O 'Waterloo' de
Sergio Moro
Paulo Nogueira 
(Do AMgóes - Em Waterllo, hoje um município da região belga de Valônia, Napoleão Bonaparte, imperador da França, foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação, constituída de ingleses e prussianos, em 18.06.1815. Rendendo-se aos britânicos, foi exilado na Ilha de Santa Helana, no Atlântico-Sul.)
| Moro: achava que podia voar e se esborrachou. |
Está claro agora que Sérgio Moro enfrenta seu Waterloo.
Ele
acreditou na Globo e achou que poderia voar. Só que se espatifou.
A
contundente derrota que ele sofreu ontem no SFT na questão dos grampos foi um
marco na mudança de sua imagem.
O juiz superstar de
quem ninguém ousava falar por ele parecer simbolizar a luta contra a corrupção
ficou para trás. Em seu lugar emergiu a figura de um juiz partidário,
descontrolado e sócio da Globo na aventura macabra de destruir a democracia
pelas vias jurídicas.
Moro cruzou
as fronteiras do tolerável ao impor a Lula um depoimento coercitivo sem
qualquer propósito que não fosse produzir um espetáculo circense na mídia.
Foi aí que vozes insuspeitas de petismo ou esquerdismo
começaram a questioná-lo fortemente, o que não ocorria até então. Começava o
que em inglês se chama de backlash –
o refluxo dos elogios a Moro.
O juiz
Marco Aurélio Mello se destacou aí. Depois de explicar didaticamente a
aberração cometida por Moro ao coagir alguém sem antes convidá-lo a depor,
Marco Aurélio zombou da miserável justificativa apresentada pelo ofensor.
Moro
afirmou que agiu para “proteger” Lula. “Este tipo de proteção eu não quero para
mim”, disse ele. Brasileiro nenhum quer.
O segundo
passo em falso de Moro veio dias depois, quando grampeou e vazou para a Globo
conversas telefônicas de Lula, algumas delas com Dilma.
Mais uma
vez, não houve motivo nenhum que não fosse o de provocar alarido e o de levar
inocentes úteis a acharem que Lula cometera mais um crime.
Pouco
tempo depois, o próprio Moro confirmou isso ao dizer que Lula parecia saber que
estava sendo grampeado pelo teor dos áudios gravados.
O que
Moro disse é que nada do que se gravou de Lula era incriminador. Ora: por que,
então, divulgar? Para posar de herói, para constranger Lula, para ajudar no
golpe, ou por todas estas alternativas?
Fico com
a última hipótese.
A
imprensa silenciou, como era de esperar. Mas o STF, pelas mãos do ministro
Teori, deu um basta a Moro.
Chega,
passou do limite, acabou a farra: foi este o sentido do gesto de Teori de
retirar Lula das mãos, ou garras, de Moro e reprovar categoricamente os
grampos.
Moro foi
intimado a explicar a invasão telefônica por Teori, e apresentou um pedido de
desculpas tão patético quanto o de Lobão para Chico.
O
desprezo com que as “escusas”, para usar a palavra pomposa de Moro, foram
recebidas ficou patente na sessão de ontem do STF.
Teori foi seguido por todos os
seus colegas, excetuado Gilmar, que estava numa viagem em Lisboa por motivos
golpistas.
Fora dos
círculos jurídicos, o ator Wagner Moura – sem nenhuma conexão com o petismo –
disse o que muitos pensam mas poucos ousam dizer. Moro, segundo ele, se
comporta como promotor, e não como juiz. E parece não ter noção da
monstruosidade que é se deixar fotografar ao lado de políticos do PSDB.
Numa
palavra, Moro cansou. Deu.
O Moro
tal como se tornou conhecido, um colosso do bem, está morto.
Começou
o caminho de volta rumo ao que ele é: um juiz provinciano cuja visão de justiça
é atacar um lado só.
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