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segunda-feira, 14 de setembro de 2015


A chantagem contra Dilma no

editorial da Folha de S. Paulo

Valter Pomar, em seu blog   imagem de Renato Lages Luis Nassif Online

O Jornal de todos Brasis
Última chance?
 
Em editorial publicado na primeira página, o jornal Folha de S.Paulo fez neste domingo 13 de setembro uma chantagem explicita contra a presidenta Dilma Rousseff.
 
Segundo a Folha, a presidenta Dilma deve tomar "medidas extremas", a saber: "cortes nos gastos terão de ser feitos com radicalidade sem precedentes", concentrando-se em "benefícios perdulários da Previdência", " subsídios a setores específicos da economia" e "desembolsos para parte dos programas sociais", "desobrigação parcial e temporária de gastos compulsórios em saúde e educação" e contenção nos "salários para o funcionalismo".
 
Folha considera que --se Dilma tomar tais medidas extremas--  o governo então terá crédito para demandar "alguma elevação da já obscena carga tributária, um fardo a ser repartido do modo mais justo possível entre as diversas camadas da população".
 
Folha reconhece que "serão imensas (...) as resistências da sociedade a iniciativas desse tipo. O país, contudo, não tem escolha. A presidente Dilma Rousseff tampouco: não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo".
 
Folha mente. 
 
O país e a presidenta têm outra escolha. 
 
Esta outra escolha é simples:  cumprir o programa vencedor nas eleições de 2014. 
 
Resumidamente: reduzir a taxa de juros, alongar o pagamento da dívida pública, impor controle de câmbio, lançar mão das reservas internacionais, tributar as grandes fortunas e compreender que o caminho para superar a crise passa pelo crescimento e o crescimento exige ampliar --e não cortar-- os investimentos públicos e sociais.
 
Além de mentiroso, o editorial da Folha omite as consequências da escolha que defende. 
 
O que a Folha defende é que a presidenta Dilma rasgue a Constituição de 1988 e promova um auto-golpe, no qual ela derruba a si mesma, em favor do programa derrotado nas eleições de 2014.
 
Este caminho levaria a uma ruptura entre a presidenta, seu Partido, sua real base de apoio e seu eleitorado. E a transformaria numa marionete do sistema financeiro, marionete que será descartada tão logo julguem necessário.
 
Numa palavra: o editorial da Folha é, mais que chantagista, golpista. O título é muito claro: "última chance". Ou seja: caso Dilma não aceite destruir os direitos sociais, eles destruirão Dilma. 
 
Mais uma vez fica evidente que, para defender a democracia, o governo precisa mudar a política econômica. 
 
Cabe ao PT dizer à presidenta que conte conosco, caso decida responder ao ultimato implementando o programa e exercendo o mandato que as urnas lhe concederam em outubro de 2014. 

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Às voltas com uma gravíssima crise político-econômica, que ajudou a criar e a que tem respondido de forma errática e descoordenada; vivendo a corrosão vertiginosa de seu apoio popular e parlamentar, a que se soma o desmantelamento ético do PT e dos partidos que lhe prestaram apoio, a administração Dilma Rousseff está por um fio.

A presidente abusou do direito de errar. Em menos de dez meses de segundo mandato, perdeu a credibilidade e esgotou as reservas de paciência que a sociedade lhe tinha a conferir. Precisa, agora, demonstrar que ainda tem capacidade política de apresentar rumos para o país no tempo que lhe resta de governo.
 
Trata-se de reconhecer as alarmantes dimensões da atual crise e, sem hesitação, responder às emergências produzidas acima de tudo pela irresponsabilidade generalizada que se verificou nos últimos anos.
 
Medidas extremas precisam ser tomadas. Impõe-se que a presidente as leve quanto antes ao Congresso -e a este, que abandone a provocação e a chantagem em prol da estabilidade econômica e social.
 
Também dos parlamentares depende o fim desta aflição; deputados e senadores não podem se eximir de suas responsabilidades, muito menos imaginar que serão preservados caso o país sucumba.
 
É imprescindível conter o aumento da dívida pública e a degradação econômica. Cortes nos gastos terão de ser feitos com radicalidade sem precedentes, sob pena de que se tornem realidade pesadelos ainda piores, como o fantasma da inflação descontrolada.
 
A contenção de despesas deve se concentrar em benefícios perdulários da Previdência, cujas regras estão em descompasso não só com a conjuntura mas também com a evolução demográfica nacional. Deve mirar ainda subsídios a setores específicos da economia e desembolsos para parte dos programas sociais.
 
As circunstâncias dramáticas também demandam uma desobrigação parcial e temporária de gastos compulsórios em saúde e educação, que se acompanharia de criteriosa revisão desses dispêndios no futuro.
 
Além de adotar iniciativas de fácil legibilidade, como a simbólica redução de ministérios e dos cargos comissionados, devem-se providenciar mecanismos legais que resultem em efetivo controle das despesas -incluindo salários para o funcionalismo-, condicionando sua expansão ao crescimento do PIB.
 
Embora drásticas, tais medidas serão insuficientes para tapar o rombo orçamentário cavado pela inépcia presidencial. Uma vez implementadas, porém, darão ao governo crédito para demandar outro sacrífico -a saber, alguma elevação da já obscena carga tributária, um fardo a ser repartido do modo mais justo possível entre as diversas camadas da população.
 
Não há, infelizmente, como fugir de um aumento de impostos, recorrendo-se a novas alíquotas sobre a renda dos mais privilegiados e à ampliação emergencial de taxas sobre combustíveis, por exemplo.
 
Serão imensas, escusado dizer, as resistências da sociedade a iniciativas desse tipo. O país, contudo, não tem escolha. A presidente Dilma Rousseff tampouco: não lhe restará, caso se dobre sob o peso da crise, senão abandonar suas responsabilidades presidenciais e, eventualmente, o cargo.

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