quarta-feira, 4 de outubro de 2017


AS MÃOS E  AS  VOZES  QUE EMPURRARAM O REITOR DA UFSC  PARA  A  MORTE
  

LUÍS NASSIF, no JORNAL/GGN

File source: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Luis_Roberto_Barroso_2014.jpg
Luís Roberto Barroso tem fixação por sua imagem pública. Algumas denúncias estampadas em blogs de Curitiba, encampadas pelos blogueiros da Veja, foram suficientes para deixá-lo de joelhos. |||   As denúncias falavam da compra de um apartamento em Miami pela senhora Barroso, através de uma offshore. Mesmo casados em comunhão de bens, compartilhando um escritório bem-sucedido, o nome de Barroso não entrou na história, até o eixo Curitiba-Veja entrar no tema.  |||  E o Ministro Barroso decidiu defender sua imagem com as armas que conhecia: abandonou suas teses legalistas, seu passado garantista e decidiu aderir aos agressores. Sua estreia se deu na votação da autorização para a prisão do réu após condenação em Segunda Instância.  |||  Dali em diante, surgiu um novo Barroso, defensor dos métodos policiais, punitivista convicto, defensor da tese de que ou o Brasil acabava com a corrupção ou a corrupção com o Brasil. Não a corrupção corporativa de seus clientes, ele que era titular de um escritório que se vangloriava de preparar anteprojetos de lei para que os clientes possam oferecer a seus deputados de estimação; não a do Poder Judiciário, ou mesmo a impunidade sua ex-cliente, a Globo. Mas a corrupção do inimigo, a defesa do direito penal do inimigo que chegou ao auge com sua defesa explícita do Estado de Exceção.  |||  Desde então, Barroso se tornou o guru da Lava Jato e dos punitivistas do Ministério Público Federal, o profeta do Estado de Exceção, o principal estimulador das bestas que habitam os porões, onde nenhum direito é respeitado. Suas frases se tornaram os bordões prediletos dos procuradores nas redes sociais, o alimento legitimador que engorda os monstros gerados da barriga da Lava Jato|||   E das entranhas da Lava Jato a delegada da Polícia Federal Erika Marena saiu de Curitiba e transportou os métodos da para Santa Catarina. 
Estrela de cinema, tinha que manter a fama de implacável. Lá, encontrou como chefe o delegado Marcelo Mosele que, ao assumir a superintendência da PF em Santa Catarina, discursou afirmando que a corrupção é a maior ameaça à humanidade.  |||  Era esse o clima dominante na PF quando chegaram denúncias envolvendo a Universidade Federal de Santa Catarina. Mencionavam desvios que teriam ocorrido desde 2006 nos cursos de educação à distância. O reitor assumira apenas em 2016.  ||| 
No início, denúncias anônimas. Depois, surgiram denúncias personalizadas, uma da professora Tais Dias, outra do corregedor da UFSC, Roberto Hickel do Prado. Escolhido em uma lista tríplice, o corregedor responde ao reitor e também à CGU (Controladoria Geral da União).  |||  Quando o reitor Luiz Carlos Cancellier pediu acesso ao inquérito, imediatamente foi denunciado por Henkel, como tentativa de obstrução da Justiça. Nesses tempos bicudos, as longas mãos da CGU criaram núcleos de poder em cada universidade, e Henkel pretendeu exercê-lo com a autoridade dos moralistas e com a plenitude dos superpoderosos. Imediatamente obteve a adesão de Orlando Vieira de Castro Jr,
superintendente da CGU em Florianópolis. E o caso foi parar com o procurador da República André Stefani Bertuol.  |||   A Polícia Federal foi acionada e a sede de sangue atingiu a juíza federal Janaína Cassol Machado, que, consultado o procurador Bertuol, autorizou a prisão preventiva dos professores.  |||  Em Brasília, o eminente Ministro Barroso despejava frases feitas: - Para ser preso, no Brasil, precisa ser muito pobre ou muito mal defendido.  Ou então: - Pense o que você poder fazer diariamente pelo bem|||  Lá embaixo, nos porões da nova ditadura, a delegada Marena, o delegado Mosele, comandavam policiais treinados nas artes da humilhação. Os professores foram despidos, ficaram nus, foram jogados em celas.  |||  Enquanto isto, Barroso, que se tornou um Ministro choroso quando a imprensa meramente flagrou-o em uma afirmação relativamente racista em relação a Joaquim Barbosa, que se desmanchou em lágrimas tal como uma donzela com a reputação colocava em dúvida, continuava lançando seus dardos no Olimpo e alimentando com princípios pútridos a carne que era servida às hienas.  |||  No dia seguinte, uma juíza substituta, Marjorie Feriberg, ordenou a libertação do grupo. Foi publicamente admoestada por Janaína, que se atirou sobre ela como uma harpia da mitologia.  |||  Restou a Cancellier a única saída que encontrou para a desonra que se abateu sobre ele: o suicídio.  |||  Depois da tragédia, apareceram notícias dizendo que a única acusação formal(sem provas) contra ele era a de ter tentado atrapalhar  a investigação.  |||
Que seu sangue caia sobre todos seus algozes.  Mas, especialmente, sobre os que destruíram os alicerces dos direitos individuais pensando exclusivamente em seus próprios interesses.

NÃO FOI FRAQUEZA,
FOI  FASCISMO

JOSÉ SARDÁ (*), no TIJOLAÇO
Durante o velório do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no final da tarde dessa última segunda-feira(2), no hall da Reitoria da UFSC, em Florianópolis, uma dedução predominou: nem durante a ditadura militar a Universidade foi tão chacoteada como agora pela justiça federal e Polícia Federal. A vice-reitora Alacoque Erdmann, resumiu a tragédia: “Luiz Carlos Cancellier deu seu sangue pela UFSC”.  |||  Sim, claro. Na entrevista que concedeu há cerca de uma semana, Luiz Carlos afirmou a Moacir Pereira: "...nunca fui tão humilhado"|||  Vamos refletir. O reitor foi preso e conduzido à penitenciária da Agronômica, igualado a bandidos e corruptos, sob a acusação de ter obstruído a investigação judicial. Nenhum reitor foi sequer admoestado durante a ditadura e hoje estamos assistindo à prepotência do judiciário, que se acha no direito de governar a Nação pela imposição de julgamentos pessoais ou de grupos de circunstâncias sociais e políticas brasileiras.  |||  O que é obstruir a justiça? Ora, há bandidos governando dentro de penitenciárias o tráfico de drogas no Brasil, e a Justiça entende que o reitor pode obstruir as ações de investigação dentro da UFSC. Cinematográfico ou circense?  |||  Conheci Luiz Carlos em 1981, quando foi iniciar sua vida jornalística em O Estado. A sua jornada foi brilhante. Paralelo ao jornalismo, cursou Direito e ingressou na carreira de professor, crescendo como diretor do Departamento Jurídico e diretor do Centro de Ciência Jurídicas da UFSC. Há cerca de dois anos, em um encontro casual, ele me confessou: “...vou trabalhar por um candidato a reitor que recupere a dignidade da UFSC”. O seu movimento culminou com uma decisão consensual de apoio ao seu nome. E ele se elegeu com sinais vitoriosos de mudanças.  |||  Aos poucos, ao lado da professora Alacoque Erdmann, Luiz Carlos restaurou o clima de diálogo, reciprocidade de confiança e de relações com a sociedade.  |||  De repente, é preso, como em uma situação de guerra, de ditadura. Levado à Penitenciária da Agronômica, Luiz Carlos perde-se na agressão a um mandato que deveria ser, sobretudo, considerado pela autonomia e respeitabilidade de uma universidade. Mas, não. Dane-se a instituição! O que vale são os novos princípios da justiça e da Polícia Federal, que poderiam ter exigido de Luiz Carlos o comparecimento a uma audiência, prestação de provas, etc.etc. Mas, não. Preferiram humilhá-lo, ou seja, dizer-lhe que a justiça e a PF estão bem acima das instituições de ensino. Ou seja, uma caça a bruxas como se toda a Nação precisasse provar que não é corrupta. Do geral para o particular, todo o brasileiro é por natureza corrupto. E viva a autoridade, judicial como policial, que tem os holofotes e aplausos populares.  |||  Até que prove o contrário, Luiz Carlos, o Cao, não suportou a humilhação, tanto a ele quanto à UFSC.  |||  Sintam-se como Cao: a imprensa dizendo que ele estava sendo acusado de desvio de recursos. Aliás, os jornais Folha de S. Paulo e O Globo, em seus sites, repetiram isso ao anunciar a sua morte.  |||  Não se trata de fraqueza humana, mas, sobretudo, de uma defesa – quem sabe frágil – da sua moral, dignidade e do direito que a PF e a Justiça não lhe concederam, de provar a sua inocência antes de ser jogado numa prisão, na mesma vala de Eduardo Cunha, Joesly Batista, etc, etc...  |||  A ditadura de hoje não é militar. É judiciária. O desembargado Lédio Rosa tem razão: “Mataram meu amigo Cao. E não haverá responsável. Isso é fascismo da pior espécie”.
(*) Laudelino José Sardá é jornalista e professor da Unisul, Universidade do Sul de Santa Catarina e publicou o texto em seu Facebook.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A CONVENIENTE HISTÓRIA 

DOS RECIBOS  DE  ALUGUEL SUPOSTAMENTE FORJADOS

 
Defendido pelo mesmo advogado de Paulo Roberto Costa, Glaucos da Costamarques virou alvo dos holofotes da mídia desde que disse ao juiz Sergio Moro que nunca recebeu os valores correspondentes a um imóvel alugado à família de Lula, em São Bernardo do Campo. A história, cheia de lacunas, já começava com uma cobertura enviesada por aí: os jornalões abafaram o fato de que Glaucos, meses antes do encontro com Moro, havia dito o contrário(AQUI) à Polícia Federal.

A íntegra de CÍNTIA ALVES, no JORNAL/GGN 
ESTADO DE EXCEÇÃO...

EM ÚLTIMA CARTA, REITOR DA UFSC, MORTO HOJE,  DIZIA-SE ‘PERPLEXO E AMEDRONTADO"

luis_carlos_cancellier_de_olivo.jpg
Cancellier: processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa
Reitor preso, depois solto e afastado da Universidade Federal de Santa Catarina por decisão judicial, Luiz Carlos Cancellier foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira(2) no Shopping Beira-Mar, em Florianópolis. Ele vinha sendo investigado pela operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que apura supostos desvios de recursos em programa de bolsas de ensino à distância no curso de Administração. Detalhe: segundo Cancellier expressa na carta abaixo, as acusações referem-se à gestão anterior à sua, que teve início em maio de 2016, justifiqtiva que, no entanto, não impediu  fosse levado ao complexo penitenciário na semana passada, acusado de obstrução da investigação.  |||  Para pessoas próximas ao reitor, Cancellier seria vítima do Estado de exceção que a Justiça hoje impõe ao país. “Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado. Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere”, afirma Cancellier na carta.
Confira a íntegra da carta: 
"REIDOR EXILADO":                                                                                          
"Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia"         
                                                                                                                        
A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na Universidade. ***  Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”. A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.  ***  Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.  ***  Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.  ***  Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.  ***  De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento".  

Trucidado pelos canalhas da 'convicção'...
"Minha morte foi decretada no dia de minha prisão", diz reitor em bilhete suicida Resultado de imagem para Fotos da prisão do reitor  da UFSC
FERNANDO BRITO, no TIJOLAÇO
No Zero Hora/Diário Catarinense, a notícia de que um bilhete, do qual só um trecho foi revelado, indica a razão do suicídio do reitor da Universidade de Santa Catarina, preso, afastado do cargo e humilhado por supostas irregularidades que, se ocorreram, foram antes de sua gestão, iniciada há apenas um ano.  |||  Diz o jornal que “segundo fonte da Policia Civil, um bilhete foi escrito pelo professor Cancellier,    onde  teria     escrito:  “Minha morte foi decretada no dia de minha prisão“.  |||  A pergunta que as pessoas de bem, agora, devem fazer,  é a que faz o jornalista (como Cancellier foi, antes de tornar-se Doutor em Direito e pesquisador consagrado, com dezenas de publicações):
Quem matou o reitor da UFSC?

QUEM MATOU O REITOR DA UFSC?

                                                                                    Carlos Damião, no Notícias do Dia-SC

No longo depoimento que me concedeu no dia 20 de setembro de 2017, no escritório de seus advogados, o reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Luiz Cancellier, desabafou: “É uma coisa da qual nunca vou me recuperar”.  >>>   Não se referia apenas à Operação 'Ouvidos Moucos', desencadeada pela Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, que apura supostos desvios no programa de bolsas de ensino no curso de Administração à distância.  Mas à forma degradante como foi tratado quando transferido da sede da PF para o Presídio da Agronômica. >>>   “Todos os presos são tratados assim, despidos, constrangidos, com as partes íntimas revistadas. Depois são encaminhados ao pessoal do DEAP (Departamento de Administração Prisional), para serem acomodados nas celas”.  >>>  Pós-doutorado em Direito, respeitado no Brasil e no exterior por suas pesquisas no campo do Direito Administrativo, Cancellier estava desolado por causa da forma como ocorreu sua prisão. Com endereço conhecido, disse que estaria sempre à disposição da Justiça e de qualquer investigador da Polícia Federal, da CGU (Controladoria Geral da União) e do TCU (Tribunal de Contas da União).  >>> Jamais me recusaria a prestar esclarecimentos e colaborar com as investigações, que não abrangiam nossa gestão, mas as anteriores, desde 2006”, observou. Cancellier disse-me naquele dia que contava com o apoio da comunidade acadêmica, dos amigos e dos familiares. “É com a força dessas pessoas que eu vou provar minha inocência”, declarou. Saímos do gabinete dos advogados e fomos para a rua. Oito meses depois que havia parado de fumar voltou a curtir umas baforadas.  >>>  Foi nosso último encontro, fumando dentro do carro, lembrando histórias da nossa juventude, da militância no movimento estudantil, do congresso de reconstrução da UNE, em 1979, do qual participamos como delegados da UFSC.(…)  >>> Quem matou o Reitor, um homem apaixonado pelo trabalho, pelo Direito e pela UFSC?  |||  Reproduzo, também a manifestação indignada de uma referência para os jornalistas cariocas, Nílson Lage, mestre em centenas de nós na UFRJ e que, depois, foi professor da Universidade Federal de Santa Catarina, que Cancellier dirigia:   Eis o motivo pelo qual nenhum homem honrado deve assumir cargos de mando em um país dominado por arrogantes bacharéis plenipotenciários.   Os supostos atos ilícitos aconteceram antes de sua gestão; mas bastou a denúncia de um dedo duro para que a polícia o prendesse com ridículo espalhafato.  A mídia de porta de cadeia, que desdenha da honra dos outros, fez o resto.  Destruída a reputação, suicidou-se por ela. Do ponto de vista da meganhada, pode ser até uma confissão. Para mim, é um grito à consciência desse país refém de justiceiros e malfeitores.  |||  Os canalhas, que não têm honra, não sabem a dor de tê-la ferida. 

ACUSADO POR ‘CONVICÇÃO’ DA PF, REITOR  DA  UFSC  SE  ATIRA  DE SHOPPING EM FLORIPA E MORRE

FERNANDO BRITO, no TIJOLAÇO
O reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier, preso pela Polícia Federal por suposta “obstrução da Justiça” no procedimento interno da Universidade, atirou-se na manhã desta segunda-feira(2) do vão central do Shopping Beiramar, em Florianópolis, com morte instantânea.  |||  Cancellier sequer era reitor na Universidade na época em que ocorreram as alegadas irregularidades no programa “Universidade Aberta do Brasil” , destinado a dar cursos de graduação à distância, sob o argumento de que “poderia constranger professores”.  |||  O ex-senador Nelson Wedekin, que pertenceu a PMDB autêntico e ao PDT, dias atrás protestou contra o ato que, disse, visava “provocar constrangimento e humilhação”, ao reitor, que não tinha qualquer envolvimento no caso investigado. Ele escreveu no Zero Hora "Tanto mais nos aprofundamos sobre a prisão de Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o reitor da UFSC, tanto mais avulta o exagero, a desproporção, e portanto, a injustiça do ato. Diz a Polícia Federal que as prisões temporárias de Cancellier e de outras seis pessoas eram para evitar constrangimento ou assédio a professores e servidores. O argumento foi abraçado com o mesmo sem cuidado pelo Ministério Público e pela juíza que a prisão. >>> Estamos então em que para evitar suposto, possível, hipotético, incerto e duvidoso constrangimento, submeteram Cancellier e mais seis cidadãos a um constrangimento imediato e brutal. Ou uma prisão, do modo como se deu, mesmo sem culpa formada, não é um constrangimento tão profundo que nunca se esquece e apaga?"  |||  O que se apagou foi a vida de Cancellier, jornalista, doutor em Direito , professor, orientador de dúzias de mestrandos jurídicos. Morreu assassinado por (mais) uma “convicção”, uma “cognição sumária”(sem provas, só ilações) da Polícia Federal.
Da série O XADREZ DO GOLPE...
XADREZ   DA MARCHA  DA INSENSATEZ

 
LUIS NASSIF, no JORNAL/GGN 

Cena 1 – o descuido com a segurança política

Há uma enorme dificuldade das instituições brasileiras de interpretar desdobramento da crise e entender cada episódio de corte e e suas consequências.  |||  Na montagem da cúpula do Judiciário e do Ministério Público Federal, foi fatal o descuido dos governos petistas, não entendendo o poder desestabilizador da Justiça e do MPF. A segurança institucional e a estabilidade política deveriam ter sido o foco principal nas escolhas. E, por tal, entenda-se avaliar as pessoas em um quadro de stress elevado.  |||  Como se comportaria, por exemplo, uma Carmen Lúcia em uma situação de stress político? E um Dias Toffoli? E um Rodrigo Janot? Um Luís Roberto Barroso? Um Ayres Brito?  |||  Não se tratava apenas de avaliar o conhecimento jurídico, mas a personalidade, o caráter – mais afirmativo, mais tímido -, a coerência, a propensão ao deslumbramento. Vai-se buscar esse histórico junto aos colegas de faculdade, aos colegas de profissão, aos juristas com quem o governo tenha afinidades políticas.  |||  Houve um descuido monumental. Escolheu-se Joaquim Barbosa pela cor e pelo conhecimento e já se sabia, no próprio MPF, do seu comportamento desequilibrado. Ayres Brito já era conhecido pelo comportamento dúbio na ditadura.  |||  Essa cegueira manteve-se durante todo o governo Dilma. O único procurador que enfrentava Gilmar Mendes de igual para igual, no Tribunal Superior Eleitoral, Eugênio Aragão, foi preterido devido a barganhas políticas com Gilmar Mendes.

Peça 2 – a incapacidade de perceber os momentos de corte

Com essa mediocrização ampla dos Poderes, pelo modelo político em voga, e das instituições, pelas escolhas erradas, o resto é consequência: a incapacidade do poder civil de entender os momentos de corte, os episódios que fariam o país ingressar em novas etapas, degrau a degrau rumo à insensatez.

Momento 1 – o mensalão

Ali estava nítida a aliança mídia-Ministério Público Federal, com este ensaiando os primeiros voos fora dos limites constitucionais. A montagem da narrativa pelo Procurador Geral Antônio Fernando de Souza e pelo ex-Procurador e Ministro do STF Joaquim Barbosa, mantida pelo sucessor Roberto Gurgel em cima de uma falsificação: o tal desvio da Visanet que nunca ocorreu.  |||  De certa forma, o mensalão foi um presente dos deuses, pois teria permitido ao governo entender explicitamente as ameaças contidas na total falta de controle do MPF. Mas o sucesso de Lula no segundo governo passou a ilusão de que seu gênio político sempre encontraria meios de contornar as tentativas de golpe.  |||  Depois primeiro escândalo, que levou ao mensalão, foram indicados para o STF a Ministra Carmen Lúcia (2006), Dias Toffoli (2009), Luiz Fux (2011), Rosa Weber (2011), Teori Zavascki (2012), Luís Roberto Barroso (2013), Luiz Edson Fachin (2015).  |||  Em 2009 Roberto Gurgel foi indicado para PGR. Em 2013, Rodrigo Janot. Nem com os sinais claros de que os PGRs já andavam à reboque da opinião pública e da corporação, cuidou-se de uma estratégia clara ou ao menos da indicação de um PGR sólido. CONSEQUÊNCIA - São esses personagens que se tornam responsáveis por conduzir suas respectivas instituições no período mais turbulento da história recente.

Corte 2 – a prisão de Delcídio do Amaral

Em cima de um grampo armado – possivelmente em uma operação controlada articulada pelo PGR -, com declarações esparsas, o STF endossou a posição de Teori, de mandar prender o senador Delcídio do Amaral. Não apenas isso. Permitiu-se a divulgação de conversas comprometendo Ministros sérios do STJ.   CONSEQUÊNCIA -  Depois que caiu a ficha, o STF se recolheu. Tornou-se personagem passivo do impeachment.

Corte 3 – a condução coercitiva de Lula e o vazamento de conversas familiares

Consequência direta da anterior, esse episódio deflagrou um novo normal, em que a Constituição foi atropelada. Esteve nas mãos do Ministro Teori Zavascki o enquadramento da Lava Jato nos limites legais. Limitou-se a admoestar Sérgio Moro.  CONSEQUÊNCIA - o grupo da Lava Jato de Curitiba ganhou vida própria e passou a se impor sobre a PGR. A partir dali todos os abusos foram tolerados.

Corte 4 – o processo contra Eduardo Cunha

O Ministro Teori segurou por meses e meses a autorização para o processo contra Eduardo Cunha. Segundo alegou para amigos, evitava apresentar ao STF por não ter segurança em conseguir os votos necessários. Afinal, havia uma torcida surda pelo impeachment.  CONSEQUÊNCIA - Esse episódio marcou o ingresso definitivo do Supremo na abulia com que assistiu à consumação do golpe.

Corte 5 – a delação da JBS

Tirou definitivamente a blindagem que a mídia mantinha sobre o PSDB. E escancarou o inacreditável: em pleno exercício do mandato de presidente, Michel Temer indicando um assessor de confiança para receber uma bolada de uma empresa e a principal liderança do golpe negociando propinas em forma de empréstimos.  CONSEQUÊNCIA – Ali enterrou-se definitivamente a era das grandes passeatas. A opinião pública deu-se conta de que fora enganada no impeachment.

Corte 6 – a declaração do general Mourão

Essa soma de fatores leva a crise institucional ao ponto mais grave: as declarações do general Mourão, sem nenhuma reação do Executivo e do Ministro da Defesa.  |||  O Congresso ficou mudo, o Supremo ficou calado, a ponto de nem a Ministra Carmen, nem o Ministro Barroso exercitarem seu hobby predileto: frases de efeito vazias. Restaram as manifestações isoladas do Ministro Marco Aurélio de Mello e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal.  CONSEQUÊNCIA – As Forças Armadas entraram no jogo. Voltarão as vivandeiras dos quartéis. E qualquer candidatura em 2018 terá que beijar a mão e bater continência ao Estado Maior.

Peça 3 - os episódios desmoralizantes

A entrada do fator militar se dá no momento em que há um conjunto de episódios rocambolescos, capazes de ruborizar o analista mais cínico, sem que os poderes consigam apresentar uma resposta adequada.  |||  CASO 'AÉCIO' - a impunidade de Aécio é um fator de desgaste extremo. Depois da filmagem do primo levando dinheiro e da irmã negociando, era caso de renúncia imediata ao posto de senador, independentemente de qualquer iniciativa judicial.  Por aqui, Aécio não renunciou e sequer o PSDB tevê força para tirá-lo do cargo.  A teimosia de Marco Aurélio de Mello - que o devolveu ao Senado como represália pelo fato do STF não ter aceito sua ordem de prisão contra Renan Calheiros - acentuou a impressão de impunidade. E a mídia, com ideia fixa na criminalização de Lula, limitou-se a reportagens episódicas sobre Aécio.  |||  CASO 'GILMAR MENDES' - os sucessivos abusos de Gilmar Mendes com o IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), com sua parcialidade, com seus ataques aos colegas e mesmo a defesa meritória do garantismo comprovam que o arrogante engoliu o esperto. Isso, mais o controle absurdo sobre os sorteios do Supremo - que o fizeram relator dos processos envolvendo justamente os três políticos tucanos mais barras-pesadas - Aécio, José Serra e Cássio Cunha Lima - vão cobrar seu preço. Gilmar valeu-se de um vácuo político e no STF para abusos sem fim. Não tem como essa falta de limites não cobrar seu preço no desgaste inédito do Supremo.

Peça 4 – o curto-circuito dos poderes

Essa disputa Supremo Tribunal Federal x Senado,  STF x STF, Câmara x PGR não leva em conta o básico: a crise atinge todas as instituições. Não se trata mais de disputa de espaço institucional entre instituições representativas do Poder Civil, mas de autofagia de instituições doentes, com a ameaça de um governo autocrático na primeira curva da estrada.  |||  Sobrevindo o vendaval, nenhuma escapará. E o que se vê é a insensibilidade de dançarinos no restaurante do Titanic, instituições em frangalhos, incapazes de administrar sequer os próprios conflitos internos.  |||  EXECUTIVO - não sei o que é mais desmoralizante, se uma chusma de corruptos assumindo o controle do país, ou se a incrível mediocridade dessa turma. A resposta que deram à entrevista de Rubens Ricúpero não merecia estar nem em jornaleco do interior. O assalto continua sendo perpetrado à luz do dia. Cortes em todos os programas e benesses aos deputados, para garantir a manutenção da quadrilha no poder.  |||  SUPREMO - uma disputa de egos entre Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, uma presidente incapaz de um gesto sequer em defesa da Constituição e Ministros derrotados em votações insuflando o Congresso a derrubar as sanções contra Aécio Neves.  |||  MINISTÉRIO PÚBLICO – uma tropa à deriva, dirigida – finalmente – por uma procuradora de larga experiência na área penal e de direitos humanos. Mas com nenhum traquejo para o jogo das intrigas palacianas, entre instituições e na sua própria corporação.  |||  PT – Tenta compensar a falta de iniciativa durante todo o processo do impeachment, com um ativismo extemporâneo. Não aprendeu ainda que republicanismo e bons modos políticos – como a defesa da legalidade no tratamento de um inimigo – não têm lugar à mesa, nesse grande banquete bárbaro. A nota em defesa do Senado ignorou que há um novo agente na praça.  |||  Aí vêm as organizações Globo, grandes por serem espertaa, principais responsáveis pela ascensão da quadrilha de Temer ao poder, e estampam a chamada maliciosa:

Peça 5 – marcha da insensatez

Essa confusão monumental não permite uma visão otimista do futuro.  O caos amplo abre espaço para uma infinidade de possibilidade, nenhuma positiva – a que implicasse em um pacto entre instituições e partidos visando atender às expectativas da opinião pública.  |||  O que se tem é um avanço da maré conservadora e uma aliança que se torna cada vez mais explícita entre a Lava Jato e a ultradireita, insuflando a intervenção militar.  |||  Prova disso é o factoide da carta-arrependimento de Antônio Palocci, com o uso de expressões, como a “peçonha da corrupção” e outras do mesmo gênero, mostrando que os acordos de delação têm um copidesque com bastante afinidade com o linguajar da extrema direita.  |||  Em um momento de bom-senso, o Senado adiou o julgamento da decisão do STF, permitindo a este chegar a alguma solução interna que impeça o transbordamento da crise.  |||  Mas não há nenhuma luz no horizonte próximo. 

domingo, 1 de outubro de 2017

'EL PAÍS'   FAZ  O  QUE    A IMPRENSA DO BRASIL NÃO FAZ: INVESTIGA O 'MBL'

FERNANDO BRITO, no TIJOLAÇO
Duas extensas reportagens no El País, nesse sábado(30), mostram o que os jornais brasileiros – inclusive a Folha de S. Paulo, que abriu suas páginas para Kim Kataguiri pontificar como porta-voz da juventude “coxinha”-  jamais se interessaram em mostrar a seus leitores: o que é o tal Movimento Brasil Livre e os negócios em que ele se envolve.  |||  Descobre-se ali, que ele é, juridicamente, o Movimento Renovação Liberal-MRL(AQUI), registrado “em nome de quatro pessoas, sendo três deles irmãos de uma mesma família: Alexandre, Stephanie e Renan Santos. Este último é um dos coordenadores nacionais do MBL e um dos rostos mais conhecidos do grupo”.  |||  Família que está devendo horrores na praça:  “A família
Resultado de imagem para FotoS dos líderes do MBL
Jovens picaretas do MBL
Santos responde atualmente a 125 processos na Justiça, relativos a negócios que tiveram antes da criação do MRL. O EL PAÍS teve acesso a estes processos. A maioria é relativa à falta de pagamento de dívidas líquidas e certas, débitos fiscais, fraudes em execuções processuais e reclamações trabalhistas. Juntos, acumulam uma cobrança da ordem de 20 milhões de reais, valor que cresce a cada dia em virtude de juros, multas e cobranças de pagamentos atrasados.”  |||  “Democraticamente”, El País revela que “aqueles que são chamados de coordenadores nacionais do MBL, como Kim Kataguiri, Fernando Holiday e o próprio Renan Santos, não foram eleitos por ninguém e jamais poderão ser substituídos em eventual votação dos que supostamente se filiam ao movimento”.  |||  E a filiação não é barata. Na imagem acima reproduz-se o cardápio de tipos de filiação, que vai desde “Agente da Cia” até “Nós somos o 1%”, com mensalidades de R$ 30 a R$ 10 mil por mês(!!!).  |||  E os blogueiros 'sujos', aqui, passando o chapéu, para conseguir bem-vindas contribuições de 10 reais, somos a “militância paga” e suja…  |||  A segunda reportagem(AQUI), sobre a disputa com Alexandre Frota e a família pelo controle da logomarca e do nome “Movimento Brasil Livre”. É, como se percebe, uma disputa “ideológica” que, com certeza, não se dá pela venda de canecas online.  Benditos meninos moralizadores!”.
IBOPE: MAIORIA CONSIDERA
QUE  NÃO  VALEU  A PENA O IMPEACHMENT  DE  DILMA
 

A pesquisa CNI/Ibope mostrou o que todos já sabiam: a popularidade do governo de Michel Temer beira o chão e sua aprovação alcança apenas a margem de erro, ou seja, incríveis 3%. O número confirma uma tendência que vem sendo observada em outras pesquisas, que vêm sendo realizadas ao longo dos meses.  |||  Entretanto, um dado chamou a atenção: a maioria das pessoas (59%) acha o governo Temer pior do que o anterior. Em contrapartida, somente 8% dos entrevistados acham o governo Temer melhor que o anterior. No Nordeste, o percentual da população que acha o governo Temer pior que o anterior chega a 72%, contra apenas 4% que acha Temer melhor. Esses números revelam que a maioria da população hoje rechaça o golpe.                                  
(Com informações d'O Cafezinho)