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domingo, 4 de dezembro de 2016

O Golpe derreteu!

Canalhas - e incompetentes...

Capa Carta Capital.jpg
Conversa Afiada reproduz trecho da reportagem "Beco sem saída", de André Barrocal, publicada na edição desta semana da revista CARTA CAPITAL:
A convite de um amigo, Michel Temer participou na segunda-feira 28 à noite de um seminário sobre o futuro do Brasil em um hotel ao lado da residência oficial. No fim do discurso, comentou: "Nós não temos instituições muito sólidas". E acrescentou: qualquer "fatozinho" consegue abalá-las. Seria a visão de um observador das redondezas ou uma autocrítica? O fato é que seu governo entra no último mês do ano não exatamente sólido. Longe disso. No País, reinam o caos e a incerteza, inclusive sobre o futuro do presidente. Um dos principais argumentos dos defensores do impeachment de Dilma Rousseff, a troca de governo não levou à melhora da economia. Ao contrário. O Produto Interno Bruto derrete e SE caminha para mais recessão em 2017. Na política, Temer tornou-se alvo de pedidos de cassação por causa de sua mal explicada interferência na refrega entre os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Marcelo Calero em torno da construção de um prédio residencial em uma área em Salvador tombada pelo patrimônio histórico. A disputa merece agora a atenção da Procuradoria-Geral da República. Não bastasse, o presidente entrou no meio do fogo cruzado entre o Congresso e a Operação Lava Jato, tiroteio que antecedeu a assinatura dos temidos acordos de delação premiada da Odebrecht na quinta-feira 1º. 
Acabou? Não! O Brasil adentra em um grave crise social. Entre maio e outubro, 333 mil empregos com carteira assinada foram fechados. Os demitidos engrossaram um contigente de 12 milhões de desempregados. O Bolsa Família, colchão de renda nas camadas mais pobres, excluiu 1,1 milhão de beneficiários em novembro por ordem oficial, na contramão de um debate mundial, segundo reportagem de Carlos Drummond, na página 26. O Nordeste vive a pior seca em um século. No Rio de Janeiro, somem remédios dos hospitais, restaurantes populares mantidos pelo governo são fechados, fruto da falta de verba. Cada vez mais, a massa de defensores do impeachment de Dilma olha desconfiada para a atual administração. Na quarta-feira 30, após meses de um silêncio covarde, ouviram-se panelaços nas principais cidades do País. Enquanto isso, cresceu a violência nas repressões a estudantes e movimentos sociais que protestam contra as medidas de austeridade, como se viu no confronto em Brasília no dia anterior.
(...)

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