terça-feira, 4 de abril de 2017

PCdoB:   FRENTE  AMPLA

contra o 'governo' Temer 

e pelo Brasil                            

                                     

 
Fala a presidenta nacional do PcdoB, Luciana Santos

Em resolução política do Comitê Central, divulgada nessa segunda (3), o Partido Comunista do Brasil defende a formação de uma frente ampla para combater o governo Michel Temer e pensar saídas para o Brasil. Para o partido, é preciso reunir os mais diversos setores progressistas e democráticos, patrióticos e populares para “enfrentar, isolar e derrotar o projeto neoliberal no país, liderado pelo PSDB e neste momento compartilhado com o PMDB”.

De acordo com o documento, o programa mínimo e imediato desta frente deve ser a defesa da democracia, da Constituição Federal de 1988 e do Estado Democrático de Direito. “É neste campo que se desenvolve a luta pela liberdade de manifestação e organização, contra a criminalização da luta social e desmandos da mídia monopolizada, contra o ódio e a intolerância, a discriminação racial, os preconceitos sociais, homofóbicos, de gênero, promovidos pelas forças reacionárias”, diz o texto.


Na resolução, o PCdoB critica ainda a ofensiva contra a atividade política em curso no país e defende, ao contrário, resgatar a política "como forma mais elevada de mediação entre os conflitos e disputas na sociedade e nas instituições do Estado”. Nesse sentido, o PCdoB ressalta a importância de fortalecer os partidos e elevar a participação de trabalhadores e das mulheres na política.



O pretenso combate à corrupção não pode servir para destruir empresas e os ativos econômicos estratégicos. Igualmente, não pode servir para desconstruir o ordenamento institucional democrático e o equilíbrio entre os Poderes, em especial o papel do Legislativo em suas prerrogativas legitimadas pelo voto popular”, afirma o Comitê Central.



O partido aponta que o alvo principal a ser combatido são as forças do rentismo financeiro – “as mais poderosas que agem contra o desenvolvimento e que sequestram a soberania e a democracia das nações”. E defende que é preciso contar “com a força do Estado nacional soberano sob direção progressista para fazer-lhe frente, juntamente com a democracia e a necessária força da luta de classes dos trabalhadores”.


A resolução elenca como indispensáveis a realização das reformas política, da mídia, do sistema financeiro, agrária, tributária, urbana, do Judiciário, da saúde e da educação. “Em particular, requer-se força e clareza para uma política macroeconômica voltada para o desenvolvimento”, afirma.

O PCdoB diz ainda que constituirá um movimento destinado a consultar, mobilizar e fazer um amplo chamamento em torno das propostas e dos caminhos necessários para fazer o Brasil avançar. Nesse processo, embora trabalhe pela unidade, poderá discutir ter candidato próprio à Presidência em 2018.

Nesse movimento, o PCdoB buscará exercer protagonismo na sucessão presidencial. Atuará pela constituição da Frente Ampla, pela coesão do campo democrático patriótico e popular, em torno de um programa e de uma candidatura; podendo, nesse processo, apresentar ao povo e às forças políticas progressistas uma pré-candidatura presidencial que contribua para a concretização destes objetivos”. 

O documento prega ainda a realização de alianças políticas e sociais para deter a “ofensiva ultraliberal”. “Sozinha, a esquerda não será capaz de deter o avanço das forças reacionárias, tampouco retomar o caminho do desenvolvimento soberano, da democracia e dos direitos sociais”, indica.

É necessário explorar contradições e disputas desse consórcio, neutralizar o que for possível na sua ofensiva e, igualmente, atentar para as reconfigurações de forças políticas e sociais do espectro político centrista, presentes na sociedade, nas instituições, nos setores econômicos e em setores de partidos políticos, à medida que o governo Temer se desmoraliza”, completa o texto.

LEIA A RESOLUÇÃO, NA ÍNTEGRA,  A Q U I 

Temer  e  Parente  entregaram 

GRÁTIS  a  empresa   francesa,


R$  500  bilhões  em  petróleo    

                                      
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A Federação Única dos Petroleiros (FUP) acusa o presidente da Petrobras, Pedro Parente, de entregar "de mãos beijadas" à petroleira francesa Total um tesouro de 675 milhões de barris de petróleo (o bloco todo tem reservas provadas de três bilhões de barris).

A entidade se refere à venda de 22,5% da área exploratória de Iara, no pré-sal da Bacia de Santos, que a estatal brasileira celebrou com a petrolífera francesa. Para a FUP, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ao aprovar sem restrições o negócio nesta segunda-feira 3, oficializou "mais um crime de lesa-pátria".



Confira abaixo a íntegra do comunicado da FUP, que critica duramente a negociação:

O Parente é da(petroleira)Total

Ao aprovar sem restrições nessa segunda-feira, 03, a venda de 22,5% da área exploratória de Iara, no Pré-Sal da Bacia de Santos, que a Petrobrás celebrou com a Total, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) oficializa mais um crime de lesa-pátria. Através de um acordo de colaboração assinado em 28 de fevereiro e batizado ironicamente de Aliança Estratégica, a gestão Pedro Parente deu de mãos beijadas à petrolífera francesa um tesouro de 675 milhões de barris de petróleo (o bloco todo tem reservas provadas de três bilhões de barris).

Trata-se de um patrimônio de 33,7 bilhões de dólares (levando em conta o preço atual do barril de petróleo), entregue à multinacional por menos de 6% deste valor. O tal acordo de colaboração é praticamente um negócio de pai pra filho. Por 2,2 bilhões de dólares, a Total abocanhou não só uma fatia considerável de Iara, como também se apropriará de 35% do campo de Lapa, cujo ativo já havia sido depreciado em R$ 1,238 bilhões, para facilitar a sua venda. Também foram entregues à petrolífera francesa 50% da Termobahia, incluindo duas termoelétricas e o acesso ao terminal de regaseificação.

Os valores negociados com a Total, além de estarem muito abaixo dos preços de mercado, ainda serão pagos de forma escalonada: US$ 1,6 bi à vista e o restante em suaves prestações. Além disso, a multinacional se beneficiará de toda infraestrutura e logística já desenvolvidas pela Petrobrás, o que reduzirá significativamente os seus custos.


Não é à toa que o acordo de colaboração feito por Pedro Parente foi celebrado efusivamente pelos investidores franceses. Analistas de mercado chegaram a calcular que a Total aumentará em 1 bilhão de barris de petróleo as suas reservas ao se apropriar destas duas áreas do Pré-Sal brasileiro. Tudo isso a um custo estimado entre US$ 1,75 e US$ 2,4 o barril, segundo divulgou a imprensa francesa na época do fechamento do acordo.


É no mínimo suspeito o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovar uma negociata tão escancarada como esta. Enquanto o mundo inteiro está em busca de novas reservas de energia, o nosso Pré-Sal é entregue a preço de banana, com o aval dos órgãos regulamentadores.

Direita equatoriana rechaça derrota e ameaça  repetir  Capriles  e  Aécio           


Quando o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou que o resultado das urnas nesse último domingo (2/4) já era irreversível, e confirmava a vitória do candidato governista Lenín Moreno – que foi vice de Rafael Correa em seu primeiro mandato –, o Equador teve que enfrentar o mesmo momento de tensão política pelo qual passaram a Venezuela em 2013 e o Brasil em 2014.
          
Lenín Moreno, presidente eleito do Equador, agita a bandeira durante o ato de comemoração. Com sua vitória, a esquerda respira na América do Sul.
Desde aquele primeiro minuto, a reação da direita equatoriana foi a de apostar na desestabilização e no confronto social. O banqueiro Guillermo Lasso, representante da direita que experimentava seus primeiros minutos na condição de candidato derrotado, saiu rapidamente a dar uma declaração, qualificando o processo eleitoral como “fraudulento”, assegurando possuir provas a respeito.
Além de não reconhecer sua derrota, Lasso chamou o presidente recém eleito de “ilegítimo”, e convocou seus aderentes a um conceito que ele qualificou como “desobediência pacífica”, que fossem às ruas protestar contra o resultado supostamente viciado, mas sem provocar casos de violência – que finalmente aconteceram, apesar de suas advertências, com militantes de sua coalizão rompendo bloqueios policiais e atacando ou ameaçando sedes de partidos de esquerda ou sedes do CNE. Também disse que seus próximos passos serão um pedido de recontagem dos votos e a apresentação das supostas provas de fraude aos organismos internacionais.
Naquele momento havia pouco mais de 95% das urnas apuradas. Moreno possuía 51,11% e Lasso 48,49%. A diferença era de pouco mais de 2%, que em números absolutos significava mais de 200 mil votos, e os votos que faltavam ser apurados eram menos que isso.
Estilo Capriles-Aécio
Há quatro anos, quando Nicolás Maduro venceu a última eleição presidencial venezuelana com a mesma vantagem de pouco mais de 200 mil votos, seu adversário, o direitista Henrique Capriles, fez o mesmo número midiático repetido neste domingo por Lasso: não reconheceu a derrota por poucos votos, acusou fraude e chamou seus seguidores às ruas para protestar.
Derrotado nas urnas, Guillermo Lasso levanta o dedo e garante que vai apelas a todas as instâncias possíveis para desacreditar a vitória do socialista Lenín Moreno.
O resultado daquele chamamento foi uma série de enfrentamentos em diferentes capitais de províncias, edifícios partidários vandalizados e oito simpatizantes chavistas assassinados. O seguinte passo, naquele então, também foi pedir recontagem dos votos e auditoria nas urnas eletrônicas – algo impossível no caso do Equador, onde o voto é em cédulas de papel –, cujas apurações terminaram confirmando o resultado, o que novamente foi desconhecido pela direita.
Finalmente, o terceiro passo foi partir para uma postura abertamente confrontativo com respeito ao governo de Maduro, desafiando suas decisões, tentando sabotar suas medidas e buscando vias constitucionais – ou leituras viciadas de certos mecanismos – para abreviar seu mandato presidencial.
Essa postura, sobretudo as tentativas de reverter o resultado das urnas no tapetão e a sabotagem política do governo através do Legislativo, também foi adotada pelo senador brasileiro Aécio Neves após a derrota para Dilma Rousseff em 2014. Com o apoio do deputado Eduardo Cunha, conhecido desafeto de Dilma, Aécio conseguiu criar uma rebelião dentro da coalizão governista, que levou finalmente ao processo de impeachment sem crime de responsabilidade, a base do primeiro golpe de Estado vivido pelo Brasil neste século.
No caso da Venezuela, a ofensiva ainda não gerou a desejada queda de Nicolás Maduro, mesmo contando – como nos casos do Brasil e do Equador – com o apoio de praticamente todo o empresariado do país a favor da reinstauração da agenda neoliberal. Mesmo com todos os gritantes equívocos cometidos pelo herdeiro de Hugo Chávez, e algumas medidas que foram claramente autoritárias e antidemocráticas.
         
Polícia reforçou segurança ao redor do edifício do Conselho Nacional Eleitoral após pedido de Lasso para que seus seguidores não aceitem os resultados das eleições”.
No caso de Lasso e do Equador, essas estratégias talvez sejam mais resistidas pelo novo governo. A acusação de fraude eleitoral – que tampouco teve sucesso no Brasil e na Venezuela – levou o CNE equatoriano a se adiantar, convocando um número recorde de observadores, os quais, ao menos por enquanto, não confirmam as desconfianças da oposição.
A estratégia de obstrução permanente e impertinente contra o governo de Lenín Moreno poderá ser uma alternativa, mas em um princípio se verá impedida pela conformação do Legislativo unicameral do Equador. Após as eleições legislativas de fevereiro, a governista Aliança PAIS ficou com 74 das 137 cadeiras disponíveis. Mesmo perdendo 26 deputados, manteve a maioria simples. As forças de oposição reunidas possuem 63 das vagas no parlamento, uma bancada que cresceu, e que é grande o suficiente para barrar algumas medidas que requerem quórum qualificado, mas não qualquer coisa.
Correa e Assange
A eleição de 2017 marcou o fim do período de Rafael Correa, que já está há dez anos no poder, e deverá entregar o cargo a Lenín Moreno em maio. Contudo, não se trata do fim do correismo no Equador, já que o vencedor foi o candidato apoiado pelo atual presidente.
Durante a campanha, Moreno usou bastante a palavra “mudança”, como forma de se adiantar à estratégia da direita de aproveitar a onda de restauração conservadora no continente, que possivelmente castigaria quem pretendesse se mostrar como representante da continuidade pura e simples. O discurso apostava em renovar o projeto de Correa, para reforçar as políticas sociais, um sofisma para vender o continuísmo como novidade. Levou a uma vitória magra, mas uma vitória enfim – resultado melhor que o do kirchnerismo, que acabou derrotado em 2015, por exemplo.
         
A secretaria-geral da Unasul é um dos futuros possíveis para Rafael Correa(esq.). Ao deixar a presidência com seu sucessor eleito, ele passa a ser um dos políticos de esquerda com maior capital político no continente.
Com relação ao futuro de Correa, ainda não há certezas. É bastante provável que continue tendo influências sobre o governo equatoriano, mesmo de fora, e sobretudo quando vierem os momentos de dificuldades políticas – algo como foi Lula para Dilma.
Entretanto, o economista também trabalha seus objetivos no cenário internacional, aproveitando que é hoje um dos líderes de esquerda com maior popularidade na América Latina. Uma das opções nesse sentido seria assumir a secretaria-geral da Unasul. A proposta teria ademais um efeito simbólico, já que uma das promessas de Guillermo Lasso durante a campanha foi a de desalojar o edifício-sede da Unasul em Quito, para transformá-lo no novo palácio presidencial do Equador.
Outro despejo pregado por Lasso foi a do ativista australiano Julian Assange. O hacker criador do site WikiLeaks está asilado na embaixada equatoriana em Londres desde agosto de 2012 – a princípio, devido a uma acusação de crime sexual cometido na Suécia, que fizeram com que o Reino Unido esteja esperando sua saída do edifício diplomático para efetuar sua extradição, porém também há uma acusação dos Estados Unidos de crime contra a segurança nacional, e seus apoiadores temem que a mesma poderia levá-lo à pena de morte.
            
Da janela da embaixada equatoriana em Londres, Julian Assange tenta visualizar um futuro. O hacker está asilado no edifício diplomático desde 2012.
Guillermo Lasso disse várias vezes que pretendia rever o asilo outorgado a Assange, sempre usando a mesma expressão de que “a embaixada não é um hotel”. O candidato banqueiro também acusou o ativista de colaborar politicamente com a aliança governista, quando surgiram documentos acusando-o de possuir contas em paraísos fiscais, com milhares de dólares sonegados.
Uma das declarações do banqueiro – “pediremos cordialmente ao senhor Assange que se retire da embaixada, durante os primeiros 30 dias de governo” – foi ironizada pelo hacker, minutos depois da divulgação dos resultados definitivos por parte do CNE. Através de sua conta de twitter, Assange disse “convido cordialmente o senhor Lasso a deixar o Equador nos próximos 30 dias (com ou sem o dinheiro que guarda nas offshores)”.

Por que não saem pesquisas? Resposta  em  Pernambuco...  

PERNAMB1
Jornal do Commercio(AQUI) de Rcife(PE) publicou nessa segunda(23) uma pesquisa de intenção de voto, realizada com 2.014 eleitores pernambucanos pelo Centro Universitário Maurício de Nassau – que há dez anos realiza levantamentos de opinião pública entre os pernambucanos. O resultado é uma boa pista do porquê andam tão sumidas as pesquisas de intenção de voto: Lula aparece com 65% da preferências dos eleitores, astronomicamente longe dos dois que empatam em segundo: Marina Silva e Jair Bolsonaro, com 6%.
Ah! Mas Lula sempre foi favoritíssimo no Nordeste, que é considerado o “paraíso do PT”… Não, ainda assim o resultado é impressionante: Dilma teve, no primeiro turno, em 2010 e 2014, 46 e 42% dos votos pernambucanos e Lula, em 2006, 70,9%, o que é uma perda ínfima diante da estúpida campanha de mídia que contra ele se fez.
E não apenas ele não perdeu como todos os demais perderam muito, a começar por Marina Silva, que recolheu 19% e 21% dos votos em Pernambuco, nas duas últimas eleições presidenciais.. Dos tucanos, nem se fala: dos 33,5% que obteve lá em 2014, conserva apenas 1%.
Aí está uma boa razão para entender(AQUI) porque não aparecem pesquisas presidenciais há tempos e porque, hoje, Nélson Jobim diz que Lula, se chegarem ao ponto de o prender ou cassar seu direito de ser candidato, elege qualquer um – a começar por Ciro Gomes, segundo ele – em 2018.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

“Golpista,  sua máscara caiu!”

Você não terá outra chance...
Constituicao.jpeg
O Conversa Afiada reproduz sereno - como sempre... - artigo do Ministro da Justiça, do governo Dilma, Eugênio Aragão(a presidenta impedida só acertou mesmo na última indicação para a Pasta...) sobre o que vai acontecer quando a canoa virar e o paredón do C Af for construído:

Quando as máscaras caem:

um alento aos lutadores

pela democracia                                     (Eugênio Aragão)


O momento crítico que vivemos na política nacional tem um lado positivo. As ilusões se esvanecem. Os atores mostram quem verdadeiramente são. As mentiras, por terem pernas curtas, não acompanham o passo do tempo. Consegue-se perfeitamente distinguir cínicos de hipócritas, covardes de corajosos, bobões de espertalhões, viciados de virtuosos. A crise exige tanto de nós, que as opções se estreitam. Passamos a viver um tabuleiro de xadrez, em que há peças pretas e brancas, mas não há lugar para peças cinzas.

É neste momento, também, que se testam as instituições. Se estão aptas a defender a democracia e o estado de direito ou se se submetem ao ditado da opinião pública forjada por aqueles que surfam no caos. Vêem-se quão dominadas estão pelas corporações, incapazes de enxergar além de seu umbigo, longe dos interesses do país e de sua sociedade. 

Esse desnudamento da majestade de atores e instituições compõe um valioso ativo para o futuro, quando a sociedade se der conta do engodo em que se meteu. A reconstrução do estado brasileiro, soberano e altivo, não será tarefa fácil, mas, ao menos, desta vez, saberemos com quem contar e com quem não. Saberemos onde começar a reforma das instituições e quais barreiras criar para impedir que jogadores sem escrúpulos possam novamente se apossar dos instrumentos de governação. 

Fica o recado para os que apostaram no golpe. Sua ousadia cega os expôs. As máscaras caíram. A sociedade saberá como lidar com eles, para que não tenham nova chance. E aos que lutam, remando contra a maré, um afago, uma luz de esperança: não há mal que dure para sempre; a lição amarga por que passaram foi necessária para que não errem mais e saibam em que companhia devem andar e da qual devam se blindar. Amanhã será outro dia.

O que a 'Carne Fraca' e o projeto de
terceirização ensinam à esquerda
Escândalo na fiscalização de alimentos e a desregulamentação do mercado de trabalho deveriam desafiar os sindicalistas a propor meios para aumentar o controle dos interesses econômicos das empresas e oxigenar a representação política...

Reginaldo Moraes (*)               


 

O escândalo da “Carne Fraca” mostrou várias coisas ao mesmo tempo. Antes de mais nada, escancarou a luta pelo protagonismo dentro da Polícia Federal – cada delegado querendo aparecer mais do que o outro. A qualquer custo. Depois, a tentativa de chantagear políticos, pela mesma instituição: primeiro, um recado ao ministro da Justiça, supostamente “chefe” da PF; quando outro ministro criticou a PF, reação parecida.
Depois veio Blairo Maggi – que Deus o tenha e o Diabo o receba. Não constava em delações, mas, no dia seguinte a suas declarações, passou a constar. E os delegados fizeram questão de alertar: o que vazamos é apenas parte de nossa munição. O estado policial foi deslanchado com os golpistas e agora reina absoluto. Manda recados via vazamentos.
Será que alguém, fora Poliana, achava que a indústria da carne era pura e saudável? Ora, será que alguém pensa algo semelhante sobre o leite, os pães, os remédios, as frutas e legumes? Existe alguém que pelo menos não suspeite que comemos venenos e falsificações todo dia? Será que alguém imagina que alguma dessas grandes corporações paga em dia e integralmente os impostos e taxas? Será que alguém sonha que em algum dia o reino dos fiscais era imune às gracinhas dos fiscalizados? Só agora nos “escandalizamos” com essas “revelações”?
Neste episódio, argumentos sobraram de todos os lados. Sobre as maldades dos carniceiros – óbvias. Sobre as vantagens dos competidores internacionais com este choque – igualmente óbvias. Sobre a briga de bastidores para ocupar espaço, mídia e poder – algo também muito óbvio.
O que não apareceu – e, no entanto, deveria ser óbvia – é a necessidade de criar canais permanentes e ampliados de “transparência”, essa palavra tão utilizada e tão cínica. Vou sugerir um deles, que venho repetindo faz tempo.
Por que não temos, no Brasil, uma representação dos trabalhadores na gestão das empresas  – como fizeram em outros países que se livraram de ditaduras? É o caso de perguntar por que não temos eleição de comitês de empresas, com trabalhadores eleitos diretamente pelos seus companheiros, com mandato e estabilidade, com direito a inspecionar e divulgar as informações sobre a empresa: de quem compra, quanto vende, quanto paga de impostos, e assim por diante. Por que delegar a exclusivos fiscais do Estado – por mais honoráveis que sejam – a vigilância fiscal, sanitária, ambiental e trabalhista?
Mais uma vez – estou ficando repetitivo – sugiro que os ativistas sindicais brasileiros, aqueles que ainda restam, deem uma olhada na legislação que a social-democracia alemã traduziu e entregou aos parlamentos espanhol e português, depois da queda das ditaduras ibéricas. Sim, só traduziu, não precisou nem inventar. Pode ser um ponto de partida. Até porque a representação trabalhista que temos é claramente envelhecida, burocratizada e, agora, se desmancha diante da pulverização do mercado de trabalho, graças à terceirização, automação e subcontratação.
Diante de escândalos como este, da Carne Fraca, está mais do que na hora de colocar na agenda um conjunto de propostas de esquerda. Que não apenas aumentem a regulação política dos interesses econômicos. Mas, também, oxigenem esta representação política.
Sindicalistas: ou mudam ou morrem de inanição
E já que estou no tema, aproveito para pegar carona em outro evento relevante do momento. O Congresso mercenário acaba de aprovar uma lei de desregulamentação e pulverização do mercado de trabalho, a chamada terceirização do fim do mundo. É um passo importante, mas é um passo numa caminhada que vem desde muitos anos. Faz tempo que o mercado de trabalho vem sendo esquartejado por operações do capital – via legislação e também via reengenharia das empresas. O resultado foi a fragmentação das categorias e o enxugamento das bases de muitos sindicatos, que viam seus representados e filiados escorrerem pelos dedos. A legislação recém-aprovada dá um novo tranco – bem mais forte – nessa direção.
Os ativistas sindicais – aqueles que ainda existem – devem pensar rapidamente em criar ferramentas e formas de organização que respondam a esse desafio. Fenômenos semelhantes em outros países – como os Estados Unidos – podem servir de alerta ou inspiração.
No cenário norte-americano, ao lado desses vetores que apontamos – automação, terceirização, subcontratação, migração de plantas – ainda se somou a massiva imigração latina, a terceira onda de migração daquele país. A selvageria do mercado de trabalho exigiu que ativistas de esquerda e sindicalistas (as frações menos burocratizadas da central AFL-CIO) inventassem novas ferramentas para organizar e mobilizar os trabalhadores formais e informais. Surgiram experimentos como os como os worker centers, as “paróquias” do Working America (movimento comunitário animado pela AFL-CIO) e as várias experiências de “sindicato-movimento social” que se espalham principalmente em regiões de forte presença de imigrantes.
Está mais do que na hora de a esquerda entrar na disputa com sua própria cara – e talvez coisas pequenas, mas ousadas como estas, sejam uma pista.
(*) Reginaldo Moraes - É professor da Unicamp, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-Ineu) e colaborador da Fundação Perseu Abramo. 
Temer  e  Meirelles,  perdidos e  incapazes  tanto  de  fazer     quanto  de  compreender         

Janio de Freitas                        

 Resultado de imagem para Fotos de Temer e Meirelles preocupados

Nem a complacência interessada com que o poder econômico, a dita imprensa escrita e a TV tratam Michel Temer (conduta que serve de proteção para um lado e ilusão para o outro), consegue escapar desta realidade deprimente: Temer e Henrique Meirelles estão aturdidos, perdidos no emaranhado de suas afirmações e subsequentes recuos, incapazes tanto de fazer quanto de simplesmente compreender.
E a verdade daí decorrente é que, em dez meses, a situação do Brasil só se agravou, arrastando nesse despenhadeiro todos os não-dotados de recursos fartos. Sob o domínio da incompetência e da perplexidade, o Brasil sufoca.
Em um só dia - o já estigmatizado 31 de março - as páginas iniciais nos sites dos principais jornais davam, com diferentes níveis de exibição, estas informações: "Corte orçamentário atinge transporte, habitação e defesa". O governo superestimou as receitas, prática que dizia repelir, daí resultando um rombo de 58 bilhões e 200 milhões de reais nas suas contas. Como remendo, já em março Meirelles achou necessário o corte de mais de R$ 42 bilhões nos investimentos do governo. Só as obras do PAC perderão mais de R$ 10 bilhões. Os investimentos do governo são, historicamente, o que ativa a economia. Logo, o corte é contrário à recuperação econômica.
Outra manchete: "Contas públicas têm pior resultado para fevereiro em 16 anos", quer dizer, desde que começado esse registro em 2001. A despesa do governo no menor mês foi de R$ 23 bilhões e 500 milhões maior do que a receita.
E mais: "PIB recua 3,6% em 2016". É o país empobrecendo. Meirelles propalou, nos primeiros meses do governo Temer, que antes do fim do ano passado a recuperação econômica já estaria em curso. Com o correspondente resultado no PIB. As previsões, todavia,  vieram caindo em voz baixa. E o resultado real é o desastre noticiado.
E esta aqui: "Governo Temer é aprovado por 10%"(segundo pesquisa CNI/Ibope, que em dezembro indicava 13%). Esse número reflete o tamanho da suposta ‘legitimidade’ com que Michel Temer se põe a agravar as distorções da Previdência. E reduzir ainda mais o valor do trabalho, com a terceirização indiscriminada(que sancionou na sexta-feira-31 de março, na calada da noite).
Para encurtar, por desnecessidade de mais: "Brasil tem 13 milhões e 500 mil sem emprego e a economia continua em retração". Esses milhões são o cálculo do IBGE para os que procuraram emprego. Incluídos os que desistiram de procurá-lo ou não chegaram a fazê-lo, há estimativas que vão a 20 milhões. Se "a economia continua em retração", a probabilidade de desemprego é crescente. E suas consequências, também.
É o Brasil de Michel Temer em poucas linhas. O governante dos recuos empurrando o país para a calamidade.
Em tal situação, disseminar notícias precipitadas de êxitos governamentais é mais do que fantasiar incertezas. O governo não se entende com a economia e não é verdade que se entenda com o Congresso, a menos que sucessivos recuos não sejam apenas falta de entendimento, de avaliação e competência. E de moralidade, com tantos símbolos da corrupção revigorados nos cargos ministeriais e palacianos recebidos de Michel Temer.
Na História brasileira, não há nada semelhante a esse governo que perde, em média, um figurão por mês, levado por acusação de improbidade (em um caso, pelo menos,  por tê-la encontrado dentro do próprio palácio presidencial). 

Devastado pelos bandoleiros dos subornos, negociatas, desfalques, e estelionatos com nome de "sobras de campanha", este país agora está sofrendo a ameaça de ser destroçado por um governo de ineptos, protegido em troca de alguns gravíssimos retrocessos de legislação.

Temer desmonta a  Caixa:   lucro

da   empresa   pública  caiu   42% 

depois   de   abril   de  2016              







     
         logo

A Caixa Econômica Federal encerrou 2016 com lucro de R$ 4,1 bilhões, queda de 42% em relação a 2015, quando o banco público lucrou R$ 7,1 bilhões.

No quarto trimestre do ano, o lucro cresceu 11% na comparação com o mesmo período de 2015, para R$ 691 milhões. O número, porém, representa queda de 30% em relação ao terceiro trimestre de 2016, quando a Caixa teve lucro de R$ 998 milhões.

A margem financeira (principal fonte de receitas dos bancos, arrecadada nas operações de crédito) foi de R$ 11,8 bilhões, queda de 1% na comparação com o trimestre anterior, mas alta de 5,8% ante o quarto trimestre de 2015.



O banco continuou ampliando empréstimos a clientes no final do ano passado, mas o crescimento se deu, principalmente, no crédito habitacional, que tem juros controlados pelo governo.

Em dezembro, a carteira de crédito da Caixa somava R$ 709,3 bilhões, alta de 1,4% na comparação com setembro e de 4,4% em relação a dezembro de 2015.



Além da redução das margens, o banco teve maior dificuldade em controlar custos administrativos, que cresceram acima da inflação.

O banco público, assim como seus concorrentes, reduziu sua despesa contra possíveis calotes. A queda foi de 3,3% entre o terceiro e o quarto trimestre, para R$ 4,9 bilhões. Na comparação com o final de 2015, o banco público elevou em 25% suas provisões.

Em 2016, os grandes bancos brasileiros foram fortemente afetados pelos pedidos de recuperação judicial de grandes empresas, caso da Sete Brasil e da Oi.

A inadimplência acima de 90 dias recuou para abaixo de 3% no final do ano, segundo a Caixa. Os atrasos eram de 2,88% no último trimestre de 2016, ante 3,55% um ano antes. A inadimplência de pessoa física, no entanto, está acima de 6%.