A lição de Djamila Ribeiro a Cardozo ao confrontar Moro em Londres — e que Cardozo não aprenderá
Djamila Ribeiro
José Eduardo Martins Cardozo, ex-ministro da Justiça e ex-advogado de Dilma no impeachment, desperdiçou uma grande chance, no sábado passado, de defender de maneira altiva a democracia. Participou de uma palestra na London School of Economics, no último fim de semana, ao lado de Sergio Moro. >> Primeiro a ter a palavra, Cardozo falou de “medidas cautelares alternativas” e da “banalização” das conduções coercitivas. >> “Dizem que os ricos finalmente estão sendo tratados como pobres. Mas eu gostaria que todos, ricos e pobres, fossem tratados de acordo com o Estado Democrático de Direito”, declarou. (...) E só. Nada sobre a Lava Jato, o recente depoimento de Lula ou as delações dos marqueteiros de Dilma procurando incriminar sua cliente. >> Nada sobre os três anos de perseguição judicial a Lula, casada com a mídia, nem sobre José Dirceu. >> Poderia ter abordado, por exemplo, o fato do irmão de um procurador ser advogado de defesa de João Santana. Passou batido. Cardozo preferiu, surpresa, ser “republicano”. Moro recebeu a bola pingando, matou no peito e partiu para o abraço. (...) Coube à filósofa Djamila Ribeiro, ex-Secretária-Adjunta de Direitos Humanos de São Paulo, fazer o que Cardozo não fez. Ao microfone, Djamila condenou a tal “aplicação ortodoxa da lei” citada por Moro, que só prende negros, lembrou do caso do ativista Rafael Braga Vieira e lembrou do juiz que mandou fechar o Instituto Lula “com uma canetada”. >> Ainda acusou: “Juiz não deveria ter lado, juiz não deveria ter partido”. Moro se virou como pôde. >> A diferença entre a atitude de Cardozo e a de Djamila ajuda a explicar porque, sob o PT, o grupo representado por Sergio Moro surfou à vontade no Brasil.
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