segunda-feira, 1 de agosto de 2016

A confissão do fiasco do ato da direita na Avenida Paulista, no vídeo dos Jornalistas Livres

    paulistapoucagente
Michel Temer conseguiu, nestes dois meses e meio, arrastar multidões.
Para dentro de casa.
Porque o que se viu nesse domingo(31/7), nas visivelmente manifestações “coxinhas” foi, como diz o personagem do vídeo dos Jornalistas Livres, um fiasco, para um movimento que, em tese, está na posição de “vencedor”.
O que ficou foi a direita hidrófoba, fascistoide, mais agressiva do que nunca.
Assista ao vídeo...

Juiz federal de Brasília que livrou a  cara de ricaços  sonegadores   é   o  mesmo  que indiciou  Lula como  réu                                    

                                          VIOMUNDO
Soares Leite - repdução diário do nordesteJuiz Ricardo Augusto Soares Leite, que segundo o próprio Ministério Público Federal, dificultou a punição dos fraudadores da Receita  (Reprodução: Diário do Nordeste)
Dois pesos e duas medidas
 Laura Capriglione, especial para o Jornalistas Livres
O juiz que assina a decisão de transformar o ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva em réu é Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília. Leite é conhecidíssimo, mas não por sua eficiência. Bem ao contrário.
Juiz da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por julgar os autos de infração da Receita, o juiz que transformou Lula em réu teve a capacidade de ser denunciado pelo próprio Ministério Público Federal.
Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, em 20 de junho de 2015, mostrava o Ministério Público reclamando de várias decisões judiciais de Ricardo Augusto Soares Leite que dificultaram a obtenção de provas contra os fraudadores da Receita.
O juiz Ricardo Leite negou todos os pedidos de prisão dos investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e apreensões.
A Procuradoria já representou contra Leite na Corregedoria do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em abril. Segundo a Folha apurou, se nenhuma medida for adotada pela corregedoria do Tribunal, a Procuradoria da República no Distrito Federal vai recorrer ao Conselho Nacional de Justiça.
Segundo a polícia, multas contra empresas somando R$ 19 bilhões tiveram o julgamento alterado pela ação de uma quadrilha que atuava junto ao órgão.
Pois não é que exatamente esse juiz da 10º Vara Federal, que, segundo o próprio Ministério Público Federal, dificultou a punição dos fraudadores da Receita, é exatamente esse o homem que transformou Lula em réu?
A Justiça é cega mesmo?
E a imprensa golpista? Não percebeu também que esse nome já era dela conhecido?
Aqui a reportagem da Folha, publicada há pouco mais de um ano:
juiz
Procuradoria   quer   afastar   juiz
que apura corrupção em conselho
LEONARDO SOUZA
DO RIO – 20/06/2015 02h00

O Ministério Público Federal quer o afastamento do juiz Ricardo Augusto Soares Leite da 10ª Vara Federal de Brasília. Leite é o juiz da Operação Zelotes, que apura esquema de corrupção no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão responsável por julgar os autos de infração da Receita.
Segundo a polícia, multas contra empresas somando R$ 19 bilhões tiveram o julgamento alterado pela ação de uma quadrilha que atuava junto ao órgão.
O Ministério Público, no entanto, disse que não conseguirá anular a maioria dos casos, porque várias decisões judiciais dificultaram a obtenção de provas.
O juiz Ricardo Leite negou todos os pedidos de prisão dos investigados, suspendeu escuta telefônica e não autorizou buscas e apreensões.
A Procuradoria já representou contra Leite na Corregedoria do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região, em abril. Segundo a Folha apurou, se nenhuma medida for adotada pela corregedoria do Tribunal, a Procuradoria da República no Distrito Federal vai recorrer ao Conselho Nacional de Justiça.
Juiz substituto, o magistrado está há aproximadamente dez anos no comando da 10ª Vara, especializada em julgamentos de crimes de lavagem de dinheiro.
VAMPIROS
Nesse período, passaram pelas mãos de Leite casos como o da máfia dos Vampiros, o de Maurício Marinho (Correios), Waldomiro Diniz (Casa Civil) e o da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo (veja quadro ao lado).
Na representação à corregedoria do TRF, à qual a Folha teve acesso, os procuradores relatam o que classificam como “a existência de um crônico e grave quadro de ineficiência” na atuação do juiz Ricardo Leite.
Procurado por uma semana na Justiça Federal no DF, ele não quis dar declarações.
De acordo com o documento, o magistrado prejudicou o andamento dos processos por demorar para tomar decisões simples e por empregar expedientes jurídicos vetados pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Os procuradores dão exemplos de como “a extrema morosidade” no trâmite dos processos na 10ª Vara gera “substanciais prejuízos” ao país.
Na Operação Vampiro, deflagrada em 2004, o STJ negou um recurso impetrado pelos réus e autorizou, em 2010, o andamento regular do processo. A ação penal só foi retomada pela 10ª Vara, porém, em fevereiro de 2012.
A Justiça suíça bloqueou recursos nos nomes de alguns dos réus. O dinheiro não foi repatriado para o Brasil porque até hoje não há uma decisão definitiva sobre o caso.
Na representação ao TRF, o MPF pede que a corregedoria instaure procedimento avulso contra o juiz e uma correição extraordinária na 10ª Vara Federal. Entre as punições previstas que podem ser aplicadas ao juiz, estão advertência, remoção para outra vara e até mesmo aposentadoria compulsória.
Na correição extraordinária, seria feito diagnóstico completo da Vara para acelerar o andamento dos processos. Nos próximos dias, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) vai na mesma direção: solicitará ao CNJ a instauração de sindicância e processo administrativo disciplinar contra o juiz. Segundo Pimenta, relator da subcomissão da Câmara criada para acompanhar a Zelotes, a atitude do juiz Ricardo Leite tem “prejudicado sobremaneira a apuração dos fatos”.
OUTRO LADO
A Folha fez diversos contatos com a assessoria de imprensa da Justiça Federal em Brasília, por mais de uma semana, pedindo uma entrevista com o juiz Ricardo Augusto Soares Leite para que ele comentasse as reclamações da Procuradoria.
Ele não ligou de volta.
A reportagem também mandou e-mails para a assessoria, mas as mensagens não foram respondidas.
Em audiências realizadas na Câmara pelo relator da subcomissão para acompanhar a Operação Zelotes, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), delegados da Polícia Federal e procuradores da República encarregados do caso reclamaram publicamente do comportamento do juiz Soares Leite.
Frederico Paiva, procurador que coordena as investigações de fraude em julgamentos do Carf, disse que os pedidos de prisão negados por Leite eram importantes para impedir que os investigados combinassem os depoimentos.
“Ele [o juiz] tem um histórico de acúmulo de processos, um comportamento que chama atenção e deveria ser examinado de perto”, disse Paiva numa das audiências públicas.

Temer coloca  o  Brasil na contramão das sociedades avançadas                          


                          

Claudia Wallin,   de Estocolmo / Suécia

Temer é o contrário disso
Temer é o contrário disso
Estranhamente, e na contramão das reformas trabalhistas preconizadas pelo visionário governo interino do Brasil, parece que nem os políticos e nem os empresários da Suécia estão interessados em levar seu país de volta à Idade da Pedra Lascada.
Não soa mais certo, em pleno 2016, trabalhar de 8 da manhã às 5 da tarde. Especialmente quando se sabe que grande parte deste tempo é desperdiçado na jornada”, diz Maria Westling, diretora da startup Brath – uma das várias empresas e municipalidades da Suécia que resolveram testar a jornada de seis horas de trabalho, na esteira da bem-sucedida experiência adotada desde 2002 pela fábrica da montadora Toyota na cidade de Gotemburgo.

Trabalhamos três horas, almoçamos, e trabalhamos mais três horas. Seis horas por dia, com salário integral. Acredito que as pessoas trabalham de forma mais eficaz quando não se sentem esgotadas”, completa Maria, neste país que não por acaso aparece de forma consistente entre os primeiros do mundo no ranking de qualidade de vida – e também de competitividade.
O experimento sueco da jornada de 6 horas é um dos vários e agudos contrastes entre a realidade de um trabalhador na Suécia e no Brasil, onde o governo não eleito de Michel Temer prepara uma triunfante marcha a ré na evolução dos direitos sociais e trabalhistas conquistados ao longo da história do país.
O projeto Temer tem três frentes: a reforma trabalhista, para flexibilizar a CLT (empregadores e sindicatos poderão colocar em negociação, por exemplo, o parcelamento do 13° salário e a redução do intervalo de almoço de uma para meia hora); a reforma previdenciária (para aumentar a idade mínima de aposentadoria até o trabalhador estar prestes a pôr o pé na cova), e a regulamentação do processo de terceirização no país. E por que não, conforme chegou a sugerir o presidente da CNI, aumentar a atual jornada semanal de 44 horas para até 80 horas de trabalho.
Tudo a ser votado por quem não tem nada a perder, nem agora e nem na velhice: além das regalias de praxe garantidas aos políticos que batem ponto no Congresso Nacional, até ex-deputado tem direito a plano de saúde vitalício e ilimitado. No Senado, o dinheiro público chega a pagar a implantação de próteses dentárias com ouro: bancado exclusivamente pelo contribuinte, o plano de saúde cinco estrelas cobre todas as despesas médicas de senadores, ex-senadores e dependentes como filhos, enteados e cônjuges. Sem precisar fazer nenhuma contribuição – basta que tenha exercido o cargo de senador por 180 dias ininterruptos. Após a morte do titular, o cônjuge continua usando a carteirinha.
Pausa para regurgitar.
Mas é tudo em nome de uma suposta dinamização da economia, argumenta-se. Bem, os suecos – por exemplo – iriam discordar.
Um sueco trabalha em média cerca de 38 horas por semana. Apenas 1% dos suecos trabalham mais do que 50 horas por semana – o que representa um dos mais baixos índices entre os países da OECD, onde esta taxa é de 13%.
Apesar disso, a Suécia aparece na sexta posição no Índice Global de Competitividade. Com um modelo de desenvolvimento e bem-estar social que converteu o país em uma das mais sofisticadas nações industrializadas do mundo: lembre-se que há pouco mais de cem anos, a Suécia era um dos países mais pobres da Europa.
Hoje, a experiência da jornada de seis horas é apenas mais um aspecto da obsessão nacional sueca com o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
Por lei, cada trabalhador sueco tem direito a cinco semanas de férias por ano e 16 feriados públicos. Férias adicionais podem ser negociadas com o empregador.
Se uma pessoa fica doente durante as férias, ela pode tanto estender o período de férias como tirar os dias em que ficou de cama em outra ocasião”, diz a brasileira Cynara Isacsson, que trabalha como assistente do departamento de Economia de uma empresa sueca em Estocolmo.
Os salários são negociados através de cerca de 600 acordos coletivos, a maioria dos quais inclui um salário mínimo que é relativamente alto em comparação ao resto da Europa. Em casos de desacordo, a autoridade sueca de Mediação Nacional é responsável por mediar negociações entre sindicatos de patrões e empregados. A maioria dos trabalhadores suecos é filiada a sindicatos. No Brasil, menos de um décimo dos trabalhadores brasileiros sao sindicalizados.
O pagamento de horas extras também é regulamentado pelos acordos coletivos, e geralmente varia a uma taxa de 50 a 100% a mais do que o valor do salário normal.
Mais: a rede de proteção social e trabalhista é garantida por aquele que ainda é um dos mais generosos sistemas de bem-estar social.
Quando uma criança nasce na Suécia, os pais têm direito a uma licença parental remunerada de 480 dias. Deste total, 60 dias devem ser usados exclusivamente pelo pai, e outros 60 dias exclusivamente pela mãe.
As creches pré-escolares são largamente subsidiadas pelo governo, e os pais pagam apenas oito por cento do custo mensal.
A partir do momento em que nasce, cada criança recebe um subsídio mensal do governo no valor de 1.050 coroas suecas (aproximadamente 400 reais), até completar 16 anos de idade.
Após completar 16 anos de idade, cada criança passa a receber um subsídio mensal do governo no valor equivalente a 400 reais mensais, como assistência financeira enquanto completa seu período de estudos.
O tratamento dentário é gratuito para crianças e adolescentes até os 18 anos de idade. Eles também podem ter aparelhos dentários financiados pelo governo regional: quando os especialistas julgam necessária a correção dos dentes, o paciente recebe um ”cheque saúde dos dentes” para custear os gastos com o ortodontista de sua escolha.
Quando as crianças têm problemas graves de visão, também é o governo regional que paga os óculos de grau. Para famílias com uma situação econômica extrema, os pais de crianças com deficiências de visão mais comuns podem contactar os serviços sociais, que então financiam os óculos.
O sistema de educação é financiado majoritariamente pela arrecadação de impostos, e a Suécia é um dos países que mais gastam neste setor.
Não existem mensalidades escolares. A partir dos seis anos de idade, todas as crianças têm acesso gratuito à educação, que é obrigatória até o último ano do ensino médio. As escolas fornecem ainda todo o material escolar. A merenda escolar também é gratuita, e consiste em geral de um bufê que inclui dois pratos quentes e uma opção vegetariana, além de saladas, legumes, pães e frutas.
A partir dos seis anos de idade, todas as crianças têm acesso gratuito à educação, que é obrigatória até o último ano do ensino médio
A partir dos seis anos de idade, todas as crianças têm acesso gratuito à educação, que é obrigatória até o último ano do ensino médio
Se decidem cursar a universidade – que também é gratuita – os estudantes suecos têm direito a uma assistência financeira mensal, até completar os estudos. Esta assistência é composta por um subsídio de 3.066 coroas suecas (cerca de 1,2 mil reais) por mês, além de um empréstimo no valor de 6.710 coroas suecas (cerca de 2,6 mil reais) mensais. O prazo para o reembolso do empréstimo é o dia em que o ex-estudante completa 60 anos de idade.
O sistema de saúde é também amplamente subsidiado, e a taxa de internação em um hospital é de 80 coroas suecas (cerca de 30 reais) por dia. Existe ainda um teto semelhante para as despesas com medicamentos – o que significa que ninguém gasta mais de 1,8 mil coroas com despesas de saúde no período de um ano (cerca de 680 reais).
O sistema de seguro social sueco também inclui subsídios de auxílio-doença. Durante os primeiros 14 dias de afastamento do funcionário, cabe aos empregadores pagar o benefício. Nos casos de enfermidades com tratamento mais longo, o sistema paga o auxílio-doença durante um período máximo de 364 dias, no valor de 80 por cento da renda do funcionário. Após este prazo, o paciente tem direito a receber o auxílio-doença por um período adicional de 550 dias, num valor correspondente a 75 por cento de seus rendimentos.
Pais de crianças doentes também têm direito a receber subsídios a fim de permanecer em casa para cuidar dos filhos.
Portadores de deficiência têm direito a assistência pessoal e gratuita, incluindo transporte em táxis ou veículos especialmente adaptados. Para os idosos, também é oferecida assistência social a domicílio – com taxas cobradas de acordo com a possibilidade de cada um de pagar. Para idosos com recursos limitados, o serviço pode ser gratuito.
O sistema de aposentadoria sueco é constituído por três partes – uma pensão nacional, uma pensão trabalhista que é financiada pelo empregador, e um plano de previdência privada. Um total de 18,5 por cento do salário e outros benefícios tributáveis do trabalhador são destinados à sua aposentadoria pública. Deste total, 16 por cento vão para a conta de aposentadoria pública, cujo valor cresce de acordo com a evolução dos rendimentos e do desempenho da economia na Suécia. Os 2,5 por cento restantes vão para a chamada pensão premium, que varia segundo o desempenho dos fundos nos quais o trabalhador escolhe investir.
Para pessoas que tiveram pouco ou nenhum rendimento em suas vidas, há uma parcela menor da aposentadoria nacional, chamada de aposentadoria garantida. A finalidade é garantir a estas pessoas uma quantia mínima todo mês.
Já o seguro-desemprego é voluntário – ou seja, o trabalhador deve se inscrever em instituições específicas para ter direito ao benefício, e pagar uma mensalidade. Estas instituições são conhecidas como ”A-Kassa” (Arbetslöshetskassor), e muitas são administradas por sindicatos. No pacote básico, a mensalidade é de 90 coroas suecas mensais (cerca de 34 reais).
Quando perde o emprego, um trabalhador pode receber o salário-desemprego por até 300 dias úteis. Nos primeiros 200 dias, o benefício é equivalente a 80 por cento do valor do antigo salário – a um teto máximo, porém, de cerca de 100 dólares por dia. Nos demais 100 dias, esta porcentagem cai para 70 por cento. Os trabalhadores que perdem o emprego e não são afiliados à A-Kassa podem, ainda assim, obter benefícios – mas somente a um nível básico, e não superior a cerca de 48 dólares por dia útil.
Para famílias mais pobres ou com problemas econômicos temporários, os governos municipais prestam assistência sob a forma de apoio financeiro com base em avaliações individuais. Este apoio inclui recursos para despesas básicas, com a finalidade de garantir um padrão de vida razoável para uma vida digna.
E ninguém fala em acabar com a educação gratuita – um dos alicerces fundamentais do salto dado pela sociedade sueca há um século.

Boulos, do MTST, na manifestação em São Paulo: na Avenida Paulista não  está  a  cara  do  Brasil             

batata
Acompanhe, em vídeo do coletivo Mídia Ninja, trecho do discurso de Guilherme Boulos, do MTST, mais cedo, no início da manifestação contra Michel Temer, no Largo do Batata/São Paulo.. Na foto acima, já no final da tarde, a multidão que tomou conta de todos os espaços. Siga as manifestações em diversas cidades pelo facebook do Midia Ninja.
      

O Comitê de Direitos Humanos  da ONU e o corporativismo dos juízes brasileiros

Claudia Maria Barbosa (*)     
Luiz Moreira (**)

    lulacomite

A pressa com que a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)  e a Associação dos Juízes Federais (AJUFE) emitiram notas criticando   a ação do ex-presidente Lula de acionar o Comitê de Direitos Humanos da Organização  das   Nações   Unidas  (ONU),       para  lhe    garantir julgamento justo e imparcial,     talvez   possa   justificar em parte  a fragilidade e os equívocos nelas contidos.

O Brasil é, desde 1992, signatário do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos da ONU e, desde 2009, também de seu Protocolo Facultativo, que expressamente prevê a possibilidade de particulares encaminharem comunicação escrita ao referido Comitê, quando se sentirem ameaçados pela violação dos direitos protegidos pelo citado Pacto de Direitos Civis e Políticos da ONU.
O ex-presidente Lula não fez nada de diferente do que poderia fazer qualquer cidadão, inclusive um ex-presidente ungido duas vezes ao poder pelo voto dos brasileiros e que deixou seu segundo mandato com 80% de aprovação popular.
Ao acusar Lula de procurar o Comitê de Direitos Humanos da ONU “para constranger o andamento de investigações em curso”, a AMB a um só tempo revela sua ignorância quanto ao alcance do Direito Internacional no Direito brasileiro e, portanto, ao Sistema Internacional de Proteção aos Direitos Humanos, como expressa sua má vontade em relação à ONU.
Conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, os Tratados de Direitos Humanos de que o Brasil é signatário, têm caráter de norma supralegal, sendo de observância obrigatória para todos, especialmente para o Poder Judiciário.
Em sua nota a AMB parece confundir força e independência com irresponsabilidade. A força do Judiciário decorre da legitimidade que advém de sua atuação dentro dos estritos parâmetros normativos e de sua defesa intransigente da Constituição.
Nesse sentido, a independência judicial é condição necessária, mas não suficiente, para a vigência do Estado de Direito, especialmente para aquele que se afirma democrático. Assim, espera-se que o Judiciário brasileiro mantenha-se contra majoritário, evitando “jogar para a torcida” ao invés de preservar imparcialmente as regras do jogo.
A Constituição da República preconiza a separação, o respeito e a harmonia entre os Poderes, mas também assegura que não existam poderes irresponsáveis, de maneira que todo exercício do poder obedeça a parâmetros jurídicos, passíveis de controle.
No Brasil de hoje há o papel politico do Judiciário, evidenciado pela parcialidade de alguns dos Ministros do Supremo Tribunal Federal e pela seletividade e pelos métodos extravagantes do juiz Sérgio Moro, levanta questionamentos sobre o que se pode esperar do Judiciário brasileiro, tornando atual a já clássica pergunta sobre “quem controla os julgadores...”.
A AMB, difícil saber se intencionalmente ou não, aproveita a crítica ao ex-presidente Lula para posicionar-se contra o Projeto de Lei do Senado 280, de 2016, que trata do abuso de poder cometido por autoridades. Certamente a AMB não desconhece que essa iniciativa não é patrocinada pelo partido do ex-presidente Lula, nem por ele e nem pela Presidenta Dilma, em cujos governos foram aprovados inúmeros e variados mecanismos de combate à corrupção.
A AMB expressamente declara que sua vigência “jamais tornaria possível uma investigação como a Lava Jato”. O que a AMB não diz é que referido projeto de lei apenas tipifica como abuso de poder ações que já são reprovadas pela Constituição, pelo Código de Processo Penal e pelo Pacto de Direitos Civis e Políticos. A novidade do projeto de lei, em tramitação no Senado, consiste no reconhecimento de que os controles sobre determinados órgãos e autoridades podem não ser eficazes ou não resultarem em punições efetivas. Nunca é demais rememorar que, no Brasil, juízes que cometem crimes não são demitidos, mas aposentados compulsoriamente, preservando vencimentos proporcionais ao seu tempo de serviço.
É constrangedor perceber que a AMB possa ter receio que juízes sejam punidos por se valerem de métodos e de procedimentos ilegais, proibidos tanto pelo direito brasileiro, quanto pelas normas internacionais.
É um desrespeito à cultura jurídica nacional que AMB e AJUFE pretendam estabelecer um “vale tudo” jurídico, admitindo que o sucesso de processos judiciais possa decorrer da violação ao direito e à Constituição. Ninguém está acima da lei, nem magistrados, nem cidadãos.
As notas da AMB e da AJUFE, ao sugerirem a infalibilidade de Sérgio Moro, apenas consolidam a ideia segundo a qual a alguns é permitida a adoção de práticas arbitrárias e indicam que os fins justificam os meios.
Como nenhum juiz é infalível e o direito brasileiro adota para si as normas da ONU, é de se esperar que as associações de juízes não assumam discursos de ódio contra a Organização das Nações Unidas, nem pretendam o “nós contra eles”, somente para garantir que os atos judiciais praticados por seus associados se sobreponham aos Direitos Humanos.
A reclamação do ex-presidente Lula é legal e singela. Ele exerceu seu direito de petição, isto é, solicitou que o Comitê de Direitos Humanos da ONU, não submetido às disputas partidárias e não sujeito à pressão da mídia brasileira, verifique se ele é vítima de perseguição, se seus direitos estão sendo violados e se Sérgio Moro se porta como juiz ou como acusador. Ele requer um julgamento isento e se submeterá a este novo julgamento: o resultado será o decidido pela ONU.
Em síntese: Lula que ser julgado, mas por juiz imparcial; Lula respeita a justiça, mas não quer ser justiçado.
(*) Claudia Maria Barbosa - doutora em Direito, advogada, professora titular de direito constitucional da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
(**) Luiz Moreira - doutor em Direito, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, ex Conselheiro Nacional do Ministério Público

Facebook etc:

A direita está mais mobilizada que a esquerda  nas  redes  sociais             

Estudo mostra que páginas de movimentos conservadores e contrários ao PT acumulam mais curtidas
Marsílea Gombata                      Carta Capital
organizacoeslikes.jpg
Desde a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, no dia 12 de maio, a direita se mostra(AQUI) muito mais mobilizada nas redes do que a esquerda. É o que mostra o Mapa das redes de mobilização no Facebook, construído pelos professores Esther Solano (Unifesp), Pablo Ortelllado (USP) e Marcio Moretto (USP).
O retrato, feito entre 11 e 25 de junho na rede social que possui no Brasil 99 milhões de usuários ativos mensais, mostra que as páginas de direita se sobressaem quanto ao número de curtidas, seja em posts e conteúdo compartilhado ou mesmo na própria página de apresentação.
De acordo com os especialistas que apresentaram resultados preliminares da pesquisa na última quinta-feira (28 de julho), se na época da votação na Câmara e no Senado do processo de impeachment a atividade do espectro mais conservador e anti-PT era semelhante ao de páginas ligadas a uma causa ou a um grupo político de esquerda, hoje o que se observa é um crescimento(AQUI) da direita no universo online.
movimento_corrupcao
Página do 'Movimento Contra Corrupção', que tem 2,5 milhões de likes
Quando se analisam as cinco páginas que tiveram mais curtidas únicas (número de usuários que curtiram pelo menos uma postagem) no período considerado, observa-se no topo do ranking o Partido Anti-PT (456 mil curtidas), o MBL (376 mil), o Movimento Contra a Corrupção (301 mil), o Vem Pra Rua (251 mil), e o Revoltados Online (217 mil).
No outro espectro(LEIA AQUI E REFLITA), está em primeiro o Deboas na Revolução (246 mil), seguido por Feministas Revolucionárias (174 mil), Geledés (99 mil), Esquerda Revolucionária (55 mil) e por último a página Verdade sem manipulação (54 mil).
Se o critério for o número de curtidas na própria página, o ranking fica da seguinte forma: Movimento Contra a Corrupção (2,5 milhões), Revoltados Online (1,7 milhão), Partido anti-PT (1,4 milhões), AnonymousBrasil e Vem Pra Rua (com 1,4 milhão cada). Do lado que se intitula progressista vem o Deboas na Revolução (871 mil), Direitos Humanos Brasil (816 mil), Geledés (490 mil), Passe Livre São Paulo (335 mil) e SP Invisível (325 mil).
Em ambas as métricas, os maiores veículos de direita são muito maiores do que os de esquerda. O que de certa forma pode indicar que a direita está mais mobilizada hoje nas redes”, explica Moretto, professor de sistemas de informação na USP.
A pesquisa, que coletou páginas do Facebook classificadas como “Cause” (causa) ou “Political Organization” (organização política) com mais de 50 mil curtidas, ainda é preliminar, mas revela um status de polarização evidente. Os agrupamentos são o campo progressista (indicado pela cor vermelha na imagem acima), o campo conservador (azul) e o campo evangélico-AQUI (amarelo). Há ainda entre os polos azul e vermelho algumas páginas ambientalistas-AQUI (verde).
Solano ressalta, no entanto, que se tratam de grupos pequenos e pouco representativos frente à sociedade fora do mundo virtual. “Trata-se de uma polarização política no campo de pessoas que têm interesse e o expressam no Facebook.
Ortellado reforça essa opinião e acrescenta que a pesquisa traz um retrato da comunicação no Facebook e não necessariamente sobre a sociedade. “O universo analisado aqui é urbano, jovem e rico. Então mais velhos, do meio rural ou mais pobres ficam de fora.