sexta-feira, 5 de outubro de 2018


Selada, no  debate  da Globo,  aliança   entre HaddadCiro e Boulos

MAURO LOPES, no BRASIL/247

O debate entre candidatos a presidente na Globo que, iniciado pouco depois das 22h dessa quinta-feira(4), foi encerrado no início da madrugada de hoje (5), a dois dias da votação, dificilmente terá o condão de alterar a preferência dos eleitores na reta final da campanha. O que houve de notável foi um fato político: ao longo do debate, selada, publicamente, a aliança entre Haddad, Ciro e Boulos para o segundo turno. A esquerda marchará unida.   |||   Houve quem apostasse que Ciro Gomes, numa última oportunidade quase desesperada para se viabilizar, partisse para cima de Haddad com agressividade. Não foi o que aconteceu. Apesar de pontuar diferenças com o PT e buscasse seu espaço próprio, o candidato do PDT foi cortês e até fraternal com o candidato do PT, que manteve o tom amável todo o tempo.   |||   Na hora decisiva, Ciro não foi um incendiário de pontes. Caminha para repetir o papel essencial de Brizola em 1989, no segundo turno da eleição de Lula contra Collor -oxalá com um desfecho distinto.  Boulos e Haddad atuaram como velhos camaradas. E protagonizarm um momento antológico nos debates eleitorais, em que impera a lógica da confrontação ou das "escadas" arranjadas com base em toma-lá dá-cá. Conseguiram um momento de diálogo verdadeiro, sincero, emocionado.    |||   Quando Boulos, ao responder a Haddad sobre os riscos de eleição de um candidato autoritário, fez memória da luta contra a ditadura. "Faz 30 anos que esse país saiu de uma ditadura. Muita gente morreu e foi torturada. Tem mãe que não conseguiu enterrar seu filho até hoje. Meu sogro me contou as torturas que sofreu. Se você vai poder votar é porque teve quem deu a vida por isso", disse Boulos, emocionado.   |||   No tempo destinado à "réplica", Haddad seguiu na trilha do candidato do PSOL e disse que o país corre sérios riscos, acrescentando: "Se foi possível gerar 20 milhões de empregos, se foi possível fazer o filho do pedreiro virar doutor é porque temos no Brasil a democracia. A liberdade é o que faz o povo ter direitos", disse.  Boulos encerrou o breve diálogo lembrando que, se as pessoas estão debatendo sobre política na TV, é porque "muita gente morreu" para que isso acontecesse. "Quando nasci, o Brasil estava na ditadura. Não quero que minhas filhas cresçam na ditadura. Temos que dar um grito, botar a bola no chão e dizer: ditadura nunca", respondeu, sendo aplaudido por boa parte da plateia presente aos estúdios da Globo no Rio.   |||   Ciro e Boulos foram igualmente fraternos ao longo de debate.  Foi assim, na frente de todos, sem reuniões a portas fechadas (que serão necessárias para ajustar detalhes do acordo) que foi selada a aliança da esquerda para o segundo turno das eleições de 2018.  Haddad (PT + PC do B), Ciro (PDT), Boulos (PSOL) e mais o PSB estarão juntos.

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