sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Vai pra Cuba!” (Coxa)


Resultado de imagem para Fotos de pessoascom faixas de 'Vai pra Cuba!'Com a morte de Fidel, o leitmotiv (tema psicótico-repetivivo) predileto da direita vai voltar à carga. Esse é a acusação de que a esquerda quer transformar o Brasil numa Cuba. É uma estratégia tão, mas tão desonesta, que é até difícil explicar o tamanho da desonestidade. Mas vou tentar.

Para começar, Cuba pode realmente ser ruim para mim, que sou de classe média alta, mas é para 100% de seus habitantes melhor do que o Brasil é para 90% dos seus. Esse não é um chute estatístico, mas uma estimativa conservadora. 75,9% dos brasileiros vivem com menos de U$10.000 ao ano enquanto 10% dos brasileiros abocanham 75,4% da renda nacional (1% abocanha 48%) (1). O produto interno bruto per capita em Cuba ajustado por poder de compra é de 20.648 dólares internacionais (2), enquanto o do Brasil antes da depressão econômica era de 15.359 dólares (3). O povo daquela ilha rochosa bloqueada é, segundo o Banco Mundial (11), mais rico que o povo do continente Brasil. Essa é uma informação chocante e geralmente desconhecida.

Resultado de imagem para Fotos de 'vai pra Cuba!'Ainda assim não quero ir pra Cuba, a não ser a turismo. Porque para mim a quantidade de liberdade é mais importante do que o pão. É claro, eu tenho pão. Bem mais do que isso, eu faço parte dos 10% de privilegiados brasileiros. Logo, sou mais livre aqui do que lá. Mas a diarista que trabalha aqui em casa certamente não. Pena que ela não tem ideia do que realmente significa “Vai pra Cuba!”.

E é também por isso que não posso querer para mim uma sociedade moralmente monstruosa como os EUA, aquela plutocracia onde o último traço de democracia é uma relativa liberdade de expressão. Mas o Brasil, meu Deus, o Brasil é uma monstruosidade social tão maior, que querer que ele se transforme em algo parecido com os EUA é querer reformas de esquerda. Sim, na maioria dos aspectos, os EUA estão à esquerda do Brasil. No dia em que o Brasil tiver um salário mínimo como o dos EUA (U$7,25 por hora contra U$1,12) (4), uma distribuição de renda como a dos EUA (gini 40,8 contra 54,7) (5), uma lei de mídia como a dos EUA, a proteção às indústrias e agricultura local como a dos EUA, um estado do tamanho do dos EUA (14,6% da população empregada contra 11,1%) (6), a direita vai poder alertar para o risco de ele virar uma Alemanha. Até lá, em vez de gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil numa Cuba!”, deveria gritar: “A esquerda quer transformar o Brasil num EUA!”.

E quando o Brasil ficasse parecido com os EUA, querer um governo de esquerda ia ser querer que o Brasil começasse a ter políticas de salvaguarda social mais parecidas com as da Alemanha (7), sua saúde pública, sua educação pública, suas políticas ambientais estreitas, sua carga tributária (40,6% contra 34,4% do Brasil) (8), seu imposto progressivo (quanto mais rico, mais imposto). E a direita deveria então gritar, se quisesse ser honesta: “Cuidado! A esquerda quer transformar o Brasil numa Alemanha!

E então, quando o Brasil ficasse parecido com a Alemanha, a direita poderia alertar para o risco de virarmos uma Dinamarca. Aí, querer reformas de esquerda seria pretender que mais da metade da renda fosse para os impostos (50,8%) (9), que os filhos da elite fossem obrigados a estudar em escolas públicas, entre as melhores do mundo, que o estado empregasse mais de um terço da população (34,9%) (10), bancasse dois anos de licença para criar um recém-nascido, limitasse fortemente a atuação das grandes corporações, fosse radicalmente democrático.

Resultado de imagem para Fotos de manifestantes com cartazes de 'Vai pra Cuba'Finalmente, quando o Brasil ficasse parecido com a Dinamarca, o direitista poderia gritar sem hipocrisia seu terror com a Cuba que se avizinha, a do estado total e economia planificada, e assim disfarçar melhor sua inveja do funcionário público sob a máscara do ódio ao Estado. Provavelmente, nesse dia, até eu estivesse protestando a seu lado.

Na estratégia do espantalho cubano, o reacionário brasileiro finge ser a favor da liberdade e do mérito, enquanto na verdade é contra. Contra a liberdade do povo, seus direitos trabalhistas, o investimento na educação e universidade públicas, o fortalecimento do SUS e a redução dos juros. Contra o aumento da carga tributária, do salário mínimo, do estado, da remuneração do professor básico, da distribuição de renda e das oportunidades para os excluídos.

Um conservador na Inglaterra é só um conservador. Um conservador no Brasil é um monstro. Um monstro que quer conservar as estruturas de um dos países mais desiguais e injustos do mundo.
Não, Cuba não é o paraíso. É só uma ilha rochosa no meio do Caribe sem recursos naturais de qualquer tipo e bloqueada economicamente há cinquenta anos. E, no entanto, garante saúde e educação universal para seu povo e tem um IDH maior que o nosso, nós, que somos um continente, nós, que temos todos os recursos naturais em abundância. Essa é a medida de nosso fracasso. O incrível e gigantesco fracasso do capitalismo brasileiro.

EM TEMPO - O cálculo da renda per capita de cuba ajustada pela paridade de compra segundo a metodologia do Banco Mundial foi questionada pelo Human Development Report 2015(AQUI), que preferiu manter para efeito de cálculo do IDH de Cuba o valor defendido pela metodologia da CEPAL. Substituí no texto esse parâmetro pelo produto interno bruto per capita, sob o qual não pesam grandes discrepâncias. No mesmo relatório, página 47, esse órgão da ONU estima o valor do produto interno bruto per capita de Cuba em  18,796 dólares, contra 14,555 dólares do Brasil. Lembrando que esses valores são todos de antes da depressão brasileira e que Cuba cresceu todo ano de 2011 para cá. A comparação certamente está pior para nós hoje.

Notas:
(1) Credit Suisse – Research Institute. Markus Stierli. Outubro de 2015. Tabela 6-5, pág. 149, 17-10-2016
(2) http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.PP.CD?locations=CU&order=wbapi_data_value_2014+wbapi_data_value+wbapi_data_value-last&sort=desc
(3) http://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.PCAP.PP.CD?order=wbapi_data_value_2014+wbapi_data_value+wbapi_data_value-last&sort=desc 
(4) http://www.infomoney.com.br/carreira/salarios/noticia/4073079/veja-quanto-salario-minimo-pago-paises-australia-campea
(5) World Bank GINI index
(6)OCDEhttp://www.oecd-ilibrary.org/sites/gov_glance-2011-en/05/01/gv-21-02.html?itemId=/content/chapter/gov_glance-2011-27-en&_csp_=6514ff186e872f0ad7b772c5f31fbf2f
(7) http://www.dw.com/pt-br/como-o-estado-alem%C3%A3o-ap%C3%B3ia-as-fam%C3%ADlias/a-2370133
(8) Heritage Foundation (2015).”2015 Macro-economic Data”.and Index of Economic Freedom, Heritage Foundation.
(9)http://ec.europa.eu/eurostat/statistics-explained/index.php/File:Total_tax_revenue_by_country,_1995-2014_%28%25_of_GDP%29.png
(10)OCDEhttp://www.oecd-ilibrary.org/sites/gov_glance-2011-en/05/01/gv-21-02.html?itemId=/content/chapter/gov_glance-2011-27-en&_csp_=6514ff186e872f0ad7b772c5f31fbf2f

Resultado de imagem para Fotos de Gustavo Castañon(*) GUSTAVO CASTAÑON, 45 anos, carioca. Graduado em Psicologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É mestre em Psicologia Social pela UERJ e doutor em Psicologia pela UFRJ. Atualmente é professor-adjunto da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e professor auxiliar da Universidade Estácio de Sá. Há nove anos se dedica à investigação nas áreas de Psicologia Filosófica e Epistemologia da Psicologia. Reside no Rio de Janeiro, RJ.



Juristocracia que respaldou o

 golpe quer dar um novo golpe

                             
                                  
Robson Sávio Reis Souza (*)  

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Nas democracias, a mudança do poder político só é legítima pela via eleitoral. Golpe é a mudança do poder político, de forma repentina, sem a deliberação ou o respaldo popular. 

Em 1964, o movimento golpista se deu, com violência, e o protagonismo foi dos militares. Em 2016 (com violência simbólica), o aparente protagonismo do parlamento no golpe só foi possível pelo evidente respaldo do judiciário. Em ambos os casos, mídia e setor financeiro foram os avalistas das rupturas democráticas.

Vamos agora a outro ponto e sem rodeios. Os poderes executivo e legislativo, por mais complexos e corruptos que sejam, estão referenciados e respaldados no voto popular. Políticos estão no poder hoje; podem não estar amanhã.

Por outro lado, juízes, promotores, policiais não têm mandato. Chegam ao poder sem respaldo popular. Talvez, por isso, sintam-se distantes do povo, de seus valores, necessidades e desejos.

Individualmente, existem excelentes juízes, promotores e policiais. Mas, aqui, a questão não se trata de uma análise individual. É uma análise institucional.

Juízes, promotores e policiais construíram uma casta. Vivem numa espécie de "universo paralelo" onde não se submetem a nenhuma forma de controle social e político, nem prestação de contas à sociedade. Edificaram tal império às custas da chantagem política e da conivência, omissão e parceria com grupos que têm interesses numa justiça enviesada. 

Seus prepostos e defensores nos outros poderes, na mídia e os donos do capital (que são os beneficiários diretos da SELETIVIDADE do sistema de justiça), mantém esse edifício aparentemente impoluto. Fazem-nos crer que o judiciário é isento, justo e composto por homens e mulheres acima do bem e do mal, republicanos e democratas. Assim, todos esses segmentos ganham com uma justiça que age para garantir os direitos constitucionais para os ricos e os direitos penais para os pobres ou aqueles que eventualmente são eleitos como bodes expiatórios pelo sistema (não somente de justiça, mas também o sistema econômico).

A casta jurídica chega ao poder por meio de concurso, de caráter meramente técnico, sem nenhuma outra exigência ou compromisso democrático ou republicano. Opera tão marginalmente à lei que um magistrado quando comete crimes geralmente é punido com aposentadoria compulsória. Um escárnio! 

Na média salarial do funcionalismo público, juízes, promotores e as elites policiais recebem salários acima do teto constitucional. Ou seja, aqueles que deveriam ser um exemplo no cumprimento rigoroso e exemplar da lei são os primeiros a violá-la.

No Brasil, desde sempre, o segmento judiciário é um estado paralelo. O professor e catedrático Fábio K. Comparato escreveu célebre texto sobre o poder judiciário no Brasil, disponível no site do IHU-on line. Nessa obra fica patente que o Judiciário "sempre foi e é submisso às elites, corrupto em sua essência e comprometido secularmente com a injustiça". Veja aqui.

Mas principalmente após a Constituição Federal de 1988 (por mais paradoxal que possa parecer - porque a CF/88 não mexeu nos privilégios desse grupo) foi-se consolidando no país uma casta jurídica. Postando-se acima do bem e do mal, a juristocracia tupiniquim, formada pelos "filhos das elites" sociais e econômicas, não têm nenhum compromisso com princípios como igualdade, justiça, equidade. Decidem, discricionariamente, acerca do que é bom, belo e justo e, impávidos, vão determinando os rumos da política e da sociedade.
Nos momentos de crise, atuam para consolidar seu poderio. Uma das últimas grandes investidas nesse sentido se deu nas manifestações de 2013. Promotores, aproveitando da crítica ácida ao sistema político à época, conseguiram "vender" a ideia que estavam sendo perseguidos e conseguiram enterrar a PEC 37, ampliando ainda mais seus poderes discricionários. Todos devem lembrar dessa história... Veja aqui.

A situação de deslocamento do judiciário, desequilibrando a relação com os outros poderes, deteriorou muito nos últimos quatro anos. Passamos de uma situação de "judicialização da política" para um estado de "politização do judiciário".

Agora, novamente, embalados na onda da rejeição ao sistema político, segmentos judiciários patrocinaram essas dez medidas contra a corrupção e tendo o respaldo de se tratar de um projeto de iniciativa popular. Em tempos de conservadorismo galopante, conseguir dois milhões de assinaturas é fichinha. Não esqueçamos do adágio popular: "de boas intenções o inferno está cheio".

Todos somos contra o corrupção. E deveríamos também ser desconfiados dos arautos da moral, dos bons costumes, da ética, da lei e da ordem que desejam regular a sociedade e não aceitam ser regulados por nenhum mecanismo. Somente um inocente útil ou um mal-intencionado pode acreditar nessa virginal historinha.

A Câmara dos Deputados, aquele covil de corruptos, tentou dar um golpe no projeto original do Ministério Público. Como vivemos numa república de golpes e de golpistas, promotores e magistrados deixaram transparecer, com veemência, que de democratas só têm discurso. E estão prontos para um contra-golpe.

Não nos enganemos: os arroubos autoritários desse grupo, a juristocracia, além de uma afronta ao estado de direito (pois produz um evidente desequilíbrio entre os poderes), são um "brado retumbante" a sinalizar a tentativa de consolidação de um poder paralelo que deseja assumir o protagonismo das decisões políticas a fórceps, sem respaldo e deliberação popular. Trata-se do prenúncio de um golpe dentro do golpe.

Não canso de repetir Rui Barbosa: "A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer."

(*) Robson Sávio Reis Souza é dougtor em Ciências Sociais e professor da PUC/Minas.

Você  achava  fascistóides  as 
marchas dos coxinhas? Espere
para ver domingo…          
FERNANDO BRITO              

dita
Você achava que havia grupos de fascistas em meio às manifestações pelo impeachment de Dilma?
Então, prepare-se para o que vai ver domingo.
Não dá para adivinhar, claro, o nível de adesão, mas a mídia já obra na convocação.
Os pedidos de ditadura, como no dia em que a tropa de choque curitibana dos tais “patriotas” invadiu a Câmara, vão ser arroz de festa.
Não sei nem se as moças da Globonews vão poder repetir aquele bordão de que “são famílias inteiras participando do protesto pacífico”.
Há uma escalada de violência – até agora verbal, exceto pelas infiltrações evidentes mas tolamente aceitas, nas manifestações de esquerda – em curso no país.
Mas é só olhar os comentários nos grande jornais e ver que se perderam todos os limites.
Os deputados deram a lenha, juízes e promotores entraram com os fósforos.
São, portanto, os responsáveis pelo fogo.

Golpe  dentro   do golpe: os últimos dias  de  Temer     

Paulo Nogueira                   

   Chegou, viu e perdeu

Chegou, viu e perdeu
Tudo sugere que Temer caminha para seus últimos dias na presidência.
Não deu certo. O fato é que ele foi, desde os primeiros dias, um fracasso monumental.
Já sabíamos que era decorativo, medíocre, sem carisma, antiquado, sem liderança — e traiçoeiro.
O que ficamos sabendo rapidamente, desde que ele assumiu, é que Temer é extraordinariamente incompetente.
Os romanos tinham um provérbio que, de tão sábio, sobreviveu aos séculos. Nenhum vento ajuda quando você não sabe para onde ir.
É o caso de Temer.

Numa entrevista ao 247, Dilma o definiu com perfeição. É um homem menor que o Brasil.
FHC, que já está com uma faca nas mãos para enterrá-la nas costas de Temer, definiu-o também com acerto: uma pinguela.
Pinguela é uma ponte tosca, precária, que liga dois pontos. No caso de Temer, ligou o caos ao apocalipse.
Temer me lembrou uma passagem de Veríssimo a respeito do cubículo ocupado por seu detetive Ed Morte. Era tão minúsculo que Ed o tratava como cubi, não como cubículo.
Temer é Te.
Fracassou em tudo. Na admnistração da política, da economia, em qualquer coisa em que meteu as mãos.
Fracassou até no cuidado em manter sob vigilância seus sócios tucanos na conspiração golpista.
Não imaginou que poderia acontecer a ele o mesmo que aconteceu a Dilma: ser traído.
Será. Já foi, de resto. Você não define alguém como pinguela sem propósitos matadores.
Mais que Aécio, FHC é o Temer de Dilma. Ele sonha voltar à presidência numa eleição indireta em 2017. Isso aos 85 anos.
Diretas já teriam que ser até o final de 2016, e parece não haver tempo para armá-las. As ruas demoraram para se manifestar com o devido vigor por elas.
Eis o golpe dentro do golpe.
Temer é usado, cumpre seu destino de pior presidente da história — e é jogado fora pelos aliados tucanos de ocasião, mancomunados com os barões da mídia. Estes já o abandonaram faz tempo.
Temer é um homem morto andando.
Ao contrário de Júlio César, chegou, viu — e perdeu. De 7 a 1.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Como  MP e Judiciário  foram buscar lã e saíram tosquiados

    tosquia
Embora seja certo que haverá ainda um mar de pressões e possíveis mudanças, algumas observações se pode tirar do episódio em que o Judiciário – e o Ministério Público cada vez mais se adere a ele, porque juiz que só condena é parceiro de quem só acusa, na votação do pacote das chamadas “medidas anticorrupção”.
A primeira delas é que este processo teve tudo o que não deve ser a criação de lei penal.
Foi concebido como uma conquista de poder pelos procuradores e juízes.
Seu “pai” foi uma estrutura subalterna do MP, a Força Tarefa da Lava Jato, diretamente envolvida num caso concreto, não o processo normal de formulação, feito pelos órgãos que a Procuradoria Geral da União tem com esta finalidade e sem vinculação direta com uma ação em curso.
E foi assim porque, desde o início, a motivação foi muito mais político-marqueteira do que jurídica.
Não fosse assim, aberrações como a validação de prova obtida de forma ilícita, “teste de integridade” e, depois, pagamento de prêmio em dinheiro a delator jamais seriam colocadas no papel, sequer.
É uma tradição sempre fazer reformas de lei penal com estudos amplos, participação de juristas externos ao Estado, não com abaixo-assinados e a monstruosidade de colocar uma instituição como o MP como “promotor” propagandístico disso.
Desde o início, a visão dominante era atropelar o Congresso e sair, triunfantes, como os “salvadores da Pátria”.
E deu-se, então, o que o provérbio português do “ir buscar lã e sair tosquiado”.
E ainda podia ter sido pior, se Geddel Vieira Lima não tivesse sido pego com a boca na botija e criado uma situação em que o trêmulo Michel Temer e os “rabos-presos” de Renan Calheiros e Rodrigo Maia, que aparece nos relatórios da Odebrecht, tivessem abortado a “anistia que não existia” ao caixa 2.
Nem é o caso de  se discutir aqui se foi a maneira correta de responsabilizar promotores e juízes por abusos e desmandos nos processos judiciais – até porque alguma responsabilização tem de haver – mas de entender-se que a votação(AQUI) dessa terça(29/11) foi uma reação do Congresso ao avanço da tropa jurídica.
Como, ao que parece, a reação será a de confronto. O chefe informal da Procuradoria Geral da República e seu porta-voz junto ao Parlamento, Deltan Dallagnol(AQUI) já declarou que foi “aprovada a lei da intimidação contra promotores, juízes e grandes investigações”, pela inclusão de propostas sobre a responsabilidades dos agentes públicos do MP e do Judiciário.
Algumas, simples formalização de punições por algo que já é proibido pela Lei Orgânica da Magistratura, como a proibição de juiz manifestar-se nos meios de comunicação sobre processo em curso. Determinação que muitos, a começar pelo exemplar Gilmar Mendes, ignoram solenemente.
Outras, como punir abertura de processos sem base fática e  fazer indenizar àqueles que forem atingidos por isso não tem nenhum absurdo porque, em todos os casos, será ainda um julgamento “interno”, porque se dará em processos onde o MP atuará e um juiz decidirá. Mas poderia, sim, ser muito mais bem definida se, em lugar de uma retaliação política como evidentemente foi, tivesse sido estudada e articulada serenamente.
Ou se o CNJ não fosse, como vem sendo, o terreno da impunidade a estes abusos.
De qualquer  forma, preparem-se para mais crise institucional.
O Legislativo que cortou as verbas da Saúde e Educação é o mesmo que aparou as asas da República de Curitiba.
Os caminho da crise não só seguem abertos como se alargaram.
Porque nossa “sereníssima” Justiça virá de garras e bicos sobre isso.

Diante de Moro, Lula nega

responsabilidade  sobre

nomeações  na  Petrobras

     
Em depoimento ao juiz Sergio Moro nessa quarta-feira (30/11), no processo em que Eduardo Cunha (PMDB) é acusado de se beneficiar de desvios na Petrobras, o ex-presidente Lula negou que tenha sido responsável por nomear indicados por partidos e aliados políticos para diretorias da estatal. Segundo ele, o Conselho Administrativo da companhia de petróleo tinha o verdadeiro poder nesses casos.
As perguntas a Lula, feitas pela defesa de Cunha e pelo Ministério Público Federal, foram centradas na participação do ex-presidente da República nas nomeações para a Petrobras. Esse viés obrigou o petista a esclarecer pontos de outras acusações da Lava Jato, como a do caso triplex, no qual ele é acusado de receber propina da OAS.
Para sustentar que Lula sabia da corrupção na Petrobras e que beneficiava a OAS com contratos da estatal, o MPF o acusa de ter acompanhado de perto as indicações, ter conhecimento da cobrança de propina nas diretorias e de se beneficiar direta (com o triplex e outras vantagens indevidas) e indiretamente (com governabilidade, por exemplo) desse esquema. Para os procuradores da Lava Jato, Lula era o "maestro" da chamada "propinocracia".
Curiosamente, mesmo tendo oportunidade de avançar sobre essas questões, o juiz Sergio Moro preferiu não fazer perguntas a Lula nesse processo.
A defesa de Cunha abriu a audiência perguntado especificamente sobre como se deu a nomeação de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras. Lula, então, atribuiu a responsabilidade a seus ex-ministros e à cúpula da Petrobras.
"A nomeação de Cerveró se deu da mesma forma que outros membros da Petorbras, ou seja, a indicação foi feita em alguma conversa de um ministro da área com um partido ou a bancada do partido que fez a coalizão com o governo. Essa pessoa vem através do ministro das Relações Institucionais da Casa Civil, que manda para ao GSI. Se não tiver nada contra essa pessoa, ela é indicada para o Conselho Administrativo da Petrobras, que é quem nomeia, na verdade, o Cerveró ou qualquer outro dirigente", respondeu.
Mais a frente, quando questionado se Michel Temer estava por trás da nomeação de Jorge Zelada para a diretoria Internacional, em substituição a Cerveró, em meados de 2007, Lula negou a informação.
"Eu acredito que [quem indicou Zelada] tenha sido o PMDB, da mesma forma que o Cerveró foi indicado. (...) Só tem uma exigência que nós fazemos para indicar alguém: 'ue a pessoa seja tecnicamente competente. Que ela tenha conhecimento da atividade que vai fazer. Todos eles que foram indicados têm competência e história dentro da Petrobras."
Confira o vídeo abaixo, disponibilizado pelo Estadão.




A votação “deu ruim”, Dra. Cármem? Reclame com Michel e sua turma...    

     base
Finalmente apareceu um colunista a colocar ordem na confusão.
Ilimar Franco, em(AQUI) O Globo, mostrou que dois terços dos 313 votos que aprovaram - no final da noite dessa terça(29) - o que a ministra Cármem Lúcia chamou de “texto que pode contrariar a independência do Poder Judiciário” na Câmara, ontem, são do partido de Michel Temer e dos seus aliados na base governista.
A contabilidade do “foi sem querer querendo”:
(…)os líderes governistas Baleia Rossi (PMDB), Aguinaldo Ribeiro (PP), Aelton de Freitas (PR), Jovair Arantes (PTB), Tadeu Alencar (PSB — em exercício), Genecias Noronha (Solidariedade) e Márcio Marinho (PRB).
O partido do presidente Temer, o PMDB, foi o campeão de votos. Votaram contra o Judiciário 46 dos 56 deputados presentes à votação. Entre estes estão um dos históricos da legenda, Jarbas Vasconcelos (foto), e o irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima, Lúcio.
O DEM, partido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, compareceu com 17 de seus 25 votos, entre eles, um de seus quadros, José Carlos Aleluia. O relator do projeto 4850/2016, Onyx Lorenzoni, foi derrotado em seu própio partido. O PSDB deu sua ajudinha com nove votinhos de 42 presentes.
O PRB, do prefeito eleito do Rio, Marcello Crivella, também votou contra o Judiciário. Foram 17 de seus 25 deputados presentes. O partido (PSD) do ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), deu 20 votos de 33. O PSB, do ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) com 16 dos 28 presentes.
No PR, foram 29 de 35 votos. Entre estes, o de José Carlos Araújo, que presidiu a Comissão do Impeachment do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O Solidariedade entrou com oito de seus 12 votos, inclusive o de seu fundador, Paulinho da Força.
Foram estes mesmos senhores que deram fim ao governo eleito, legítimo, sob a passiva anunência do Judiciário “imdependente”, que permitiu por sete meses que um facínora como Eduardo Cunha ficasse no comando da casa e pusesse a votar, daquele domingo da vergonha, o afastamento de Dilma Rousseff.
Tem muita gente na bancada evangélica, dá para pedir uma Bíblia emprestada e ler lá, na Carta de São Paulo aos Gálatas: “O que o homem semear, isso colherá”.