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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Delator desmente versão de Cunha sobre 
repasse na Suíça: era propina por negócio 
da Petrobras na África                               
                imagem de Beto  Luis Nassif Online

Henriques: propina em conta de Cunha na Suiça por negócio da Petrobras na África
Jornal GGN - Eduardo Cunha supôs'  que o recebimento de 1,3 milhão de francos suíços pelo lobista João Augusto Henriques foi pagamento de um empréstimo feito ao ex-deputado peemedebista Fernando Diniz, falecido em 2009. Contrariamente, a versão de Henriques, preso na Operação 'Lava Jat'o, é de que a propina depositada a pedido de Felipe Diniz, filho do peemedebista, tinha a ver com um negócio da Petrobras na África. Em delação vazada recentemente para a Folha de S. Paulo, Diniz, por sua vez, disse que desconhece qualquer empréstimo fechado por seu pai. 
 
Até o momento, as investigações da equipe da Lava Jato trabalham com a hipótese levantada por João Augusto Henriques. Em parceria com o também lobista Fernando 'Baiano', ambos operavam o esquema de corrupção da Petrobras em nome do partido de Cunha, o PMDB. 
 
Na sua delação, Henriques afirmou ter aberto uma conta na Suíça para transferir propina para outra conta indicada por Felipe Diniz e, só após ter problemas com o banco suíço, descobriu que o destinatário do recurso enviado tratava-se do deputado federal Eduardo Cunha. De acordo com ele, a propina envolvia o contrato de um campo de exploração pela estatal na África.
 
Na semana passada, Cunha reconheceu a existência de contas na Suíça, justificando, entretanto, serem transações de empresas controladas por ele, mas não diretamente sob sua titularidade, e que todo o dinheiro teria origem lícita, fruto de negócios como a venda de carne enlatada para o exterior e investimentos em ações. "Não tenho falha nenhuma. Sou inocente", disse. A explicação não convenceu parlamentares e membros do Planalto que preferiram, contudo, manter certo distanciamento das divulgações.
 
A Procuradoria Geral da República ainda acredita que o dinheiro não seja de quitação de empréstimo, mas de pagamento de propina. Para esclarecer esse ponto, com mais indícios contra Cunha na investigação do processo que tramita no Supremo, o Ministério Público Federal fechou acordos de delação com Henriques, Baiano e Diniz. 
 
No depoimento prestado no dia 20 de outubro, a que a Folha de S. Paulo teve seletivamente  acesso, Felipe Diniz disse estar "sendo usado" por Henriques e que nunca lhe indicou "qualquer conta de Eduardo Cunha, muito menos na Suíça". Tampouco que tinha conhecimento de "contas de Eduardo Cunha em outros países". Confirmou, contudo, que seu pai mantinha estreita relação com o presidente da Câmara. 
 
Apesar de a declaração também não esclarecer a finalidade da transferência, Cunha já havia afirmado que Diniz sabia a conta em que deveria fazer a quitação do empréstimo na Suíça.

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