segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Agora, sim, vamos ser como
os EUA: bang, bang, bang…
petecao

FERNANDO BRITO, no TIJOLAÇO
Já está pronto para ser votado no Senado o projeto que  libera a  comercialização, posse e porte de armas de fogo e munição em todo o país para maiores de 18 anos, com parecer favorável deste aí da foto, um senador apelidado de Sérgio Petecão, que poderá trocar seu nome eleitoral pra  Sérgio Trezoitão.  |||  Os interessados em adquiri-las teriam que comprovar apenas estarem aptos psicologicamente, ter bons antecedentes e demonstrarem capacidade técnica de manuseá-las.  |||  O “apto psicologicamente”, provavelmente, vai ser como estes dos exames psicotécnicos de motorista: só fica reprovado quem não conseguir acertar o sorvete na própria testa três vezes seguidas.  |||  Então, qualquer garoto poderá ter seu 38, prontinho para ser usado na primeira frustração, na primeira 'neura', no primeiro porre ou doideira.  |||  Ah, claro! Se a arma for para defender-se de um assalto na rua, não tem sentido pedir “um instantinho” para ir buscar o trabuco em casa. Portanto, vai andar na cintura ou no porta-luvas, para ser usado na primeira discussão de trânsito, não é?  |||  E na saída da balada, então? Um espetáculo!  |||  Estamos chegando lá nos padrões americanos, sempre pronto para tragédias de loucos atirando em todo mundo, no show, na igreja, na escola….  |||  Ainda falta liberarem as armas automáticas, mas isso fica para quando Bolsonaro cumprir a promessa de dar fuzis para os fazendeiros.  |||  Vamos chegar lá, calma! Não precisa atirar…

Documentos de Tacla 

Duran desmentem 

'Lava Jato'

 MIGUEL DO ROSÁRIO, n'O CAFEZINHO                

No dia 10 de agosto deste ano, um dos procuradores chefes da Lava Jato, o senhor Carlos Fernando dos Santos Lima, publicou o seguinte post no Facebook, ainda mantido em sua página.
Observe bem: Carlos Fernando dos Santos Lima chama um cidadão brasileiro não condenado, vivendo legalmente em outro país, de mentiroso.  Santos afirma, no texto, que o advogado Tacla Duran (Santos põe advogado entre aspas, como forma de atingir moralmente o profissional) “veio ao Ministério Público cheio de mentiras”.   Ora, como ele sabe que são mentiras antes mesmo de investigar? Que tipo de “procurador” é esse que não procura nada, e, sobretudo, não procura a justiça?  |||  Em seguida, Santos Lima, ele sim, diz uma mentira ao afirmar que Tacla Duran foi “rechaçado” pelo Ministério Público.  Documentos vazados do Ministério Público Federal, e publicados com exclusividade pelo Cafezinho, mostram uma outra história. Abaixo, vocês verão o e-mail corporativo do Ministério Público Federal do Paraná, assinado por um dos procuradores da Lava Jato,  Roberson Henrique Pozzobon, encaminhado também aos procuradores da mesma operação, Carlos Fernando Santos Lima e Julio Noronha.  |||  O e-mail era destinado ao doutor Leonardo Pantaleão, advogado de Rodrigo Tacla Duran, oferecendo um acordo a seu cliente. Tal proposta  foi rechaçada por Tacla Duran, não pelo MPF.  E  rechaçado porque, segundo Tacla Duran, era  irregular, pois o acusava de crimes que ele entendia não ter cometido.  |||  Detalhe importante: esse “acordo” foi possível porque, segundo Duran, ele havia sinalizado poder pagar R$ 5 milhões “por fora” ao amigo de Sergio Moro, o doutor Carlos Zucolotto que, possivelmente, repassaria o dinheiro para pessoas de dentro da 'Lava Jato'.

A  morte  do  cachorro  de  Dilma

e a 'Estratégia da Distração'

da  mídia  golpista

LUCIANO REZENDE (*), no VERMELHO

Resultado de imagem para Fotos de Dilma e seu cão labrador
Recordo-me como se fosse hoje. O primeiro operário era eleito presidente da República, representando amplos setores da esquerda e dos movimentos sociais, com enorme repercussão na mídia internacional e a discussão promovida pela imprensa privada brasileira era o plantio de flores vermelhas no jardim do Palácio da Alvorada, em alusão ao PT, cultivadas supostamente a pedido de Marisa Letícia.  |||  Esse debate paisagístico foi literalmente estercado por várias semanas. A grande discussão naqueles primeiros dias de governo, que dividia o Brasil, já pautava de forma maniqueísta se tinha sido certo ou errado plantar flores vermelhas no formato de estrela.  |||  Até Oscar Niemeyer foi procurado pela grande mídia para dar sua opinião. Para o chefe do departamento técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, as modificações eram legais porque os jardins poderiam sofrer acréscimos e modificações. Mas para o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil a iniciativa era um "desrespeito".  |||  A partir daí quantas questões fúteis, irrelevantes e totalmente insignificantes diante do gigantismo de um país continental como o nosso, com imensos problemas estruturais a serem resolvidos, foram alimentados pela grande mídia? Milhares.  |||  Nessa última sexta-feira(10), mais um factoide foi criado com a abertura de investigação policial para apurar a morte de um cachorro de Dilma Rousseff que ocorreu em 2016. Ninguém menos que o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou a abertura do inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte do cão, sacrificado aos 13 anos de idade, vítima de doença degenerativa.  |||  Imediatamente a assessoria de Dilma respondeu: "Como se investigações mais graves não devessem ser apuradas, como a compra de votos para a aprovação do impeachment. É lamentável que isso ocorra no país que virou sinônimo de Estado de Exceção. Aos olhos do mundo, vale tudo para achincalhar a imagem e a honra de Dilma Rousseff".  |||  De fato, é isso. No dia em que trabalhadores promoveram manifestações em todo o país contra a Reforma Trabalhista que retira direitos básicos dos trabalhadores, a morte do cachorro de Dilma em 2016 ganhou mais repercussão.  |||  Essas picuinhas fazem parte daquilo que o filósofo estadunidense, Noam Chomsky, chama de Estratégia da Distração.  Segundo esse autor, a Estratégia da Distração, usada pela classe dominante, através dos seus grandes meios de comunicação privados, é “o elemento primordial que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e informações insignificantes”.  |||  A Estratégia da Distração é, segundo Chomsky, igualmente indispensável “para impedir o público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais. Consiste em manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por termos sem importância real. Manter o público muito ocupado sem nenhum tempo para pensar nas coisas que realmente têm importância”.  |||  Essa estratégia é, de certa forma, já antiga. Pode ser vista ao longo das últimas décadas em vários programas sensacionalistas, sobretudo aqueles que se especializaram em notícias de violência. Mas esse fenômeno adquiriu proporções muito maiores com o advento das redes sociais.  |||  No ápice da crise política que sequestrou o mandato presidencial de Dilma Rousseff, os golpistas em todo o Brasil deliravam em torno das acusações mais inverossímeis possíveis, quase todas elas irrelevantes, tais como o modo como ela falava ou se vestia, discursos citados fora de contexto, o conteúdo de uma conversa telefônica totalmente normal (apesar do vazamento ilegal) com o ex-presidente Lula, entre tantas outras coisas banais.  |||  O tal “conjunto da obra” amplamente citado pelos golpistas, nunca levou em consideração grandes temas relacionados à política industrial, à geopolítica, à soberania nacional, e muito menos ao tão necessário projeto nacional de desenvolvimento.  Essa Estratégia da Distração continua mais forte que nunca e parece contaminar também parte significativa da esquerda brasileira, movimentos sociais e amplos setores do pensamento progressista do Brasil.  |||  Ao invés de adotarmos uma postura proativa e pautarmos o debate em torno de um projeto base de repactuação e de um acordo nacional em prol da retomada do desenvolvimento, da democracia e da distribuição de renda, ficamos na defensiva, reativos a uma pauta conservadora que tenta nos dividir ainda mais.  Precisamos focar nos grandes temas que interessam a nação e ao povo. Não é hora de nos distrairmos em questões menores que, embora tenham importância, na atual quadra política são secundárias. Como diz um velho dito popular, “é preciso engolir sapos”.  |||  Contra a dispersão, o voluntarismo e o espontaneísmo, elementos tão típicos de um público cada vez mais distraído, é preciso resgatarmos valores como a unidade, o trabalho coletivo e a ação consciente.  |||  Portanto, não nos interessa jogar água no moinho da direita conservadora. Candidaturas como a de Lula, Ciro e Manuela D’Ávila devem seguir o leito natural de um rio que deságua na mesma foz e abastece o ideário de lutas do povo brasileiro.  Qualquer desvio nesse curso servirá aos interesses diversionistas dos que hoje assaltam o nosso país.

(*) Luciano Rezende é  diretor de Temas Ecológicos e Ambientais da Fundação Maurício Grabois e  professor na Universidade Federal de Viçosa(MG), campus Florestal.

O desespero da direita
golpista de “mercado” 
com cenários de 2018 
 
EUGÊNIO ARAGÃO, no JORNAL/GGN

A implosão do PSDB com a destituição de Tasso Jereissati deixou a direita golpista, aquela que bajula o “mercado” e outrora se proclamava “liberal”, feito barata tonta. Com o gesto kamikaze de Aécio para salvar a própria pele, o partido paga a conta de sua cumplicidade com os bandidos que assaltaram o poder em 2016 e fica reduzido a um saco de gatos incapaz de se mobilizar como alternativa de poder.  |||  E agora, “mercado”? (aqui entendida a turma do capital financeiro que nunca perde, por mais que custe ao país). Aliar-se ao Sr. Temer foi bom para destruir direitos e criar uma terra arrasada do lado de quem poderia resistir a seu apetite ilimitado por porções orçamentárias de Leão. Mas não é uma alternativa sustentável no médio prazo, dada a impopularidade avassaladora da corja que representa.  |||  A saída para a extrema direita parece ser o caminho natural para garantir a continuidade da irrigação de sua plantação financeira. E Bolsonaro, que pode não entender nada de economia, mas tem fome enorme de poder, logo se apercebe que tem que investir no discurso das “reformas” para confiscar essa bandeira do governo golpista e se estabelecer com alternativa para o “mercado”.  |||  E assim caminhamos.  O “mercado”, que se aliou ao golpe, se junta à extrema direita, para continuar mamando nas tetas do Estado e impedir que Lula volte a reconstruir o consenso social necessário para reequilibrar o cenário político e reconstruir o tecido institucional esgarçado com a destituição da presidenta Dilma Rousseff.  |||  Trata-se de aventura que não deu certo em 1933. Talvez devêssemos aprender com a História e lembrar que a ascensão de Adolf Hitler foi possibilitada apenas pelo apoio do capital financeiro e da grande indústria na Alemanha de Weimar, temerosos com o “perigo” bolchevique.  |||  E deu no que deu. Achavam que iam domesticar o austríaco desvairado e submetê-lo à orientação conservadora de Von Papen. Mas erraram redondamente. Fascistas de raiz não são domesticáveis. Seu ódio fala mais alto que a razão.  |||  Admitir que alguém que chutou em colega parlamentar seu por ser homoafetivo ou que disse a outra colega que não “merecia ser estuprada” definitivamente não tem estatura para ser chefe de estado e chefe de governo. É ledo engano de conservadores de salão achar que Bolsonaro se civiliza com um cursinho Socila. Sua eleição significa rompimento com todos os marcos civilizatórios e nos projetará no mais abjeto do fascismo troglodita, com a negação do sentimento de empatia e de solidariedade social.  |||  Namorar politicamente com Bolsonaro é sinal de completa deformação moral e de ruptura com os valores democráticos. Seu patriotismo de papel é, em verdade, o discurso oco de um homem sem programa e com desejo, apenas, de estabelecer o totalitarismo fascista entre nós.    |||  Fica o recado: quem com ele acredita poder se aliar para impedir Lula estará assinando seu testamento de traidor da sociedade e da democracia e, no futuro, se excluirá de qualquer composição civilizada para reconstruir o Brasil.

domingo, 12 de novembro de 2017

À procura de
um  feitor

A manchete da Folha de S. Paulo, neste domingo(12), dizendo que o “Mercado flerta (AQUI)com agenda reformista de Bolsonaro” e  o vê como alternativa “palatável” a Lula, é uma tragédia. Para o jornalismo e para o país.  Bolsonaro não é, ainda, o “candidato do mercado”. Apenas – e incrivelmente – poderá ser.  |||  O “mercado” de quem fala a reportagem, abertamente, só tem um nome: Gerald Brant, identificado como 'banqueiro', na verdade, “analista de investimentos alternativos” – CAIA, na sigla em inglês, de Chartered Alternative Investment Analyst – de uma empresa de investimentos sediada em Nova York que, com o Brasil, tem como única ligação dois fundos – um de ações (“private equity”) e outro cambial (“hedge”).  Os outros  “mercadistas” ouvidos admitem, muito reticentes, que Bolsonaro é, de fato, “menos ruim” que Lula.  |||  Termina aí a tragédia jornalística, a de apresentar Bolsonaro como alguém com quem o “mercado flerta”, o que não corresponde à realidade, e começa a tragédia do país: o “mercado”, de fato, prefere qualquer coisa que se oponha a Lula, até um brucutu desequilibrado que, depois de açular matilhas de seguidores e protagonizar cenas insólitas, veste a conveniente fantasia de “reformista”, que a reportagem chama de “agenda”.  |||  O curioso é que “o mercado” ganhou – e ganhou muito – nos governos de Lula.  Não lhes basta, porém.  Querem a completa dilapidação do país, de suas riquezas e a subjugação completa de seu povo.  |||  Não procuram um líder, alguém com visão de Estado, com projetos para o país.  Buscam um feitor, nem que use a força, com o auxílio de milícias, para criar um governo que reúna fundamentalistas e estabeleça o controle da nação pela força, pois pela política Michel Temer não lhes deu.  |||  Essa  camada de “operadores” não tem, como os “capitães de indústria” do passado, nem sequer a ideia de construção de riqueza, muito menos a de sua distribuição, o que aqueles também não tinham.  O negócio deles é o saque: pegar e sair logo que possível.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Nem um passo atrás: queiram ou não, Marx sempre esteve no ideário da luta pela emancipação dos trabalhadores

  

FERNANDO HORTA(*),  no JORNAL/GGN

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 Karl   Marx(direita)   e  Friedrich  Engels,
 maiores pensadores da luta do proletariado
Esta semana me chegou às mãos a manifestação de uma professora argumentando que “as questões de gênero NÃO foram postas pelo comunismo e não foram centrais em NENHUM país que se disse socialista ou em grupos de esquerda. Esta é uma problemática trazida pelas mulheres, inclusive em crítica ao marxismo.”   |||  Na semana passada um líder trabalhista afirmava que “o direito do trabalho, visto pelos trabalhistas, nada tem a ver com marxismo ou comunismo. Estamos bem longe desta gente (sic). Nossa discussão é pacífica, bem-intencionada e em defesa dos direitos do trabalhador”. Ainda, numa conversa com um membro do movimento negro, ele me afirmou: “O que eu sinto por ser negro nada tem a ver com classe ou discussão econômica. É outro lance. É uma coisa que nenhum proletário nunca vai saber e é por isto que não aceito proletário branco metendo colher na luta negra.”  |||  Não vou entrar no mérito de cada uma das abordagens porque elas contêm inúmeros erros empíricos e argumentos tautológicos. O ponto central é que todas essas manifestações – apesar de eu acreditar que foram feitas por pessoas muito engajadas – fortalecem os sistemas ideológicos que hoje estão comandando a guinada para a direita em todo mundo. No fundo, este neoidentitarismo radical, além de uma ferramenta usada pela direita liberal, ainda flerta com princípios autoritários evidentes. Essas pessoas – mesmo que sem saber – contribuem para fortalecer a opressão contra si mesmas e em nada fortalecem as lutas emancipatórias, apesar de piamente acreditarem que sim.  |||  Mesmo que se discuta qual o caráter do século XXI, o trabalho ainda não deixou de ser ponto central da formação dos indivíduos e das sociedades. Não é o capitalismo, a tecnologia, os robôs, o “sistema” ou qualquer outro conceito intermediário que queiramos aqui colocar que produz algo. Continua sendo o ser humano e sua força de trabalho que impulsiona todo o resto.  |||   Para a imensa maioria das pessoas, “não existe almoço grátis”. E essa frase, repetida por Milton Friedmann(pai do neoliberalismo), esconde o fato de que para algumas pessoas não só existe almoço grátis, como também sapato, roupa, carro, viagens, estudo  etc, já que nada disso vem de sua força de trabalho. Significa que, em pleno século XXI, com todas as críticas feitas ao marxismo, continuamos às voltas com a centralidade social e econômica do trabalho e com a questão da desigualdade cada vez mais preponderante.  |||  A realidade diária da imensa maioria das pessoas no planeta continua sendo alvo de toda a crítica marxista. O marxismo não está defasado nem nunca “saiu de moda”. Até porque “moda” é uma ideia superestrutural que visa à dominação de classe.  |||  Se a realidade do século XX, e também do século XXI, não colocou a crítica marxista de lado, como e por quê as pessoas hoje estão fugindo do marxismo? Não é segredo para ninguém a imensa campanha ocidental levada a cabo contra o marxismo durante o século XX. A demonização da URSS, a aproximação, por retórica, das figuras de Hitler e Stalin, a perseguição aos partidos comunistas em todo o mundo, a dissolução dos sindicatos e movimentos sociais de massa foram todos objetivos levados a cabo através de massivos investimentos em propaganda (e controle social físico) pelo mundo todo.  |||  A construção dessa narrativa – que em sua essência visa a escamotear a ideia de que todos nós somos TRABALHADORES – levou anos para ser consolidada, consumindo muitos bilhões de dólares. Ela começa nos EUA logo após a Segunda Guerra, com um programa imenso de financiamento do governo norte-americano para colocar “uma televisão em cada lar americano”. Em seguida vieram os “noticiários noturnos diários” e a partir daí toda sorte de ardis políticos, sociológicos, de marketing  para afastar as massas daquelas ideias que lhes davam uma identidade e uma razão de luta.  |||   No Brasil, por exemplo, criou-se todo um conjunto léxico para afastar a crítica marxista. Na década de 90, trabalhador virou “colaborador”, precarização do trabalho virou “flexibilização trabalhista”, desemprego virou “capacidade produtiva não empregada”, sindicatos viraram “vagabundos” e povo simplesmente não existe mais.  |||  Agora, temos as feministas, divididas por cor e por “local da fala”, os negros, as populações LGBTTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), os “acadêmicos”, os “profissionais liberais”, funcionários do Estado, e assim por diante.  Todos separados. Todos supostamente com “pautas próprias”. E todos sendo confrontados diariamente em todas e quaisquer pautas separadamente.  |||  Presenciei mulheres negras negando legitimidade a mulheres brancas por falta de “lugar da fala”. Presenciei líderes sindicais se recusando a ouvir acadêmicos de esquerda porque, segundo os sindicalistas, estes últimos “não trabalham”. Negros e brancos pobres discutindo quem é mais explorado e quem tem mais direito de se sentir “por baixo”. Nestas condições, não sei se todos esses grupos notaram, mas cada vez está pior ser mulher, negro, homossexual, trabalhador etc,  não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Estas discussões não agregaram nada na luta de emancipação primordial que é aquele pelo sustento diário. Não há discussão sobre direitos de ninguém enquanto se morre de fome.  |||  As linhas fascistas de argumentação afastaram os grupos marginalizados pelo capitalismo dizendo-lhes que não são 'marginalizados' pelo capitalismo. E enfrenta cada um desses grupos em separado. Não se consegue obter um efeito sinérgico de todas as lutas. Todos somos vencidos, cada grupo em seu “espaço de fala”. A mixórdia feita pelos fascistas apenas coloca o bloco político da direita coeso contra migalhas de pessoas distribuídas no espectro de luta. Se você reparar, são sempre as mesmas pessoas, entoando as mesmas rezas e cânticos que agridem Butler, que votam pela criminalização do aborto, que defendem o policial que mata negros, que são contra os sindicatos e os funcionários públicos e  defendem o “Escola sem Partido”. São sempre os mesmos. Sempre a mesma 'curriola'.  |||  Agora, para fugirem dos ataques dos grupos fascistas, as pessoas fogem do marxismo “denunciando” o que acreditam serem fraquezas ou incongruências de Marx.  Como já antes fizeram negando que são “trabalhadores”, depois denunciando os “vândalos” em manifestações, em seguida dizendo que as “discussões de classe” estão ultrapassadas. É o mesmo processo didático que tem nos levado a constantes derrotas. O caminho não é se afastar de Marx, mas tomar a Revolução para si. Se teve uma vitória inegável de Marx sobre Hegel foi o fato de o primeiro mostrar claramente que não existe um “ser” distanciado de sua condição de subsistência.  |||  Enquanto não houver igualdade material, toda e qualquer outra forma de igualdade é transitória e irreal. Enquanto não houver trabalho, terra e pão para todos os que precisam, “liberdade”, “identidade”, “subjetivação” são como o glacê em um bolo inexistente. É preciso retomar a unidade de ação, é preciso compreender que aquilo que nos une hoje é muito mais importante do que o que nos separa. Nenhuma vitória de pautas identitárias sobreviveu a qualquer crise econômica. Beauvoir avisava isto para as mulheres. Luther King, Gandhi e Nasser levaram a mesma ideia aos seus movimentos.  |||  É verdade que a população negra é a que mais morre em ataques da polícia e com o maior número de encarceramentos sancionados pelo Judiciário. É verdade que a população LGBTTT é a que mais sofre violências invisíveis, chacinas não contadas e preconceito “natural”. É verdade que as mulheres são o grupo mais atacado e desrespeitado em toda a história da humanidade. Pode ser verdade que um trabalhador branco sofra menos que uma trabalhadora negra. Mas essa discussão, sobre quem está mais abaixo da linha da humanidade, em nada contribui  para a sua emancipação. Só há uma categoria que une a todos nós no mesmo lado da luta. Somos todos trabalhadores. Somos todos proletários.  |||  Ser proletário não me desconstrói. Ser proletário não me diminui. Ser proletário não me torna invisível. Muito pelo contrário, é através da luta material do proletariado, dos trabalhadores, que se vai obter espaço para que os embates
identitários ganhem força e visibilidade. Foi assim em todas as revoluções de esquerda. E só nelas. A História está ao nosso lado.

(*) Fernando Horta é jornalista,  historiador e doutorando na Universidade de Brasília.
Requião   acusa   Moro,   'Lava  Jato',  Justiça  'et caterva'  por  desmonte  e  entrega   do  país,  às  multinacionais

Assista ao arrasador discursodo senador paranaense, esta semana, em Brasília. São 28 minutos de contundente (e imperdível) libelo contra os bandidos no poder e seus comparsas de toga chancelados pela mídia, Globo à frente - REPASSEM AOS AMIGOS...


A briga de foice do PSDB

tem  ainda  muita  coisa

tenebrosa  no  escuro

  briga tucana

FERNANDO BRITO, no TIJOLAÇO

A crise no PSDB é uma briga de foice em que muita coisa é  mantida no escuro.  A reação de Doria a favor de Aécio e a de Geraldo Alckmin, contra, mostrou que não existe a trégua entre ambos.  |||  O evidente alinhamento a Temer da ala aecista deixa claro que se quer, no mínimo, uma aliança com Temer, senão a possibilidade de dar-lhe um candidato.  |||  Alckmin quer uma candidatura “independente”, mas que não    se acanhe
a em receber o apoio temerista.  Fernando Henrique quer uma aliança pragmática, com um candidato novo, da Globo. Vê com bons olhos  a aventura Huck.  Como com Collor, acredita que um tucano na Economia “fará o serviço”.  Serra é um coringa. Topa qualquer parada, se isso lhe der projeção.  |||  A convenção tucana, daqui a um mês, seria, em tese, favorável a Tasso, se o voto dos delegados paulistas fosse unânime.  Mas está longe de ser, mesmo com a composição que se alcançou por lá.  Há votos alquimistas, doristas, serristas e fernandistasEm princípio, nessa ordem.  |||  A tucanésima Vera Magalhães, no Estadão, reduz a palavras o estiolamento do PSDB:  "Sem se preocupar em apresentar uma agenda ao país, envolto em sua eterna indecisão hamletiana sobre ser ou não ser governo e usado como bunker por um presidente mais preocupado em manter o foro privilegiado que com a reputação da sigla que comanda, o PSDB pode deixar de ser, em 2018, uma alternativa de poder. Mesmo tendo, hoje, os dois nomes mais aceitos pelo “establishment” para a sucessão de Temer. E toda essa pororoca de infortúnios, diferentemente das do PT e do PMDB, foi autoimposta. Os tucanos agem como adoradores de Jim Jones."  |||  O PSDB histórico acabou-se com Aécio-2014, que o tornou o PSDB histérico e golpista.

A história da ex-contadora

de Youssef que complica a

Lava Jato em Curitiba

Vídeo mostra que delegado Anselmo prometeu imunidade processual  à ex-contadora de Youssef, Meire Poza, e depois voltou atrás.    Mas somente  após a  Lava Jato  ser investigada pelo ex-ministro Eugênio Aragão e Meire começar a revelar os bastidores da atuação da equipe de Dallagnol ao MPF em São Paulo...


 

Passou batido na grande mídia, mas nesta semana o juiz Sergio Moro ouviu o depoimento do delegado que presidiu os primeiros inquéritos da Lava Jato em Curitiba, Marcio Anselmo. O vídeo, divulgado pelo canal do Estadão no Youtube, mostra o delegado sendo questionado por ter prometido imunidade processual à ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza. E o descumprimento da promessa esconde mais um potencial escândalo envolvendo a força-tarefa de Curitiba e as raízes de toda a operação.

A íntegra de  CÍNTIA ALVES, no JORNAL/GGN.


Confira programação de hoje 

no protesto nacional contra 

reformas de Temer 

Trabalhadores de diversos estados se mobilizam nesta sexta-feira (10) contra a "reforma" trabalhista, que entra em vigor no dia seguinte, e contra a PEC da Previdência...
centrais
Unidas, oito centrais sindicais convocam os trabalhadores para manifestações por todo o país, nesta sexta-feira (10), contra a "reforma" trabalhista do governo Temer e contra a reforma da Previdência (PEC 287), entre outros projetos que ameaçam direitos. Os protestos ocorrerão na véspera da entrada em vigor das novas regras para o mercado de trabalho (Lei 13.467).  |||  Em São Paulo, as atividades do Dia Nacional de Mobilização estão previstas para as 9h30, na Praça da Sé, no centro da capital. O secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, alerta que a nova legislação trabalhista não vai estimular a criação de postos de trabalho e ainda vai precarizar os existentes. 
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