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quarta-feira, 2 de março de 2016

Escárnio: no  Rio,  Eduardo Paes insiste  no  candidato
que bate  em  mulher       

No ar, mais um emocionante  capítulo  da

novela carioca “Me engana, que eu gosto”

Cidinha  da Silva(*)                        Diário do Centro do Mundo

Resultado de imagem para Fotos de Pedro Paulo Teixeira e da ex-mulher Alessandra Marcondes
PP: a(agora 'ex')mulher flagrou-o com uma 'amiga'
 na própria cama do casal
O caso de violência doméstica do deputado federal Pedro Paulo Teixeira contra sua ex-esposa, Alexandra Marcondes, teve mais um capítulo. Desta feita, veiculado em vídeo.
Alexandra, antes agredida, declarou-se agressora de Pedro Paulo.
Até chegar a este capítulo de fevereiro de 2016, a imprensa havia tornado público boletim de ocorrência feito por Alexandra, em 2010, dando conta de que fora agredida a socos e pontapés pelo ex-marido, após descobrir situação de infidelidade com outra mulher dentro da casa(e na própria cama) do casal.
A exposição levou Pedro Paulo à manjada estratégia de admitir o erro, a traição, confiante no beneplácito da opinião pública que perdoa as escapadas de homens jovens, tidos como bonitos(não é o caso de PP) e fogosos, como ele. Afinal, o povo é mais condescendente com os 'potrões' do que com os 'cavalos velhos'.
Pedro Paulo, entretanto, escorregou ao dizer que agrediu Alexandra uma vez só. E que atirasse a primeira pedra quem nunca se excedeu numa relação conjugal. Recurso usual para galvanizar o apoio dos homens.
A imprensa foi a campo novamente e descobriu outro boletim de ocorrência, com agressões datadas de 2008.
A agredida, Alexandra Marcondes, irritou-se com a publicidade do caso. Reclamou em entrevista que a filha estava sendo ridicularizada na escola (costuma ser comovente envolver as crianças no dramalhão, fazê-las sofrer com a atitude dos outros, não a dos pais) e ela mesma estava sendo prejudicada por uma questão “doméstica”. O caso estava superado. Que os deixassem seguir em paz.
Ocorre que, uma vez instaurado o processo, a Lei Maria da Penha garante que a demanda continue, mesmo  retirada da queixa.
Bem orientada por advogados e pelo ex-marido, interessado direto no encerramento da questão, Alexandra chegou a procurar o Ministério Público e mudou o que havia afirmado nos boletins de ocorrência. Alegou que nunca fora agredida e que a denúncia resultara de 'invencionice' dela mesma, pautada pelo desespero da separação.
Jogou a cartada de que tudo é possível tendo em vista o imaginário machista que considera as mulheres apenas 'seres instáveis e insanos'.
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Patético! PP  tenta 'limpar a barra', Alexandra presente:
 -'Não foi bem assim... tapinha de amor não doi...'
Nesse ínterim, houve parecer de um legista dito 'independente': Pedro Paulo teria agido em legítima defesa. E agora pensam que enganam com as patéticas alegações de PP ao Ministério Público Federal, pretendendo ter apenas reagido às agressões da ex-esposa. Para o casal, só o adágio popular tipicamente carioca se aplica: “me engana, que eu gosto”.
Está patente o desespero de Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, e de Pedro Paulo Teixeira, primeiro na linha sucessória que Paes pretendia ratificar na eleição municipal.
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Paes: desespero para remendar o estrago provocado pelo
 'preferido'  do projeto carioca do PMDB
O pupilo precisa ser salvo a todo custo para cumprir o projeto do PMDB de Paes na cidade. Para tanto, lançam mão de expedientes corriqueiros entre políticos, militantes de partidos e da sociedade civil, empresários, professores universitários, sindicalistas, figuras masculinas agressoras e públicas, que é o de pressionar (às vezes negociar com) a mulher agredida pela redução de danos à imagem do agressor.
É possível que haja compensação financeira no caso dos endinheirados. Noutros casos, a culpabilização da mulher pela “destruição”(Imagine! Tenha dó, dona Alexandra!') de um quadro político 'promissor'(também os já 'consolidados') é a tática escolhida. Afinal, num momento de desespero, esses homens foram 'tragados pela pressão' cotidiana do capitalismo, da polícia, do racismo, do classismo ou de qualquer outra ordem e desceram o braço na esposa. Essa culpa as fragiliza ainda mais.
A esposa é instada à compreensão("Menos, dona Alexandra! Tapinha de amor não doi..."), ao perdão, à não-denúncia, à manutenção da integridade familiar(?), à renúncia a si mesma. A guarda dos filhos, os ilusórios cuidados com a psiquê deles,  tornam-se moeda de troca e instrumento opressor das mulheres.
A atitude de Alexandra, por sua vez, avilta a memória das mulheres que perderam a vida nas teias da violência doméstica. Vilipendia as mulheres que hoje denunciam seus algozes e por esse motivo correm risco de morte(à frente a própria Maria da Penha, cuja luta virou lei). Ela desrespeita todas as mulheres que entregam suas vidas à batalha pela garantia dos direitos da mulher.
Que exemplo Alexandra dá às meninas que a cercam? Que tipo de mensagem emite a filhas, sobrinhas, primas, amigas dessas garotas que frequentam sua casa? “Sejam submissas, gurias! Apanhem caladas como nos tempos da pedra lascada. Não deixem que o destempero dos maridos vaze para a polícia e ainda menos para a imprensa”.
E para os meninos? Filhos, sobrinhos, primos, amigos desses garotos que também frequentem sua casa? “Podem descer a ripa nas meninas e mulheres, meninos! Mulher gosta mesmo de apanhar. Vejam o meu caso. Me utilizem como exemplo para exigir das mulheres uma atitude pró-ativa de proteção à família e à reputação do patriarca”.
Alexandra Marcondes não sabe é que, diferentemente de Dona Ruth Cardoso(que talvez tivesse 'acordos' matrimoniais e de distensão conjugal com Fernando Henrique, aos quais nunca teremos acesso, suas supostas 'razões'(e as de Pedro Paulo) são escandalosamente decodificáveis e inaceitáveis.
Trata-se do velho modelo patriarcal de que, em nome da preservação da carreira política do marido e da situação patrimonial da família, a mulher se sujeita ao que for necessário e definido pelo macho. Tristes trópicos!
PS do AMgóes >>> Do portal G1(globo.com), em(16/12/2015:"(...) A primeira briga divulgada teria ocorrido em 2008 e foi revelada pelos sites da revista "Época" e Veja". Em outubro, "Veja" já havia noticiado uma segunda briga de Pedro Paulo e Alexandra, em 2010, quando ainda eram casados. Segundo a publicação, que teve acesso ao laudo do exame de corpo de delito feito em Alexandra logo após a briga de 2010, a ex-mulher foi agarrada pelo pescoço, jogada contra a parede, no chão e machucada com chutes."
(*) Cidinha da Silva é historiadora, escritora e ativista dos movimentos de mulheres.

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