Querem que respondamos
às agressões com flores
Do AMgóes - Não ficaremos mudos e estáticos, assistindo placidamente à banda passar, tocando A sinfonia macabra do terror que decidiram impingir aos ouvidos do país.
Nos anos 1950, a fanfarra udenista desfilou impune, sob a batuta do corvo Lacerda, levando à depressão e ao suicídio o presidente que implementou as bases do Brasil industrial.
Eles(udenistas) seguiram conspirando, com uma sequência de golpes institucionais, legítimos representantes(que eram) do regime multissecular da ‘Casa Grande & Senzala’.
Cooptaram Café Filho, ‘vice’ e sucessor de Vargas após o fatídico 24 de agosto de 1954, levando-o a ‘adoecer’ repentinamente um ano depois, após a vitória de JK, para abrir espaço ao propósito golpista de impedir a posse do presidente eleito, sob o argumento canalha de que não obtivera 'maioria absoluta' nas urnas, dispositivo à época inexistente na legislação eleitoral.
Foram surpreendentemente esmagados, naquele 11 de novembro de 1955, pelo irretocável legalismo do general Henrique Dufles Teixeira Lott que, no Ministério da Guerra, botou os tanques na rua e garantiu a posse, três meses depois,do governante constitucionalmente eleito.
Empossado, o democrata Juscelino cuidou de desarmar os espíritos, anistiando os líderes da intentona, exilados no Portugal fascista de Salazar, ensejando-lhes o livre retorno que utilizaram para retomar o projeto nazifacista de poder. Perdoou, magnânimo, no curso de seu mandato, psicóticos milicos insurgentes nas bases da FAB em Jacareacanga e Aragarças(MT).
Embora impulsionador de nossa indústria automobilística, JK , que chegou a romper com o intervencionismo do FMI, foi execrado pela construção de Brasília, sob diuturnos ataques de malversação do Erário no curso das obras que expuseram ao mundo o revolucionário projeto arquitetônico gestado nas pranchetas de Niemeyer e Lúcio Costa.
Sem candidatura própria desde as sequencialmente malogradas com o 'Brigadeiro'(Eduardo Gomes) em 1945 e 1950, igualmente perderam 5 anos depois, acoplados à do general Juarez Távora(do PDC).
Emergira, todavia, naquela época em São Paulo, da vereança à prefeitura paulistana e ao governo do Estado, o ‘homem da vassoura’, Jânio da Silva Quadros, cujo discurso incendiário propunha ‘varrer a bandalheira’, ‘profilaxia’ política tão cara hoje e sempre ao imaginário popular como indispensável pressuposto na formação do Estado democrático de Direito.
Com efeito,a embolorada UDN embarcou na cauda flamejante da bizarra pirotecnia janista(sob as bênçãos da elite paulista) e, embora ‘de carona’, subiu frenética a rampa do Planalto.
Não contavam os udenistas com os arreganhos egocêntricos de Jãnio, sinalizadores de veleidades de ‘centurião da pátria’, antessala de desejada sagração a reinventado trono 'neocesariano'.
Tal prerrogativa integrava, desde os primórdios da República, o ideário positivista do oficialato das Forças Armadas, imbuído do 'destino histórico', disseminado à exaustão na caserna, como inquestionável sustentáculo do regime que desmontou o Império.
Com efeito, os militares mandaram Jânio pastar noutra freguesia, cuja renúncia bombástica ocorreu sete meses depois da posse, sob a alegação pública de insuportável intromissão de(nunca identificadas) ‘forças ocultas’.
Entretanto, os generais tinham uma incômoda pedra no coturno: o ‘vice’ João Goulart, por sinal reeleito com votação própria, segundo a Carta de 1946, sem a condição de mero apêndice na chapa do presidente eleito, como determina a Constituição de 1988.
Desmontado o ensaio golpista, face à resistência gaúcha liderada pelo governador Leonel Brizola, com apoio dos comandos militares do Sul, logo refletida país afora, Jango assumiu a presidência, conquanto deteriorada pelo arremedo parlamentarista aprovado às pressas por um Congresso majoritarimente contrário ao herdeiro do trabalhismo de Vargas e Pasqualini.
Diluída a aventura do governo de gabinete, em plebiscito de janeiro/1963, os udenistas e seus comparsas cuidaram de desqualificar a plenitude do presidencialismo, concomitante com os avanços do governo rumo às reclamadas ‘Reformas de Base’.
A perspectiva do reformismo janguista, em meio a uma quadra de discussão político-ideológica, foi o estopim para a eclosão do golpe de 1º de abril de 1964, alinhando outra vez, na mesma trincheira, nossas elites civil e militar, diante da falácia sobre iminente instituição de uma ‘república comuno-sindical’ liderada por Goulart, Brizola e Miguel Arraes, ‘desagregadora da família brasileira’, cujo discurso foi (furiosamente) absorvido por contingentes desinformados da população, com subsídio da 4ª frota dos EUA, pronta para desembarcar em pontos-chave de nosso território, caso fracassasse a quartelada, hipótese afinal não configurada.
Deposto o presidente, bem assim milhares de correligionários destituídos de funções públicas, perseguidos, presos, torturados e mortos pela repressão da noite escura que durou 21 anos, correntes nacionalistas retomaram as lutas a partir de 1985 e lograram eleger, desde 2002, após estágios neoliberais, governos centrados em projeto popular de inclusão socioeconômica dos bolsões tradicionalmente à margem do processo produtivo nacional.
Diante dos avanços observados na última década, levando-nos ao patamar de potência emergente no concerto planetário, as obtusas e ‘neoudenistas’ forças do atraso, assestando suas armas no deletério instituto da 'corrupção', que elas próprias engendraram faz remotas eras, apropriando-se do Estado em proveito de suas poderosas corporações, decidiram, por falta de votos nas urnas em 2014, ‘melar’ o meio-campo de nossa ainda neófita democracia.
Agora, diante da sórdida ofensiva midiática em curso, querem que retribuamos às suas infâmias e torpes ofensas com flores. Não há meio-termo, caras pálidas! Se vierem quentes, fiquem certos de que estaremos fervendo! Sem essa de oferecer rosas para contumazes e embusteiros plantadores de espinhos! Não insistam nessa história de 'impeachment' porque vai dar merda...
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