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terça-feira, 10 de maio de 2016

Defesa da Educação também
é  uma  resistência   coletiva
Estudantes são exemplos da construção de lutas no Brasil...  
Valéria Herrera
Resultado de imagem para Imagem da logo da Mídia NinjaVivemos uma fase difícil, é necessário e urgente uma luta solidária e coletiva. Construir caminhos de resistência contra a violência que enfrenta os países da nossa região. Essas batalhas estão na rua com a pujança que vem contra injustiças sociais. Marchas, protestos, concentrações, tiros, manifestações. As ruas e espaços públicos são seus cenários.

Uma Marcha Nacional em defensa da Educação nas universidades públicas aconteceu em Buenos Aires, em frente ao Ministério da Educação. A Universidade de Buenos Aires (UBA) como o restante das Universidades Nacionais, enfrenta uma crise no orçamento. O valor aprovado para gastos de funcionamento não contempla nenhum incremento em comparação com 2015, e não permitirá financiar todas as atividades da universidade. Além disso, o investimento salarial do Governo Nacional para os docentes universitários é insuficiente.
                       
                      Estudantes organizados contra máfia na merenda
                      escolar ocupam ALESP. Foto: Mídia Ninja

Enquanto isso no Brasil, país que atravessa uma crise politica e a possível destituição de Dilma Rousseff, tem o seu cenário de lutas também nas ruas. Os estudantes do Estado de São Paulo tomaram o posto com ousadia e valentia.
O movimento estudantil protesta contra um plano executado pelo governador Geraldo Alckmin, do PSDB, partido de oposição ao governo de Dilma Rousseff, que no ano passado foi obrigado a rever o fechamento de escolas de toda a rede depois de ver a reação da comunidade escolar com a ocupação de 211 escolas. A ação da policia foi criticada por agir com truculência contra os estudantes.
A força dos jovens foi demonstrada novamente com ação e luta.
Neste momento, cerca de 20 escolas estão tomadas em São Paulo. Uma dessas escolas é o Centro Paula Souza, sede administrativa de escolas técnicas da capital. Os estudantes tomaram o Centro durante 8 dias e foram expulsos do estabelecimento com violência, golpes, arrastados, com especial agressividade contra negros, e houve um jornalista feridos com escudo, a base de uma ordem judicial que autorizou, depois de muitas idas e voltas, a Secretaria de Segurança Pública do governo Alckmin o uso de armas. Novamente a ação violenta não permitiu que os jornalistas registrassem a ação, enquanto a policia filmava com câmeras Go Pro de última tecnologia em primeiros planos todos os manifestantes.
                        
                        Violência policial reprime movimentos organizados
               contra corrupção no sistema escolar. Foto: Mídia Ninja

Essa é a luta coletiva dos estudantes que demonstram em cada ação um grande conhecimento sobre as reivindicações e organização. Assim ocuparam a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo muitos que integram a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e a União Paulista de Estudantes Secundaristas (UPES), sacudindo muitos setores de direita da sociedade paulista.
Cerca de 75 estudantes chegaram ao plenário em meio a uma sessão e ocuparam o lugar pedindo uma Comissão Especial que investigue a fraude no orçamento da merenda escolar. Deputados e o Presidente da Câmara, Fernando Capez, do PSDB, são acusados de receber propina para facilitar contratos superfaturados. A comida às vezes é a única recebida pelos alunos que passam fome. “Muitos não tem dinheiro para comprar um sanduíche na cantina, não vamos aceitar que nosso país pague pela corrupção. Há meses estabelecemos uma luta democrática contra o "ladrão da merenda". Sabemos o valor que tem a democracia e a importância de respeitá-la”, dizem.
                          
       O novo movimento estudantil tem suas bases na internet  
 e naocupação de prédios públicos. Foto: Mídia Ninja

O governo os reprimiu e decidiu pressioná-los economicamente com uma multa a cada estudante ocupante de 30 mil reais. “Seguimos em luta pela abertura da Comissão Parlamentar, pela condenação dos ladrões da merenda e por uma escola que deveríamos ter”, afirmaram os jovens.Tanto a Assembleia Legislativa como em todas as outras ocupações, os estudantes demonstraram que as coisas se modificam em ação e união. Deusinha Rocha, docente, expressou o impulso de milhares e milhares de pessoas nas redes sociais em apoio a esta luta. "Tenho orgulho de ter alunos com essa consciência política", afirmou a professora.
“Não vamos sair, não desistimos e nada vai nos fazer parar. Nossa luta, graças a esta ocupação, alcançou um nível inesperado e histórico. Paralisamos o Estado de São Paulo para que todos os deputados nos escutem”, exclamaram.
A manifestação mostrou suas exigências pela defesa dos direitos, e a força que é gerada no coletivo de lutas. Com esta ocupação se escreveu um capítulo da história do Brasil. Depois de muito tempo o povo ajusta as contas com o parlamento estadual, e se põe na vitrine de uma sociedade hostil, que todavia, tem medo de gritar por seus direitos. Eles demonstraram que a resistência é coletiva.  

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