sexta-feira, 4 de setembro de 2015


É hora de pensar em

alternativa para

o plano Levy

Não há limites para a irracionalidade de determinados jornalistas econômicos e economistas ligados ao mercado.
Durante anos acostumaram-se com o mantra de que ajuste fiscal é recomendado para qualquer circunstância. Não se está falando das práticas prudenciais, mas do ajuste pelo ajuste.
Repetem o mantra como araras destrambelhadas, incapazes de analisar cenários, pesar variáveis.
Mesmo ante todas as evidências, continuam defendendo as taxas de juros irresponsavelmente elevadas do Copom, sob o argumento de que o lado fiscal não está sendo executado.
São incapazes de entender correlações mínimas da economia, os fatores que obrigam à  compatibilização das políticas fiscal e monetária.
Qual a razão de se puxar mais pela monetária quando a fiscal está frouxa? Reduzir o aquecimento da demanda supostamente produzida por uma política fiscal frouxa.
Ora, não se consegue equilibrar as contas fiscais devido à frustração das receitas decorrente da queda do nível de atividade econômica. Como pretender que um déficit, fruto da redução da atividade econômica, esteja pressionando a atividade econômica a ponto de responder pela inflação?
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O que está em jogo é mais do que a disputa pelo bolo, entre mercado e atividade produtiva: é a própria estabilidade econômica e política.
É hora de se aceitar o inevitável: o plano Joaquim Levy falhou. E não falhou pelo que deixou de conseguir, mas pelo que implementou até agora.
Não se debite apenas a ele o tamanho da recessão.
Houve uma desatenção indesculpável com os efeitos da Lava Jato sobre a economia. E não se vá culpar a força-tarefa. A responsabilidade por minorar os efeitos econômicos caberia ao Executivo.
Desde o ano passado poderia ter sido negociado com o Ministério Público Federal um acordo de leniência que punisse os acionistas preservando as empresas. Aqui mesmo, mostrei a fórmula simples e óbvia:
  1. Uma empresa vale, digamos R$ 2 bilhões.
  2. Se tiver que ressarcir R$ 1 bilhão à Petrobras, quebra. Não vai valer nada.
  3. Se abrir como única porta a obrigação dos acionistas controladores venderam sua participação, eles arrecadarão R$ 1 bilhão, pagarão a Petrobras e a empresa sairia incólume, apenas mudando de controle.
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Não se pensou em nenhuma saída. Deixou-se o setor de petróleo e gás à míngua, com a presidente da República se comportando como se não tivesse nenhuma obrigação de resolver o problema.
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Empresas de consultoria calcularam em 1 ponto percentual do PIB os efeitos da Lava Jato sobre uma economia que já vinha despencando desde o ano passado.
Mesmo assim, insistiu-se em um ajuste que busca a quadratura do círculo: quanto mais corta, mais cai a atividade produzindo uma queda de receita maior do que os cortes efetuados. E ainda há quem defenda mais cortes.
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Mais cedo ou mais tarde o governo terá que engavetar o plano Levy e apresentar outro factível, que persiga o equilíbrio fiscal pelos caminhos corretos: sendo prudente nos cortes e ousado na busca do crescimento perdido.
Por tudo isso, e por conta do fato de que a crise também não perdoa grupos de mídia, solicita-se um mínimo de bom senso a esses arautos do mau mercadismo.

Comentários


FABIANA C.: 'Bomba atômica' para os especuladores
Por mais que a presidente Dilma tenha cometido erros grosseiros nos últimos meses, principalmente   com   a    elevação     da   taxa   de   juros   da  selic    para    níveis inacreditáveis,         a situação   tende  a melhorar caso a presidente tenha senso de urgência e aja rápido:     a inflação tende   a cair   nos    próximos   meses;   segundo analistas respeitados,      a inflação    pode cair até 4 pontos    porcentuais em 2016, a Selic   pode cair   a 10%a.a.,   a taxa de câmbio está bem adequada,    o  superávit da balança   comercial tende a aumentar,    aliviando   o   déficit   da    balança    de pagamentos.     Temos,   ainda,   uma    reserva cambial   de   US$ 370   bilhões, uma verdadeira    bomba    atômica contra   os  especuladores.       Estadistas são homens /mulheres   de   ação,   são proativos,  corajosos  e têm uma noção clara de país.    A presidente Dilma ainda pode virar o jogo e fazer um bom governo.

AZZISEM: sem contextualizar o momento, não dá!

O governo tem errado muito, mas qualquer análise sem que contextualizar o momento que estamos passando tanto interno quanto externo, não faz o menor sentido. Internamente nem precisamos mais colocar, mas no cenário externo economias que tem as commodities com grande peso no PIB, estão sofrendo. Para os radicais de direita, não estou falando da Rússia, estou falando de Canadá e Austrália.     
AustráliaDollar falls below 70 US cents on back of sharp decline in GDP figureshttp://www.abc.net.au/news/2015-09-02/dollar-falls-below-70-us-cents-on-back-of-weak-gdp-figures/6743298  CanadáRecession confirmed as Canada's GDP shrank in 2nd quarterhttp://www.cbc.ca/news/business/gdp-economy-recession-1.3210790
JOSÉ CARLOS BRANDES: As araras não vão parar...
Uma coisa é a discussão mais profunda sobre a adoção, ou a continuidade dela, do regime de metas de inflação ou quem comanda a economia.
Essa discussão não cabe em noticiários econômicos, é mais profunda que eles.
Mas, uma vez que o governo adota o regime de metas e aceita que, conforme essa doutrina, a estabilidade dos preços é o principal objetivo da economia, se sobrepondo a todos os outros, sejam eles índices de crescimento ou recessão, índice de desemprego, etc, etc, etc, só resta às araras comentarem sobre aquilo que o governo se propôs a fazer, ou seja, manter a inflação dentro de uma meta previamente estabelecida, 'duela a quien duela'.
Isso responde à pergunta feita no texto sobre por que razão de se "puxar" mais pela política monetária do que pela fiscal. A adoção do regime de metas delega ao Banco Central a responsabilidade daquilo que neste regime ( de metas ) se julga o mais importante para a economia, qual seja, manter a estabilidade dos preços.
Agora, se a discussão é sobre se deveria se abandonar o reducionismo do regime de metas de inflação e partir para uma administração econômica mais ampla e complexa, aí e outra coisa totalmente diferente. 
Mas esperar que as araras destrambelhadas por sua própria conta deixem de comentar sobre, e baseados, no regime de metas adotado pelos governantes, é pedir demais. 
TÚLIO: A saída é pela esquerda...
A saída é pela esquerda. Os empresários não pagam IRPF sobre dividendos, argumentam que é bitributação, só que EUA, Inglaterra, Japão e outros cobram... Isso saiu na Carta Capital recentemente, dá cerca de 150 bi por ano. 
Iates, jatinhos, helicópteros e outros não pagam IPVA, bota chutando mais uns 10 bi. 
IGP-M na média histórica é maior que o IPCA e reajusta os aluguéis, ou seja, há anos ocorre uma transferência de renda entre a parcela da população que possui imóvel e os que não tem imóveis. E ainda aumenta a inflação através da indexação.
O sistema de MI sem núcleo é uma aberração, os países que implementaram primeiro o sistema usavam núcleos de exclusão, retirava-se os combustíveis, alimentos (por sazonalidade) entre outros. O motivo é que MI deveria funcionar sobre os preços os quais a política monetária tem influência. De nada vale juro alto para controlar commoditie ou preço indexado. Os juros podem ir para 50% a.a. que não vão interferir no preço de algo que é regulado por contrato ou tem cotação internacional... Precisamos de um núcleo de inflação e não deve ser uma fórmula estrangeira e sim um núcleo que contenha educação dado o caráter sazonal, (90% da inflação de educação se dá em fevereiro e março), aluguéis e outros "sub-administrados".
Depois é preciso fazer uma reforma tributária pra onerar menos os produtos, se não tivesse imposto de 40% embutido na maioria dos produtos nosso nível de preços seria mais baixo.
JOÃO DE PAIVA: A 'Lava Jato' derrubou 1% do PIB...
A análise, composta por notas curtas, é boa mas novamente temos aquela técnica de "agradar gregos e troianos" ou, dito de outra forma, "uma no cravo outra na ferradura". 
Vou enfatizar dois trechos.
1º) "Houve uma desatenção indesculpável com os efeitos da Lava Jato sobre a economia. E não se vá culpar a força-tarefa. A responsabilidade por minorar os efeitos econômicos caberia ao Executivo."
2º) "Empresas de consultoria calcularam em 1 ponto percentual do PIB os efeitos da Lava Jato sobre uma economia que já vinha despencando desde o ano passado."
Não  trabalho no governo e não sou filiado a nenhum partido. Defendo a Democracia, o Estado de Direito, uma Justiça que realmente valha para todos, a ética, a honestidade e a lisura no trato com a coisa pública. No geral, a análise crítica de Luís Nassif não poupa o governo, a desastrada política econômica de Joaquim Levy, os cabeças-de-planilha pró-mercado, a mídia comercial a serviço desse 'mercado', etc. Mas que medo é esse de criticar diretamente a atuação político-partidária da PF, do MP e do PJ? Observem que, na tentativa de parecer neutro, Luís Nassif primeiro isenta a Lava Jato (portanto PF, MP e PJ) de responsabilidade pela crise econômica e política, colocando a culpa no governo. Mas depois ele sentencia aquilo que todos aqui já perceberam e que as empresas de consultoria quantificaram: os efeitos da Lava Jato são a queda de um ponto percentual no PIB.  
E a coerência, onde fica?





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