sexta-feira, 5 de outubro de 2018


Contra  Globo,  Bolsonaro  selou união com Record que já rendeu demissão de jornalistas




A aproximação de Jair Bolsonaro com a Record, emissora ligada ao bispo Edir Macedo, foi selada na noite de quinta (4), quando o Jornal da Record transmitiu entrevista com o candidato, no mesmo horário em que a Rede Globo promovia o debate entre presidenciáveis.  Análise da Folha de S. Paulo desta sexta (5) afirma que Bolsonaro pretende, com a Record, ter a sua "Fox News", isto é, um meio de comunicação que apoie sua candidatura e eventual mandato, em contraposição a outras. Essa aliança já teria gerado demissões entre jornalistas. Ricardo Kotscho afirma ter sido um dos atingidos.   |||   "O objetivo de Bolsonaro é ter na Record sua 'Fox News', como dizem seus aliados em referência à emissora noticiosa americana que publica pontos de vista majoritariamente favoráveis ao presidente Donald Trump —largamente espezinhado pela mídia tradicional dos EUA", publicou a Folha.  Segundo o jornal, "além de afinidades eletivas como a proximidade de Bolsonaro de líderes e do ideário evangélicos, há a expectativa de que, eleito presidente, ele mude regras de distribuição de verba publicitária federal."   |||  A aliança entre Bolsonaro e a Record, selada há 3 dias da eleição presidencial, começou, em vedade, em novembro de 2017, "quando Bolsonaro foi apresentado à direção da Record em um evento do Ressoar, o instituto filantrópico da emissora, no hotel Unique, em São Paulo. A apresentação foi feita por Fábio Wajngarten, analista de mídia e empresário ligado a Bolsonaro, que também levou o candidato à direção da RedeTV! e do SBT. O economista Paulo Guedes, guru do presidenciável, fez o mesmo na Rede Globo."   |||   Em artigo divulgado após a reportagem da Folha, o jornalista Ricardo Kotscho narrou o dia em que soube de sua demissão do Jornal da Record News, junto com seu colega Nirlando Beirão, no final do ano passado.  Ambos os comentaristas políticos receberam um "comunicado às 10 horas da noite, depois do encerramento do jornal, que não fazia mais parte da equipe, devido a uma 'reestruturação da empresa' para cortar despesas", e "eu só não entendi a pressa do encarregado de cumprir a ordem para me demitir", afirmou Kotscho.  "Como Nirlando e eu tínhamos total liberdade de opinião, assegurada em contrato, já não servíamos mais aos propósitos eleitorais da emissora, e fomos sumariamente dispensados", explicou.  Para Kotscho, "a Globo fica agora numa sinuca de bico, depois de apoiar com afinco o “Tudo menos o PT”, e ser esnobada por Bolsonaro".   |||   Leia a coluna completa de Kotscho aqui.

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