Porta-vozes da Globo convocam os militares, mas ‘jararaca’ passeia em frente à TV, no Jardim Botânico
Renato Rovai
Bem-vindos a 1964: Globo chama os militares para que 'salvem novamente' o país...
Dois
dos principais porta-vozes da família Marinho, Ricardo Noblat e Merval Pereira,
publicaram textos apontando que as Forças Armadas estão de prontidão para fazer
o serviço de organizar o país.
Um texto complementa o outro, até porque a voz que os
ditou é a mesma. Artigos como esse são escritos na mesa do dono.
Vamos a trechos:
Noblat:
“A crise ganhou um novo componente. Ele veste farda e tem
porte de arma.Sua entrada em cena, ontem, foi o fato mais importante do dia em
que o país quase parou, surpreso com o que acontecia em São Paulo.
“Os generais estão temerosos com a conjugação das crises
política e econômica e com o que possa derivar disso. Cobram insistentemente
aos seus interlocutores do meio civil para que encontrem uma saída.”
“Não sugerem a solução A, B ou C.
Respeitada a Constituição, apoiarão qualquer uma – do entendimento em torno de
Dilma ao impeachment ou à realização de novas eleições. Mas pedem pressa.”
“Por inviável, mas também por convicções democráticas, descartam intenções
golpistas. Só não querem se ver convocados a intervir em nome da Garantia da
Lei e da Ordem como previsto na Constituição.”
Merval:
“Os confrontos entre petistas e seus adversários políticos
nas ruas de diversas capitais do país, enquanto Lula depunha na Polícia
Federal, insuflados por uma convocação do presidente do PT Rui Falcão, acendeu
a luz amarela nas instituições militares, que pelo artigo 142 da Constituição
têm a missão de garantir a ordem pública.”
“O fato de terem oferecido apoio às autoridades civis
mostra que, ao contrário de outras ocasiões, os militares não estão dispostos a
uma intervenção, que seria rejeitada pelas forças democráticas, mas se
preocupam com a crise e se dispõem a auxiliar as autoridades civis em caso de
necessidade.”
“As milícias petistas mobilizadas na confrontação física
nas ruas podem transformar o país em uma Venezuela, e quanto mais os fatos
forem desvelados, mais a resposta violenta será a única saída.”
Perceba que na narrativa de ambos são sugeridos “alertas”
e apresentado justificativas para uma ação militar em nome de garantir a ordem
publica e a paz social.
Ao mesmo tempo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
publicou nesse domingo(6) um artigo na página 2 do Estadão com o título “Cartas na Mesa”. O
tópico frasal é: “É preciso abrir o jogo: não se trata só de Dilma ou do PT,
mas da exaustão do atual arranjo político brasileiro“.
Isso pode ser entendido como um sinal para o diálogo.
Mas no meio do texto o ex-presidente depois de falar de
tudo que poderia ser feito, solta um parágrafo assim:
“Agora é tarde. Estamos em situação que se aproxima à da
Quarta República Francesa” (…). Aqui as Forças Armadas, como é certo, são
garantes da ordem, e não atores políticos.”
Parece um sinal de que o ex-presidente sentiu o cheiro de
queimado e topa agir como bombeiro. Mas também pode ser um sinal para o PSDB de
que os ateadores de fogo já estão na rua e que para se preservar como solução o
partido não deve ajudar no serviço sujo.
E no final do artigo FHC coloca na mesa a solução do
semi-parlamentarismo. O que no meio de um mandato é também um golpe branco.
Ao mesmo tempo que isso acontece, recebo um alerta de um
leitor que me envia, inclusive, o comunicado que um general das Forças Armadas
teria enviado a membros do alto comando da corporação.
A Fórum vai checar a autenticidade da mensagem antes de
publicá-la. Mas ela teria sido enviada a militares da reserva pró-ativa e
chamaria a atenção para a atual situação política do país.
O militar que recebeu o texto na Europa disse que após
isso houve um encontro presencial com a tropa onde o alto comando teria
inflamado a tropa e reclamado da falta de recursos.
Enfim, são muitos sinais de que um pré-64 está em curso.
E, de novo, com apoio das organizações Globo que sempre esteve no mesmo lugar
da História.
A foto que ilustra essa matéria é de uma manifestação que
ocorreu nesse domingo(6) na frente da emissora no Rio, com aproximadamente mil pessoas.
Na segunda, no Sindicato dos Jornalistas, em São Paulo, haverá um ato contra a
postura golpista da Globo. Num momento como esse em que está em jogo o processo
democrático não se pode errar o alvo.
Moro é apenas uma peça no tabuleiro, a Globo é o golpe.
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