domingo, 3 de abril de 2016

Lava Jato  não  mandou

ao  STF  bilhete  que

cita  Dilma

O bilhete entregue por Meire Poza não significa muita coisa. Aparentemente trata de uma data com relação à presidente Dilma Rousseff. Mas, precisa ser investigado e quem pode fazer isso é o STF; Foto Reprodução
O bilhete entregue por Meire Poza não significa muita coisa. Aparentemente trata de uma data com relação à presidente Dilma Rousseff. Mas, precisa ser investigado e só quem pode fazer isso é o STF.

Um bilhete divulgado no dia  11 de março pela revista Isto É na reportagem O bilhete(AQUI) que liga o doleiro a Dilma, pode demonstrar mais uma estratégia dos 'operadores' da Lava Jato: esconder do Supremo fatos que deveriam levar o caso para aquela Corte. Embora o bilhete, aparentemente, não comprometa a presidente, o simples fasto de se seu nome ser citado ali obrigaria a que o caso fosse mandado para o STF. Mas isto não aconteceu.

O papelucho, entregue ao delegado Marcio Anselmo Adriano, que chefia a equipe da Polícia Federal em Curitiba responsável pela investigação, em abril de 2014, jamais foi anexado a qualquer processo, como informou a própria revista. Mas ele foi usado como forma de pressão junto ao ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e ao líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), pela Associação dos Delegados Da Polícia Federal (ADPF), segundo narrou Luis Nassif, na reportagem postada no JornalGGN: O xadrez(AQUI) da polícia Federal na era das corporações
Estas irregularidades, que há muito nós denunciamos aqui no blog, podem sim comprometer a Operação Lava Jato. Isto foi dito com todas as letras pelo relator dos recursos deste caso no STF, ministro Teori Zavaski,  que parecia estar com os olhos vendados ao que vem ocorrendo Em sua manifestação, deixou claro que é preciso punir todos os responsáveis por crimes, independentemente do cargo ocupado. Mas avançou:
“Para o Judiciário, e sobretudo para o STF, é importante que tudo isso seja feito com estrita observância da Constituição Federal, porque eventuais excessos que se possam cometer com a melhor das intenções de apressar o desfecho das investigações, nós já conhecemos essa história e já vimos esse filme, isso pode se reverter num resultado contrário. Não será a primeira vez que, por ilegalidades no curso de uma apuração penal, o STF e o STJ anularam procedimentos penais nessas situações”.
O novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, tem a espinhosa missão de controlar a legalidade dos atos da Polícia Federal - Foto: Marcelo Auler
O novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, tem a espinhosa missão de controlar a legalidade dos atos da Polícia Federal – Foto: Marcelo Auler
Usando uma expressão de Nassif, “o fim da fase Pôncio Pilatos do STF”, espera-se que se tenha iniciado um novo período em torno da Operação Lava Jato, com a posse do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, e com a sessão de quinta-feira (31/03) do Supremo Tribunal Federal. Aragão promete controlar a Polícia Federal. Não a investigação, mas a legalidade das operações. 
Precisa agir rápido, antes que a máquina o absorva ou comece a lhe dar bola nas costas. Infelizmente, ele não pode confiar na equipe que está à frente do Departamento de Polícia Federal (DPF), a começar por Leandro Coimbra Daiello, seu diretor-geral. Ali, quase ninguém escapa, no mínimo, da omissão ao longo deste 24 meses de Lava Jato, quando a superintendência do DPF no Paraná cometeu inúmeras ilegalidades e/ou irregularidades.
Não é de hoje que se denuncia isto, sem que nada tenha sido feito pela direção-geral do DPF. Antes pelo contrário, tentaram abafar tudo e jogar para debaixo do tapete. Basta ver sindicâncias que não terminam ou as que foram arquivadas sorrateiramente, beneficiando quem cometeu irregularidades. Aragão sabe disso e tem prometido agir. Da mesma forma que ele é crítico a alguns de seus colegas do Ministério Público Federal.
Só que, na condição de ministro, não é sua intenção passar como um trator no DPF fazendo a política de terra arrasada. Vai comer pelas bordas, até para não comprometer projetos maiores, como o da segurança nos Jogos Olímpicos. Mas, há quem ache que ele já deveria estar sinalizando com gestos concretos e não apenas com discursos. É confiar e esperar para ver.
Mas, se o ministro é novo e ainda passa pela fase de reconhecimento do terreno onde pisa, não se pode falar o mesmo dos ministros do STF. Sabe-se que eles não gostaram do comentário de Lula, em um dos telefonemas grampeados a mando de Moro, de que estariam sendo omissos. Mas, no fundo, se omitiram – ou lavaram as mãos como Pilatos, na expressão de Nassif – em muitas situações.
Na sessão de quinta-feira (31/03), porém, parecem ter iniciado uma mudança de posição. Nela, além da maioria ter concordado com a cautelar do ministro Teori Zavascki avocando as investigações contra o ex-presidente Lula para aquela corte, alguns verbalizaram algo que este blog vem alertando desde 20 de agosto: as irregularidades cometidas nas investigações da Lava Jato poderão comprometer toda a operação ou, pelo menos, parte dela. Zavascki deu o alerta postado acima.
Marco  Aurélio Mello: "Nós, magistrados, não somos legisladores, não somos justiceiros. (...) Não se avança atropelando regras básicas".- Foto: Carlos Humberto.SCO/STF
Marco Aurélio Mello: “Nós, magistrados, não somos legisladores, não somos justiceiros. (…) Não se avança atropelando regras básicas”.- Foto: Carlos Humberto.SCO/STF
Já o ministro Marco Aurélio Mello há algum tempo vem apontando ilegalidades. O fez quando levaram Lula, sob coerção, para depor, no dia 4 de março. Na época, foi sarcástico:
“Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão de resiste e não comparece para depor”. 
Em seguida, acrescentou “é preciso colocar os pingos nos ‘is’. Vamos consertar o Brasil. Mas não vamos atropelar. O atropelamento não conduz a coisa alguma. Só gera incerteza jurídica para todos os cidadãos. Amanhã constroem um paredão na praça dos Três Poderes”, afirmou.
Até o momento, porém, nenhuma autoridade a quem caberia tomar as rédeas das investigações destas irregularidades, fez qualquer gesto neste sentido. Antes pelo contrário, estão deixando correr solto em sindicâncias que não acabam ou outras feitas sorrateiramente sem alarde. Enquanto isso, os Operadores da Lava Jato continuam tentando tampar o sol com a peneira escondendo fatos do passado, bem como insistindo em erros anteriores. Na sexta-feira, por exemplo, durante a Operação Carbono 14, voltaram a levar coercitivamente o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o jornalista Breno Altman, como descrito na reportagem Operação “Carbono14″(AQUI): mandados ficaram um mês na gaveta. Por que?
Dois outros  exemplos claros foram divulgados recentemente e não geraram qualquer espécie de reação, nem mesmo do ministro Aragão. Ambos, porém, salvo melhor juízo – como gostam de dizer os operadores do Direito -, deveriam preocupar. O primeiro deles é o caso do bilhete, narrado pela Isto É
A contadora de Youssef, Meire Poza, entregou o bilhete em abril de 2014. Nada foi feito com o mesmo segundo a revista Isto é. Foto Reprodução.
A contadora de Youssef, Meire Poza, entregou o bilhete em abril de 2014. Nada foi feito com o mesmo segundo a revista Isto é. Foto: reprodução.
A entrega do bilhete ao delegado Marcio Anselmo Adriano, em abril de 2014, foi feita pela contadora de Alberto Youssef, Meire Poza, figura bastante polêmica e controversa. Inclusive, e principalmente, na sua relação com a Polícia Federal e a Justiça
A revista, dentro de sua linha editorial de incentivo ao impeachment, abordou o caso como sendo mais lenha na fogueira em que querem queimar a presidente. O curioso foi a falta de percepção que algo mais grave pode estar por detrás deste pedaço de papel.
Ele, na verdade, tem o nome de Dilma mas não tem nenhuma insinuação de que seja alguma contabilidade, embora cite valores. Na descrição da revista, ao receber o papel, o delegado Marcio Anselmo Adriano, chefe da investigação da Lava Jato, não escondeu seu contentamento:
“Que coisa maravilhosa”, teria dito.
O bilhete não diz muita coisa. Tem algumas cifras. Um endereço incompleto, aparentemente no bairro de Copacabana, zona Sul do Rio de Janeiro. Relaciona o valor de R$ 1 milhão com Brasília. Cita um “novo embaixador” tendo ao lado o valor de 1.000 e outro de 50, com uma palavra ininteligível. Por fim vem a citação “Dilma 17 viagem”. Embaixo o que seria um horário 16:30.
O surgimento do bilhete deveria gerar uma investigação em torno do caso, até para se destrinchar o que ele quer dizer. Mas isso, obviamente, com o aparecimento do nome Dilma, precisava ser feito que despertou o comentário do delegado – “que maravilha” – segundo a revista Isto É, não teve qualquer serventia à Lava Jato. Sequer foi juntado a algum processo. Uma dúvida inicial é a quem o delegado o mostrou. O juiz e os procuradores saberiam dele? Concordaram em não remetê-lo ao Supremo?
Luiz Nassif atribui a frase do deputado/delegado Fernando Francischini ao uso do bilhete como forma de pressão.
Luiz Nassif atribui a frase do deputado/delegado Fernando Francischini ao uso do bilhete como forma de pressão.
Ao que tudo indica, o bilhete ficou escondido pois, em abril de 2014, se o remetessem para o Supremo – como deveria ter sido feito -, a Força Tarefa de Curitiba corria o risco de perder o controle das investigações. Uma hipótese que assusta os seus operadores. Com isso, até hoje, porém, ninguém investigou este fato ou pediu explicações ao delegado.
A falta de investigação, de transparência e do esclarecimento do que este papel significa, entretanto, serviu para jogadas escusa nos bastidores político. O que se sabe, e é grave, foi narrado por Nassif no artigoO xadrez(AQUI) da Polícia Federal na era das corporações.
Segundo ele, o bilhete foi utilizado para a Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) pressionar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), pela aprovação de leis do interesse dos delegados. Consta ainda da reportagem:
“Costa e Cardozo tiveram papel central na aprovação dessas duas leis. E se aliaram aos delegados nas discussões sobre a MP 650, que pretendia definir uma carreira única para o órgão. Na verdade, os delegados colocaram uma faca no pescoço do governo e saíram vitoriosos. A faca, no caso, foi um bilhete manuscrito de Alberto Yousseff que continha um mero “Dilma 17 viagem”. O bilhete apareceu em abril de 2014 e não foi encaminhado à Procuradoria Geral da República, ficou nas mãos dos delegados”
A reportagem relaciona a este papel e às leis aprovadas à correria, uma frase atribuída ao delegado/deputado federal Fernando Francischini (SD-PR) pelaFolha de S. Paulo (veja foto acima) em uma referência à MP 657/2014
O governo teve que editar uma MP ontem a noite porque sabia que hoje ia ser pancadaria. Botamos o governo de joelhos.”
A MP, em si, apenas confirma no cargo de diretor-geral um delegado de carreira da classe especial. Exige três anos de experiencia jurídica ou como policial para a posse e estipula a participação da OAB nos concursos para delegados. Na verdade, atende aos interesses dos delegados e desagrada a todo o resto da Polícia Federal, por impedir que um agente, mesmo com formação superior, possa chegar a diretor-geral. É uma briga um tanto quanto interna do Departamento.
Grave, porém, é a versão de que para aprovar a MP utilizaram uma forma de pressão que se assemelha à chantagem. Mas, quem irá apurar isto? Na atual circunstâncias, nem à oposição interessaria tirar esta questão em pratos limpos, até por envolver um dos seus, o deputado Francischini.
Versões contraditórias - O segundo fato narrado recentemente veio da publicação da revista eletrônica Consultor Jurídico (conjur.com.br) –Operadora informou juiz Sergio Moro(AQUI) sobre grampo em escritório de advocacia. Nela, a revista afirma que, ao contrário do que o juiz Moro disse em carta a o Supremo Tribunal – na qual ele se desculpa e pede escusas -, ele foi informado, por duas vezes, pela operadora de telefonia do grampo que atingia uma banca de 25 advogados.
Moro havia dito ao Supremo desconhecer o grampo ao telefone do escritório de advocacia, que ele mesmo autorizou na Lava Jato. Mesmo que se leve em conta que a revista eletrônica pertence ao mesmo grupo empresarial que assessorou o escritório Teixeira, Martins e Advogados, cujo principal sócio é Roberto Teixeira, advogado e compadre de Lula, a denúncia é sustentada no ofício (AQUI)encaminhado pela operadora de telefonia, como se constata no site da revista.
Como diz a revista, “os ofícios colocam em xeque a afirmação feita por Moro em documento enviado ao Supremo no último dia 29, no qual o juiz confirma ter autorizado o grampo no celular do advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Teixeira, mas diz não saber das interceptações telefônicas do seu escritório.
Ao se explicar para o STF, Moro afirmou: “Desconhece este juízo que tenha sido interceptado outro terminal dele [Roberto Teixeira] ou terminal com ramal de escritório de advocacia. Se foi, essas questões não foram trazidas até o momento à deliberação deste juízo pela parte interessada”.
A questão ganha contornos mais graves quando, segundo a revista, para grampearem o escritório de advocacia – o que permitiu ao MPF, por exemplo, saber com antecedência estratégias de defesa de diversos clientes – os procuradores indicaram o número como sendo do Instituto Lula. Logo, o juiz teria sido levado a erro. Mas depois ele soube pela operadora de onde era aquele telefone e nada fez. Compactuou?
Estas são questões que não cabem apenas à Polícia Federal apurar internamente a possível participação de seus agentes e delegados –  ofícios sugerindo ao MP quebras de sigilos são, normalmente, assinados por estes. Mas, também à Corregedoria da Procuradoria Geral da República,  no que se refere ao oficio encaminhado pelos procuradores – foram induzidos a erro? – ao Supremo – foram inverídicas as informações? 0 grampo foi legal? – e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) verificarem o que realmente ocorreu.
O próprio Consultor Jurídico, em outra postagem, informa:  Em um mês, CNJ recebeu 14 representações(AQUI) contra juiz Sergio Moro. Destas, duas tiveram a liminar negada pela corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi. As outras foram colocadas por ela em tramitação sigilosa.
Alertas do blog – No sentido de refrescar a memória de quem possa investigar estes casos, relaciono abaixo algumas das reportagens em que alertamos que as ilegalidade/irregularidades cometidas pelos operadores da Lava Jato podem vir a comprometer toda a investigação, como agora o próprio ministro Teori admitiu. Até agora, faltou interesse político para investigá-los. Confiamos que este quadro se modifique:
20 de agosto – Lava Jato(AQUI) revolve lamaçal na PF-PR: “Muito embora os chamados operadores da Lava Jato – juiz, procuradores e delegados federais -garantam que em nenhuma das 36 ações – criminais e de improbidade – já propostas contra 180 pessoas (veja infográfico ao lado) tenha sido usado material de escutas clandestinas, há sempre o risco de surgir o que no Direito chamam de “fruto da árvore podre”. Isto é, as defesas poderão questionar se informações colhidas ilegalmente alimentaram em algum momento as ações policiais”.
26 de setembro – O grampo(AQUI) da discórdia na Lava Jato: “Só o completo esclarecimento do tal grampo poderá demonstrar que a Lava Jato não ultrapassa os limites da legalidade em seu ímpeto louvável de punir a corrupção no Brasil. Para quem está imbuído da missão de limpar o País, a transparência não é só recomendável. É essencial”.
12 de outubro – Surgem os áudios(AQUI) da cela do Youssef: são mais de 100 horas: ““Não farei juízo de valores sobre esta descoberta e as suas consequências. Só acho que quem não agiu corretamente no início desta Operação – que é importante no combate à corrupção – deve responder legalmente por isso. O efeito que isto terá em toda a Operação, cabe ao Judiciário avaliar. Não tenho elementos para fazê-lo”, comentou o deputado Aluísio Mendes Guimarães (PSDC-MA).
18 de outubro – Lava Jato(AQUI): o polêmico organograma:”Não se trata aqui, frise-se mais uma vez, de querer questionar os resultados que as investigações da Força Tarefa da Lava Jato têm apresentado e que geram aplausos de todos. Antes pelo contrário, a preocupação maior deve ser exatamente para que no futuro as defesas dos envolvidos não venham questionar possíveis falhas nesta investigação que levem a anulação dela ou de parte dela, como já aconteceu com outras operações policiais”.
19 de outubro – Satiagraha & Lava Jato(AQUI): dois pesos, duas medidas: Não se pode esquecer que a Lava Jato, assim como a Satiagraha mexe com gente poderosa, empresários com entrada junto ao Poder e aos políticos e, principalmente, pessoas acostumadas a resolverem seus problemas na base do toma lá dá cá. Por isto, mais do que nunca, o exemplo daquela operação deve ser visto hoje para se evitar o mesmo final melancólico de um passado recente.
25 de outubro – Lava jato(AQUI): um fato, duas versões da PF-PR. Mentira?: O sucesso da Operação Lava Jato é um anseio de toda a sociedade. Pela primeira vez podemos ver punidos os políticos, empresários e seus asseclas corruptos que tomaram dinheiro dos cofres públicos para financiarem suas campanhas e o estilo de vida que decidiram ter às custas dos mais pobres. Mas, o resultado que já se começa a verificar, com condenações que foram até confirmadas em 2ª instância, precisa ser garantido com a transparência nas investigações. Como já defendemos aqui, sem subterfúgios, práticas ilegais ou mesmo antiéticas. Por isso, é preciso esclarecer logo as dúvidas que surgem no meio do caminho. Como certas contradições. Para um mesmo fato – o resgate do aparelho de escuta em poder do doleiro Alberto Youssef na cela da carceragem da Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal do Paraná (SR/DPF/PR) -, apareceram duas versões diferentes. Logo, sem uma explicação plausível – que não veio -, a conclusão lógica é que uma não corresponde à realidade. Qual delas?
4 de novembro – Lava Jato(AQUI): surgem mais grampos na PF-PR. “Grampolândia”?: “Surpreendente mesmo é que tais fatos, demonstram claramente que a SR/DPF/PR é palco de disputas, algumas irregularidades e prováveis perseguições pessoais, no decorrer de uma Operação do quilate da Lava Jato. Operação esta que a sociedade como um todo apóia e passa a acreditar que fará uma limpa na corrupção no país. Tal como delegados, procuradores e o próprio juiz Sérgio Moro, em diversas oportunidades, apregoaram. Ou seja, algo de suma importância que – como disse Elio Gaspari – não pode deixar brecha para as defesas recorrerem em Brasília em busca da sua anulação. Nada disso, porém, parece sensibilizar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que nada comenta e, pior ainda, não demonstra tomar providências para por ordem na casa e garantir a lisura da investigação para que ela não corra risco. Isto sim, é surreal”.
21 de novembro – Grampo da Lava Jato(AQUI): aproxima-se a hora da verdade: A dúvida maior, no entanto, é se todos estes fatos – grampo ilegal, os áudios das conversas do doleiro com seus parceiros de cela, a possível perda de credibilidade de delegados caso mentiras sejam confirmadas – afetarão de alguma forma toda a Operação Lava Jato. Justamente o medo de que tudo isso venha a prejudicar a punição dos responsáveis pelo grande esquema de corrupção que foi descoberto, é que leva muita gente – a grande imprensa, inclusive – a evitar tocar no assunto. Esquecem, porém, que há um exército de advogados, muitos deles dos melhores escritórios do país, que no legítimo dever/direito de defenderem seus clientes, esmiúçam os bastidores de tudo o que foi feito pela Polícia Federal, Procuradoria da República e a Justiça Federal do Paraná na tentativa de absolver ou, pelo menos, minimizar as punições dos réus que defendem”
6 de dezembro – Lava Jato(AQUI): surge nova denúncia de irregularidade: “O que desde julho era falado em conversas em “off”, papos de corredor, hoje encontra-se oficializado. Em dois depoimentos – o primeiro em Brasília, o outro em Curitiba, nesta última semana -prestados à delegada federal Tânia Fogaça, da Corregedoria Geral (Coger) do Departamento de Polícia Federal (DPF), o também delegado de Polícia Federal, Paulo Renato herrera, e o advogado paulista, Augusto de Arruda Botelho, denunciaram que policiais da Força Tarefa da Lava Jato tentaram obter dados sigilosos de pessoas com foro privilegiado. Tudo sem a autorização da Justiça Federal”.
30 de dezembro – Investigações da Lava Jato(AQUI): dois pesos e duas medidas: Há, porém, uma área em que o trabalho da Força Tarefa da Lava Jato, composta pela Polícia Federal (DPF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), resiste e não caminha: as investigações de irregularidades e até mesmo crimes supostamente cometidos na superintendência no Paraná (SR/DPF/PR) seja com a possível participação direta, conivência ou apenas uma suposta “distração” de agentes e delegados. ela maneira como encaram este problema, verifica-se que não é por falta de instrumentos ou dificuldade na investigação que elas não caminham. Seria muito mais uma opção política. O medo de que estas possíveis ações delituosas ponham o trabalho – ou parte dele – a se perder.

SKAF E PAULINHO DA FORÇA, COMPARSAS NO GOLPE  PARA DETONAR  A CLT

J. Carlos de Assis (*)              

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, queimou as caravelas. É um aventureiro que se derrotou. A extrema irresponsabilidade com que jogou o empresariado industrial paulista, com a força da persuasão do dinheiro do Sesi, na aventura do impeachment ficará como marca indelével de sua arrogância. Seu projeto individual de ser governador de São Paulo a qualquer custo esgotou-se nessa tentativa de golpe. Se o impeachment passar, Skaf terá mergulhado empresários e trabalhadores num clima de confrontação social sem paralelo, onde todos perderão. Se não passar, Skaf simplesmente desaparecerá do mapa como um trapo inútil.
A suprema imbecilidade de Skaf foi pensar que, fazendo um acordo pessoal com Paulinho da Força, tinha uma base de aliança com a classe trabalhadora. É um desinformado. Assim como a Fiesp tende a rachar depois da votação do impeachment, a Força Sindical escapará das mãos gananciosas de Paulinho para reencontrar-se com os tempos  em que, numa situação de crise tão terrível como agora, aceitou negociar um pacto social com os empresários. Naquele tempo, a central organizada por Medeiros pensava em termos não só individuais mas também de interesse público. Hoje está condenada a um racha.
Na verdade, no caso de Paulinho, como mostram as investigações da Lava Jato, o interesse dele não é muito diferente do de Skaf, a saber, assaltar algum caixa disponível, público ou privado, para atender a ambições pessoais. Esse trânsfuga do movimento sindical cedo ou tarde pagará por sua traição aos trabalhadores na medida em que se retirou, como Skaf, de qualquer projeto de articulação de retomada da economia passando para o lado do golpismo político puro e simples, sem medir consequências, inclusive através de inserções na televisão cujo financiamento seria oportuno investigar.
Entretanto, o peixe grande da atual conspiração não é Paulinho, mas Skaf. Ele é um industrial sem indústria: tem um galpão onde vende produtos de fabricantes verdadeiros. Não tem nenhum compromisso com a economia nacional. É abertamente um vendilhão da Pátria e um carrasco do trabalhador. No entendimento que fez com essa figura patética de Michel Temer, para comprar o impeachment, ignorou a economia, a ser internacionalizada pelo suposto futuro presidente, para concentrar-se num único ponto: obter de Temer o compromisso de liquidar com a legislação trabalhista da era Vargas pela mão de Moreira Franco no Ministério do Trabalho. Temer topou.
(*) J. Carlos de Assis é jornalista e economista, doutor pela Coppe/UFRJ.

Ministro da Justiça: "O momento é de resistir às tentativas de golpe"  

                    

O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, inaugura as sessões de trabalho da Comissão de Anistia em 2016, lembrando os 52 anos do golpe militar de 1964O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, disse nessa sexta-feira (1°/4), que, diante da crise política no país, o momento é de ter disposição para defender as conquistas sociais e populares que marcaram os últimos anos e manter a democracia.

Neste momento não podemos mostrar fraqueza. Porque se mostrarmos fraqueza seremos dominados e corremos risco de retrocesso. É importante para cada um de nós resistir. Não temos de temer nada. Não podemos ter medo porque é o medo o que nos paralisa. Temos de ir para frente com serenidade, mas também com muita disposição”, disse Aragão durante a abertura das sessões de trabalho de 2016 da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. A cerimônia também lembrou os 52 anos do golpe militar de 1964.


O momento é de mostrar nossa disposição e nossa garra. Conclamo todos a resistir a todas as tentativas de golpe”, disse o ministro.

Segundo Aragão, o momento atual do país se parece, em diversos pontos, ao cenário que se via na época em que o regime militar tomou o poder. “Esta data(1º de abril) tem de ser, para todos nós, um momento de reflexão sobre tolerância, sobre diálogo e sobre a necessidade de construirmos pontes, para que aquilo que aconteceu há 52 anos não volte a se repetir.

Aragão disse que seu Ministério está atento a pessoas que estão tomando iniciativas de ódio e de intolerância, e que não querem a democracia que, “com muito custo e muita dor”, foi conquistada no Brasil.

As pessoas que ultrapassam a linha vermelha, e que tratam seus semelhantes com violência ou desprezo, seja no mundo real ou no mundo virtual, terão a devida resposta deste ministério”, enfatizou.

O ministro criticou o processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff e disse que a tentativa contraria a decisão das urnas. “Não podemos tolerar que aqueles que não conseguiram ganhar na eleição queiram agora no tapetão quebrar a ordem democrática, fazendo um discurso jurídico que nada mais é do que um discurso oportunista e ideológico", disse.

Aragão disse que Dilma deve prosseguir seu mandato e “garantir qualidade de governança” para manter conquistas sociais alcançadas nos governos do PT. 

Protestos contra a Globo preocupam  anunciantes   
Deflagrado estudo destinado a  criar uma alternativa publicitária ao maior meio de comunicação do Brasil...
Sidney Rezende                                    SRZD

   Manifestações do dia 31 de março de 2016. Foto: Eduardo Magalhães
A sucessiva multiplicação de palavras de ordem, faixas e cartazes contrários ao Grupo Globo nas manifestações populares a favor da democracia e a rejeição estampada nas redes sociais - inclusive expressada por artistas contratados - começa a preocupar anunciantes. O temor de algumas companhias é que este movimento possa crescer e expor ao risco as suas marcas e o consumo dos seus produtos.
A sistemática cobertura a favor do impedimento da presidente Dilma Rousseff e o noticiário envolvendo o ex-presidente Lula acenderam o sinal de alerta nas direções de marketing de grandes empresas.
Numa reunião fechada realizada no fim da tarde dessa sexta-feira(1º), em São Paulo, a cujo resultado final  o SRZD teve acesso, dois presidentes que representam os interesses de companhias que estão entre os 30 maiores anunciantes do Brasil, seis vice-presidentes de empresas de áreas diversas que atuam em higiene e limpeza, setor automotivo e varejo decidiram encomendar uma análise a uma agência internacional de acompanhamento de postagens na internet para avaliar os humores dos consumidores em relação aos produtos e serviços dos patrocinadores.
A ideia é que o estudo seja concluído em até 90 dias. E o parecer se restringirá às marcas que já anunciam nos veículos do Grupo Globo.
Um dos executivos chegou a desabafar: "Todos respeitamos a Globo pelo seu profissionalismo e pela larga vantagem sobre os demais órgãos de comunicação, mas o jornalismo está manipulando de forma criminosa e já há movimentos nas redes sociais pressionando nossos consumidores a não comprarem os produtos que produzimos. Assim não dá. Isso não pode crescer". A fala causou um certo mal estar no ambiente. O silêncio enigmático dos demais sinalizou concordância com a análise e a preocupação de como criar uma alternativa publicitária ao maior meio de comunicação do Brasil.
(AMgóes - Agora, o bem-humorado e sarcástico parágrafo final no 'post' do Sidney Rezende:) A Globo, por sua vez, já se manifestou oficialmente, várias vezes, no sentido de que apenas informa os fatos políticos com isenção. E que não é geradora dos acontecimentos políticos e econômicos que noticia.


   Manifestações do dia 31 de março de 2016. Foto: Roberto Parizotti/CUT
   Manifestações do dia 31 de março de 2016. Fotos: Reprodução/Mídia Ninja

Se  o  povo  se  unir  /  se  unir /  
se unir...a Rede Globo vai cair /  
vai  cair  /  vai  cair...                    


sábado, 2 de abril de 2016

DEPOIS  DE  ‘NÃO  SOMOS RACISTAS’, ALI KAMEL DEVERIA ESCREVER  ‘NÃO SOMOS GOLPISTAS’

Paulo Nogueira                                  Diário do Centro do Mundo


            Um novo bestseller para Kamel
Um novo bestseller para Kamel
É divertida e ridícula ao mesmo tempo a campanha da Globo para tentar convencer os incautos de que a empresa não está promovendo um golpe.
A Globo quer cassar 54 milhões de votos a todo custo, mas isso, segundo ela, não é golpe.
O pior golpista é o que diz que o golpe não é golpe. É o caso da Globo.
Nem sequer criativa ela é. Primeiras páginas do Globo da época do golpe de 1964 que têm circulado nas redes sociais mostram uma extraordinária semelhança com as primeiras páginas do Globo de ssa quinta, 31 de março.
É sempre o mesmo blablablá miserável para justificar a agressão à democracia. Na versão 2016, o golpismo da Globo inclui patetices como um diretor da empresa, Erick Bretas, se fantasiando de Sérgio Moro no Facebook.
Estou escrevendo tudo isso porque tenho uma sugestão para a Globo neste esforço de parecer boazinha, movida por bons propósitos.
É esta.
Ali Kamel, seu principal executivo de jornalismo, poderia escrever um livro chamado ‘Não Somos Golpistas’.
Uns dez anos atrás, Kamel lançou um livro que poderia qualificá-lo para a Academia Brasileira de Letras, ao lado de gênios como Merval e FHC.
O título poderia passar por algo do Sensacionalista, mas é real: ‘Não Somos Racistas’.
Kamel ganhou críticas entusiasmadas de seus amigos na mídia. A revista Época, por causa do livro, deu a Kamel um lugar na lista das 100 pessoas mais influentes do Brasil.
Com sua formidável visão, Kamel provou que, sim, não somos racistas. Não matamos negros. Não estimagtizamos negros. Não tratamos negros como cidadãos de segunda categoria.
Não somos racistas. Ponto. Exclamação.
Li o livro, uma coleção de artigos publicados no Globo. Você pode adivinhar a quem o autor reverenciou na apresentação. A algum líder negro que ajudou na causa? Não exatamente. Os salamaleques foram endereçados aos patrões, os formidáveis Marinhos.
Kamel não pratica apenas o jornalismo patronal. Pratica também a literatura patronal.
Com toda a credibilidade angariada com o livro verdade sobre o racismo no Brasil, ele poderia voltar à carga, desta vez para demonstrar que na Globo não somos golpistas.
Merval, em seu livro sobre o Mensalão, convidou um juiz do STF para fazer o prefácio, Ayres Britto. Foi uma prova irretorquível de que a Globo não tem conluio com a Justiça, e sim uma parceria literária.
Kamel poderia fazer o mesmo. Minha recomendação é que o juiz escolhido para o prefácio seja Gilmar Mendes, exemplo de magistrado equilibrado, imparcial, sereno, justo.
Não Somos Golpistas’ tem tudo para se tornar mais um best-seller na vida de Kamel.
No futuro, quando a posteridade analisar a trajetória imaculada da Globo, o livro servirá para iluminar os pesquisadores.
Ficará claro que, assim como não somos racistas, a Globo não é golpista.
Vou encomendar meu exemplar caso minha ideia seja adotada.
Não somos golpistas.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

1º de abril  é  dia   de desmascarar  a   Rede 

Globo de Manipulação 


                                          
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) lançou uma conclamação para uma grande ação contra a Rede Globo neste dia 1º de abril. O objetivo é inundar as redes e as ruas denunciando as mentiras do grupo da famiglia Marinho. Nas redes sociais está sendo usada a hashtag #MentiraÉNaGlobo para dizer ao maior monopólio de mídia do país que não somos bobos. Leia abaixo o documento do FNDC:

 
 

Há muitas maneiras de se contar uma mentira, espalhá-la e transformá-la em verdade. Às vezes, a mentira pode nascer de um fato real que, ao ser passado de pessoa para pessoa, como num telefone sem fio, se desfigura e vira algo totalmente diferente no final.

Agora, imagine manipular uma informação para milhões de pessoas usando a máscara da imparcialidade jornalística e da impessoalidade; usando a força da imagem e construindo uma narrativa para descrever, à sua maneira, essa informação. As consequências dessa irresponsabilidade social são inúmeras e vão desde a disseminação do preconceito, da destruição ou construção deliberada de vilões e heróis, da invisibilização de amplos setores sociais e culturais, até a desestabilização econômica e política. A produção de uma narrativa parcial e manipulada dos fatos é perigosa para a democracia.

Este tem sido, já há muitos anos, o papel exercido pelo maior conglomerado de comunicação do país – as organizações Globo. A Rede Globo inaugurou suas transmissões em 26 de abril de 1965, já em tempos de ditadura militar.

O maior grupo de mídia do país nasceu com o apoio do governo militar, com a missão de contribuir para pacificar e unificar a nação de Norte a Sul. A Globo não só serviu aos militares como foi uma das articuladoras do endurecimento da ditadura, papel já comprovado em muitos documentos que mostram a relação de Roberto Marinho com a embaixada dos Estados Unidos e os generais-presidentes.

Ao longo de 52 anos, muitas mentiras e manipulações orquestradas pela mídia da família Marinho definiram rumos do Brasil, lamentavelmente não no sentido da democracia ou da consagração de direitos trabalhistas, sociais e culturais.

São inúmeros os episódios de manipulação que tecem a intrincada rede de mentiras da Globo. Entre os mais emblemáticos está a ocultação do Comício das Diretas Já, afirmando que as milhares de pessoas que ocupavam a Praça da Sé estavam comemorando o aniversário de São Paulo – este um exemplo de mentira deslavada; e a manipulação da edição do último debate entre Collor e Lula na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 1989.

Cotidianamente, as pequenas manipulações e mentiras reproduzidas por uma emissora – que até bem pouco tempo gozava de 80% da audiência do país – constituem um perigo ainda maior. Porque no dia a dia, conduzindo a narrativa ao seu bel prazer, a Globo tem o objetivo de moldar a opinião pública à sua imagem e semelhança, tentando fazer a sociedade agir, pensar e se comportar de acordo com o seu manual de redação, de acordo com a sua linha editorial.

Foi assim que nos anos 90 a Rede Globo deu suporte às privatizações, terceirizações e à desregulamentação da economia que orientavam a política neoliberal implantada pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. As manifestações contra o neoliberalismo eram devidamente escondidas e, quando apareciam, eram criminalizadas com adjetivos que buscavam fazer a sociedade ser adversária dos “baderneiros, dos militantes, dos movimentos sociais, das invasões” que provocavam o caos no trânsito e no país.

As denúncias de corrupção foram todas, sem exceção, devidamente abafadas e arquivadas, relegadas ao esquecimento.

Em 2003, com a vitória de Lula, o papel da mídia deixou de ser o de dar suporte. Passou a ser o de combate. A Rede Globo tem sido, desde então, a organizadora da oposição ao governo federal. Inicialmente, adotou uma postura mais branda de oposição. Mas, com o passar dos anos – e das vitórias, o tom oposicionista se elevou até assumir um discurso descaradamente golpista.

A Rede Globo manipula manifestações, como fez em 2013. Pauta e orienta politicamente a condução do golpe em curso no país. Convoca aos domingos a manifestação das “pessoas de bem”. Apequena e desqualifica as manifestações “dos militantes petistas”, quando as pessoas vão para a rua dizer “Não vai ter Golpe”.

Não é à toa que a Globo tenha, nos últimos dias, sido cada vez mais identificada com o golpe. Depois de 50 anos, a família Marinho, em editorial, deu uma desculpa esfarrapada para ter apoiado o regime de exceção que governou o país por 21 anos. Mas o seu DNA golpista fala mais alto e a emissora volta a ser artífice da desestabilização política, da pregação do ódio e do preconceito, em nome de uma elite que, sem o respaldo das urnas, quer a todo o custo retornar ao poder.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC reafirma mais uma vez o seu compromisso com a construção de um país onde haja, efetivamente, diversidade e pluralidade nos meios de comunicação. Defende a liberdade de expressão, que nunca pode se confundir com a liberdade de uma empresa. Nos somamos aos milhões de brasileiros que defendem a democracia e alerta: não é possível construir uma sociedade verdadeiramente democrática sem que exista uma comunicação democrática.

Vamos, neste dia 1º de abril de 2016, inundar as redes e as ruas denunciando as mentiras da Rede Globo. Use a hashtag #MentiraÉNaGlobo

Todos juntos em defesa da democratização da comunicação e da democracia no Brasil!
   

NESTA SEXTA(1º), 18 HORAS, E NESSE SÁBADO

(2), 9 DA MANHÃ,    NO  AUDITÓRIO  DO  'VIVA 

RIO'  -  RUA DO RUSSEL, 94/GLÓRIA  -  RIO  DE 

JANEIRO, AO LADO DA TABERNA DA GLÓRIA. 
O 'Waterloo' de
Sergio Moro     
Paulo Nogueira                         Diário do Centro do Mundo
(Do AMgóes - Em Waterllo, hoje um município da  região belga de Valônia,  Napoleão Bonaparte, imperador da França, foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação, constituída de ingleses e prussianos, em 18.06.1815. Rendendo-se aos britânicos, foi exilado  na Ilha de Santa Helana, no Atlântico-Sul.)
Achava que podia voar e se esborrachou: Moro
Moro: achava que podia voar e se esborrachou.
Está claro agora que Sérgio Moro enfrenta seu Waterloo.
Ele acreditou na Globo e achou que poderia voar. Só que se espatifou.
A contundente derrota que ele sofreu ontem no SFT na questão dos grampos foi um marco na mudança de sua imagem.
O juiz superstar de quem ninguém ousava falar por ele parecer simbolizar a luta contra a corrupção ficou para trás. Em seu lugar emergiu a figura de um juiz partidário, descontrolado e sócio da Globo na aventura macabra de destruir a democracia pelas vias jurídicas.
Moro cruzou as fronteiras do tolerável ao impor a Lula um depoimento coercitivo sem qualquer propósito que não fosse produzir um espetáculo circense na mídia.
Foi aí que vozes insuspeitas de petismo ou esquerdismo começaram a questioná-lo fortemente, o que não ocorria até então. Começava o que em inglês se chama de backlash – o refluxo dos elogios a Moro.
O juiz Marco Aurélio Mello se destacou aí. Depois de explicar didaticamente a aberração cometida por Moro ao coagir alguém sem antes convidá-lo a depor, Marco Aurélio zombou da miserável justificativa apresentada pelo ofensor.
Moro afirmou que agiu para “proteger” Lula. “Este tipo de proteção eu não quero para mim”, disse ele. Brasileiro nenhum quer.
O segundo passo em falso de Moro veio dias depois, quando grampeou e vazou para a Globo conversas telefônicas de Lula, algumas delas com Dilma.
Mais uma vez, não houve motivo nenhum que não fosse o de provocar alarido e o de levar inocentes úteis a acharem que Lula cometera mais um crime.
Pouco tempo depois, o próprio Moro confirmou isso ao dizer que Lula parecia saber que estava sendo grampeado pelo teor dos áudios gravados.
O que Moro disse é que nada do que se gravou de Lula era incriminador. Ora: por que, então, divulgar? Para posar de herói, para constranger Lula, para ajudar no golpe, ou por todas estas alternativas?
Fico com a última hipótese.
A imprensa silenciou, como era de esperar. Mas o STF, pelas mãos do ministro Teori, deu um basta a Moro.
Chega, passou do limite, acabou a farra: foi este o sentido do gesto de Teori de retirar Lula das mãos, ou garras, de Moro e reprovar categoricamente os grampos.
Moro foi intimado a explicar a invasão telefônica por Teori, e apresentou um pedido de desculpas tão patético quanto o de Lobão para Chico.
O desprezo com que as “escusas”, para usar a palavra pomposa de Moro, foram recebidas ficou patente na sessão de ontem do STF.
Teori foi seguido por todos os seus colegas, excetuado Gilmar, que estava numa viagem em Lisboa por motivos golpistas.

Fora dos círculos jurídicos, o ator Wagner Moura – sem nenhuma conexão com o petismo – disse o que muitos pensam mas poucos ousam dizer. Moro, segundo ele, se comporta como promotor, e não como juiz. E parece não ter noção da monstruosidade que é se deixar fotografar ao lado de políticos do PSDB.
Numa palavra, Moro cansou. Deu.
O Moro tal como se tornou conhecido, um colosso do bem, está morto.
Começou o caminho de volta rumo ao que ele é: um juiz provinciano cuja visão de justiça é atacar um lado só.

O  PMDB   e  a
arte do cinismo

Marcel Frison, especial para o     

O PMDB decidiu sair do Governo Dilma, do ponto de vista da governabilidade, nada mais irrelevante.
Eduardo Cunha, como Líder de Bancada do PMDB, foi, em tempos de paz, um dos maiores opositores ao Governo Dilma na Câmara Federal. Basta ouvir seus discursos proferidos naquele plenário ao longo dos seus mandatos. A sua disposição contrária se intensificou, segundo o delator Delcídio do Amaral, quando Dilma interveio no comando de Furnas e retirou seus amigos e as tetas da “vaca” secaram. Como presidente da Câmara é desnecessário descrever.
Temer, o vice-presidente, como companheiro de chapa, pouco ou nada trouxe de votos na duríssima batalha eleitoral que foi travada em 2014. Lembro-me das suas agendas no Rio Grande do Sul durante as eleições, em nenhum momento enfrentou (nem com luvas de pelica) a linha radical de oposição da secção gaúcha e reservou-se a converter os convertidos das relações do então Ministro Padilha. Nas manifestações públicas pautou-se pelo comedimento e a dubiedade, portanto, sequer se dispôs a disputar a base eleitoral do seu partido.
No governo, Temer cumpriu com maestria sua vocação de despachante-mor, a cada crise criada por Cunha na chamada base aliada, ele entrava em jogo angariando mais espaço de poder para os seus asseclas no governo. Um jogo, inexplicavelmente, tolerado pela direção do governo Dilma.
No terreno da política, Temer e o PMDB foram o anteparo conservador que barrou por dentro do governo e no Congresso Nacional iniciativas estratégicas que tanto Lula como Dilma deveriam ter colocado em curso, como a reforma política, a democratização da mídia, a reforma tributária (de natureza progressiva), entre outras, que nos permitiriam vivenciar uma situação diferente desta que enfrentamos.
Isto posto, a importância de Temer e o PMDB para a governabilidade, espremidas as análises, é perto do zero.
O delírio da maioria da direção nacional do PT, do governo, de Lula e da Dilma, foi tratar o PMDB como um partido de verdade, como jamais foi na sua história e tampouco é na atualidade. O PMDB é uma federação de interesses setoriais e regionais, orbitando em torno de uma relação fisiológica com o Poder Central.
Evidente que existe (e não devemos, em hipótese alguma, desprezar) uma parcela significativa de integrantes do PMDB, composta por governadores, prefeitos, senadores, deputados federais e dirigentes, que se manteve e se mantém fiel ao governo Dilma, porém, isto é consequência de relações constituídas através da implementação do projeto de desenvolvimento que ensejamos e pelas afinidades políticas decorrentes , independente das posições assumidas por sua direção nacional.
Estes, inclusive, não estavam na decisão, saudada como 'histórica', do seu Diretório Nacional que foi construída 'democraticamente' em três minutos. Na moção aprovada destacam-se algumas pérolas:
“Considerando as graves denúncias de participação de integrantes do Governo Federal em escândalos de corrupção”;
“Considerando que as bases e a militância do PMDB já não concordam integrar o governo da Presidente Dilma Rousseff”;
“Considerando que a permanência do PMDB na base do governo fomentará uma maior divisão no partido”;
“Considerando, principalmente, o anseio do povo brasileiro por mudanças urgentes na economia e na política nacional”;
“Solicitamos a imediata saída do PMDB da base de sustentação do Governo Federal, com a entrega de todos os cargos em todas as esferas da Administração Pública Federal”.
E terminaram o encontro aos gritos de “Temer presidente!” E “Fora PT!
Temer não foi à reunião; quis postar-se de estadista.
O cinismo é uma arte.
A mídia certamente vai utilizar-se do episódio no único sentido prático a ser extraído, o recado simbólico da adesão oficial do vice-presidente e de seu partido no Golpe, em sua tradução torturante – impeachment constitucional.
Paradoxalmente, pode ser a melhor coisa que aconteceu à Dilma no último período. Uma oportunidade para recompor a base aliada no Congresso, porém, não somente isto, mas a chance de compor um novo governo. Um governo para tempos de guerra.
Eu começaria pelo PMDB, convidando o Requião e o Temporão para assumir espaços no novo ministério. Ciro Gomes seria de fundamental importância. Abriria os olhos e os ouvidos para perceber que no seu partido, o PT, além de Lula, tem quadros com grande capacidade e representatividade social que podem qualificar o governo e fazer a diferença na disputa política.
E, por fim, partindo da premissa de que traidores não são bons convivas, não esqueceria de demiti-los, todos, do seu governo (para identificar não precisa muito, basta uma espiadela nos perfis do facebook e do twitter), a começar por desmontar o gabinete do vice-presidente. Um convite formal para a sua renúncia.
Isto tudo pode parecer óbvio.
Perceber o óbvio também é uma arte.