quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Por que a Globo está atacando Lula com

tanta fúria?

Paulo Nogueira                          

Vale tudo contra Lula
Vale tudo contra Lula
Valentemente, assim que os donos determinaram, os jornalistas da Globo pararam de falar no impeachment de Dilma.
Um deles, Erick Bretas, tratou até de trocar a foto de perfil de seu Facebook. Ele tinha colocado a inscrição “gave over” (fim de jogo), por ocasião de uma manifestação anti-Dilma, para a qual conclamara seus seguidores.
Trocou-a, com a nova orientação patronal, por uma bandeira do Brasil.
Agora, com a mesma valentia com que recuaram instantaneamente, os editores, colunistas e comentaristas da Globo avançam, novamente sob ordens patronais, contra Lula.
Todas as mídias da Globo vêm sendo usadas para investir contra Lula, por conta, naturalmente, de 2018.
Tevê, jornal, rádio, internet – são os Marinhos e seus porta-vozes contra Lula.
A novidade aí parece ser a substituição da Veja pela Época na repercussão dos sábados à noite do Jornal Nacional.
Nem para isso mais a Veja serve. Nem para servir de alavanca para o Jornal Nacional. É uma agonia miserável e solitária a da revista dos Civitas.
Lula, em seus anos no Planalto, nada fe para enfrentar a concentração de mídia da Globo, algo que é um câncer para a sociedade pelo potencial de manipulação da opinião pública.
E agora paga o preço por isso.
Verdade que, acertadamente, ele decidiu não ficar “parado”. Pássaro parado, disse Lula, é mais fácil de ser abatido.
E então Lula decidiu reagir.
Pelo site do Instituto Lula, ele tem rebatido as agressões dos Marinhos, minuciosamente.
E tem anunciado processos quando se sente injustiçado – um passo fundamental para colocar alguma pressão nos caluniadores e, também, nos juízes complacentes.
Há um tributo involuntário no movimento anti-Lula da Globo. É um reconhecimento, oblíquo que seja, de sua força.
É assim que o quadro deve ser entendido.
Quem pode ser o anti-Lula em 2018? Aécio, Alckmin e Serra, os nomes do PSDB, seriam provavelmente destruídos ainda no primeiro turno.
Imagine Lula debatendo com cada um deles.
Fora do PSDB, é um deserto ainda maior. De Marina a Bolsonaro, os potenciais adversários de Lula equivalem ao Vasco da Gama no Brasileirão.
Neste sentido, o boneco de Lula, o Lulão, surge mais como desespero da oposição do que como uma gesto criativo dos analfabetos políticos de movimentos como o Brasil Livre de Kim Kataguiri.
A Globo vem dando um destaque de superstar ao 'Lulãoi',  como parte de sua operação de guerra.
E Lula tem respondido como jamais fez. No desmentido da capa da edição do final de semana da Época, ele citou um aporte milionário de 361 milhões de reais do BNDES na Globo, em 2001, no governo FHC.
Ali se revelou outra face dos sistemáticos assaltos da Globo ao dinheiro público: o caminho do BNDES. Não são apenas os 500 milhões de reais em média, ao ano, de propaganda federal. São também outros canais, como o BNDES.
Não é exagero dizer que a Globo, como a conhecemos (não como o jornaleco de província a que se resumiu por décadas) é fruto do dinheiro público.
Como Lula, caso volte à presidência em 2018, tratará a Globo?
É essa pergunta que atormenta os Marinhos, já suficientemente atordoados com o florescimento da internet em oposição à decadência da tevê.
E é isso que explica a heroica  'valentia'  patronal dos jornalistas da Globo.
PARA RECORDAR E REFLETIR...
A jogada é prender, para desmoralizar e coagir   

Professor de Direito, juiz integrante da banca  que examinou o juiz Sérgio Moro na Universidade Federal do Paraná,  o Dr. Alexandre Rosa mostra como age o magistrado que preside a  Operação 'Lava Jato', empregando teoria cavilosa que o mundo jurídico contemporâneo já deletou... (no vídeo abaixo)



terça-feira, 1 de setembro de 2015


O 'novo' está acontecendo,

apesar da política velha   

(Luis Nassif)                Luis Nassif Onlineimagem de Osiris
O início foi na cidade de São Paulo, com o Plano Diretor acabando com espaços fechados, obrigando os novos prédios a terem comunicação com a calçada, procurando juntar várias classes sociais em uma mesma região. Depois, com a invasão das bicicletas, com a abertura da Paulista para músicos, vendedores alternativos.
Algumas ruas laterais ganharam espaços de madeira, nos quais os transeuntes podem sentar-se, com uma mesa no meio para poder até trabalhar com seus notes, se necessário.
***
O conceito de "apropriar-se da cidade" tornou-se vitorioso.
Antes, a cidade era apenas dos automóveis. Havia poucos espaços de convivência.
Durante algum tempo, eu tinha o hábito de ir até a Paulista com a Augusta para comer milho assado, vendido em um carrinho. O vendedor foi expulso por alguma norma municipal. Na praça Buenos Aires com a rua Sergipe, o carrinho da água de côco era parada obrigatória para bate-papos. Fui expulso por outra norma municipal.
Essas normas eram tidas como políticas disciplinadoras do espaço urbano, quando não passavam de práticas higienistas, desumanizadoras.
O mérito maior da atividade política é a capacidade de assimilar e de implementar o novo. Mas a política convencional não consegue. O novo passou debaixo do nariz burocrático de José Serra e de engenheiro de Gilberto Kassab, e ambos não se deram conta.
Quando Haddad deu início às novas práticas, durante um curto espaço de tempo o cidadão reclamou, por não entender. Em tempo surpreendentemente curto, no entanto, aceitou o novo como se tivesse sido sempre óbvio.
***
É essa falta de compreensão sobre o novo, e falta de ousadia de implementar novos paradigmas, que explica a crise política atual.
O país atravessa uma efervescência inédita, similar a registrada nos anos 50, com os primeiros influxos de internacionalização da classe média, ou nos anos 80, com os primeiros vagidos da nova sociedade civil.
A liberalização da sociedade civil, a internacionalização da classe média, a inclusão das classes populares, o embricamento de todas elas na nova cultura digital, liberaram uma energia monumental, que se manifesta em vários pontos do corpo social, como células saneadores, mas ainda vistas isoladamente.
Na cultura da classe média, um movimento vasto de jovens músicos desenvolvendo-se em todos os estilos, do choro ao jazz, com um grau de informação musical inédito. Nas periferias um furacão em forma de poesia, hip hop, funk.
Para a juventude, o empreendedorismo deixou de ser matéria de oba-oba das seções de jornais. A cultura digital criou não apenas uma nova geração de empreendedores, ousando em aplicativos, como de jovens praticando trabalho colaborativo em rede.
A complexidade e diversificação da economia abriram um sem-número de novas possibilidades de negócios, que estão sendo testadas pelos futuros campeões nacionais.
***
No plano nacional e estadual, o que se vê no entanto é o velho tentando enquadrar o novo em fórmulas antigas e desgastadas.
Nesse ponto, governo Dilma e oposição se irmanam: nenhum dos dois conseguiu enxergar o novo. A crise de representatividade explode nessa tentativa infrutífera de tentar enquadrar um furacão dentro de uma caixa fechada.

Professora da FGV explica por que golpe de Gilmar já nasceu morto 
Miguel do Rosário    
                       

                    

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Depois de ler o artigo abaixo, da professora Silvana Batini, e analisar com mais calma o documento de Rodrigo Janot, procurador-geral da república, que pede o arquivamento da ação de Gilmar Mendes contra a campanha da presidente Dilma, peço desculpas aos leitores pelo alarmismo das últimas postagens(AQUI).
A professora Silvana Batini explica, com paciência didática, porque o golpe de Gilmar não tem chance de prosperar.
O golpômetro do Cafezinho (que vai de 1 a 20) despenca, portanto, quatro pontos, atingindo total de 8 pontos, com viés de baixa de um ponto para o resto da semana.
Os argumentos de Sabatini explicam a lambada que, dias atrás, o procurador-geral da república decidiu dar em Gilmar Mendes e em todas as tentativas de violar a vontade das urnas com firulas jurídicas golpistas.
Janot explicou que "não interessa à sociedade que as controvérsias sobre a eleição se perpetuem: os eleitos devem poder usufruir das prerrogativas de seus cargos e do ônus que lhes sobrevêm, os derrotados devem conhecer sua situação e se preparar para o próximo pleito”.
O procurador apontou ainda a “inconveniência” de a Justiça e o Ministério Público Eleitoral se tornarem “protagonistas exagerados do espetáculo da democracia” e o receio de uma “judicialização extremada”. Para ele, os atores principais do processo democrático devem ser “candidatos e eleitores”.
A reação exasperada, truculenta e muito próxima da injúria criminosa, de Gilmar, acusando Janot de ser "advogado de Dilma", explica-se pelo desespero de ver o último recurso de golpe morrer na praia.
Vamos ao artigo da professora. Batini explica que, no plano do direito eleitoral, a chance do golpe gilmariano prosperar é: "nenhuma". Trecho:
"Gilmar Mendes foi o relator da prestação de contas de campanha da presidente Dilma, aprovadas com ressalvas em dezembro passado. O julgamento de contas de campanha é atividade jurisdicional, ou seja, uma decisão definitiva. No caso, as “ressalvas” na aprovação não comprometem a regularidade das contas. A aprovação já transitou em julgado."
O artigo da professora também ajuda a explicar a própria entrevista  de Gilmar Mendes ao Correio Braziliense, na qual o ministro tenta politizar o máximo possível as suas próprias ações contra o governo. Porque ele sabe que as únicas consequências de suas diatribes no Supremo Tribunal Eleitoral, no Supremo Tribunal Federal e a na mídia é botar lenha na crise política, na esperança de que isso resulte no impeachment da presidenta.
No campo do direito eleitoral, porém, a professora Batini explica que não há mais como sabotar a vontade soberana do povo.
Se quiser dar um golpe, a oposição terá que se contentar com o modelo paraguaio, ou seja, golpe parlamentar.
Golpe hondurenho, via tribunais, tem pouca chance de prosperar no Brasil.
***
Saiu no blog Jota, especializado em julgamentos no STF e TSE
A estratégia sem consequências
de Gilmar Mendes no TSE
Por Silvana Batini, professora da FGV/Direito-Rio de Janeiro
De sua cadeira no TSE, o ministro Gilmar Mendes enviou dados das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff para a Polícia Federal e Ministério Público, cobrando providências. Um juiz eleitoral abrindo espaço para possíveis medidas criminais. Quais as implicações deste ato?
Em um primeiro nível de análise – o plano do direito eleitoral – a resposta parece ser: nenhuma. Gilmar Mendes foi o relator da prestação de contas de campanha da presidente Dilma, aprovadas com ressalvas em dezembro passado. O julgamento de contas de campanha é atividade jurisdicional, ou seja, uma decisão definitiva. No caso, as “ressalvas” na aprovação não comprometem a regularidade das contas. A aprovação já transitou em julgado.
Como é possível, então, que dessas contas ainda possam surgir efeitos? A resposta está no labirinto intrincado e com frequência irracional em que se transformou a lei eleitoral brasileira.
Candidatos vencedores só podem ser diplomados e empossados depois do julgamento de suas contas, em prazo aproximado de quarenta dias após a eleição. Mas a exigência está no julgamento, e não na aprovação das contas. Candidatos que porventura tenham suas contas desaprovadas ou aprovadas com ressalvas podem sofrer algum grau de constrangimento público, mas daí não surge qualquer consequência legal. A implicação inevitável, e muito problemática para contextos de crise política, é que a aprovação das contas de campanha tampouco oferece ao vencedor um atestado fidedigno de legitimidade.
Nesse cenário, o julgamento de contas de campanhas pela justiça eleitoral é hoje um procedimento esvaziado de eficácia. Gilmar Mendes está operando com mecanismos que já não têm mais impacto possível na esfera eleitoral.
Para que ilícitos no financiamento de campanha levem à cassação de mandato é necessário que sejam apurados em procedimentos próprios, diversos da prestação de contas, e que devem ser abertos até quinze dias após a diplomação. A presidente Dilma responde a três destas ações, distribuídas a dois outros ministros do TSE – não sendo mais possível uma nova ação com este mesmo objetivo. Todas as cartas já estão na mesa.
No âmbito da prestação de contas de campanha também não há mais nada a ser feito. A notícia de que propina do esquema do “petrolão” ingressou nas contas do partido pode reverter em uma devassa nas contas do PT, já que contas de partidos podem ser reviradas a qualquer tempo. Contudo, a consequência da comprovação de qualquer irregularidade se restringe a limites nos repasses do fundo partidário. Não interfere nos mandatos conquistados.
Aprovadas as contas, portanto, restou ao ministro Gilmar invocar o direito penal e reclamar pela apuração de lavagem de dinheiro e falsidade. As implicações disso poderão talvez ser sentidas em um plano institucional mais amplo, com um agente estatal chamando a atenção para o que considera como potenciais irregularidades. Juridicamente falando, porém, a fala de Gilmar Mendes não muda o fato de que o direito eleitoral esgotou suas alternativas. E vai ser sempre assim até que a lei passe a tratar prestações das contas de campanha com mais seriedade e consequência.

O caso  da  ‘bomba  atômica’

que era um aspirador de pó  

Marcelo Zero  


        :

Nosso Homem em Havana” é um livro de ficção do genial Graham Greene. Mais que uma novela de espionagem, a obra é uma sátira política coalhada de ironias e sarcasmos.

Nela, Greene conta a história de James Wormold, um vendedor britânico de aspiradores de pó, que reside em Havana. Abandonado pela mulher e com problemas financeiros, ele acaba recrutado pelo serviço secreto do Reino Unido.

Precisando do dinheiro extra, mas sem ter nada de relevante para reportar a Londres, Wormold cria uma rede fictícia de informantes, misturando personagens reais, muito dos quais ele sequer conhece, com nomes inventados. Gera relatórios com base em notícias requentadas de jornais e em muita imaginação para preencher as lacunas de tramas escabrosas.

Ao sentir a necessidade de apimentar suas informações e obter mais dinheiro, Wormold passa a remeter a Londres diagramas de peças de aspiradores de pó, apresentando-os como plantas de uma “base comunista secreta escondida nas montanhas”.

Num dos momentos mais hilariantes do livro, o chefe de Wormold em Londres, ao discutir os desenhos de aspiradores de pó, afirma: “Diabólico, não é? Acredito que podemos estar diante de algo tão grande que fará a Bomba H se tornar uma arma convencional”.

Não sei se os repórteres da revista Época que colocaram o título da obra de Greene em sua mais recente “reportagem” sobre Lula leram o livro. Provavelmente, não. Se tivessem lido, teriam percebido que o sarcasmo de Greene veste como luva de pelica em sua, assim digamos, “obra jornalística”.

A nova “reportagem” insiste em reapresentar as ações internacionais do ex-presidente Lula, que usa do seu enorme prestígio mundial para promover o Brasil, seus produtos e suas empresas no exterior, como algo escabroso e escuso.

Da mesma forma que o personagem de Greene, tentam vender desenhos de aspiradores de pó como se fossem uma nova superbomba, a qual, como de hábito, “implodirá a República”.

Como Wormold, a brava revista de “jornalismo investigativo” mistura verdades, meias verdades e uma alta dose de imaginação para criar uma precária peça de ficção policial, travestida de reportagem objetiva e imparcial.

Emulando Worlmold, a revista aposta na paranoia anticomunista para que suas informações prosaicas e anódinas se convertam numa trama diabólica. Com efeito, essa revista, assim como várias outras no Brasil, navega hoje nas revoltas e obscuras águas do anticomunismo, do “antibolivarianismo” e do antipetismo. Recriaram, em pleno início do século XXI, o mesmo clima da Guerra Fria que vigorava nos anos 50 e 60 do século passado.

Isso tudo no momento em que o próprio governo norte-americano aposta na aproximação à Cuba, no fim do embargo e, é claro, na realização de grandes negócios na ilha, com o providencial auxílio de poderosos lobbies políticos-empresariais.

A revista Época está definitivamente fora de época.

Aparentemente, está também um pouco fora de si. Só isso explica a ignorância abissal sobre o estratégico tema da exportações de serviços.

O setor de serviços representa, hoje, cerca de 80% do PIB dos países mais desenvolvidos e ao redor de 25% do comércio mundial, movimentando US$ 6 trilhões/ano. Somente o mercado mundial de serviços de engenharia movimenta cerca de US$ 400 bilhões anuais e as exportações correspondem a 30% desse mercado. É um segmento gigantesco, que cresce mais que o mercado de bens.

Infelizmente, apesar dos esforços recentes, o Brasil investe pouco nessas exportações.

Assim, enquanto que, no período de 2008 a 2012, o apoio financeiro do Brasil às suas empresas exportadoras de serviços foi, em média, de US$ 2,2 bilhões por ano, o apoio oficial da China às suas empresas exportadoras alcançou, nesse mesmo período, a média anual de US$ 45,2 bilhões; o dos Estados Unidos US$ 18,6 bilhões; o da Alemanha, US$ 15,6 bilhões; o da Índia, US$ 9,9 bilhões.

Na realidade, apenas cerca de 2% da carteira do BNDES vão para obras brasileiras no exterior. E, ao contrário do que dizem Época e outras revistas fora de época, não se trata aqui de “empréstimos camaradas” para Cuba e outros países “comunistas e bolivarianos”, protegidos por sigilo indevido com a finalidade de encobrir atos ilegais.

Em primeiro lugar, o país que mais recebeu empréstimos do BNDES para obras de empresas brasileiras no exterior foram os EUA.

Em segundo, nenhum centavo desses empréstimos foi para países ou governos estrangeiros. Os empréstimos são concedidos, por lei, às empresas brasileiras que fazem as obras, e o dinheiro só pode ser gasto com bens e serviços brasileiros. Como a construção civil possui uma longa cadeia, tais empréstimos têm um impacto muito positivo na economia nacional. Estima-se que, apenas em 2010, as exportações de serviços de engenharia tenham gerado cerca de 150 mil empregos diretos e indiretos no País. Além disso, os gastos com a importação de bens brasileiros em função de algumas dessas exportações financiadas pelo BNDES ascenderam a US$ 1,6 bilhão, no período 1998-2011. Entre tais bens, estão os aços, os cimentos, vidros, material elétrico, material plástico, metais, tintas e vários outros.

Em terceiro, os empréstimos não são “camaradas”. No caso dos empréstimos às empresas brasileiras para a construção do Porto de Mariel, o BNDES usou a Libor e mais um spread de 3,81%, juros superiores ao praticados pela OCDE, que usa, no mesmo caso, a CIRR mais um spread de 3,01%.

Em quarto, o sigilo parcial das operações financeiras visa a 
proteger as informações privadas do tomador do empréstimo, conforme determina uma norma tucana, a Lei Complementar Nº 105, de 2001. Mesmo assim, o BNDES é considerado, pela insuspeita Open Society Foundations, como o banco de investimentos mais transparente do mundo. Ademais, qualquer juiz de primeira instância pode abrir totalmente as operações, se considerar que há algo suspeito nelas.

Em quinto, 
 como o mercado mundial de obras é muito concorrido, os países fazem poderosos lobbies para obter contratos. Presidentes, primeiros-ministros, monarcas e ex-presidentes com prestígio se empenham para que as empresas de seus países consigam obras no exterior. Assim como se empenham também para que comprem os produtos de seus países.

Quanto à participação de Lula, só mesmo o mais completo mentecapto ou o mais irracional dos anticomunistas pode imaginar que o ex-presidente poderia ter feito algo de ilegal ou mesmo antiético em reuniões que contaram com a participação de diplomatas e que foram devidamente registradas em documentos oficiais do Itamaraty. Aliás, mesmo que quisesse, Lula jamais poderia ter influenciado tais empréstimos, os quais têm de passar por uma longa série de instância técnicas para serem aprovados e liberados.

Saliente-se que Época só teve acesso aos documentos sigilosos graças à Lei de Acesso à Informação, promulgada em 2012 por...
 Dilma Rousseff.

Fosse nos áureos tempos do paleoliberalismo, tais empréstimos não teriam despertado a suspeita de Época. Como de fato não despertaram, quando FHC aprovou os primeiros empréstimos para o metrô de Caracas, já com a Venezuela presidida pelo “perigosíssimo” Hugo Chávez.

Na improvável eventualidade de que tivessem despertado suspeitas, Época não teria tido acesso a informações sigilosas. Caso tivesse tido acesso a informações sigilosas, por aquáticas vias de obscuras cachoeiras, duvidamos que Época tivesse publicado uma linha sequer. Caso tivesse publicado alguma coisa, duvidamos ainda mais que alguém tivesse levado a sério. Caso algum paranoico tivesse levado a sério, duvidamos que procuradores tivessem ensejado qualquer ação, para não cair no ridículo. Caso algum procurador tivesse caído na fácil tentação de se expor a holofotes desavergonhados, o providencial engavetador-geral teria feito o que sempre se fazia na época, com o apoio da Época.

Na época, nem mesmo os lobbies em prol de empresas estrangeiras nas alegres privatizações despertavam suspeitas. Mesmo hoje, quem se bate pela Chevron, pela Alstom, pela entrega do pré-sal e pela abertura do mercado brasileiro às construtoras estrangeiras curiosamente está acima de qualquer suspeita. Esses são “estadistas”. Só não se sabe bem de que país.

Mas vivemos em outra época. Na época do vale-tudo contra o “comunismo”, o “bolivarianismo” e o “lulopetismo”. Na época do vale–tudo contra o mandato popular. Na triste época do vale-tudo contra Lula, o melhor presidente da história recente do país. O ex-presidente que hoje é o rosto do Brasil no mundo. Na horrorosa época em que quem defende o Brasil e suas empresas, como Lula, é apresentado como criminoso.

Nesses tempos bicudos de '
Guerra Fria zumbi',
 vale até mesmo apresentar diagramas de aspiradores de pó como perigosíssimas instalações comunistas secretas.

Greene nunca imaginou que suas ironias e sarcasmos sobre a Guerra Fria seriam revividas na forma de “reportagens” que se levam a sério.

Diabólico, não é?

Faltava  alguém  dizer  em  público

que vai matar Dilma e arrancar

sua cabeça:  não falta mais!

Kiko Nogueira                                   

“Um recado claro à presidanta Dilma Roussef. (…) Renuncie, fuja do Brasil ou se suicide. Dia 7 de setembro a gente não vai pacificamente pras ruas. Juntamente com as forças armadas populares [sic], vamos te tirar do poder. Assuma o seu papel, tenha humildade para sair do país porque, caso contrário, o sangue vai rolar. E vamos fazer um memorial na Praça dos Três Poderes: um poste de cabeça pra baixo. Nós vamos arrancar sua cabeça e fazer um memorial.”
O autor dessas ameaças é Matheus Sathler, que se apresenta como advogado num vídeo gravado no último dia 25.
Sathler foi candidato a deputado federal pelo PSDB. Não se elegeu.
No ano passado, causou barulho por causa de sua proposta de criação do “kit macho” e “kit fêmea” — como ele mesmo explicou, cartilhas para distribuição nas escolas ensinando “homem a gostar de mulher e mulher a gostar de homem”.
Ele se declara líder de um certo Movimento Mais Valores, Menos Impostos. Numa entrevista para o Uol, gabou-se de sua relação “muito boa com o pastor Silas Malafaia, com o deputado pastor Marco Feliciano e com o padre Paulo Ricardo [sacerdote olavista de extrema direita].”
Evangélico, “pregador” da Assembleia de Deus-Ministério Missão Vida, acha necessário “proteger as crianças da influência homossexual”.
Mais do que visivelmente limítrofe, Sathler é o que a jornalista alemã Anja Reschke chamou de “pequeno ninguém” da internet. Reschke falava do alcance do ódio dos extremistas: “Até recentemente, esses comentaristas estavam escondidos atrás de pseudônimos, mas agora essas coisas estão sendo feitas sob os nomes verdadeiros dos autores”, disse ela em seu telejornal. “Aparentemente, não é mais embaraçoso.”
Cometeu um crime. Mas, como em tantos outros casos — para citar apenas dois deles, o do psicótico que invadiu a comitiva presidencial nos EUA e o do agente da PF que praticava tiro ao alvo com uma foto de Dilma —, este também vai ficar impune.
O Brasil é o país onde a noção de tolerância se transformou num laissez faire em que se incita o assassinato numa boa, enquanto a polícia militar faz escolta para um boneco inflável e o ministro da Justiça dá tapinhas nas costas de um miliciano.
Os pequenos ninguéns estão vencendo.

Em resposta aos ataques da revista 'Época', Lula lembra

os   361  milhões  de  reais  do  BNDES (governo FHC)   que

foram parar, 'generosamente', nas  Organizações  Globo


FHC e Roberto Marinho: alegre parceria à base de dinheiro público
               FHC e Roberto Marinho no Parque Gráfico no município de Duque de Caxias, à margem da rodovia Rio-Petrópolis: 
              alegre parceria à base de dinheiro público, cujo resgate ainda não foi iniciado, 16 anos depois.

Na resposta(AQUI) que deu nesse último final de semana a mais uma reportagem da revista Época que o ataca, Lula tocou num ponto central para quem quer entender o BNDES ao longo dos tempos: sua relação estreita com as grandes corporações de mídia, sobretudo a Globo.
Não foi apenas pela publicidade federal que brutais quantidades de dinheiro público foram transferidas aos barões da mídia por sucessivas administrações.
Diz a resposta, a certa altura:“Ao contrário do que o texto insinua, maliciosamente, não há, nos trechos reproduzidos, qualquer menção a interferência do ex-presidente em decisões do BNDES, pelo simples fato de que tal interferência jamais existiu nem seria possível, devido aos procedimentos internos de decisão e aos mecanismos prudenciais adotados pela instituição.                                                                          
Os jornalistas da revista Época deveriam conhecer o rigor de tais procedimentos e mecanismos, pois as Organizações Globo tiveram um relacionamento societário com o BNDESPar, subsidiária do BNDES. Entre 1998 e 2002, no governo anterior ao do ex-presidente Lula, ou seja, no governo do PSDB, esse relacionamento se estreitou por meio de um aporte de capital e outras operações do BNDESPar na empresa Net Serviços e no jornal O Globo, totalizando R$ 361 milhões (valores de 2001).”             



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P.S. do AMgóes - Conheci em 2005 as sofisticadas instalações do 'Parque Gráfico' do jornal O Globo, em Duque de Caxias(RJ), à margem da rodovia Washington Luís(Rio-Petrópolis). Clicando AQUI, você lerá reportagem sobre a inauguração do faraônico empreendimento, em 12 de janeiro de 1999, que o governo FHC financiou através do BNDES, em condições ultragenerosas de resgate até hoje empurradas com a barriga. Dezesseis anos depois, o Parque Gráfico do Globo é um colossal monumento ao desperdício, tendo em vista a  realidade de inexorável queda livre da indústria editorial(impressa), nestes tempos de avanço irreversível das produções digitais.


Dar a outra face é coisa para o cidadão 

comum, não para o 'Ministro da Justiça'!

Luis Nassif           Luis Nassif Online imagem de Messias Franca de Macedo


Se o Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo quer mostrar a outra face para ser estapeada, problema dele. Mas é inadmissível que exponha o cargo de Ministro da Justiça aos vexames desse domingo(30), sem reagir.
O cargo não lhe pertence. É um cargo institucional que representa o governo do país e, com ele, o próprio país. Expor-se a vaias, insultos e agressões sem reagir é prerrogativa da pessoa física de José Eduardo Cardozo, não do 'Ministro da Justiça'.
Que ao menos saia com uma escolta. Esses animais que o cercaram vivem em São Paulo, não em Estocolmo, Berna ou Paris. 
Essa demonstração inequívoca de pusilanimidade é veneno na veia no governo Dilma Rousseff. Um Ministro pode e deve ser(institucionalmente) criticado. Quando a crítica se torna agressão verbal, quase agressão física, se cometida contra um Ministro, é CRIME. Não coibir esse crime é sinal indesculpável de singular fraqueza.
Se o cidadão José Eduardo Cardozo não se mostra apto a defender a dignidade do cargo de Ministro da Justiça, que largue o cargo e se contente em ser professor de cursos de educação à distância.
E quanto a isso aí abaixo?