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sexta-feira, 12 de maio de 2017



As mentiras de Miriam Leitão sobre Marisa e o triplex marcam a nova ofensiva da Globo contra Lula 

Miriam Leitão com Sérgio Moro e o filho, Vladimir Netto,
 biógrafo do juiz da 'Lava Jato'

JOAQUIM CARVALHO, no DCM
Depois do depoimento de Lula a Sérgio Moro, a Rede Globo subiu um patamar na escalada do massacre midiático.   Agregou à estratégia da meia verdade a divulgação de mentiras completas.  A meia verdade pode ser também uma meia mentira, mas, em geral, ela tem um formato que faz parecer coisa séria.  E dá uma porta de saída ao jornalista mentiroso: ele pode dizer que o que disse ou escreve é fato. Só não disse tudo, mas o que relatou é um fato. Por exemplo: o caso do tríplex, o centro da acusação que levou o ex-presidente da República a depor em Curitiba.   É fato que a OAS tentou entregar o imóvel para Marisa Letícia Lula da Silva e Lula. (...)  Mas há outros fatos, e estes não são divulgados, porque enfraquecem a tese da propina.   Marisa tinha iniciado o processo de aquisição do imóvel em abril de 2005, com o pagamento de entrada e parcelas, referentes à cota-parte.   Ela pagou à Bancoop um valor que, corrigido, ultrapassa os 300 mil reais.   Isso está declarado no imposto de renda do casal Lula e Marisa.  O imóvel só passou a pertencer à OAS quando a Bancoop quebrou, em 2009. Também é fato que a OAS, quando entrou em dificuldade e abriu um processo de recuperação judicial, relacionou o tríplex do Guarujá como propriedade dela, para a garantia dos credores. Como a empresa relacionaria o tríplex se ele não lhe pertencesse? 
Isso não se divulga, porque enfraquece a tese do tríplex como propina.  A notícia que é martelada todos os dias é: Lula recebeu como propina um imóvel da OAS.  É uma mentira, mas há um fato que a esconde: o empenho da OAS para vender o imóvel a Lula e Marisa.   Por isso, no conjunto, o que se divulga é meia verdade.    Ontem, o Bom Dia Brasil passou para a mentira integral.   Ao chamar Miriam Leitão para comentar o depoimento de Lula – ela não fala mais apenas sobre economia, mas também sobre assuntos jurídicos –, a apresentadora Ana Paula deu o tom, ao dizer que o ex-presidente, “com um discurso político, tentou ESCAPAR das acusações”.   Escapar é verbo que já condena Lula. Mas o que disse Miriam é pior:   — A negativa de Lula no caso central, a compra do tríplex, não responde a vários pontos que ficaram nebulosos e permanecem nebulosos. O mais importante é: por que ele não desistiu ou a família não desistiu quando a OAS abriu essa possibilidade, para todos os compradores  em 2011? E se desistiu, por que é que não pediu de volta os 209 mil reais que a família pagou?   Se Miriam Leitão, que fez fama como comentarista de economia tivesse se prendido à sua área, ela mesma daria a resposta: Marisa comprou uma cota-parte – não o imóvel – e, portanto, era um investimento, que, como tal, se valoriza. Qualquer pessoa pode deixar sua cota parte lá e, quando lhe for conveniente, resgatar.   Miriam errou ao dizer que a OAS ofereceu a possibilidade de desistência em 2011.   Não foi em 2011, foi em 2009, erros assim acontecem.  Mas mentiu ao dizer que a família não pediu o dinheiro de volta.  Existe uma ação em São Paulo na qual Marisa cobra da Bancoop e da OAS o valor investido.   Era 209 mil reais em 2009. Hoje é R$ 300,8 mil. O processo está na 34ª Vara Cível.   Para revelar a farsa da acusação do tríplex como propina, Miriam Leitão também poderia se valer de seus conhecimentos sobre economia.   O tríplex, além de ser oferecido como garantia no processo de recuperação judicial da OAS, também foi relacionado pela empresa para garantir uma operação de emissão de debêntures – através dessa operação, a construtora captou recursos no mercado.   A OAS ofereceria o tríplex como garantia da dívida se ele pertencesse a Lula e Marisa?   Que tipo de propina é essa?   Se Miriam dissesse isso na Globo, explicando o que é debênture e o processo de recuperação judicial, ela desmontaria o teatro do Lula ladrão, mas, nesse caso, já não seria chamada nem para comentar sobre culinária no programa de Ana Maria Braga.

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