O passado obscuro do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, mosqueteiro da ‘Lava Jato’
Carlos Fernandes 
| Procurador Santos lima: em 20023, a IstoÉ, que hoje o incensa, chamou-o de 'raposa no galinheiro', por tentar esconder provas no escândalo do Banestado, abafado no governo FHC |
O espetáculo midiático
em que se transformou a condução coercitiva do ex-presidente Lula apenas um dia
após o “furo” da revista IstoÉ, finalmente deixou escancarado o que todos já
sabiam: o alvo principal da Lava Jato é, e sempre foi, o maior líder popular do
Brasil.
Se antes os procuradores que coordenam os trabalhos da Lava Jato tergiversavam
utilizando argumentos republicanos como o de que a operação não investiga
pessoas mas fatos, a impressão que ficou na entrevista dada pelo MPF é que já
nem mais investigam Lula, a sua culpa já foi decretada. Provas para os
procuradores são detalhes insignificantes.
Aliás, chegou a ser emblemática a decepção do procurador ao afirmar que os
mandados de busca e apreensão efetuados na casa de Lula e no seu Instituto teriam
sido prejudicados justamente em função do vazamento da operação pela imprensa.
O que ele chama de “prejudicado” é o fato de basicamente não terem encontrado
nada de relevante que amparasse o linchamento da mídia e a condenação prévia de
seu sequestrado.
Se a operação foi “prejudicada” por vazamentos ilegais de mandatos sigilosos
divulgados na grande mídia, não seria o caso desses mesmos procuradores e do
juiz Sérgio Moro abrirem inquérito para apurar os vazamentos? Imagina. Tolice.
Em se tratando de política e poder, quem acredita em coincidências acredita em
fadas e duendes. Até o mais ingênuo dos “inocentes úteis” já sabe do
escandaloso consórcio formado pela PF, MPF, Sérgio Moro e a grande imprensa
brasileira.
Toda a operação seguiu um rigoroso esquema previamente combinado com os grandes
veículos de informação dominados por meia dúzia de famílias. Incrível como
quando o assunto é fama, dinheiro e um projeto de poder, as antigas
“diferenças” entre a mídia familiar e suas vítimas, e vice-versa, são oportunamente
esquecidas.
Em setembro de 2003, a IstoÉ publicou uma matéria sobre Santos Lima cujo título
é no mínimo inspirador: “Raposa no galinheiro”. O subtítulo emenda: “Procurador
Santos Lima, casado com ex-funcionária do Banestado, tentou barrar quebra de
sigilo de contas suspeitas”.
A matéria assinada pelos jornalistas Amaury Ribeiro Jr. e Osmar de Freitas Jr.
deixaria o mais ávido “paneleiro” decepcionado, isso se a sua causa realmente
fosse o combate à corrupção.
A denúncia ocorreu quando uma comissão de autoridades brasileiras encarregadas de apurar o escândalo do Banestado foi até os EUA em busca de provas e documentos sobre lavagem de dinheiro e remessas ilegais de recursos para o exterior.
A denúncia ocorreu quando uma comissão de autoridades brasileiras encarregadas de apurar o escândalo do Banestado foi até os EUA em busca de provas e documentos sobre lavagem de dinheiro e remessas ilegais de recursos para o exterior.
Segundo os jornalistas, o procurador Santos Lima tentou de todas as maneiras
impedir que os “preciosos documentos” fossem entregues aos membros da CPI. A
matéria conta que a atuação do procurador causou constrangimento tanto na
delegação brasileira quanto nas autoridades dos Estados Unidos. Nas palavras de
um dos americanos: “Foi insólito”.
Como sabemos, o caso Banestado nunca foi devidamente esclarecido. A grande
imprensa na era FHC não se dedicava exatamente à investigação de suspeitas de
corrupção no governo.
O que realmente sabemos agora é sobre as rédeas de quem a operação Lava Jato
está sendo conduzida.
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