Parafraseando Bilac: 'Ora, direis, ouvir panelas...' Afinal, onde elas estão que não as escutei tilintando nas varandas da elite 'patriótica', em sons de metálica histeria do 'fora Dilma'?
Preparei-me para ouvi-las nessa quinta cedinho, ecoando em frêmitos orgasmáticos pela admissibilidade do 'impeachment' da presidenta no Senado. Incomodou-me, todavia, a frustrante expectativa explicitada por um silêncio que sufocou até mesmo o pipilar dos pardais, contumazes visitantes matinais de minha varanda, aqui na Tijuca.
E as panelas? Confesso que, infernizado nos últimos tempos por elas, mal começavam as esporádicas falas de Dilma na TV, acabei absorvendo os recorrentes decibéis, que produziam desde o ano passado nas principais metrópoles brasileiras, com direito a transmissão 'ao vivo' pelo famigerado Jornal Nacional(vídeo abaixo).
'Panelaço' das 'varandas-gourmet'
em São Paulo (mar/2015)
Meu 'apê' e seu entorno tijucano, no sub-bairro da 'Muda', são constituídos, importante frisar, de moradores-classe média, remediados, servidores públicos, empresários 'meia boca', aposentados, nenhum de reconhecida 'bala na agulha', longe disso. Alguns ricos, antes aqui residentes, mudaram-se de mala e cuia, faz tempo, para a 'fashion' Barra da Tijuca, onde, a exemplo do plano-piloto de Brasília, não há esquina nem botequim para se jogar uma conversa fora, e todos se escondem em condomínios cercados de muros, seguranças armados e parafernália eletrônica por todos os lados.
Concluo, enfim, que os patéticos 'coxinhas et caterva' em meu derredor e alhures, ainda traumatizados com o insólito 'show de horrores' da Câmara em 17 de abril("...em nome de Deus, de minha mulher, de meus filhinhos, de minha mãezinha, da PQP...'), decidiram melancolicamente meter a viola no saco e, sem vaselina, 'o galho dentro', desconfiados de que dias piores virão.
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