segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Golpe não é para amadores!           


                                                  Luis Nassif Onlineimagem de C.Paoliello
Observo que causou surpresa o fato de pesos pesados da economia se terem manifestado dias atrás contra o golpe  urdido e alardeado por desarticulados contingentes de políticos 'amadores' da oposição brasileira. Por que de uma hora para outra FIESP, FIRJAN e, agora, diretores de bancos, levantam suas vozes contra o golpe? Simplesmente porque essas instituições têm analistas ou consultam pessoas com capacidade de prospecção de eventos futuros. E as 'cabeças pensantes' deram o veredito final: com pândegos e 'amadores', o golpe  sofreria um 'contragolpe' muito mais contundente e imprevisível.
Vamos aos fatos: há bastante tempo se detectara a inviabilidade de, com o  cenário de articulação de grupos para desestabilizar o governo, com um mínimo de coesão ('Deem-me um estado de apoio que vos darei um golpe' - AQUI), essa dificuldade sugere a tendência de eclodir uma  luta interna pelo poder, face à ausência do indispensável apoio  das Forças Armadas para, visando, com o mocorreu meio século atrás,  a um único projeto de 'novo governo'.
Esse último e importante passo foi enterrado com a prisão do vice-almirante Othon Silva. Vozes militares dispersas, que viam os governos do PT  preocupados com o fortalecimento real de suas corporações, ganharam força e, numa contabilidade simples, predecessora de possível confronto, quem estava contra o golpe sobrepujou os favoráveis à quebra da ordem institucional; e seu recado chegou à coordenação das classes dominantes ('Por que a direita descarta uma intervenção militar?'AQUI).
Outro fator decisivo foi que, concomitante com a posição das Forças Armadas, começa a repercutir nos setores do capital uma síndrome de perseguição, por serem liminarmente considerados  corruptos. Ou seja, a atividade econômica do grande capital, corrupto ou não, começou à pecha de  intrinsicamente corrupta. Se as acusações viessem de setores de esquerda, que por convicção ideológica descrevem como 'roubo' a apropriação da mais valia,  nada inétido opu surpreendente. Essa luta ideológica secular é de hasta pública e os mecanismos de domínio do capital têm logrado até agora, a seu modo, contorná-la. Entretanto, as reprovações advêm  de setores que tradicionalmente apoiam o sistema,  através de ações bem bruscas e intempestivas que começam a assustar.
A mistura de um messianismo evangélico com a demonização da atividade econômica, com todos os seus méritos e falcatruas, pode levar a uma combinação explosiva muito mais perigosa do que mera conservação ou mudança de mando no poder federal. O governo atual, limitado por sua falta de base legislativa, não tem condições de propor fortes rupturas institucionais, mas um novo 'lupem-evangelismo' fragmentado,  com tendências messiânicas, é algo extremamente perigoso para qualquer regime, fraco ou forte. Isso é algo que, iniciado o processo, não se sabe para onde irá!
Um golpe, neste momento, não teria as mesmas características da deposição de Collor de Mello ('Golpe não se adjetiva' - AQUI) );  seria uma ruptura sem  programa destinado a sequenciá-la, estruturado e perfeitamente definido.
Se formos comparar a situação de 1964 com a atua,l ainda fica pior. Naquela década havia conspiradores 'profissionais' em todos os setores: o governador Magalhães Pinto, que montara um 'ministério paralelo' e foi até os EUA falar pessoalmente com o Presidente Kennedy;  o então coronel Golbery do Couto e Silva, que tanto planejou a irrupção da quartelada(1º dfe abril) como a retirada  'gradual e segura(abertura política); e havia até o palhaço-tolo midiático, o governador Carlos de  Lacerda que, presunçoso, contava assumir um dia  a presidência da República com  apoio dos generais, acabando incluído, na esteira das dissenções dos ditos 'revolucionários', n uma das listas de cassação de direitos políticos.
Temos na oposição ao atualgoverno figuras que variam do folclórico ao patético: Aécio Neves, Jair Bolsonaro, Eduardo Cunha e uma plêiade de ideólogos fascistas na an tessala da insanidade (como ex-astrólogos jurando de pés juntos que o sol  gira em torno da Terra e Einstein é uma farsa).
Tendo como último reduto do golpe uma revista('Veja') em situação pré-falimentar, fica cada vez mais difícil imaginarmos que um sedição, nas atuais circunstâncias, terá sucesso. Ou pior para os golpistas e seus anteriores admiradores: se vingar, o contragolpe deverá ser muito mais forte e também imprevisível ('O contragolpe será muito mais forte do que o golpe' - AQUI), pois, nessa quadra, as forças resistentes estarão livres para radicalizar em termos de uma politica(realmente) de 'esquerda' no Brasil.
P.S. do AMgóes - Sintomático o mutismo 'ensurdecedor' dos, até um ano atrás 'brancaleônicos' conspiradores, oficiais-generais reformados reunidos  em convescotes dos respectivos Clubes Militar, Naval e da Aeronáutica, saudosos das beligerâncias na violenta repressão extralegal dos 'anos de chumbo'. O antigo poder de fogo castrense, corporificado no autocrático desempenho de 'centuriões da pátria',  foi deletado por atentatório  aos mais elementares postulados do Estado democrático de Direito.                                                                                                 

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