segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Os golpistas e seus

economistas de

plantão 

José Luís Fiori (*)      imagem de Gabriel Moreno Luis Nassif Online

"Uma vez me perguntaram se o Estado brasileiro é muito grande. Respondi assim: "Eu vou lhe dar o telefone da minha empregada, porque você está perguntando isto para mim, um cara que fez pós­doutorado, trabalha num lugar com ar­-condicionado, com vista para o Cristo Redentor. Eu não dependo em nada do Estado, com exceção de segurança. Nesse condomínio social, eu moro na cobertura. Você tem que perguntar a quem precisa do Estado".  Luiz G. Schymura, "Não foi por decisão de Dilma que o gasto cresceu", Valor, 07/08/2015 
 
Duas coisas ficaram mais claras nas últimas semanas, com relação à tal da "crise brasileira". De um lado, o despudor golpista, e de outro, a natureza ultraliberal do seu projeto para o Brasil. Do ponto de vista político, ficou claro que dá absolutamente no mesmo o motivo dos que propõem um 'impeachment', o fundamental é sua decisão prévia de derrubar uma presidente da República eleita por 54,5 milhões de brasileiros, há menos de um ano, o que caracteriza um projeto claramente golpista e antidemocrático, e o que pior, conduzido por lideranças medíocres e de discutível estatura moral. 

Talvez, por isto mesmo, nas últimas semanas, a imprensa escalou um grupo expressivo de economistas liberais para formular as ideias e projetos do que seria o governo nascido do golpe. Sem nenhuma surpresa: quase todos repetem as mesmas fórmulas, com distintas linguagens. Todos consideram que é preciso primeiro resolver a "crise política", para depois poder resolver a "crise econômica"; e uma vez "resolvida" a crise política, todos propõem a mesma coisa, em síntese: "menos Estado e menos política". 
 
Não interessa muito o detalhamento aqui das suas sugestões técnicas. O que importa é que suas premissas e conclusões são as mesmas que a utopia liberal repete desde o século XVIII, sem jamais alcançá­-las ou comprová-­las, como é o caso de sua crença econômica no "individualismo eficiente", na superioridade dos "mercados desregulados", na existência de mercados "competitivos globais", e na sua fé cega na necessidade e possibilidade de despolitizar e reduzir ao mínimo a intervenção do Estado na vida econômica
 
É muito difícil para estes ideólogos que sonham com o "limbo" entender que não existe vida econômica sem política e sem Estado. É muito difícil para eles compreender ou aceitar que as duas "crises brasileiras" são duas faces de um conjunto de conflitos e disputas econômicas cruzadas cuja solução tem que passar inevitavelmente pela política e pelo Estado. 
 
Não se trata de uma disputa que possa ser resolvida através de uma fórmula técnica de validez universal. Por isto, é uma falácia dizer que existe uma luta e uma incompatibilidade entre a "aritmética econômica" e o "voluntarismo político". Existem várias "aritméticas econômicas" para explicar um mesmo déficit fiscal, por exemplo, todas só parcialmente verdadeiras. Parece muito difícil para os economistas em geral, e em particular para os economistas liberais, aceitarem que a economia envolve relações sociais de poder, que a economia é também uma estratégia de luta pelo poder do Estado, que pode estar mais voltado para o "pessoal da cobertura", mas também pode ser inclinado na direção dos menos favorecidos pelas alturas.
 
Agora bem, na conjuntura atual, como entender o encontro e a colaboração destes economistas liberais com os políticos golpistas?
 
O francês Pierre Rosanvallon dá uma pista, ao fazer uma anátomo-­patologia lógica do liberalismo da "escola fisiocrática" francesa, liderada por François Quesnay. Ela parte da proposta fisiocrático-­liberal de redução radical da politica à economia e da transformação de todos os governos em máquinas puramente administrativas e despolitizadas, fiéis à ordem natural dos mercados. E mostra como e por que este projeto de despolitização radical da economia e do Estado leva à necessidade implacável de um "tirano" ou "déspota esclarecido" que entenda a natureza nefasta da política e do Estado, se mantenha "neutro", e promova a supressão despótica da política, criando as condições indispensáveis para a realização da "grande utopia liberal", dos mercados livres e desregulados. 
 
Foi o que Rosanvallon chamou de "paradoxo fisiocrata", ou seja: a defesa da necessidade de um "tirano liberal", que "adormecesse" as paixões e os interesses políticos, e se possível, os eliminasse
 
No século XX, a experiência mais conhecida deste projeto ultraliberal foi a da ditadura do Sr. Augusto Pinochet, no Chile, que foi chamada pelo economista americano Paul Samuelson de "fascismo de mercado". Pinochet foi ­ por excelência ­ a figura do "tirano" sonhado pelos fisiocratas: primitivo, quase troglodita, dedicou­-se quase inteiramente à eliminação dos seus adversários e de toda a atividade politica dissidente, e entregou o governo de fato a um grupo de economistas ultraliberais que puderam fazer o que quiseram durante quase duas décadas.
 
No Brasil não faltam ­ neste momento ­ os candidatos com as mesmas características e os economistas sempre rápidos em propor e dispostos a levar até as últimas consequências o seu projeto de "redução radical do Estado", e se for possível, de toda atividade política capaz de perturbar a tranquilidade de sua "aritmética econômica".
 
Neste sentido, não está errado dizer que os dois lados deste mesmo projeto são cúmplices e compartem a mesma e gigantesca insensatez, ao supor que seu projeto golpista e ultraliberal não encontrará resistência, e no limite, não provocará uma rebelião ou enfrentamento civil, de grandes proporções, como nunca houve antes no Brasil.
 
Porque não é necessário dizer que tanto os líderes golpistas quanto seus economistas de plantão olham para o mundo como se ele fosse uma "enorme cobertura", segundo a tipologia sugerida na epígrafe, pelo Sr. Luiz Schymura. Um raro economista liberal, em entender a natureza contraditória dos mercados, e natureza democrática do atual déficit público brasileiro.
 
(1) P. Rosanvallon, Le liberalisme économique. Histoire de l'idée de marché, Editions Seuil, Paris, 1988
 
(*) José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "História, estratégia e desenvolvimento" (2014) da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ. 
 

A saída de Molon  e a  crise  do  PT

Olavo Carneiro                       
molon2
Antes de mais nada é preciso reconhecer que a saída do companheiro Molon do Partido dos Trabalhadores é uma grande derrota. Uma dupla derrota.
É uma derrota para as fileiras daqueles que acreditam, dentro do PT, no socialismo, na política pautada pela ideologia e não troca de favores, nas alianças programáticas. Derrota para a esquerda petista.
Mas é também uma derrota por ver um quadro como o Molon aderir ao jeito de pensar e agir da maioria do PT que tem levado à destruição do partido e que ele tanto criticava. Pensamento e prática calcados na reprodução de mandato a qualquer custo, no individualismo e eleitoralismo.
A militância da Articulação de Esquerda e o Molon travaram juntos boas batalhas no PT-RJ e na sociedade fluminense. Na candidatura a prefeito em 2008, quando muitos no PT já praticavam o hábito de trair as candidaturas do partido. Nas críticas e construções de oposição à subordinação ao PMDB no Rio de Janeiro por falta de identidade programática. Subordinação essa recorrentemente exigida por Lula, e mais uma vez em curso capitaneada de forma errática por Quaqua presidente do PT-RJ.
Atuamos juntos no Coragem para Mudar, articulação da militância contra apoio ao Eduardo Paes, quando as outras tendências e lideranças do RJ se calavam ou apoiavam a aliança com o PMDB. Depois iniciamos o movimento Novo Tempo para a disputa interna do partido no PED em 2013, que lamentavelmente Molon optou no último momento por apoiar uma chapa defensora da aliança com Cabral, Picciani, Paes e cia. Recentemente nos juntamos no Saída é Pela Esquerda, esforço de criar um campo político no PT-RJ antagônico a aliança com PMDB nas eleições da cidade do Rio de Janeiro. A essa iniciativa se somaram a tendência Democracia Socialista, o senador Lindbergh Farias, os ex-deputados Jorge Bittar e Robson Leite e o vereador Reimont.
Em janeiro deste ano a AE-RJ aprovou resolução onde defendia a unificação das esquerdas no Rio de Janeiro para debater e construir plataforma política unitária que desembocasse em uma possível aliança eleitoral em 2016. A aliança se dando em torno de ideias e convicções poderia buscar os melhores nomes para encabeçar a chapa. A AE identificava que o melhor nome para o PT pôr à disposição era do companheiro Molon.
Sendo assim nosso empenho militante se dava e se dá na construção coletiva de projeto coletivo.
A honestidade e compromisso do Molon com a construção de uma sociedade justa, fraterna e igualitária não está em questionamento. Nem a alta qualidade do seu mandato. Muito menos o consideramos um traidor. Mas sua movimentação solitária de saída do PT, sem se quer informar aos seus companheiros, está a serviço de qual projeto coletivo? Qual a estratégia que a orienta? Como contribui para enfrentarmos e superarmos a atual crise da esquerda brasileira que se traduz, gostemos ou não, na crise do PT?
Desse modo lamento a decisão e a forma individualista como foi tomada.
É verdade que o PT cada vez mais se mostra impermeável a mudanças do seu funcionamento interno burocratizado, de sua estratégia de conciliação de classes, da ênfase na institucionalidade tradicional.
Nosso foco deve ser travar o bom combate por mudanças no PT, considerando inclusive o papel que isso joga para o presente e para o futuro da esquerda brasileira. Sem nenhum fetiche de organização ou patriotismo partidário.
No mesmo sentido que devemos, nós os militantes de esquerda, atuar na construção da Frente Brasil Popular, sem sectarismo de partidos, movimentos ou lideranças. Espero ver contribuindo o Molon e tantas outras personalidades. Assim como os diversos partidos e movimentos.
Defender a democracia e a mudança da política econômica devem orientar nossos mais sinceros esforços.
Significado mais amplo
A desfiliação do (deputado)Alessandro Molon é um fato de grande importância para o partido e para os setores progressistas, no plano nacional e estadual. Mais pelo  que expressa em termos estruturais na organização da esquerda em nosso país do que o caso específico.
A saída de Molon é uma expressão do aprofundamento da dispersão em curso da esquerda brasileira. Entre os anos 1980 e 2000, o PT exerceu hegemonia política e ideológica sobre os diversos setores da esquerda no Brasil.
Essa hegemonia foi se enfraquecendo nos últimos 10-15 anos e só agora é percebida pela sua aceleração com a fragilidade do partido potencializada pela fragilidade do governo. Importante dizer que a dificuldade de percepção se deu em boa medida pela mistura entre governo e partido, pela ilusão com a popularidade governamental e incapacidade de leituras de cunho estratégico. Quem tentava tal separação era chamado de esquerdista e purista e perdeu força dentro do partido e mesmo na sociedade.
Essa perda de hegemonia vem aparecendo de várias formas. Uma delas é o importante e negligenciado debate sobre o papel ainda a desempenhar na organização de ideias, utopias e ações concretas pelos partidos políticos. Desde a década passada cresce no Brasil, em consonância com o resto do mundo, a noção de que os partidos não são mais importantes e/ou necessários e toda energia social e militante por transformações deve ser depositada nos chamados movimentos sociais.
A perda de hegemonia do PT também ocorreu, e vem ocorrendo, com a crescente criação de novas siglas e/ou a migração de quadros para essas siglas. Algo acelerado e mais em virtude de interesses eleitorais do que pelo surgimento de arranjos ideológicos e identidades entre seus membros. Em geral, as siglas atuais, à esquerda ou direita do PT, não carregam novidade programática e ideológica.
Enquanto o governo manteve popularidade, o PT inchou; a tendência agora é o contrário. Mas isso com a complacência das direções e lideranças do Partido ao abandonar na prática uma estratégia socialista para o Brasil e adotar como norte a administração do capitalismo melhorando a vida do povo.
Assistimos então a uma crise de projeto da esquerda brasileira, fruto da crise do PT que se encontra sem rumo estratégico com o fim das condições políticas de 'conciliação de classes' promovida por Lula e Dirceu desde 1995. Crise do PT que não consegue romper com o eleitoralismo imediato e, portanto, mantém alianças e subordinações nos estados a setores reacionários e conservadores. Crise do PT que pratica relações de clientelismos, golpes, fraudes em suas disputas internas, com falta de respeito às regras aprovadas e pactuadas nas instâncias como se vê agora no processo Congressual da JPT ou no PED de 2013.

Eleição argentina: definição pode ocorrer ainda  no primeiro turno 

clarin

Tida como derrotada pela mídia golpista de lá, a presidenta argentina Cristina Kirchner está a pouca distância de conseguir comemorar a vitória, em primeiro turno, de seu candidato à Casa Rosada, Daniel Scioli, segundo acaba de admitir até  jornal Clarín(um 'mix' de FolhaSP + O Globo + Estadão + Veja' do vizinho país) na semana passada. 
Não é certo, claro, porque é preciso chegar a 45% dos votos.,ou então obter mais de 40% e  abrir uma vantagem mínima de 10 pontos sobre o segundo colocado. 
Quase todos os levantamentos colocam Sciolli entre 39 e 41%, mas dos votos totais, não dos válidos, e atribuem 30% ou pouco menos a ao líder do Cambiemos, Maurício Macri, coligação da direita. Com isso – e a margem de erro das pesquisas – não é impossível que a eleição seja decidida já em 25 de outubro. 
Mesmo com poucas alterações, o quadro nas últimas semanas é de ligeira ascensão de Scioli e pequenas quedas de Maurício Macri e Sergio Masa, seus principais concorrentes. 
As projeções de segundo turno, caso aconteça, indicam a mesma diferença dos prognósticos do primeiro turno entre Scioli e Macri: cerca de 10 pontos, também. 
De quebra, Macri foi atingido pela denúncia do jornal Tiempo Argentino de que o jornalista Fernando Niembro, comentarista de daFox Sports, através de sua produtora “La Usina” havia  irregularmente faturado contratos com o Governo da Cidade de Buenos Aires de US $ 20 milhões durante sua gestão. 
Nada mau para um país que aqui é apresentado como “quebrado” pelo “populismo kirchnerista”, não é mesmo?

Governo e sociedade brasileira não toleram corrupção, afirma Dilma na ONU

Resultado de imagem para Imagem da logo da Agência Brasil

Yara Aquino     

                        Roberto Stuckert Filho/PR)
                               Sanções da lei devem recair sobre todos os que praticarem atos ilícitos,
                               diz a presidenta(foto:Roberto Stuckert Filho/PR)



















Ao discursar nesta segunda-feira (28) para chefes de Governo e de Estado, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas), em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff disse que o governo e a sociedade brasileira não toleram a corrupção.

Dilma afirmou que o país tem bases democráticas sólidas e instituições imparciais para fiscalizar, investigar e punir desvios e crimes. “As sanções da lei devem recair sobre todos os que praticam e praticaram atos ilícitos, respeitados o princípio do contraditório e o da ampla defesa. Essas são as bases de nossa democracia.


Queremos um país em que os governantes se comportem rigorosamente segundo suas atribuições, sem ceder a excessos, em que os juízes julguem com liberdade e imparcialidade, sem pressões de qualquer natureza e desligados de paixões político-partidárias, jamais transigindo com a presunção da inocência de quaisquer cidadãos”, acrescentou Dilma.

A presidenta defendeu a liberdade de expressão dos cidadãos e a liberdade de imprensa. Segundo ela, os brasileiros querem um país em que a liberdade de imprensa seja um dos fundamentos do direito de opinião e a manifestação de posições diversas, direito de cada um dos brasileiros.

Outro tema de política interna abordado por Dilma no discurso na assembleia da ONU foi a economia brasileira. Ela disse que o Brasil está em um momento de transição para um novo ciclo de expansão mais sólido e profundo. A presidenta destacou que o governo propôs “cortes drásticos de despesas” e redefiniu receitas para garantir a retomada do crescimento com distribuição de renda.
Dilma, na ONU, bate no Gilmar e no Moro             
E ainda tem a questão do Habeas Corpus, que nao vale na Guantánamo do Paraná...
Resultado de imagem para imagem da Logo da TV Afiada


Delegados da PF vão calar em CPI. É medo do colega Fanton?

     fanton1


Valor, edição(AQUI) desta segunda-feira(28), anuncia que “Os delegados que atuam na Lava-Jato no Paraná já se prepararam para enfrentar os parlamentares que os convocaram a depor na comissão instalada na Câmara sobre as irregularidades na Petrobras desvendadas pela operação”.
Por que tanta preocupação de autoridades policiais que, quando querem, vazam depoimentos, delações e tudo quanto lhes convenha?

A razão pode estar em um dos depoimentos marcados para essa terça(29) na CPI da 'Lava Jato' tem tudo para jogar luz sobre a obscura rede de intrigas e ilegalidades que se formou na Polícia Federal do Paraná.

É o do delegado Mário Fanton, que produziu um despacho em maio deste ano onde aponta, detalhadamente, os indícios de manipulação que, ao final, o fazem recomendar ao Ministério Público que “reanalise as provas, inclusive a sindicância da escuta clandestina, se possível refazendo-a, e conduza diretamente a presente investigação ou com grande proximidade a um novo delegado a se indicar, pois não acreditamos mais nas provas antes constituídas”.
Em julho, Aguirre Talento publicou que “Delegado da PF relata pressão de colegas em investigação no Paraná“, informando que Fanton  relatava  que as pressões eram “para quererem ter ciência e manipular as provas”. Um mês depois, Marcelo Auler apontava em seu blog mais alguns baldes de lama encontrados suposta investigação sobre a escuta e em outras nas atividades do grupo da Polícia Federal na Lava Jato.
O próprio Auler, na edição desta semana da CartaCapital, descreveu as circunstâncias das pressões narradas pela Folha.
“Em 4 de maio, ao saber que não ficaria na cidade, o delegado [Fanton] colheu o depoimento de [Dalmey] Werlang [agente da PF especializado em escutas], que pela primeira vez admitiu a instalação dos grampos. Em seguida, registrou sua apuração em cinco laudas. Nesse registro, acusou os delegados Igor Paula e sua mulher [ a delegada Daniele Rodrigues] de “quererem ter ciência e manipular provas, sendo que o principal setor de vazamento de informações da superintendência é o NIP”.

Agora, o Tijolaço teve acesso à íntegra do despacho do Delegado Fanton – que está em poder da CPI – , com todos os detalhes de como se deu esta manipulação e tentativa de supressão de provas por parte dos dois delegados.

Agora, o “coletivo de delegados” que se recolher ao silêncio na CPI, alegando que que a comissão “não deve atuar como delegacia de polícia”.
Não mesmo, se é assim que eles fazem funcionar a Delegacia de Polícia Federal em Curitiba, manipulando, ameaçando, escondendo o que é ruim e vazando o que ajuda a se exibirem como os “moralizadores do Brasil”, enquanto praticam, no silêncio, as maiores irregularidades.

E, como a ajuda do Ministério Público local, ai de quem as denunciar.

Leia o despacho de Fanton, pela primeira vez publicado na íntegra:
                 

O julgamento do presente (sobre  as  escolhas  de
Molon e Randolfe, ex-PT)

Deputado e senador, saídos do PT(Molon no fim da última semana), não estão abandonando o barco da esquerda, mas procurando construir algo dentro de outros barcos...

Tarso Genro                       

EBC
Herman Melville é conhecido pelo seu fabuloso “Moby Dick”, terminado em julho de 1851 e publicado no mesmo ano, em outubro, em Londres. O livro foi recebido friamente pela crítica, mas foi considerado mais tarde um dos grandes romances da literatura contemporânea. Fazendeiro-escritor, à época, Melville é também autor de um texto maravilhoso - que provavelmente hoje seria classificado como um “ensaio”-  “Hawthorne e seus musgos”. É um pacto de amizade e fraternidade com seu amigo, a quem dedica o ensaio, impelido pelo fervor da construção de  uma literatura genuinamente americana, que ele defendia quase como anunciadora de formação da jovem nação.

Ao defender a criação de uma identidade própria, para a literatura americana, sem desdenhar da literatura inglesa do Século XIX, Melville lembra que os julgamentos do presente, centrados nas tensões do presente, nem sempre são os que fazem história e diz: “Não devemos nos esquecer de que, em sua própria época, Shakespeare não era Shakespeare, mas somente o sr. William Shakespeare da hábil e florescente firma Condell, Shakespeare e Co., proprietários do Globe Theatre de Londres.”
Lembro este episódio literário, a partir deste grande autor que também diz, no mesmo ensaio, que “aquele que nunca fracassou em alguma parte, tal homem não pode ser grande, o fracasso é a verdadeira prova de grandeza”. É uma frase que poderia servir para muita gente em todas as épocas, inclusive a presente, mas lembro-a, agora, com vínculo a duas opções políticas, feitas por dois líderes importantes do campo  da esquerda, no Brasil, deputado Alessandro Molon e Senador Randolfe Rodrigues. Ambos deixaram os seus respectivos partidos e optaram pela Rede, da ex-Senadora Marina Silva, recentemente registrada.
Tanto o deputado Molon, como o Senador Randolfe - pelo que conheço de ambos - não estão fazendo esta opção por oportunismo ou vantagens políticas pessoais. São homens de esquerda, que se opuseram à natureza dos ajustes ortodoxos do Governo atual e que, me custa a crer o contrário, não estariam se trasladando para um campo político que caracterizou as últimas intervenções de Marina Silva, no cenário nacional: o campo demo-tucano, das reformas liberais, combinadas com a crescente vontade de desestabilizar e derrubar uma Presidente legitimamente eleita. Este campo, na minha opinião, jamais seria o campo destes dois quadros da esquerda que, independentemente de divergências, até ontem eram respeitados e elogiados por todos nós.
Se bem conheço os personagens deste cenário, ambos devem ter feito algum tipo de negociação política com Marina, de que a sua nova Rede não seria furada por “palometas”, que abririam rombos pelos quais transitariam acordos com a direita e com a centro-direita, como ocorreu recentemente nas eleições presidenciais. Posso estar enganado, mas se este acordo ocorreu de maneira formal, Marina Silva, a quem conheço há décadas, sendo uma pessoa de caráter, como efetivamente o é, cumprirá o ajuste. E aí teremos um novo cenário partidário no país, que poderá permitir coalizões mais orgânicas e frentes mais programáticas, que até poderiam ser testadas, em algumas cidades, em 2016. 
Temos assistido na vida democrática recente, as composições políticas mais esdrúxulas, as frentes mais atípicas, as coalizões mais originais, que às vezes redundam em cenários econômicos positivos, às vezes dramaticamente negativos para o país. Ocorre que este cenário histórico está chegando ao fim e os problemas que o mundo atravessa e o país atravessa, passam a dividir de forma mais clara, as posições de esquerda e direita, que se defrontam com um dilema que pode ser uma esfinge: a única forma de sair crises como a presente é pela via da destruição das conquista sociais, dos choques de desemprego e de sugamento das energias produtivas através dos juros altos?
 A resposta a este dilema é que vai caracterizar, daqui para diante, as posições democráticas de esquerda e progressistas no país. Temos que buscar, nos diferentes espectros partidários, lideranças, grupos políticos, partidos, frações de partidos, que estejam dispostos a acordar um novo programa econômico e social, baseado na soberania alimentar, no crescimento com emprego, na sustentabilidade ambiental, na participação popular na gestão pública, na soberania nacional e no bloqueio à privatização do Estado para as forças do rentismo e do conservadorismo.
Se estou certo, na minha análise - posso estar redondamente equivocado - Molon e Randolfe não estão abandonando o barco da esquerda, mas procurando construir algo dentro de outros barcos. Parodiando Melville, barcos dos quais eles ainda não são capitães, mas podem vir a sê-lo, como Shakespeare, que não era Shakespeare na sua época. Talvez fracassem, mas, se mantidas as suas intenções originais, seu fracasso será uma prova de grandeza.