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sábado, 5 de dezembro de 2015

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Estudantes  resistem  e  Alckmin recua em sua 'reorganização'  do ensino no  Estado  de  São  Paulo


Conteúdo privatista do plano na verdade promoveria inchaço das salas de aulas e também uma fuga de alunos para colégios particulares, com um número menor de matriculas oferecidas na rede estadual de Educação... 

 Laís Gouveia, com agências                                         


O governo Alckmin sofre sua primeira derrota da gestão.   Em  coletiva  de imprensa  que ocorreu na tarde    desta  sexta-feira (4),   o  governador    tucano   disse  que    irá  adiar  a   implementação    da reorganização escolar, mas não falou em cancelamento do plano.      Alckmin afirmou que pretende travar o diálogo, o que não correu quando o plano foi noticiado pelo secretário e educação, Herman Voorwald, no mês de outubro, e pegou pais, professores e estudantes de surpresa. 




 
 Camila Lanes, presidenta da UBES, comemora emocionada o recuo de    Alckmin em seu projeto privatista do ensino em São Paulo

Caso o plano fosse implementado, 93 escolas seriam fechadas e 311 mil estudantes seriam afetados.

O governador afirmou que as escolas não serão fechadas em 2016 e que os estudantes permanecerão nas escolas onde estão matriculados. O tucano citou o Papa Francisco ao reafirmar sobre a importância do diálogo para a sua gestão. Coincidência ou não, Alckmin anuncia o adiamento do plano de reorganização escolar ao mesmo tempo em que uma pesquisa da Data-Folha divulga que a sua popularidade despencou, em menos de 1 ano, de 48% para 28%. Além disso, 30% dos paulistas classificam sua gestão como ruim ou péssima.

A presidenta da Ubes, Camila Lanes, comemorou a decisão, porém salientou que os estudantes continuarão pressionando o governo durante todo o processo de rediscussão da reforma no ensino paulista."Mexeu com os estudantes, você vai sair perdendo. Foi uma grande vitória dos estudantes para marcar que pela primeira vez em 23 anos o seu governo teve uma grande derrota para provar que ele pode mexer com a água, com o metrô, com a PM, mas se ele mexeu com o estudante ele vai ter essa resposta. Ocupar e resistir e só desistir quando retroceder", afirma Camila.

Entenda o caso

O secretário de Educação do governo Alckmin, Herman Voorwald, anunciou, 
em meados de outubro,
 que a partir de 1016 seria implementada uma reforma educacional na rede estadual, com o funcionamento por ciclos, e,  por consequência da ociosidade de vagas, escolas fechadas. O ensino noturno seria o mais afetado com o plano, causando um maior impacto aos estudantes do EJA(sistema de 'Educação de Jovens e Adultos'). 

Especialistas em Educação denunciaram o conteúdo privatista do plano, que, na verdade, promoveria o inchaço das salas de aulas e também uma fuga de alunos para colégios particulares, com um número menor de matriculas oferecidas na rede estadual de ensino. 

Estudantes, movimentos sociais, educadores e o Ministério Público denunciam que, com o tratamento antidemocrático estabelecido pelo governo do estado ao implementar o imediato fechamento das 93 escolas, a única alternativa que restou aos estudantes foi a de ocupar seus colégios, no intuito de forçar um diálogo com o governo e denunciar a sociedade o desmonte educacional promovido pelo PSDB em São Paulo. Em resposta, o governo do estado dizia que não travaria diálogo com “ações promovidas por forças políticas”.  

Apoio popular 

A partir disso, o número de escolas ocupadas foi crescendo diariamente, chegando ao número de 213 escolas, segundo informações da Apeoesp e, paralelamente, o apoio popular também. Vários professores se disponibilizaram para dar aulas voluntarias aos estudantes, artistas e músicos também marcaram presença nos colégios, levando arte e cultura aos ocupados. Os estudantes, que se alojaram nos colégios por um mês, davam uma aula de cidadania: Muita limpeza e organização nos colégios ocupados, mostrando o zelo  necessário com o espaço que educa seguidas gerações de cidadãos. 

                    

Ao contrário sociedade que abraçou a causa dos estudantes, o governo Alckmin continuou a usar da violência e não diálogo com os estudantes. Nos últimos dias, as ruas de São Paulo viraram uma praça de guerra. Estudantes que lutavam por uma educação digna, foram presos e espancados à luz do dia pela polícia militar, todo o cenário regado a muito spray de pimenta, bombas de efeito moral e gás lacrimogênio. O que o governador e sua equipe demorou para perceber é que toda aquela movimentação estava desgastando e comprometendo a sua popularidade. 

Mesmo com toda a truculência e silêncio por parte do governador, os estudantes resistiam e gritavam “Não vai ter arrego, se fecharem minha escola eu tiro o seu sossego!”, e assim o ato de resistência seguiu até nesta sexta-feira (4), quando o governador Geraldo Alckmin anunciou o adiamento do plano e reorganização escolar.


Após adiamento  da 'reorganização' escolar, secretário de educação cai


O secretário da Educação do Estado de São Paulo, Herman Voorward(foto abaixo), pediu para deixar o cargo na tarde desta sexta-feira (4) após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar a suspensão temporária da reorganização escolar na rede estadual de ensino.


 
 Resistência dos estudantes derrubou secretário de Educação paulista
A carta com o pedido de demissão foi entregue ao governador, que aceitou a decisão de Voorward. 

Desde o início da semana, o escalado a negociar com os movimentos sociais sobre as ocupações nas escolas passou a ser o secretário da casa civil do governo, Edson Aparecido. 

Em entrevista na semana passada à rádio CBN Herman, que titubeava em explicar o conteúdo do plano de reorganização para além do discurso da ociosidade das vagas, afirmou que grande parte da rejeição ao fechamento das escolas se deve ao movimento de ocupações das escolas estar contaminado por questões políticas. O secretário afirmou que o conteúdo plano de reorganização escolar já está pronto há muito tempo, mas não estipulou uma data para apresentá-lo à sociedade. Ao ser questionado na razão do movimento ter tomado grandes proporções, o secretário admitiu a inexistente falta de diálogo: “Pode ter ocorrido uma deficiência de diálogo, a informação não chegou à população da maneira que deveria”. Também na entrevista o secretário afirmou que sente vergonha dos índices educacionais do estado. 

Alckmin deve anunciar o nome do novo secretário no início da próxima semana.

O plano de reorganização escolar tem como intuito organizar o ensino em ciclos e fechar 93 escolas em todo o estado de São Paulo. 311 mil estudantes seriam afetados com a reforma educacional tucana. 



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