quinta-feira, 7 de julho de 2016

Dilma,  em  sua  defesa:  "Este

impeachment só existe  por eu

ter rechaçado os chantagistas"

     coracao
Recebi lgo cedo, nesta quarta-feira(6), o texto de Dilma Rousseff que seria lido por sua defesa na pantomima que é a Comissão de Impeachment do Senado – algo que, aliás, ela não pode dizer, por óbvio.
Mas diz outros óbvios que precisam ser ditos na cara de quem promoveu e se acumplicia, ali, ao golpe protagonizado pelos interesses mais escusos da política:
Sou alvo dessa farsa porque, como Presidenta, nunca me submeti a chantagens. Não aceitei fazer concessões e conciliações escusas, de bastidores, tão conhecidas da política tradicional do nosso país. Nunca aceitei a submissão, a subordinação e a traição dos meus eleitores como preço a pagar pelos acordos que fiz.
As “conciliações escusas, de bastidores” (ou agora já explícitas) com que se conseguem os votos do Senado para a consumação do esbulho ao voto popular.
Reproduzo a introdução política da defesa técnica das acusações já desmoralizadas sobre “pedaladas fiscais” e decretos orçamentários. O texto integral pode ser lido aqui.
É a reafirmação de princípios e da coragem de falar claramente, algo de que tanto se ressentiu o povo brasileiro ao longo deste processo.

A defesa da Presidenta

(…) peço às senhoras e ao senhores o direito de me apresentar como sou, com toda a clareza e sinceridade. Saibam todos que vocês estão julgando uma mulher honesta, uma servidora pública dedicada e uma lutadora de causas justas.
Tenho orgulho de ser a primeira mulher eleita Presidenta do Brasil. Nestes  anos, exerci meu mandato de forma digna e honesta. Honrei os votos que recebi.
Em nome desses votos e em nome de todo o povo do meu país, vou lutar com todos os instrumentos legais de que disponho para exercer o meu mandato até o fim.
O destino sempre me reservou grandes desafios. Alguns pareciam instransponíveis, mas eu consegui vencê-los. Já sofri a dor indizível da tortura, já passei pela dor aflitiva da doença, e hoje sofro a dor igualmente inominável da injustiça.
O que mais dói neste momento é a injustiça. O que mais dói é  perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política.
Não esmoreço. Olho para trás, e vejo tudo o que fizemos. Olho para frente, e vejo tudo o que ainda precisamos e podemos fazer. O mais importante é que posso olhar para mim mesma e ver a face de alguém que, mesmo marcada pelo tempo, tem forças para defender suas ideias e seus direitos.
Nunca deixei de lutar, ao longo de toda a minha vida, pelo que acredito. Nunca me desviei das minhas crenças ou das minhas convicções éticas e políticas. Sempre acreditei na liberdade e na possibilidade de construção de uma sociedade justa e fraterna, onde a exploração e a miséria não existam. Sempre acreditei na igualdade entre homens e mulheres, na necessidade de lutarmos com paixão, intransigência e firmeza, contra todas as formas de opressão, preconceito e intolerância.
Também sempre acreditei na democracia e por ela lutei, abdicando de muitas coisas na minha vida pessoal. A ela dediquei a minha juventude. Sofri, como tantos outros, na carne, a ação violenta do ódio, da intolerância e do autoritarismo daqueles que nunca receberam do povo, o poder de governar.
A experiência tem me ensinado que a democracia não é conquista definitiva, da qual se possa descuidar. É construção permanente, constante, a ser aperfeiçoada e protegida de ameaças.
Tenho orgulho de continuar ainda hoje servindo à esta mesma democracia pela qual sempre lutei. Agora, com a serenidade e a experiência adquiridas ao longo do tempo, como mulher que tem orgulho de ser mulher, e que jamais temerá defender o que entende por correto e justo, pouco importando o preço pessoal que tenha que pagar por isso.
Por isso, sigo ainda, como no passado, conclamando a todos os que acreditam na soberania nacional, na Democracia, no Estado de Direito e na justiça social, para que jamais esmoreçam ou se afastem dessa luta justa que não admite retrocessos. Independentemente da simpatia ou não pelo governo eleito no final de 2014, essa é uma luta da qual todos os que acreditam honestamente nesses valores não podem transigir, recuar por medo, por comodismo ou pela busca de vantagens pessoais. Os que forem dignos e honrados, se nessa luta capitularem, não deixarão, cedo ou tarde, de sentir o terrível peso da vergonha, ao vislumbrarem seu próprio rosto no espelho da história. Nunca poderão afastar das suas mentes a lembrança dos que morreram e foram torturados, para que pudéssemos ser um país soberano, livre e regido pelo Estado Democrático de Direito.
Não poderão fingir que desconhecem o fato de que muitos tombaram para que pudéssemos dizer o que pensamos, para que pudéssemos escolher pelo voto direto nossos governantes, e para que pudéssemos ser sempre julgados, nos termos da nossa Constituição, por órgãos imparciais e justos, após um devido processo legal.
A covardia ou a traição a esta causa serão sempre imperdoáveis. Histórica, ética e humanamente imperdoáveis.
Na minha vida, os que me conhecem sabem que incorri provavelmente em erros e equívocos, de natureza pessoal e política. Errar, por óbvio, é uma decorrência inafastável da vida de qualquer ser humano. Todavia, dentre estes erros, posso afirmar em alto e bom som, jamais se encontrará na minha trajetória de vida a desonestidade, a covardia ou a traição. Jamais desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal ou de terceiros. Jamais fugi de nenhuma luta, por mais difícil que fosse, por covardia. E jamais trai minhas crenças, minhas convicções, ou meus companheiros, em horas difíceis.
Por isso, se alguém ainda hoje espera de mim o abandono da luta em defesa do mandato presidencial que me foi outorgado pelo voto do povo brasileiro, a partir de uma Constituição que estabelece para o nosso país a existência de um Estado Democrático de Direito, afirmo que comete um ledo engano. Não luto, nem nunca lutarei, pelo privilégio de continuar sendo Presidente da República. Nunca me apeguei à vaidade do exercício dos cargos; entrei na vida pública por ideais.
É fato que, nesses últimos tempos, foram muitas as ofensas, as discriminações, as traições, as mentiras, as farsas, as tentativas de humilhação e as decepções com pessoas que julgava dignas e honestas. Talvez, para alguém, isso possa sugerir que, para meu conforto e sossego, o melhor seria o abdicar da luta, buscar refúgio na minha consciência tranquila, relegando para historiadores futuros e honestos o dever de resgatar a verdade dos fatos. Deixar a eles a denúncia das ações antidemocráticas e antipopulares que motivam este infundado processo de impeachment.
Aprendi, porém, que quando se está do lado certo da história e se empunha uma bandeira justa, nunca se deve renunciar à uma boa luta, por mais difícil que ela seja. Como já se disse poeticamente, “também dá fruto doce, a adversidade” . Tenho a convicção de que os frutos dessa resistência democrática, empreendida por todos os que não querem o retrocesso político e social no nosso país, aparecem cada vez mais a cada dia. Apesar dos esforços destrutivos de algumas lideranças políticas e empresariais, e de alguns setores da mídia, creio que apenas seja uma questão de tempo para que os que hoje se julgam vitoriosos venham a ser colocados no devido lugar que a luta democrática e a história lhes reserva.
Continuo a lutar, assim, pela democracia do meu pais e para que a vontade popular não seja desrespeitada, como já o foi tantas vezes no passado. Continuo a lutar para que soe o alerta democrático de que não é com a destituição inconstitucional de um governo legitimo, isto é, não é por meio de um golpe de estado apoiado na farsa e construído pela falsa retórica jurídica, que se poderá trazer melhores dias para o nosso povo.
Sou alvo dessa farsa porque, como Presidenta, nunca me submeti a chantagens. Não aceitei fazer concessões e conciliações escusas, de bastidores, tão conhecidas da política tradicional do nosso país. Nunca aceitei a submissão, a subordinação e a traição dos meu eleitores como preço a pagar pelos acordos que fiz.
É por ter repelido a chantagem que estou sendo julgada. Este processo de impeachment somente existe por eu ter rechaçado o assédio de chantagistas.
Não nego que tenha cometido erros, e por eles certamente sou e serei cobrada, mas estou sendo perseguida pelos meus acertos. Estou sendo julgada, injustamente, por ter feito o que a lei me autorizava a fazer.  
Nunca, em nenhum país democrático, o mandato legítimo de um presidente foi interrompido por causa de atos de rotina da gestão orçamentária. O Brasil ameaça ser o primeiro país a fazer isto.
O maior risco para o Brasil neste momento é continuar a ser dirigido por um governo sem voto. Um governo que não foi eleito diretamente pela população não terá legitimidade para propor saídas para a crise. Um governo sem respaldo popular não resolverá a crise porque será sempre, ele próprio, a crise.
Um governo sem voto simboliza o restabelecimento da eleição indireta, contra a qual nosso povo lutou por muitos e muitos anos. Um governo sem voto não será respeitado e se tornará, mais do que um entrave às soluções, a própria causa do impasse. Interromper meu mandato de forma injusta e irregular representará impor grande risco a todas as cidadãs e cidadãos de nosso Brasil.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Comprovado na entrevista de FHC à Al-Jazeera: no exterior, ele é tido como um golpista desprezível

                    

 Paulo Nogueira                          
   Visto no mundo como um desprezível golpista de direita

Visto no mundo como um desprezível golpista de direita
O fato mais importante da entrevista que FHC concedeu semana passada  à emissora árabe Al-Jazeera foi  o seguinte: ficou claro que FHC perdeu qualquer vestígio de respeito no cenário internacional.
Hoje ele é visto como um reles e  desprezível golpista de direita na pior tradição latino-americana. (Aqui você pode ver a entrevista com legendas em português.)
Estava estampado no entrevistador o desprezo pelo entrevistado. Aquela não foi apenas uma entrevista dura. Foi uma oportunidade que o jornalista encontrou de dizer certas verdades a FHC. Acostumado aos salamaleques da mídia brasileira, FHC logo percebeu que fez um mau negócio. Se pudesse levantar-se e dar o fora no meio da entrevista, faria isso. Mas não dava. Era ao vivo. Foi divertido vê-lo falar a certa altura num inglês trôpego de quem perdeu o controle: “Eu protesto, eu protesto!
No Brasil, faz tempo que FHC é malvisto. Mas no exterior ele conservava algum prestígio. Seu papel abjeto no golpe jogou seu nome na sarjeta mundial.
Recentemente ele já sofrera um vexame de proporções planetárias quando foi obrigado a cancelar a participação num encontro de cientistas sociais em Nova York. O tema era a democracia — sempre instável — na América Latina. Um grupo de pessoas deixou claro que iria vaiar FHC caso ele comparecesse.
Ele desistiu.
O repúdio a FHC no exterior é o prenúncio do que lhe reserva a História. Ele terá seu lugar merecido na posteridade: um golpista, um fâmulo da plutocracia que sequer pode invocar a idade provecta para justificar os horrores que vem fazendo contra os pobres de seu país.
Fez-se justiça a ele em vida. Graças a Deus.

Com o POVO SEM MEDO, CUT, UNE e MST apoiam plebiscito e vão às ruas contra o golpe

Após semanas de negociação, os movimentos sociais que formam a frente Povo Sem Medo decidiram apoiar a proposta de plebiscito sobre a convocação de novas eleições como alternativa à continuidade do mandato do presidente interino Michel Temer (PMDB) em prejuízo da presidente eleita e afastada pelo processo de impeachment, Dilma Rousseff (PT).
Em nota pública, a frente POVO SEM MEDO, integrada por 27 entidades, entre elas CUT, UNE e MST, reconhece que "a grande tarefa das forças populares é derrotar este governo e, com ele, o golpe" e, para isso, "o povo deve ser chamado a decidir". "Neste sentido, a proposta de um plebiscito sobre a antecipação ou não das eleições, defendido mais de uma vez pela própria presidenta Dilma, pode ser uma bandeira aglutinadora para somar mais forças na luta contra o golpismo."
Em entrevista publicada pelo jornalista Kennedy Alencar, na semana passada, Dilma diz que concordaria com a proposta de novas eleições caso movimentos sociais e senadores contrários ao impeachment encampem a bandeira, pois ela sozinha não pode levar a proposta adiante. Dilma ressaltou, contudo, que qualquer ideia deve passar, antes, por sua volta ao poder.
Segundo a frente POVO SEM MEDO, a proposta de novas eleições "evidentemente tem seus limites". Mas "não há saída mágica numa conjuntura tão complexa como esta. É preciso associar essa bandeira a outras duas fundamentais, a reforma política e a manutenção de direitos sociais conquistados nos últimos anos e revogados, em parte, pelo presidente interino."
"Estamos diante da ameaça de uma regressão social grave, com desmonte dos direitos trabalhistas e dos programas sociais conquistados pelo povo brasileiro, além da entrega do património público. O golpe é duplo: um presidente que não foi eleito, aplicando um programa que também não o foi e jamais seria."
Ainda de acordo com a nota, o POVO SEM MEDO "estará nas ruas no mês de julho, em grandes mobilizações de norte a sul, para resistir ao golpe e defender as saídas populares. Buscaremos dialogar com outras articulações, como a FRENTE BRASIL POPULAR, para ter o máximo de unidade neste enfrentamento. Não tem arrego!"
Leia o comunicado na íntegra clicando aqui.

Como os EUA influenciaram

Sergio Moro e a Operação 

Lava  Jato

Cíntia Alves                            

WikiLeaks(AQUI) revelou um documento do governo dos EUA que mostra como a Lava Jato e os trabalhos do juiz federal Sergio Moro sofreram influência de agentes treinadores daquele País, que capacitam profissionais para o combate a "crimes financeiros e terrorismo". O informe diz que os agentes norte-americanos influenciariam brasileiros a criar uma força-tarefa para trabalhar em um caso factual, que receberia assessoria externa em "tempo real".
Segundo o comunicado, após o sucesso de um seminário sobre "crimes financeiros ilícitos" promovido pelo "Projeto Pontes" (bancado com recursos dos EUA), cursos de formação em São Paulo e Curitiba foram solicitados por juizes, promotores e policiais brasileiros interessados em aprofundar o conhecimento sobre como, por exemplo, arrancar, de maneira prática, revelações de acusados de lavagem de dinheiro e outras testemunhas.
Sergio Moro participou do seminário na condição de palestrante, em outubro de 2009, expondo de acordo com o telegrama recebido pelos governo dos EUA, as "15 questões mais frequentes nos casos de lavagem de dinheiro nas cortes brasileiras". 
Antes de Moro, o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, também fez uma apresentação que "ofereceu um paronama da história legislativa e política da legislação brasileira para lavagem de dinheiro e atividade de finanças ilícitas". 
Dipp foi contratado, posteriormente, pelo escritório que defende executivos da Galvão Engenheira na Lava Jato para contestar no Supremo Tribunal Federal a validade da delação premiada de Alberto Youssef, pois o doleiro já houvera firmado acordo de cooperação, no âmbito da Operação Banestado, e descumprido as regras impostas ao ao praticar novos crimes.
O treinamento
“Apresentadores norte-americanos discutiram vários aspectos relacionados à investigação e ao processo de casos de finança ilícita e lavagem de dinheiro, incluindo cooperação internacional formal e informal, ocultação e desvio de patrimônio, métodos de prova, esquemas pirâmide, delação premiada, uso de interrogatório direto como ferramenta e sugestões de como lidar com ONGs que se suspeite que sejam usadas para financiamentos ilegais”, descreve o documento após citar a participação dos magistrados brasileiros no seminário.
Um dos pontos altos do treinamento foi a "simulação de preparação de testemunha e interrogatório direto", que contou com partipação majoritária de brasileiros que operam"exclusivamente na vara federal especializada em crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de dinheiro criada em 1998, em conjunção com uma lei sobre lavagem de dinheiro. Procuradores e investigadores especializados levam seus casos de lavagem de dinheiro àquelas varas, que têm sido mais efetivas que muitas e têm enfrentado alguns dos casos mais significativos envolvendo corrupção e indivíduos de alto nível.”
Força-tarefa
O sucesso do seminário, segundo a visão dos estadunidenses, foi medido pelo pleito dos profissionais brasileiros por novos treinamentos.
“Os participantes elogiaram a ajuda em treinamento e solicitaram mais treinamento para coleta de provas, interrogatório e entrevista, habilidades em situação de tribunal e o modelo de força-tarefa. (...) vários comentaram que desejavam aprender mais sobre o modelo proativo de força-tarefa; desenvolver melhor cooperação entre procuradores e polícia e ganhar experiência direta no trabalho sobre casos financeiros complexos de longo prazo."
Para os agentes do EUA envolvidos no projeto, "(...) há necessidade continuada de assegurar treinamento a juízes federais e estaduais no Brasil, e autoridades policiais para enfrentar o financiamento ilícito de conduta criminosa. (...) Idealmente, o treinamento deve ser de longo prazo e coincidir com a formação de forças-tarefa de treinamento. Dois grandes centros urbanos com suporte judicial comprovado para casos de financiamento ilícito, especialmente São Paulo, Campo Grande ou Curitiba, devem ser selecionados como locação para esse tipo de treinamento."
As anotações vazadas pelo WikiLeaks indicam, ainda, que os agentes americanos pretendiam não só ensinar como se daria a formação de uma força-tarefa para um caso específico, mas incentivar que esse caso fosse transformado em "investigação real", com "acesso" aos treinadores. 
"Assim sendo, as forças-tarefas podem ser formadas e uma investigação real poderá ser usada como base para o treinamento que sequencialmente evoluirá da investigação à apresentação em tribunal e à conclusão do caso. Com isso, os brasileiros terão experiência em campo do trabalho de uma força tarefa proativa num caso de finanças ilícitas e darão acesso a especialistas dos EUA para orientação e apoio em tempo real."
A delação premiada
Em matéria publicada pelo Consultor Jurídico (leia aqui), em maio 2009, antes do encontro do Projeto Pontes no Brasil, Sergio Moro compartilhou o que já aprendera, àquela altura, com juizes dos Estados Unidos sobre delação premiada:
“A primeira dica é nunca confiar em um criminoso. Para o juiz, é preciso lembrar que o delator tem um interesse próprio."
"É importante também, segundo Moro, que promotores e juízes tenham uma relação transparente e honesta com o delator."
"O acordo tem de seguir a lógica: 'Acordo com peixe pequeno é para pegar peixe grande; com peixe grande é para pegar outros peixes grandes', explica. Segundo Moro, nos Estados Unidos entende-se como acordo precioso aquele que tem efeito dominó."
"(...) Sugestão de juiz dos Estados Unidos, citado por Moro, é pedir uma amostra ao delator com o compromisso de não utilizá-la, a não ser que haja acordo."
"[Moro] afirmou que pode acontecer de o Ministério Público fazer uma 'sondagem' com o Judiciário para saber se o acordo seria validado. O juiz acredita que isso é válido, pois dá mais segurança."
“Outra experiência que o juiz contou é de que, nos Estados Unidos, foi levado à Suprema Corte um caso em que delator grava declarações do investigado. Alguns sustentaram que isso era vedado, por ser autoincriminação. Os EUA, diz Moro, entenderam que o devido processo legal não protege quem confia na pessoa errada e que a autoincriminação só ocorre quando é feita diante de autoridade pública.”
A Agência Pública('links' abaixo) coleciona uma série de reportagens sobre os documentos do WikiLeaks que revelam os interesses dos EUA com cooperações técnicas em temas relacionados a segurança pública no Brasil. Há relatos que vão de doações de materiais para centros em São Paulo e Curitiba, à solicitação de recursos ao governo americano, para custear treinamento a brasileiros.

Os ratinhos  burocratas  e

o   pilantra   interino            

temermaca
Lula tem teve toda a razão em dizer que os lavajatistas e seus congêneres enfiassem no c…”o acervo” presidencial…
Acervo que, para quem não sabe, é composto do que o Chefe de Estado ganha como presente de governantes e diplomatas estrangeiros, como forma simbólica de reconhecimento ou consideração.
O Painel(AQUI) da Folha, do último domingo(3), disse que “o governo Michel Temer deu carta branca ao Tribunal de Contas da União para fazer uma devassa nos presentes recebidos por Dilma Rousseff e Lula e levados com eles após deixarem o Planalto”.
Acrescenta que “uma equipe de auditores trabalha dentro da Presidência para buscar os registros. Os técnicos querem ter acesso à relação dos itens ofertados e ao controle do deslocamento desde o fim de 2002 — quando um decreto regulamentou o assunto — para averiguar a necessidade de fiscalizações in loco.”
Temos uma legislação estúpida, que torna estes bens propriedade do ex-governante, permite sua venda (desde que dada prioridade de compra à União, mas os torna responsáveis por sua guarda e conservação.
Aí, um governo de mesquinhos, chama uma dúzia de funcionários do Tribunal de Contas – que ganham muitíssimo bem e não devem ter mais o que fazer, porque se dedicam um espetáculo circense mas não vêem as falcatruas que praticam os conselheiros da sua própria corte.
E estas alminhas de micróbio vão se dedicar a tarefas de alto interesse nacional : “cadê aquela plaquinha que a senhora ganhou de presente?”; “onde está aquela comenda banhada que o Governo do Nãoseiláquistão lhe deu em 2011?"
Olha, só contando até mil para não dizer que está lá na… Ou para perguntar se foram conferir, depois da visita de Eduardo Cunha ao Palácio do Jaburu, se os quadros e obras de arte continuavam todos lá…
Uma vez, na campanha presidencial, quando eu era assessor de Leonel Brizola, a Folha, numa destas “folhices” que gosta de inventar, depois que o Maluf contratou um assessor de imprensa ganhando bem, resolveu fazer uma reportagem sobre as “fábulas” que ganhavam os jornalistas que acompanhavam os candidatos.
O repórter escalado, um homem de caráter, de bem, muito sem graça veio me falar da saia-justa em que o tinham metido e ouviu de mim que não haveria problema nenhum em fazer a entrevista sobre isso, desde que fosse dentro da minha casa, um apartamento pequeno, alugado, destes com sala em “L” que no Rio chamamos de “cachimbinho”. Como ele, Neri Victor Eich, era um homem honesto, evidente que descreveu o que viu e ouviu.
Não sei se teria o mesmo tratamento correto hoje, para minha tristeza.
Almas canalhas sempre acham que as outras são como elas.
Já fizeram uma exploração sórdida contra o Lula porque ele teria – tudo funciona na base do “teria” -aceito que uma empresa pagasse um depósito para as caixas de objetos que ganhou e que a lei obriga ele a levar e cuidar. Detalhe: ex-presidente tem direito a assessor, segurança, carro, mas não a  salário ou qualquer remuneração. Vai pagar a guarda da quinquilharia com o quê?
Fernando Henrique pegou R$ 5,7 milhões via lei Rouanet  – tradução, dos impostos – para organizar seu acervo. Dinheiro, inclusive, da Sabesp. Ninguém foi encher o saco do ex-presidente tucano, porque uma estatueta africana que tenha ganho não é porcaria nenhuma perto de ter vendido a Vale e leiloado um naco da Petrobras na Bolsa de Nova York.
Agora, noticia a Folha  de S. Paulo, o grupo de auditores “cogita ir ao Alvorada fazer um inventário do que está com Dilma” e que a Casa Civil – chefiada por um sujeito que Antonio Carlos Magalhães, mestre no assunto,  chamou de “Eliseu Quadrilha”– e diz que “a natureza privada do acervo não autoriza a interpretação de que está livre de controle”.
Sei que a presidenta é pessoa politicamente correta, mas eu não sou. No seu lugar, juntaria tudo numas caixas de papelão de supermercado, alugava um caminhão, parava na porta do palácio e chamava o imbecil para vir buscar e passar recibo.
Barraco, mesmo.
E que o Dr. Eliseu se desse por muito satisfeito em não levar um tapa na cara.
Os ratinhos? Não, a esses basta o prazer de não terem coragem de levantar os olhos e olhar, cara a cara, e de ouvi-los gaguejar, porque sabem que estão fazendo uma abjeção…

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Lula é convidado para Conselho
de líderes mundiais que discute
direitos das crianças
     

O ex-presidente Lula foi convidados pelo indiano Kailash Satyarthi, Prêmio Nobel da Paz em 2014, para integrar um conselho formado por outros vencedores do Prêmio Nobel e também por outros líderes mundiais.
Segundo informações do Instituto Lula, o núcleo discute como acabar com o trabalho infantil e assegurar a garantia dos direitos das crianças em nível mundial.
De acordo com Satyarthi, os convites foram feitos a pessoas consideradas "vozes morais" importantes, reportou o 247. "Essa voz moral estaria incompleta sem o senhor", disse o indiano. "Você é mais influente agora do que quando era presidente", completou Satyarthi em referência ao trabalho do ex-presidente no combate à fome.