domingo, 1 de novembro de 2015

As razões do atraso
de  200  anos  da imprensa brasileira

                                   

Paulo Nogueira                                 O JN vive de subsídios

O Jornal Nacional vive de subsídios

No livro Vida e Morte dos Barões da Imprensa, não vertido para o português, o escritor Piers Brandon conta uma coisa interessante.
Os barões ingleses e americanos surgiram a partir de mais ou menos 1830. Até então, os jornais viviam basicamente de subsídios governamentais, e isso de alguma forma evitou o surgimento de colossos como Pulitzer e Hearst.
Até 1830, o jornalismo nos Estados Unidos e na Inglaterra, os dois países com a melhor mídia do mundo, viveu uma fase pré-capitalista.
Por essa métrica, a dos subsídios, você logo chega à conclusão de que o jornalismo brasileiro está 200 anos atrasado.
Em pleno 2015, sem o dinheiro público as grandes empresas de mídia brasileiras simplesmente não sobrevivem.
Escrevi certa vez que cada pastilha da sede da Globo foi paga pelo contribuinte, e não exagerei.
Considere as múltiplas maneiras pela qual o dinheiro público vai dar nas corporações jornalísticas.
Você tem a bilionária publicidade federal. Mesmo com audiências cadentes, a Globo tem recebido 500 milhões ao ano do governo federal.
Não sei se rio ou choro quando leio a infâmia de que o DCM vive do governo. Ora, se dependêssemos do governo simplesmente não existiríamos.
A estrutura publicitária do governo é voltada para as grandes empresas. É muito mais fácil para a Globo buscar em Brasília meio bilhão ano após ano do que um site como o DCM conseguir um milésimo disso, ou até menos, com um audiência que cresce todo dia.
Não dependemos do governo – graças a Deus.
As grandes empresas sempre dependeram, e os privilégios contínuos as fizeram ser ineficientes como filhos mimados.
Não é apenas a publicidade federal que abarrota a caixa das empresas. Os governos estaduais também contribuem fortemente para o enriquecimento dos barões.
O governo de Aécio em Minas foi uma festa para a Globo, que sempre lhe deu em contrapartida tratamento vip. O governo estadual do o PSDB em São Paulo chega ao cúmulo de comprar milhares de assinaturas da Veja que vão dar em escolas cujos alunos sequer tiram os exemplares do envelope.
Até o papel de jornais e revistas é subsidiado. É o chamado “papel imune”. Um dinheiro que poderia construir escolas fica na Folha, na Globo, na Abril, no Estadão e por aí vai.
Jânio ficou incomodado com isso. Num pronunciamento em cadeia nacional, denunciou o mau uso do dinheiro público com o papel subsidiado pelo povo.
No programa, ele segurava uma edição dominical do Estadão.
Isso foi em 1961. Jânio logo passou, e o papel imune está ainda vivíssimo, mais de meio século depois.
O BNDES também foi sempre uma fonte de subsídio para as companhias de jornalismo. A nova gráfica da Globo foi feita com financiamento maternal do BNDES. A Abril reformou a tecnologia de seu departamento de assinaturas, poucos anos atrás, com dinheiro do BNDES.
Não bastasse todas essas coisas, há um subsídio indireto que se chama reserva de mercado.
Jornais e revistas criticaram a reserva de mercado duramente nos anos 1980. Com Collor se iniciou a abertura econômica, e a reserva de mercado desapareceu de quase todos os setores.
Mas não da imprensa.
Grandes empresas internacionais ficaram impedidas de se instalar no Brasil.
Foi bom apenas para os barões. Para a sociedade, foi um horror.
Num artigo em que defendeu a reserva, a Globo alegou que os chineses poderiam fazer propaganda comunista com os canais de tevê que porventura comprassem.
A imprensa brasileira opera num sistema pré-capitalista, como os barões americanos e ingleses dos primórdios do século 19.
Por isso é tão ruim.

José  Eduardo  Cardozo:

a porteira aberta para o

golpismo  ‘institucional’

porteira
Avessa à pequena política, a Presidenta Dilma Rousseff dá a impressão de não perceber que cabe aos seu auxiliares, neste caso, suprir o que é sua falta de apetite.
Foi assim no caso da permanência de Aloízio Mercadante, cuja substituição – não é preciso nenhuma longa tese para explicá-lo – por Jaques Wagner produziu tantos e tão bons frutos em tão pouco tempo.
Mercadante tem a mesma inapetência e falta de jeito para a política miúda que a Presidente e, portanto, acabava por exponenciar o problema.
O caso do Ministério da Justiça é semelhante e tão grave quanto. Ou mais.
Não se está discutindo as qualidades e a dignidade pessoais de José Eduardo Cardozo.
O que se discute são suas características.
Cardozo não é homem de  se afirmar como chefe.
E é preciso.
Aliás, é preciso mais: é preciso que ele seja chefe e que a Polícia Federal tenha um chefe.
Chefes, nas áreas jurídicas, não definem quem ou o que será investigado ou objeto de medidas judicial, isso é inadmissível, sim.
Mas chefe determina e controla  o como se irá proceder.
Define o método e o método não pode ser o do abuso e o da politização da polícia.
Comandá-la com autoridade faz com que insubordinações, atropelos aos ritos legais, vazamentos e abusos tenham consequências. Nem sempre públicas, mas bem entendidas pela instituição.
Quando não se faz isso num serpentário como são as instituições policiais, as cobras criam asas.
Ao contrário das corporações militares – onde há um núcleo que raciocina estrategicamente, que tem preocupações geopolíticas, visão de desenvolvimento nacional, pelo papel de defensor da integridade e da soberania do país – as polícias são instituições sem brilho, mesquinhas pela sua própria função.
Claro que com exceções, a função policial induz ao exercício do poder autônomo. O de considerar que seu “direito” de investigar, notificar, acusar, indiciar, prender é absoluto.
É por isso que – ao contrário do que ocorre com as Forças Armadas, que se regulam e cultivam a disciplina e a hierarquia como pilares de sua existência - a polícia precisa de um imenso sistemas de freios e contrapesos, cujo fulcro pessoal está fora da corporação, no caso da União, no Ministro da Justiça.
Está evidente que, se não há sabotagem, há leniência do comando da Polícia Federal com a disciplina interna.
É impensável que um policial se exponha fazendo tiro ao alvo na imagem da Presidente da República e só depois de uma grita geral ele tenha sido “camaradamente” punido. E olhem que é econômico dizer isso para quatro dias de suspensão, aplicados um ano depois (um ano depois!!!) de o assunto se tornar público.
Isso, com o perdão da palavra, é um achincalhe!
Agora some o fato de delegados da Lava Jato montarem grupinho político eleitoral no facebook, vazarem o que querem, a sindicância da escuta clandestina arrastar-se há meses sem consequências, e vá imaginando o clima que existe dentro da Polícia Federal.
As cobras estão todas aladas, surfando na “onda” em que a imprensa – óbvio – elevou a Polícia Federal como “salvadora da pátria”.
Este foi e é o problema de José Eduardo Cardozo e é algo que foi além da Polícia Federal, porque transmite para todos os setores com os quais institucionalmente tem de se relacionar – a Justiça, o Ministério Público – a imagem de um fraco, sem comendo, sem decisão, um passageiro dos fato e não um condutor de situações.
Não é o caso de “o Lula não quer”, ou de “o Lula quer indicar o fulano”.
É que Cardozo se tornou uma porteira aberta por onde passa a caravana golpista.
Não conseguirará recuperar a pouca autoridade que teve e muito menos conquistar a que jamais exerceu.
É algo que está evidente há tempos e a cada dia que passa será mais difícil a missão de seu sucessor, porque fechar porteiras pelas quais a boiada já atravessa é muito, muito mais difícil.

Marcelo Odebrecht  cancelou  o 'show' midiático de Sérgio Moro

      modebrecht
Arriscada, provou-se eficiente a estratégia de Marcelo Odebrecht nessa última sexta-feira(30) ao, finalmente, ser interrogado pelo Juiz Sérgio Moro, depois de 133 dias mofando na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.
Quem esperava um depoente raivoso ou, ao contrário, amedrontado, não viu uma coisa ou outra.
A quem assistiu, ficou a impressão de alguém muito disciplinado e focado no que pretende, juridicamente.
E o que pretende a defesa de Odebrecht é recolocar o processo no rito convencional: a Polícia e o Ministério Público produzem provas e o acusado as contesta.
Ninguém tem a obrigação de responder a perguntas genéricas do tipo: “como eram seus negócios com a Petrobras?”, “o senhor conhece  Fulano de tal?”, “senhor já ouviu falar de tal coisa?”.
É à PF e ao MP que competem mostrar que tal ou qual negócio era irregular, que havia uma relação criminosa com aquele Fulano e que o acusado participava da “tal coisa” ilegal.
Óbvio que ao longo de 70 anos de história de uma empreiteira, mãos foram molhadas em n+1 ocasiões e nem se quer aqui santificar empreiteiro que, como se sabe, não vai para o Céu no juízo final. Mas não é disso que se tratava em qualquer tribunal que não seja aquele do Dr. Moro: é de um caso específico, com negócios específicos, com pessoas e pagamentos específicos.
Achar que uma potência empresarial do tamanho da Odebrecht, com mais de 150 mil empregados e estabelecida nos Estados Unidos, África, Oriente Médio e Europa funcione como um botequim, onde o filho do português controla o caixa com um lápis detrás da orelha, é algo que não pode passar pela cabeça de qualquer um de bom senso.
E seu executivo sabia que seria isso o que se preparou para seu interrogatório.
Espertamente, escapou disso e ateve-se aos pontos que o Ministério Público apontou em sua denúncia.
Até porque, claro, sabe que apresentar defesa a Sérgio Moro é o mesmo que cumprir tabela em campeonato decidido: nada do que disser ou provar servirá para inocentá-lo ou mitigar sua condenação.
Ele já está condenado e sabe disso.
Como todos estão na vara do Dr. Sérgio Moro - e já estavam há meses - desde que as investigações se iniciaram com um projeto de “culpas” muito bem definido.
Marcelo Odebrecht fez o que desejava no interrogatório: demonstrar que não aceita o jogo de cartas marcadas de um julgamento que já tem sentença pronta antes mesmo de ser oferecida a denúncia.
A sua batalha não será em Curitiba e nessa sexta(30)  mostrou que é para ela que se guardou, evitando qualquer novo dano.

Em manifesto, evangélicos exigem saída de Eduardo Cunha, ovelha desgarrada e abjeta, da presidência da Câmara

Original no 'Opera Mundi'      imagem de Luiz Cesar 2Luis Nassif Online

Resultado de imagem para Fotos recentes de eduardo Cunha

Documento ressalta compromisso com 'a ética, a verdade e a justiça' e afirma que denúncias de corrupção e envio de recursos públicos para contas no exterior inviabilizam permanência de Cunha no cargo
Um grupo de lideranças evangélicas, entre pastores, pastoras, bispos, bispas e crentes de diversas igrejas, divulgaram nessa última quarta-feira (28/10) um manifesto pedindo a saída do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Presidência da Câmara dos Deputados.
O manifesto, que está disponível na internet para que evangélicos de todo o país o assinem, foi protocolado  na Câmara dos Deputados. Segundo o documento, "as ações do Deputado Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados e que se identifica como evangélico, merecem repúdio": "As denúncias de corrupção e o envio de recursos públicos para contas no exterior inviabilizam a permanência do deputado Eduardo Cunha no cargo que ocupa, uma vez que não há coerência e base ética necessária a uma pessoa com responsabilidade pública." 
O texto salienta a diversidade da comunidade evangélica no Brasil e refuta a "homogeneização dessa pluralidade" e a tentativa de representantes políticos de se apresentarem como a "voz dos evangélicos". Os assinantes do documento lembram o compromisso com "a ética, a verdade e a justiça" e se posicionam a favor da imediata saída do deputado da Presidência da Câmara.
Leia a íntegra do manifesto(ORIGINAL AQUI,com 3518 assinaturas, até 28/10/2015) :
Nós, abaixo assinados, representantes e membros de segmentos e de movimentos evangélicos identificados com um Brasil justo e democrático, e numa iniciativa apartidária, manifestamos, juntamente com outros setores da sociedade civil, nossa preocupação com o atual momento da sociedade brasileira, marcado por uma aguda crise política.
Esse quadro se traduz nos conflitos institucionais entre os poderes da República, resultado também de um modelo de governabilidade frágil, que precisa ser revisto através de uma profunda Reforma Política. Como agravante e, ao mesmo tempo, endêmica a esse modelo, a corrupção corrói a confiança na democracia brasileira, deixando a população perplexa com as práticas ilícitas de gestores e de representantes, em diferentes instâncias, de todos os três poderes.
Nesse contexto, as ações do Deputado Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados e que se identifica como evangélico, merecem repúdio. As denúncias de corrupção e o envio de recursos públicos para contas no exterior inviabilizam a permanência do deputado Eduardo Cunha no cargo que ocupa, uma vez que não há coerência e base ética necessária a uma pessoa com responsabilidade pública.
A comunidade evangélica brasileira é diversa tanto em suas tradições e práticas religiosas quanto ideológica e politicamente. Há, nos últimos anos, uma forte tendência, a partir da crescente visibilidade política de lideranças eleitas em diferentes níveis, de homogeneizar essa pluralidade e apresentá-la como se tais representantes fossem a voz dos evangélicos. Nós nos opomos enfaticamente a isto. E afirmamos que, frente a casos como o que protagoniza o atual presidente da Câmara dos Deputados, a corrupção não é a marca distintiva da política para os evangélicos. Ela é a marca de certa "safra" de representantes. Mas os evangélicos não somos assim e não podemos mais deixar que nos identifiquem como tal.
Sendo assim, como evangélicos que prezam a ética, a verdade e a justiça, concordamos quanto à insustentabilidade da permanência do Deputado Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados e posicionamo-nos a favor de sua imediata SAÍDA.
27 de outubro de 2015, Semana da Reforma Protestante, 498 anos

Do AMGóes - desculpem-me os milhares de evangélicos indignados que subscrevem o manifesto: só se posicionam pela saída de Cunha 'da presidência da Câmara', mas entendem que ele deve ficar, como fazia antes, fomentando ignomínias e corrompendo dezenas de pares no 'baixo clero' da Casa? Acham que o Consentino é um CANALHA, mas preservam seu mandato, desempenhado de forma tão criminosa?    

O responsável pela  capa infame 

da Veja tem nome e sobrenome: 

Giancarlo Civita

                                                                                  

Paulo Nogueira       

Inepto
Despreparado e calhorda
O responsável pela capa criminosa da Veja desta semana tem nome e sobrenome: Giancarlo Civita.
Se Lula decidir processar alguém, é Gianca.
Num mundo menos imperfeito, Gianca pagaria por seu crime com uma temporada na cadeia.
Mas o Brasil é, infelizmente, muito imperfeito quando se trata de julgar plutocratas como ele.
Mesmo o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, é um peão diante de Gianca. Eurípedes fazia o que Roberto Civita mandava e, morto este, faz o que Gianca manda.
Trabalhei com Gianca.
Gianca é aquele cara que não sabe fazer nada. Boa praça, no dia a dia, mas incompetente na plenitude.
Seu pai tem responsabilidade aí. Nunca treinou Gianca. Nunca deu a Gianca uma posição decente na Abril. Nunca acreditou profissionalmente em Gianca.
Excluído na Abril sob o pai, Gianca tentou alguns empreendimentos sozinho. Num deles, vendia revistas da Abril que comprava a preços de pai para filho.
Nunca acertou em nada.
Seu pai achava-o bonzinho demais para funcionar como executivo. “Sweet Gianca”, falava, depreciativamente.
Gianca sempre teve profundos problemas psicológicos e de afirmação. Uma vez, me disse que detestava revistas. “Meu pai sempre deu muito mais atenção a elas que a mim”, explicou.
Não as lia, e nem lia nada, muito menos livros.  (Nunca vi um Civita com um livro na mão, aliás.) Gostava de ficar horas vendo desenhos no Cartoon Network.
A capa criminosa
A capa criminosa
Parece que Gianca decidiu descontar seu complexo em Lula.
Ninguém nunca o levou a sério na Editora Abril até que a natureza o fez assumir as rédeas, como primogênito de Roberto.
Roberto, como seu xará Marinho da Globo, não admitia a hipótese de morrer. E por isso jamais preparou Gianca e nem seus outros dois filhos, Victor e Roberta.
Quando deu entrada no Hospital Sírio e Líbanês, achava que era uma banalidade. Tinha uma cirurgia na segunda, e manteve na agenda reuniões de trabalho para a quinta, certo de que já estaria de volta à Abril.
Um imprevisto na cirurgia acabaria matando-o depois de uma prolongada temporada no hospital que custou 6 milhões de reais aos Civitas.
Gianca, morto o pai, virou presidente executivo da Abril sem saber coisa nenhuma de administração e, muito menos, de jornalismo.
É a maldição das empresas familiares.
Sem saber fazer uma legenda, preside o Conselho Editorial da Abril, a quem a Veja responde.
Dali, comanda a corrente de ódio que a Veja despeja sobre os brasileiros todos os dias e todas as horas.
É uma situação absurda e injusta. Os Civitas eram remediados quando se instalaram no Brasil, nos anos 1950.
Graças ao Brasil, a família se tornou riquíssima.
E a resposta de Gianca é esta: cuspir no Brasil. Levar os brasileiros a acharem que são o pior povo do mundo.
Uma família que recebeu tanto dos brasileiros age como se fosse credora, numa aberração sem precedentes.
Os Civitas se valem de uma estrutura jurídica feita para proteger gangsteres editoriais como eles.
Repito.
Num mundo menos imperfeito, esta capa da Veja conduziria Gianca a um lugar: a cadeia.

Instituto Lula desmonta factoide ‘requentado’ da 'Época', perfídia da 'Veja' dois meses atrás           
                 

época
NOTA À IMPRENSA  - Sábadom, 31 de outubro de 2015
O lado escuro do ”outro lado” no jornalismo sensacionalista de Época
A revista Época especializou-se em distorcer e manipular documentos, muitos deles vazados de forma ilegal, para difamar e caluniar o ex-presidente Lula. Esta semana, a revista, e o autor da matéria, Thiago Bronzatto, fazem isso novamente.
A revista não tem interesse em entender ou reportar os fatos de forma fiel, quer apenas construir ilações. Não tem o que se chama de 'jornalistas investigativos': são apenas redatores sensacionalistas, operando documentos vazados ilegalmente. Não apresenta fatos, quer apenas especular e fazer barulho em cima de tais documentos, tentando criar factoides políticos, vender mais revista e fazer audiência em redes sociais.
Não respeita o contraditório e engana os leitores, vendendo como “novidade” matérias requentadas. Por exemplo, colocando a tarja “Exclusivo” na capa desta semana, para um tema tratado em agosto por sua concorrente mais famosa e ainda mais mentirosa.
Para simular que ouve o “outro lado”, quase toda sexta-feira envia à assessoria do Instituto Lula burocráticos e-mails com perguntas cifradas, que escondem tema principal da matéria e o teor das ilações. A essa altura da produção da revista, as teses e especulações já estão prontas e, muitas vezes, até divulgadas no twitter do editor-chefe.
Nestes e-mails, seus jornalistas disfarçam ou sonegam informações necessárias para as respostas adequadas, como aconteceu mais uma vez nesta sexta-feira. Procurada pelo repórter Thiago Bronzatto, com perguntas que remetiam a um relatório do Coaf vazado de forma ilegal para a revista Veja, em agosto, a assessoria de imprensa do Instituto Lula perguntou diretamente: “É sobre o relatório do Coaf que a Veja já deu em agosto?”. O repórter de Época se recusou a esclarecer essa questão simples. Pior: ele mentiu, associando as perguntas a diferentes operações da Polícia Federal e Ministério Público, quando na matéria ele diz, e não dá para saber se é verdade também, que obteve o documento através da CPI do BNDES.
A questão não é menor: existe hoje uma investigação sobre o vazamento das informações desse relatório do COAF. O ex-presidente Lula e a empresa LILS solicitaram ao Ministério da Justiça, ao Ministério da Fazenda e à Procuradoria-Geral da República que apurem, na competência de cada instituição, as responsabilidades pela violação criminosa do sigilo bancário da empresa de palestras criada por Lula após deixar a presidência da República, a LILS.
No e-mail, o repórter já criminaliza os fatos, ao dizer que Lula teria feito “operações atípicas” no “mercado segurador”. Na realidade Lula apenas adquiriu um plano de previdência privada com o dinheiro ganho em palestras. É isso que informa o relatório do COAF, vazado criminosamente para Veja e requentado pela Época.
Numa apuração honesta, não era necessário perguntar nada ao Instituto Lula; bastaria conferir a nota(aqui) que emitimos em 18 de agosto.
Não há nada de ilegal na movimentação financeira do ex-presidente. Os recursos são oriundos de atividades profissionais, legais e legítimas de quem não ocupa nenhum cargo público: os valores mencionados no vazamento ilegal se referem a 70 palestras contratadas por 41 empresas diferentes, listadas no link acima. Todas palestras realizadas, contabilizadas e com os devidos impostos pagos. Tem palestra até para a Infoglobo, do mesmo grupo de comunicação que edita a revista Época.
Se Época acha que o valor pago é alto, poderia perguntar à direção do Infoglobo, que pagou o valor da palestra e que explicou, no jornal O Globo, que o fez por “participar de iniciativas que contribuem para o desenvolvimento e a promoção do Rio de Janeiro. Em 2013, com esse objetivo, a empresa apoiou a Fecomércio-RJ na realização de um seminário sobre o mapa do comércio no Estado do Rio. Além de divulgar o evento em seus jornais, a Infoglobo arcou com os custos dos palestrantes, inclusive do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
Fazer palestras para uma empresa não implica em nenhuma outra relação e é uma prestação de serviço pontual que mantém a total independência do ex-presidente em relação ao contratante. Tanto que o ex-presidente ter feito uma palestra para a Infoglobo não o impede, ou sua família ,de mover processos contra o jornal, por exemplo, pela mentira contra o filho do ex-presidente(aqui) publicada por Lauro Jardim em sua estreia em O Globo, na capa dominical do diário.  Mentira pela qual até hoje, nem o colunista nem o jornal se retrataram publicamente.
Jornalistas de Época caluniam, mais uma vez, ao chamar Lula de lobista e já estão sendo processados por isso na justiça, junto com o editor-chefe Diego Escosteguy.
Sobre a patética campanha de parte da imprensa tradicional e familiar brasileira contra Lula e sua família, que só esse mês rendeu 5 capas ofensivas de revistas semanais contra ele, o ex-presidente, com tranquilidade, declarou na última quinta-feira em Brasília:
“Eu só queria que vocês não ficassem preocupados com esses problemas porque digo sempre: ninguém, podem ter certeza, ninguém precisa ficar com pena. Se tem uma coisa que aprendi na vida é enfrentar adversidades. Podem ter certeza. Se o objetivo é truncar qualquer perspectiva de futuro, então vão ser três anos de muita pancadaria. Três anos. E podem ficar certos: eu vou sobreviver. Não sei se eles sobreviverão com a mesma credibilidade que eles acham que tem. Mas eu vou sobreviver.”
ÍNTEGRA DA TROCA DE E-MAIL COM THIAGO BRONZATTO, DA REVISTA ÉPOCA
Thiago Bronzatto – Redação Época Brasília – Editora Globo tbronzatto@edglobo.com.br / 30 de outubro de 2015, 11:25:

Caros, Tudo bem?
Estamos fazendo uma matéria para a próxima edição da revista ÉPOCA na qual mencionaremos o ex-presidente Lula. Vocês poderiam, por favor, me ajudar a esclarecer as dúvidas abaixo?
1-) No âmbito da operação Zelotes, foram identificados repasses de recursos da empresa L.I.L.S. para os filhos do ex-presidente e as suas respectivas empresas. Qual a razão dessas transferências?
2-) Qual a posição do ex-presidente Lula em relação à intimação da PF para ouvir o seu filho Luis Cláudio?
3-) No âmbito das investigações da Lava Jato e do MPF, há informações de que Lula tenha realizado movimentações financeiras no mercado segurador consideradas atípicas. O ex-presidente tem conhecimento disso? Qual a sua posição?
Estamos fechando hoje às 16h. Qualquer dúvida, estou nos contatos abaixo.
Aproveito este e-mail para reiterar o pedido de entrevista presencial com o ex-presidente Lula, enviado no dia 29 de junho deste ano, conforme sugerido pelo próprio Instituto Lula em nota publicada em seu site. Até agora, não tive nenhuma resposta sobre a minha demanda.
Abraço e obrigado, 
Resposta da Ass. De Imprensa do Instituto Lula imprensa@institutolula.org
30 de outubro de 2015, 13:25:

Caro Thiago, É sobre o relatório do Coaf que a Veja já deu em agosto?
Thiago Bronzatto às 13:29:
Caro, trata-se de matéria diferente, como você deve ter percebido em nossas perguntas. Abraço, Thiago.
Ass. De Imprensa Instituto Lula às 13:54:
Caro, que é outra matéria é óbvio. O tempo espaço impede que uma matéria da Época em outubro seja a mesma da Veja em agosto. Seria até plágio.
O documento base, o qual você não identifica, nem explica, como é habitual nos seus “outros lados”, parece o mesmo, pelas perguntas 1 e 3. Como não tenho certeza ser o mesmo, perguntei. E você não respondeu.
Sobre esse documento, há uma investigação em curso sobre o vazamento das informações nele, que estavam sob sigilo de justiça.
Veja fez até um infográfico com ele na época, com perdão do trocadilho.
Tiago, a gente já respondeu ao seu pedido de entrevista faz tempo, você apenas falha em compreender isso e faz esse copiar-colar toda a sexta-feira. Não haverá entrevista para a Época, porque a revista é considerada um lixo, como foi publicamente dito. E pela existência de ações judiciais e a necessidade de correções factuais em matérias anteriores que a revista Época, e você especificamente, jamais fizeram.
Atenciosamente,
Thiago Bronzatto, às 14:02:
Caro, eu gostaria apenas que você respondesse objetivamente as minhas questões. Posso considerar o seu e-mail como resposta oficial da assessoria de imprensa do Lula? Abraço, Thiago.
Assessoria de Imprensa do Instituto Lula, às 14:19:
Caro Thiago, E eu gostaria apenas que você fizesse matérias de forma objetiva, imparcial, sem sensacionalismo e com correção factual. E também com  a devida checagem de informações, sem pegadinhas e realmente interessado em ouvir o outro lado. Mas como dizem os Rolling Stones, você não pode ter sempre o que você quer. Todos os meus e-mails para você, assim como todas as suas mensagens para mim, podem se tornar públicos a qualquer momento que você quiser ou que nós quisermos, como já fizemos em outras ocasiões. Atenciosamente...