LAVA JATO REJEITOU DELAÇÃO
DE TACLA DURAN PORQUE
DESTRUÍA MORO
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| A partir da esquerda, Durán, Moro e seu amigo Zucolotto, ex-sócio da mulher do juiz da Lava Jato |
Desde o início foi
muito suspeita a reação furiosa de autoridades da Lava Jato contra delator que
fugiu do país, apesar de ter recebido uma belíssima proposta de
acordo de delação premiada junto com outros 77 executivos da Odebrecht.
||| O nome desse cidadão é Rodrigo Tacla Durán. Ele se
transformou em um dos homens mais temidos pelos presidentes e altos
funcionários da América Latina. ||| Aos 44 anos, Tacla Durán
conhece bem os segredos da Odebrecht, que abalou as estruturas políticas do
continente depois de confirmar o pagamento de subornos milionários a Governos
de 12 países. ||| Esse advogado de nacionalidade
hispano-brasileira foi preso em novembro do ano passado por ordem do juiz
Sérgio Moro. Depois de passar 72 dias na prisão de Soto del Real, encontra-se
em liberdade provisória. Será julgado na Espanha depois que um tribunal
superior do país rejeitou o pedido de extradição feito para que voltasse ao
Brasil. ||| O advogado conseguiu nacionalidade espanhola em
1994, porque seu pai e avô eram galegos. Ele argumenta que temia ficar preso no
Brasil e não é pelas condições carcerárias, mas por medo da 'Lava Jato'.
||| A Justiça brasileira pede sua extradição por supostamente lavar mais
de 50 milhões de reais a pedido da empresa. A Odebrecht afirma que o contratou
para lavar as propinas ilegais, diz que ele “jamais atuou como advogado em
qualquer empresa do grupo”. ||| A fuga de Tacla Duran para o
país europeu, porém, é estranha. ||| Hordas de delatores
muito mais envolvidos em crimes beneficiaram-se de delações premiadas. E o
acordo proposto ao advogado de dupla nacionalidade era excelente – para ele.
Segundo o advogado relatou ao jornal espanhol El País, recebeu da lava Jato a
seguinte oferta: 1 – Seis meses de prisão domiciliar com tornozeleira;
2 – Prestação de serviços comunitários; 3 – Multa de até 44 milhões
de reais. ||| Segundo Tacla Duran relata, a Odebrecht ainda
ofereceu lhe pagar 15 anos de folha de pagamento a fim de que pudesse quitar a multa imposta pela Lava Jato, caso aceitasse o acordo. Por que não aceitou? Não
faz o menor sentido. Sua situação seria muito melhor, hoje. |||
Para começar a entender, basta notar reação destemperada de
autoridades da Lava Jato a esse episódio. O procurador Carlos Fernando dos
Santos Lima, por exemplo, divulgou um ataque virulento ao advogado Antônio
Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, quem ironizou o episódio por
envolver em especial o juiz Sergio Moro. ||| O
advogado Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016,
acusa o advogado trabalhista Carlos Zucolotto Junior, amigo e padrinho de
casamento do juiz Sergio Moro, de intermediar negociações paralelas dele com a
força-tarefa da Operação Lava Jato. ||| A mulher de Moro,
Rosangela, já foi sócia do escritório de Zucolotto. O advogado é também
defensor do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em ação trabalhista que
corre no STJ (Superior Tribunal de Justiça). ||| As
conversas de Zucolotto com Tacla Duran envolveriam abrandamento de pena e
diminuição da multa que o ex-advogado da Odebrecht deveria pagar em um acordo
de delação premiada. ||| Em troca, segundo Duran, Zucolotto
seria pago por meio de caixa dois. O dinheiro serviria para “cuidar” das
pessoas que o ajudariam na negociação, segundo correspondência entre os dois
que o ex-advogado da Odebrecht diz ter em seus arquivos. ||| Diante disso, o
advogado Kakay afirmou publicamente que o fato de Carlos Zucolloto Jr. ser
padrinho de casamento de Moro, somado ao fato Juiz federal imediatamente ter
contatado Zucolloto a fim de uma retratação pública, certamente seria visto
pelo mesmo Moro como “obstrução da Justiça” e motivo para “prisão preventiva”.
||| Eis que surge uma resposta surpreendente por parte do
procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato Carlos Fernando dos Santos
Lima. ||| Em tréplica, o advogado Kakay afirmou que o
procurador Carlos Fernando dos Santos Lima “desonra o Ministério Público
Federal ao usar as redes sociais para tentar intimidá-lo, de forma ridícula’’.
||| O juiz Sergio Moro, por sua vez, abusou do nonsense ao
colocar o amigo advogado Zucolotto acima de questionamentos por ser “seu amigo”
e por estar sendo acusado por alguém envolvido em corrupção assim como centenas
de delatores que foram premiados pela Lava Jato justamente por acusarem
autoridades. ||| Nada disso é novidade, porém. A novidade
reside em informação que o Blog recebeu e que não pode endossar, mas que
precisa ser investigada. Esse imbróglio chegou a esse ponto simplesmente porque
Tacla Durán teria achado que a Lava Jato era séria em seu alardeado proposito
de combater “toda corrupção”. ||| Na verdade, “toda”
corrupção é forçar a barra. Os amigos do 'rei' da 'República de Curitiba' não
estariam sujeitos a investigações contra mortais comuns. ||| O que teria melado a delação premiada e ultra confortável de Tacla
Duran e obrigado o sujeito a se mandar do Brasil foi a fúria que despertou na
Lava Jato ao citar o caso envolvendo Sergio Moro, sua mulher e seu amigo
advogado. ||| A partir daí tudo teria ficado difícil.
Teriam surgido “novas acusações” contra Tacla Duran e ele percebeu
que se ficasse no Brasil seria colocado em uma cela e a chave seria jogada
fora. Por isso teria fugido do Brasil.

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