamado de Instituto Cidadania. Faço parte dessa história, ajudei a coordenar vários projetos de políticas públicas inéditas como, por exemplo, o “Fome Zero” hoje reconhecido mundialmente.

                

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