Páginas

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Conspiram, na verdade,

para remover o Brasil

dos BRICS

                                                                    

Leopoldo Vieira (*)                

Fabio Rodrigues-Pozzebom        : Brasília - Contag realiza congresso de trabalhadores rurais em Brasília. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, participaram do evento.
Rui Falcão, presidente nacional do PT
Em declaração recente, o chefe da Operação Lava-Jato no Ministério Público Federal, Deltan Dallagnol, aquele que acredita que a Divina Providência o ajuda a combater o crime, tal qual numa Gothan City localizada no Bible Belt americano, anunciou que o próximo passo seria cobrar dos partidos a devolução dos supostos desvios do que a velha mídia classificou como "Petrolão".

O presidente do PT, Rui Falcão, em resposta - diz a imprensa - vai propor uma iniciativa conjunta dos partidos que podem vir a ser afetados, pois isso inviabilizaria, sobretudo, os dois maiores partidos populares do País: o PT e o PMDB, que, "por acaso", dirigem juntos o governo federal, segundo a vontade das urnas, desde pelo menos 2006, quando a aliança se oficializou.

Como se sabe, a Operação Lava-Jato tem diversas nuances políticas, juntas num tripé: prender Lula, derrubar Dilma e cassar o PT. E também nuances econômicas: inviabilizar o know how brasileiro na área da engenharia, petróleo e marketing político, coincidentemente setores em que o País se expande pelo mundo por meio da execução de obras em nações sem capital técnico para isso e mercados de alta competitividade, como os EUA, ou onde estes, através de suas empresas e inteligências, competem.

Vazamentos seletivos pelas mãos de policiais, servidores e magistrados, manipulados em articulação destes com parcela do jornalismo e da oposição, e politicamente orientados por setores da corporação jurídico-policial, têm tentando envolver Lula com as cenas da Lava-Jato para criar um clima aceitável à sua prisão ou deterioração de sua imagem para recandidatar-se em 2018. O conjunto da obra, narrado com evidente arquitetura ideológica pela velha mídia, ajudado a derrubar a popularidade presidencial, aumentado a pressão sobre o Congresso Nacional e inflamado as marchas conservadores e proto-fascistas pelo Impeachment. Agora, a parte que faltava para inviabilizar o PT, mesmo com a vitória do financiamento público e individual de campanha.

Na outra ponta, econômica, já encarceraram José Dirceu, cuja consultoria levou empresas brasileiras de diversos ramos para atuar em países Latino-Americanos, como, hipoteticamente, foram casos de obras no Peru, cujas notícias(AQUI) não conseguem fazer brotar uma vírgula de irregularidades, mas revelam o tamanho do incômodo só naquele país andino: testauração da rodovia Huaura-Sayán-Churín-Ponte Tingo (Andrade Gutierrez S.A.), construção da Avenida Néstor Gambetta (Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez), melhoria de Estação de Tratamento de água em Huachipa (Galvão Engenharia), restauração da estrada Quilca-Matarani (Camargo Corrêa), obras complementares na Rodovia Interoceanica Sur (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão), projeto de Irrigação Chavimochic - etapa III (Engevix).

Neste leque de empresas, hoje em situação de risco, reside a queda de 2% do PIB brasileiro projetado para 2015, contribuição decisiva para a crise econômica que alimenta a crise política e, de quebra, anima vozes que clamam pela abertura do mercado nacional para empresas estrangeiras, destacadamente as americanas e europeias, seja para obras ou para operar na exploração do Pré-Sal, por exemplo.

João Santana, que comandou as campanhas presidenciais do PT à Presidência da República desde 2006, além de ter tido opiniões determinantes para a superação da crise política de 2005, foi atacado, no primeiro semestre, como envolvido nas investigações da Lava-Jato e seu nome voltou à ribalta após os boatos de que poderia estar à frente de uma espetacular virada do peronista Daniel Scioli no segundo turno presidencial argentino do dia 22/11. Seu roll de sucessos inclui, além das campanhas vitoriosas de Lula e Dilma, a última reeleição de Hugo Chávez, a eleição de Nicolás Maduro, de Maurício Funes, de Danilo Medina e de José Eduardo dos Santos. Todos governos populares em nosso continente e na África, que seguem no comando de seus países por combinarem crescimento com inclusão social e distribuição de renda via regulação do Estado, com a expansão dos direitos, serviços e políticas públicas.

Lula, apesar de todo o incessante ataque que sofre, mantem-se na dianteira das pesquisas de opinião para 2018, segurando na unha de suas realizações como presidente, profundamente coerentes com sua trajetória pessoal e política. O PT, no pior momento de sua história, segue uma força política determinante na direção do país, em tamanho no Congresso e na gestão de estados e municípios, além de adesão de movimentos sociais e do povo pobre e trabalhador. Dilma, após a recomposição ministerial, conseguiu retomar um mínimo de iniciativa política para conduzir a nação a sair das duas crises, agregando paulatinamente massa crítica favorável e separando o joio do trigo: o que é a insatisfação dos trabalhadores e do povo com os efeitos da crise econômica e o que é a hidrofobia de ultra-direita.

Por isso, a nova frente de Dallagnol é imprescindível, ainda mais com o fim dos jatos de dinheiro empresarial a serem depositados nas campanhas do PSDB e partidos que servem de contra-peso à força popular do PT. Invertendo o raciocínio de Dallagnol, que só vê encadeamentos imaginários conspiratórios negativos: sem voto, é preciso que a oposição quebre as molas propulsoras da economia do Brasil, a escancare para interesses do além-pátria, anule a influência política e econômica brasileiras que se associam ao modelo e estratégia de desenvolvimento de Lula, o principal produto "tipo exportação" do Brasil atual - que leva consigo outras partes da "cadeia produtiva" de prosperidade - constranja, coaja, iniba e proíba que esta própria "exportação" ocorra, inviabilize a popularidade presidencial para destruir a imagem de Lula e do PT e, em seguida, os tire da cena histórica.

André Araújo, no artigo "O mito dos pretorianos independentes"(AQUI), discorreu com maestria que o problema não é a apuração, mas o fato das coisas estarem se encaminhando como na origem do FBI americano: "O exemplo de Roma de certa forma se deu no FBI. Seu diretor legendário J.Edgar Hoover passou a representar um perigo para a própria Presidência. Hoover tinha dossiês inclusive sobre Roosevelt, seu fanatismo anti-comunista mirava a maioria dos auxiliares de Roosevelt que eram de esquerda. Quando Hoover morreu a Presidência tratou de nunca mais deixar solto o FBI, estipulando severas regras de controle pela Presidência, incluindo também supervisão pelo Senado". Republicano é seguir a lei e não permitir que seja infringida para mostrar que não se "protege amigos".

Sem o PT, o Brasil do futuro que bate às portas, com mistura de raça e cor em todos os espaços, com força econômica e geopolítica, com know how e savoir faire para projetar o "Sonho Brasileiro" ou quiçá um "South American Way", que se assemelha ao "American Dream" pelos meios usados para se tornar idéia-força (o estado, as políticas públicas, a promoção de direitos, a permeabilidade democrática para a incorporação das lutas sociais etc), não existirá. Não por nenhuma pretensão de ser a nascente da verdade, mas por que, na história brasileira, só o "trabalhismo tropical" tentou e logrou fazer diferente nossa trajetória como nação.

Resultado de imagem para Charge dos BRICS sem o B de BrasilO que se quer, na verdade, é apagar a letra "B" do acrônimo "BRICS". E, pasmem, os
 "borradores" são gente daqui, desmoralizados até pelo presidente dos EUA, Barack Obama, que além do famoso "You're the man" para Lula, contraditou a repórter(da Globo) hostil a Dilma, em coletiva quando da visita dela aos Estados Unidos, que não considerava o Brasil uma potência regional e sim mundial, e nisso estava ancorada a nova relação.

Sobre isso, em postagem no Facebook, o professor Gilson Caroni Filho explica: "A América do Sul é um subcontinente onde o reformismo é visto como expressão de uma esquerda com planos totalitários. E por que é assim? Porque a maioria da nossa direita é fascista. E por que é fascista? Porque nossa burguesia, em função da subalternidade às suas congêneres europeias e estadunidenses e de seu caráter patrimonialista, não conseguiu implementar uma agenda própria de desenvolvimento capitalista. O que lhe restou? Viver à sombra do imaginário escravocrata e perpetrar golpes contra qualquer política inclusiva".

Portanto, sem tibiezas, a luta que o presidente Rui Falcão anuncia e convoca é uma luta da democracia brasileira e das chances de desenvolvimento do Brasil. Engajar-se nisso, na defesa do PT, ou em sua destruição, sorry, são as únicas opções, cuja escolha marcará a atual geração de brasileiros para sempre nos livros de História.

(*) Leopoldo Vieira  foi secretário Nacional Adjunto de Juventude do PT,  coordenou o Monitoramento Participativo do PPA 2012-2015 e o programa de governo para o desenvolvimento regional da reeleição da presidenta Dilma Rousseff.

Nenhum comentário:

Postar um comentário