quinta-feira, 10 de março de 2016

Vítor  Santiago:   paraplégico 
e   amputado,  vítima   da 'pacificação' do PMDB  no Rio 

Resultado de imagem para Imagens da ocupação no complexo do AlemãoDo AMgóes >>>>> Concretamente, o badalado e cinematográfico projeto de pacificação de favelas conflagradas pelo narcotráfico, no Rio de Janeiro, vem-se revelando,  a pouco e pouco, um grosseiro fiasco. As bombásticas ações de 'guerra', com lances recambolescos exibidos à exaustão na TV, causaram impacto positivo na população 'do asfalto', adesista de primeira hora à profilaxia cirúrgica do Estado, levada a cabo, diziam, para extirpar, de uma vez por todas,  o mal pela raiz.

Resultado de imagem para Imagens da ocupação no complexo do AlemãoPassaram-se anos após a primeira e teatralizada ocupação do complexo do Alemão, de bandidos em fuga, à luz do dia, flagrados pelas câmeras do helicóptero da Globo, com direito a torcida de 'Fuzila! Mata!Esfola!' nos apês da classe média encastelada no asfalto, ironicamente potencial consumidora das drogas malocadas nos morros cariocas.

Resultado de imagem para Imagens da ocupação no complexo do AlemãoA política de assepsia traumática, formulada por Cabral e Pezão, no governo fluminense, obviamente subsidiada por Eduardo Paes na prefeitura do Rio,  não cumpriu seu papel, salvo o de promotora de ibopes midiáticos, fazendo 'bombar' às alturas a audiência da Globo.

Resultado de imagem para Imagens de obras abandonadas do favela-bairro
Na realidade,  realizaram uma espécie de 'favela-bairro' da Segurança Pública('favela-bairro', aquele programa de obras superficiais nas comunidades periféricas,  da infraestrutura enganosa propriamente dita aos direitos à moradia jamais conferidos de papel passado, conforme prometido em campanhas eleitorais dos anos 1990)

Tal qual a falaciosa promessa de 'nova vida' do projeto de César Maia e Luiz Paulo Conde, as UPP, afora 'remendos' pontuais no dia a dia das comunidades 'pacificadas', foram elas mesmas entregues a logísticas diversas dos(escamoteados) planos originais, ensejando homeopática reapropriação de antigos 'domínios' por grupos marginais.

Efetivamente, o poder público, ato contínuo à ofensiva da repressão policial-militar,  reforçada por contingentes federais, malgrado 'balões de ensaio' semeadores de vãs esperanças, a pouco e pouco afrouxou o laço, postergando às calendas inadiáveis programas socioeconômicos de integração comunitária, destinados a inibir eventual recrudescimento(já recorrente em vários locais) das atividades criminosas cuja erradicação fora celebrada com foguetório, bandas de música e hasteamento da bandeira nacional.

Resultado de imagem para Imagens da ocupação no complexo do AlemãoO vídeo abaixo, de 9'55"(postado no recente  13 de fevereiro, um sábado após o Carnaval), rememora o despreparo das  forças ditas pacificadoras,  mais um pungente, deplorável e odioso registro da inépcia oficial no complicado e hercúleo processo de interação entre Estado e cidadãos das periferias, via de regra liminarmente tratados como criminosos, até prova em contrário(que nem sempre se consubstancia, para eles, em tempo hábil).

Não raras vezes, como a protagonizada neste 'post' por Vítor Santiago, morador do complexo da Maré,  irreversíveis consequências têm implicado, parafraseando uma referência bíblica, 'gemidos e ranger de dentes', afora a perda de vidas por conta do descontrole psicológico dos agentes da lei, pesadamente armados, que puxam o gatilho  diante da neurótica desconfiança de alguém, já enquadrado na mira do fuzil,  constituir-se 'suspeito' e  'inimigo da ordem pública' mantida a(subreptício, diuturno e ultraestressante) 'toque de recolher'.

Via Maré Vive, no Facebook


Maré Vive adicionou um novo vídeo: VITOR SANTIAGO.
Ontem fez um ano que o carro em que Vitor Santiago estava foi fuzilado por militares do Exercito Brasileiro, aqui na Maré. A pacificação é uma farsa. Queremos justiça!
"12 de Fevereiro de 2015. Depois do carnaval, o ano efetivamente iria começar para Vitor Santiago, que utilizava a indenização recebida de seu último trabalho para concluir um curso de segurança do trabalho. Naquele 12 de fevereiro, Vitor, jovem morador da Maré, saiu com amigos para assistir a um jogo de futebol  em um bairro próximo a sua casa. No retorno, o carro em que estavam Vitor e outros 4 jovens foi fuzilado por militares do Exército. O primeiro tiro atingiu Vitor no tórax, perfurando sua medula e deixando-o em estado de paraplegia. O segundo foi dado em sua perna, quando Vitor já estava fora do veículo. A perna teve que ser amputada para que Vitor não perdesse a vida.
Há um ano, Vitor e sua mãe, Irone Santiago, lutam por reparação e justiça. No fim de 2015, com o auxílio de militantes da Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, Vitor e Irone descobriram que não há sequer inquérito aberto para apurar o crime cometido contra a sua vida e integridade física. No único procedimento aberto, Vitor consta apenas como testemunha do incidente que mudou completamente sua história.
Neste 12 de fevereiro, a Justiça Global relembra a luta de Vitor Santiago, um sobrevivente da violência do Estado no Rio de Janeiro, vítima da ocupação do exército na Maré."

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