quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A tirania das boas intenções


Quando meninos, como Sérgio Moro, exibem retidão moral para praticar brutalidades em nome da Justiça...


Luiz Gonzaga Belluzzo        
via CartaCapital
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O “garoto” Sérgio Moro se lamentou com publicações que vão contra a Operação Lava-Jato.

Meu amigo e colega de Unicamp, o físico Rogério Cerqueira Leite disparou semana passada, na Folha de S.Paulo, um petardo contra os métodos e protagonismos de Sérgio Moro. Moro retrucou com uma carta ao Painel do Leitor. Lamentou que o jornal tivesse concedido espaço para a publicação do artigo: “Sem qualquer base empírica (sic), o autor desfila estereótipos e rancor contra os trabalhos judiciais na assim denominada Operação Lava-Jato, realizando equiparações com fanático religioso e chegando a sugerir atos de violência contra o ora magistrado”. Moro prossegue: “A publicação de opiniões panfletário-partidárias que veiculam somente preconceito e rancor, sem qualquer base factual deveria ser evitada…”
No Brasil da conflagração política, juízes, promotores e delegados – burocracias não eleitas e autodenominadas meritocráticas – reagem às insinuações de “partidarismo” e açodamento nas investigações com atitudes que lembram as conclamações virtuosas dos jovens florentinos mobilizados pelas arengas de Savonarola.
Invocar a própria virtude, honestidade ou bons propósitos para contestar a impessoalidade e o “formalismo” da lei é desastroso para a sociedade. Há quem apontasse, como Montesquieu, insanidade na substituição da força da lei pela presunção de virtude autoalegada.
Nas sociedades modernas, as burocracias envolvidas na prestação jurisdicional gozam das prerrogativas de independência funcional, irredutibilidade dos vencimentos, vitaliciedade (que poderia ser suspensa no caso de falta grave) e direito a uma aposentadoria especial.
Essas prerrogativas não concedem um privilégio à pessoa do juiz, mas, sim, pretendem dar ao cidadão a certeza de que será julgado por um magistrado capaz de resistir ao poder econômico e político, aos arreganhos das maiorias circunstanciais e autoritárias ou às campanhas midiáticas empenhadas em atemorizar e influenciar a prestação jurisdicional.
Por isso, o juiz só serve ao “povo” enquanto intérprete da lei e servo da hierarquia do sistema de prestação jurisdicional. Tanto os de cima quanto os de baixo devem obedecer aos trâmites e instâncias do processo legal. A democracia não sobrevive quando os procedimentos formais são substituídos pela opinião fulminante que culmina na desmoralização recíproca das instâncias jurisdicionais e dos demais poderes republicanos.
As participações dos policiais, magistrados e promotores no bate-boca sobre a Operação Lava-Jato deixam muita gente de cabelo em pé. Algumas manifestações colidem frontalmente com o princípio liberal e democrático que garante ao cidadão, rico ou pobre, um julgamento fundado na argumentação racional das partes e na livre formação da convicção do intérprete da lei.
A incompreensão dos fundamentos de suas funções e prerrogativas por parte dos funcionários do Estado escancara as portas para a horda de justiceiros que pretendem violar as garantias individuais dos ricos em nome do desamparo da maioria pobre, esta diariamente submetida ao justiçamento praticado pelos esbirros do abuso.
Trata-se de uma forma estranha e peculiar de se promover a igualdade entre os cidadãos: entregar todos, sem distinção de classe, raça ou gênero, à brutalidade e ao arbítrio dos beleguins. O socialismo dos tolos dá lugar ao socialismo dos tiras.
As ações de autoridades seduzidas pelos frêmitos e cintilações da “sociedade do espetáculo” açulam o imaginário da população que delira com o festival de detenções, com a prodigalidade na concessão de prisões temporárias, para, logo mais, esquecer tudo e se emocionar com o próximo capítulo da interminável novela “Chutando a Porta” (subtítulo: “Desde Que Não Seja a Minha”).
Imaginei – santa ingenuidade – que as batalhas do século 20, além do avanço dos direitos sociais e econômicos, tivessem, finalmente, estendido os direitos civis e políticos, conquistas das “democracias burguesas”, a todos os cidadãos.
Mas talvez estejamos numa empreitada verdadeiramente subversiva, ainda que não revolucionária: a construção da República dos Mais Desiguais. Uma novidade política engendrada nos porões da inventividade contemporânea, regime em que as garantias republicanas recuam diante dos esgares da máquina movida pela “tirania das boas intenções”.
Um sistema em que bons meninos exibem sua retidão moral para praticar brutalidades em nome da Justiça. O direito e a eticidade do Estado desaparecem no buraco negro do moralismo particularista e exibicionista.
A palavra ética frequenta certos círculos que podem comprometer sua reputação. Nas mãos dessa gente são estraçalhados os valores fundados na ética que as sociedades modernas alegam compartilhar. A ética, diria Hegel, não se compadece dos arroubos de moralismo narcisista, aquele que aponta os corruptos, mas descura das raízes da corrupção.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Os 'patos' da FIESP e  da  FIRJAN, diante da 'trolha' à vista, exigem conteúdo  nacional  na  Petrobras

     patropetroleo
Alertado pelo GGN, de Luís Nassif, vi na Folha de S. Paulo(AQUI) que os líderes de “pataquada” – a Fiesp e a Firjan – agora querem que Michel Temer reverta as mudanças anunciadas que praticamente extinguem a exigência de conteúdo nacional na construção das plataformas e demais equipamentos de exploração de petróleo.
Os “campeões da livra iniciativa” que viviam reclamando da falta de competição agora se arrependeram, porque as petroleiras estrangeiras, quando vierem ao nosso pré-sal, chegarão de mala e cuia, com seus fornecedores internacionais que, óbvio, podem dar melhores preços, uma vez que trabalham em escala mundial.
Percam as esperanças, senhores!
Pode ser que sobre para vocês fazerem uns caninhos, uns parafusos, quem sabe uns gradis e escadas...
Partes de maior valor agregado? Esqueçam.
Com lei e tudo, as petroleiras não preferiram pagar R$ 570 milhões em multas para importar além do que era autorizado?
Imagina sem ela e com o raciocínio “besta” de que é melhor pagar uns dólares a menos e trazer de Singapura?
Vejam como a Folha conta a história e o “dinheirinho” que se perde aqui, em produção e empregos:
"A pressão sobre o governo aumentou em junho, quando a Petrobras passou a defender abertamente a flexibilização das regras após a chegada de Pedro Parente à presidência. Em 2016, o governo recebeu os presidentes globais da Shell, Ben Van Beurden, e da Statoil, Eldar Saetre. O setor afirma que ganharia investimentos de US$ 250 bilhões com as mudanças."
O curioso é ver que o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, diz que – o verbo é dele – as multisameaçam com um investimento que só vai acontecer na década que vem. O fechamento de fábricas vai trazer desemprego agora”(É mesmo? Está brincando...)
Simplesmente, uma cambada de PATOS.

Itaquerão 'de  Lula'  é 

um  insulto  ao   leitor 

acima  da  média         

Cíntia Alves                           
O esforço da Folha de S. Paulo, em parceria com os vazadores da Lava Jato, para destruir a imagem do ex-presidente Lula e inviabilizá-lo para 2018 está virando um insulto aos leitores mais despertos.
Em 29 parágrafos, a reportagem "Itaquerão(AQUI) foi presente para Lula, diz Emílio Odebrecht"  faz contorcionismos para legitimar uma delação que sequer existe oficialmente e que, portanto, não tem valor jurídico contra Lula.
Aliás, nem se sabe se será aceita pela Justiça, pois, em tese, não basta dizer que o estádio foi uma "espécie de presente", um "agrado" da Odebrecht ao ex-presidente pelo, digamos assim, conjunto da obra - ou dois mandatos presidenciais em solidariedade à empreiteira, que cresceu 7 vezes nesse período, destacou a Folha. Qualquer acusação precisa ser corroborada por provas.
Não à toa, Cristiano Zanin Martins, advogado de Lula, definiu assim a reportagem sobre o ensaio da delação de Emílio Odebrecht: "Se a delação já não serve para provar qualquer fato, a especulação de delação é um nada e não merece qualquer comentário."
O comentário cabível, na verdade, é o seguinte: do jeito que está, a delação que não existe só fomenta ainda mais uma campanha midiática para destruir reputações. E, note-se, não passou nem uma semana desde a prisão de Eduardo Cunha, episódio em que a Lava Jato chutou um cachorro morto e vendeu, com ajuda da imprensa, uma versão isenta e apartidária da investigação.
No caso do Itaquerão de Lula, há alguns pontos que dão no calo do leitor acima da média - aquele que compreense que a Lava Jato tem uma veia política saltante e sabe que delação não é verdade absoluta, pois se fosse, lideranças do PSDB, por exemplo, dessas blindadas pela mídia, teriam Rodrigo Janot em seu encalço. Mas não têm.
LULA, O TORCEDOR IMPACIENTE
O primeiro ponto é a tese da Folha de que Lula estava descontente com o desempenho de seu time de futebol e mandou construir um estádio. O jornal chega a associar as derrotas consecutivas do Corinthians aos últimos anos do mandato de Lula.
"Em 2010, o último ano de Lula à frente da Presidência, o clube ficou em quinto lugar no Campeonato Paulista, terceiro no Brasileiro e nono na Libertadores. Em 2007, havia sido rebaixado."
"A ideia de construir o Itaquerão partiu do então presidente Lula, que atribuía os maus resultados do Corinthians à falta de um estádio, segundo relatos colhidos pela Folha."
Essa seria a motivação de Lula para "favorecer" a Odebrecht com recursos do BNDES que seriam aplicados em um dos estádios previstoas para a Copa do Mundo.
TEM SUBORNO X NÃO TEM SUBORNO
No quinto parágrafo, para chamar atenção do leitor, a Folha cravou: "Os relatos [de Emílio Odebrecht, pai de Marcelo], que indicam suborno, ainda terão de ser homologados pela Justiça."
No vigésimo primeiro parágrafo, a Folha/SP retira o que disse: "Nos encontros entre Lula e Emílio, não eram mencionados pagamentos de suborno, ainda na narrativa dele."
PEGA PALOCCI
Na sequência da negativa de suborno a Lula, a Folha dá um cavalo de pau que muito interessa à Lava Jato, e afirma que se houve algum tipo de pagamento ao PT por causa do estádio, este foi negociado por Antonio Palocci.
"As questões práticas de como o PT seria beneficiado pela ajuda à Odebrecht seriam tratadas entre Marcelo e o ex-ministro Antonio Palocci", escreveu a Folha, que preferiu tratar Lula como a questão central desde a capa, passando pelas fotos e manchetes internas da edição do domingo, 23 de outubro.
Preso na operação Omertà, às vésperas da eleição municipal, Palocci segue na carceragem da Polícia Federal de Curitiba, por ordem de Sergio Moro, juiz de primeira instância, porque a força-tarefa não encontrou provas de recebimento de propina por parte do ex-ministro. Facilitaria o trabalho se a força-tarefa descolasse uma delação fatal.
Nos dias seguintes à prisão de Palocci, os jornais da velha mídia noticiaram, sem alarde, que a Lava Jato teria exigido uma delação de Marcelo Odebrecht contra Palocci. Caso contrário, não haveria negócio com Marcelo e ele continuaria preso, enquanto Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e outros delatores da Lava Jato já gozam do regime domiciliar.
Não bastasse a mudança súbita de curso da reportagem para atingir Palocci, a fala do advogado do ex-ministro, José Roberto Batochio, lá no penúltimo parágrafo, coloca a credibilidade das conexões feitas pela Lava Jato em xeque: "Causa surpresa essa versão de que o Palocci tinha mais contato com o Marcelo do que com o Emílio Odebrecht. Porque há uma amizade muito antiga entre Palocci e Emílio. Ele consultava muito o Palocci sobre a economia nacional e global. Já a relação entre Palocci e Marcelo era quase zero", disse o defensor.
O LOBBY
Por último, o que se extrai contra Lula da pré-delação de Emílio Odebrecht é que o ex-presidente é suspeito por ter tido "reuniões com frequência mensal" com o empreiteiro e, nesses encontros, "Emílio pediu e obteve o aval de Lula para ajudar a empreiteira a se expandir por América Latina e África."
E aí temos mais do mesmo: "O petista é réu numa ação que tramita em Brasília, sob acusação de ter ajudado a Odebrecht a conquistar contratos em Angola."
A Folha não diz ao seu leitor que, nesse caso de Angola, os procuradores admitem que Lula foi indiciado não porque há provas substanciais de que ele foi direta e indevidamente favorecido pela Odebrecht, mas porque a imprensa criminalizou o lobby de Lula no exterior em favor das grandes empresas nacionais, quando já não era mais presidente. Seus atos viraram tráfico de influência internacional porque algumas revistas assim disseram.
O leitor mais crítico poderia formar suas convicções - para usar a palavra da moda - se, junto com as delações, fossem vazadas as "provas cabais".
Uma luta de vida  e morte porque  Lula  é  BRICS        

Resultado de imagem para Imagens de Lula nos Brics
                                          
Resultado de imagem para logomarca do youtubeO vídeo abaixo, de 13 minutos, foi publicado em 12 de março deste 2016, mas continua atualíssimo e elucidativo. O texto  é do jornalista investigativo independente PEPE ESCOBAR(*), com interpretação e edição de imagens de CIBELE LAURA, jornalista multimídia de São Paulo.

Uma narrativa sobre o 'impeachment' e o golpe que, iniciado na Câmara dos Deputados em março(sob auspícios do hoje defenestrado Eduardo Cunha), afinal se consolidaria em agosto último no Senado, sob as bênçãos do Supremo Tribunal Federal.


Saiba quem é PABLO ESCOBAR, 62 anos, paulistano,  jornalista investigativo
independente, especialista em análises geopolíticas >>> No BrasilEscobar trabalhou para os jornais Folha deS. PauloO Estado de S.
PauloGazeta Mercantilalém de ter  publicado artigos na revista CartaCapital. Desde 1985 tem atuado  como correspondente estrangeiro. Viveu em Londres,
ParisMilão, Los AngelesWashington, Bangkok e Hong Kong.  Mesmo antes dos ataques de 11/setembro de 2001,  dedicou-se a cobrir o arco  que se estende do Oriente Médio à Ásia Oriental e Central,     com
ênfase nos aspectos geopolíticos e nas disputas das grandes potências por fontes de energia e recursos naturais.
Como correspondente  itinerante do site Asia Times Online (baseado em Hong
Kong) manteve a coluna The Roving Eye, de 2000 a 2014, período em que
realizou alguns dos trabalhos que marcaram sua carreira. No Afeganistão,
entrevistou o líder antitalibã da Aliança do Norte, Ahmad Shah Massoud,
semanas antes do seu assassinato. 
Menos de duas semanas antes do 11 de setembro de 2001, quando se
encontrava em áreas tribais do Paquistão, foi publicado seu artigo, cujo   título
soou algo profético: Get Osama! Now! Or else...(Pegue Obama! Agora! Se não...).
Escobar também foi um dos primeiros jornalistas a chegar a Cabul após a
retirada do Talibã. Mais recentemente, elaborou reportagens sobre IraqueIrã, Ásia Central, Estados Unidos e China.  Tem colaborado com a Russia TodayThe Real News e Al Jazeera. Também contribui para os  sites Sputnik TomDispatch,
 OpEdNewsStrategic Culture FoundationCounterpunch e Information Clearing House, entre outros 'websites' - da  América à Ásia Oriental.

E vamos ao vídeo...


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Olha aí, Temer, a “retomada 

econômica”  da  Argentina

de  seu  parceiro  Macri!  

macri1
É o insuspeito O Globo(AQUI) que publica, e, portanto, não fica na conta do chamado “bolivarianismo” da esquerda:
Quando o presidente argentino, Mauricio Macri, chegou ao poder, em dezembro do ano passado, economistas estimavam que os primeiros meses de gestão seriam difíceis, mas que a economia começaria a mostrar sinais de recuperação a partir do segundo semestre. Estavam enganados. Faltando pouco mais de dois meses para o fim de 2016, está claro para todos que os primeiros 12 meses de Macri como presidente deixarão um sabor amargo. De acordo com dados oficiais divulgados esta semana, nos últimos nove meses foram perdidos 118 mil postos de trabalho e fechadas cerca de seis mil empresas. Para completar um cenário sombrio, a inflação continua alta e deverá alcançar quase 40% este ano; a pobreza chegou a 32,2% da população (superando os 29% de dezembro de 2015) e o PIB argentino, de acordo com projeções de economistas ouvidos pelo GLOBO, caminha na direção de uma retração de até 2%.
Alguém duvida que com uma política econômica francamente recessiva, como adotamos aqui – seguindo o mesmo “planinho” de ajuste nas contas públicas vamos ter desempenho diferente dos nossos irmãos portenhos?
Na reportagem de Janaína  Figueiredo e Daiane Costa, dizem que quando o presidente foi empossado (em dezembro), o consenso entre os economistas era de que a primeira metade do ano seria dura, mas o horizonte começaria a melhorar a partir de agosto(que passou). A projeção de queda do PIB era, em média, de 1,2%. Hoje, as empresas de consultoria locais estimam retração de até 2%.
Não sei se o prezado leitor e a caríssima leitora já ouviram essa conversa.
Mas é o que ouvimos aqui deste que o 'pré-Meirelles', Joaquim Levy, assumiu o comando da economia e o discurso dos cortes passou a ser seu único vocabulário.
Macri, porém, foi eleito e tinha certa “gordura” de legitimidade para queira, e a queimou.
O 'nosso' Michel Temer, com 14 % de aprovação',  não tem nem isso.
E Eduardo Cunha de fósforo em punho para queimá-lo.
Tal como se narra no texto do jornal O Globo, apostava-se no interesse do capital estrangeiro para alavancar investimentos, que só vieram pelo rentinsmo .
Aquela famosa história que nos une a argentinos.
Seremos eles, amanhã,como dizia aquela antiga propaganda de vodka...