segunda-feira, 3 de abril de 2023

Regulação das mídias não é censura, como  alardeiam os veículos empedernidos e golpistas

                  

Os  grupos   sociais    identificam-se,  via  de  regra,    com    uma  diversidade    de   opiniões  contrapostas no âmbito restrito de sua interação intramuros.

Historicamente, no cenário de propagação das ideias, há uma capilaridade corporativa de maior amplitude, caso dos conglomerados de comunicação que impõem, através de renovadas ferramentas midiáticas, notícias e imagens  para construir estereótipos universalizados de opinião nos diferentes estamentos sociais.

Por óbvio, as mensagens dos grandes grupos midiáticos, aqui e mundo afora, são estrategicamente formuladas à luz de seus interesses políticos e socioeconômicos, ao arrepio das expectativas de majoritários segmentos da população.

São informações de ‘marketing’(convencimento), destinadas a despertar, em meio a carências de toda ordem, a sensibilidade e subsequente adesão dos receptores a produtos mercadológicos ou padrões comportamentais.

Dois terços do território brasileiro são alcançados por proeminentes empresas de comunicação televisiva (Globo, Record, SBT e Band à frente,) com subsídio e parceria de afiliadas regionais, um poderoso oligopólio a produzir ‘verdades’ que induzem o procedimento massivo de 160 milhões.


Os conteúdos e a difusão das grandes empresas de comunicação direcionam-se prioritariamente às regiões Sudeste e Sul, com produções mais elaboradas, embora transmitidas em rede nacional,  todavia inacessíveis aos mercados dos grotões, de baixo poder aquisitivo,  onde só operam com o trivial da TV aberta.

A repercussão de mídias antidemocráticas, pulverizada nas ‘fake news’ pelo aparato das redes de internet e emissoras tradicionais, está nas urnas eletrônicas, que conferiram a vitoriosa votação de Bolsonaro em 2018, só embarreirada ano passado, no ‘photoshop’, pelo decisivo desempenho eleitoral de Lula no Nordeste.


Regular os meios de comunicação eletrônica, em todos os formatos, é tarefa fundamental à construção de nosso protagonismo sociopolítico, com práticas civilizatórias e democráticas faz tempo consolidadas mundo afora.

Essa regulação, aqui reclamada, não pode, entretanto, servir de anteparo a  exceções institucionais, ainda que amparadas em regramentos jurídicos, a configurarem censura à livre manifestação de pensamento consentânea com as Democracias.

A par do universo cibernético em que navega nosso cotidiano, compete-nos amplo debate para estabelecer o equilíbrio de poder, outorgando à sociedade o direito de gerir, soberanamente,  os rumos de suas expectativas e convicções, inclusive com espaços proporcionalmente justos à democrática inclusão das minorias.

(AMgóes)

 

terça-feira, 7 de março de 2023

 

Fardados, suposta ‘casta’ social acima da maioria à paisana

'Sociedade militar'.  Onde? Qual parágrafo, inciso ou item de rodapé da Constituição Federal estabelece a existência de tal segmento corporativo extralimites da SOCIEDADE CIVIL?

Quando possível, com recomendável brevidade, a pertinência de um plebiscito a fim  de a sociedade brasileira(civil, única e indivisível) definir o perfil de 'forças armadas' coerente com nossa perspectiva de Estado soberano, na profilaxia do farseco e multissecular  ranço genético herdado dos CAPITÃES DO MATO do Brasil-Colônia.

PATRIOTISMO não é 'reserva de mercado' dos militares que, ironicamente, mantêm um (nada dissimulado) flerte histórico com a famigerada teoria econômica da DEPENDÊNCIA brasileira ao 'big brother' do hemisfério norte, por sinal inserida, anos 1990, no debate acadêmico pelo sociólogo, então presidente, FHC .

Não à toa um general do Exército, Juracy Magalhães, nosso embaixador em Washington no pós-golpe de 1964, pronunciou frase tristemente sabuja para reiterar  incondicional  alinhamento brasileiro aos interesses geopolíticos da Casa Branca: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". 

Diversamente do disseminado vida afora por seus lenientes áulicos de plantão, os militares não constituem um 'poder'. Conforme as regras constitucionais, integram um compartimento subalterno ao supremo comando do presidente da República, como ademais ocorre nos quadrantes do planeta, responsável pela defesa de nossa integridade e soberania nacional . Ponto. O resto é exclusiva competência dos paisanos. 

(AMgóes)

domingo, 19 de fevereiro de 2023

IBAMA:  mais de  R$ 1,5 bilhão  em  multas virtualmente prescritas,  por desmatamento  na Amazônia

Reportagem  de Luís Fernando Toledo e Allan de Abreu, de 15 do corrente, publicada na revista PIAUÍ (AQUI),  sintetiza a inação de nossos órgãos ambientais, à mercê da criminosa leniência oficial que estimula o primado da mais desatada corrupção de servidores, incluída nessa esteira de permissividades  a cumplicidade policial e judicial. 
Uma diversidade de fatores contribui, desde a segunda metade da década passada , para a prescrição de dezenas de milhares de multas(mais de 65 mil) por queimadas, em desmatamentos ilegais, cujo valor atualizado chegaria a casa de R$ 1,5 bilhão, à frente  Amazonas, Pará e Mato Grosso.
A partir de 2016, sob Michel Temer, por conta do golpe que alijou do Planalto a presidenta Dilma Rousseff, e a sequência mais trágica com  Jair  Bolsonaro, foram desmontados os mecanismos punitivos contra agressões à natureza e as estatísticas confirmam, dia a dia, o nível incoercível da impunidade institucionalizada.

Milhares de processos amontoados em contêineres, sem procedimento de digitalização, deterioram-se com a ação do tempo e, o mais grave, prescrevem, sem que os destruidores do meio ambiente sejam  alcançados pelo braço da lei (Imagens da revista Piauí).

(AMgóes)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Bolsonaro e a 'engenharia' do golpe


Odilon Rios, jornalista, de Maceió, no Facebook

Sabíamos que Bolsonaro queria um golpe mas dificilmente alguém imaginaria o tamanho da aparelhagem, hoje sendo desmontada pelo governo Lula:
- Gente treinada para matar e morrer;
- Dinheiro de empresas;
- Vassalagem do Ministério da Justiça.
- Transporte e estrutura para sobrevivência de (muita) gente.
Tudo isso exige muita coisa. Principalmente dinheiro público.
O ex-ministro Anderson Torres está nos Estados Unidos atuando como informante de Bolsonaro. Torres sabe quem é quem e não viajou à toa. Não quer cair sozinho.
Não por acaso bolsonaristas falantes como Bia Kicis estão em silêncio. O Eduardo Bolsonaro correu para o Arthur Lira. Há políticos alagoanos calados. Estão preocupados, é lógico.
Ou Lula e Alexandre de Moraes continuam a desvendar toda esta sujeira ou haverá uma anistia que só interessa aos criminosos. A ditadura perdoou hipocritamente os assassinos e torturadores. Hoje, os filhotes deles destruíram prédios como o do STF.
E não usaram apenas um cabo e um soldado.                                                                        

domingo, 8 de janeiro de 2023

SEM ANISTIA para genocidas, golpistas e nazifascistas que destruiram o país

O regime autoritário instaurado em 1964 já estava podre e nauseabundo 20 anos depois, quando emergiu das cinzas o grito de amplos segmentos sociais por 'diretas já', até mesmo os originariamente beneficiários do golpe militar.  Frustramo-nos, porque  a emenda das 'diretas' não vingou no Congresso com maioria ainda acumpliciada aos generais.   ///   A ruptura do Estado de Direito, sob incondicional apoio de nossa embolorada classe dominante,  fora consumada sob a falaciosa justificativa de nos 'salvar'  da implantação de uma 'república comuno-sindicalista', na realidade (traumática) interrupção de incipiente projeto pró-inserção do  Brasil no rol do mundo desenvolvido, através das 'Reformas de Base'  preconizadas pelo governo nacionalista de João  Goulart.   ///   A quadra planetária bipolar da segunda metade do século passado,  conhecida por 'guerra fria' entre Estados Unidos e União Soviética,  deflagrou uma disputa entre visões globais diametralmente opostas, de fluidos maniqueistas determinantes dos 'bons'(por óbvio, o poder transnacional  liderado pelos norte-americanos, com seu 'puxadinho' europeu, a OTAN) e os 'maus', identificados nos processos revolucionários, disseminados no leste europeu, Ásia e (extremo acinte, imagine!) a então recente insurreição cubana, para socializar as economias nacionais.  ///  O golpe brasileiro de 1964, subsidiado por Washington, abortou nossa utópica expectativa de superação das crônicas desigualdades, aqui instauradas nos marcos remotos das capitanias hereditárias, de viés predatório e excludente em relação ao  seviciado andar de baixo,  nas relações de produção capitalista.  ///   O hiato experimental de 13 anos, nos governos de Lula e Dilma, conquanto tenha suscitado inédito crescimento de nosso mercado interno, com elevada ressonância no exterior, além de agregar  expressiva massa de excluídos ao bolo da riqueza nacional, fez disparar a facciosa reação dos endinheirados, figadais inimigos do equânime acesso de toda a população a uma decente qualidade de vida, daí a iniquidade do 'impeachment' da presidenta Dilma Rousseff, dissociado de base constitucional, e da condenação e prisão de Lula por demandas judiciais fundadas no criminoso objetivo de afastar da cena política o consagrado líder popular e  mundialmente reverenciado estadista brasileiro, construído nos embates sindicais do chão da fábrica.  ///  Eleito Bolsonaro presidente em 2018, um ex-milico fascistoide e sociopata, através de colossal estrutura de escabrosas mentiras nas redes sociais, nossas elites, contumazes manipuladoras de visceral ortodoxia segregacionista,  assistiram à diluição das potencialidades brasileiras, motivo de nosso rebaixamento à vergonhosa condição de párias internacionais.  ///   Mesmo a par da tragédia pandêmica, consequência dos desatinos de uma organização genocida  no Executivo federal, bem assim de nosso esfacelamento econômico, com leniência das Forças Armadas, os ricos brasileiros ainda se dividiram na opção eleitoral de 2022 e parte deles, sem a reeleição de seu famigerado presidente, ainda insiste em financiar  inocentes inúteis envolvidos com patéticos arreganhos por 'intervenção militar'.   ///   Empossado Lula-3, com a insólita tarefa de complicada reconstrução nacional,  compete-nos, aqui da base, vigorosa resistência ao deletério 'jeitinho brasileiro', que livrou a cara dos facínoras do último e longevo período ditatorial: SEM ANISTIA para Bolsonaro e sequazes,  paisanos e fardados!   ///   À memória dos 700 mil abatidos pela Covid19,  se constasse de nossas regras penais, seria justo que fossem  levados ao 'paredón', com o valor dos projéteis do justiçamento a débito das respectivas parentelas (aliás, meu voto seria pelo 'garrote vil', à moda do espanhol Francisco Franco, um dos 'gurus' de todos eles).   ///   E não me venham com brasílicos purismos porque já deletei qualquer resquício de beatitude e temperança. Afinal, cadeia será um prêmio de loteria para esses bandidos lesa-pátria...

(AMgóes)

 

sábado, 7 de janeiro de 2023

Escolas 'cívico-militares': urge desmontá-las 

      

Uma das prioritárias medidas profiláticas do novo governo na área educacional deve ser o desmonte do projeto que, a partir de 2019, passou a instalar no país as ditas escolas 'cívico-militares'.

Esse descalabro introduzido no ensino, por óbvio, à margem de um  debate em amplos segmentos da sociedade brasileira, teve por objetivo semear a falácia de que os colégios militares são 'únicos' de excelência na rede pública e, dessa forma,  constituem referência para os demais.

Daí a instituição do PECIM-Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, sob orientação e monitoramento de militares da reserva, aquinhoados com um 'puxadinho' remuneratório aos soldos previdenciários que recebem integrais, sem os decréscimos delimitados às pensões(via de regra, iníquas) dos comuns paisanos aposentados.

Aos professores e outros profissionais(civis) da Educação, a quem é exigida especialização acadêmica, até em nível de pós-doutorado, a depender das específicas obrigações magisteriais e gerenciais, a responsabilidade de se            circunscreverem ao manual das instruções didático-pedagógicas, ditas 'morais e cívicas', do ciclo Fundamental ao Médio.

Objetivo? 'Melhorar' o processo de ensino e aprendizagem nas escolas públicas, com base no 'alto nível' dos colégios  do Exército, das Polícias e dos Corpos de Bombeiros militares, em consonância com prefeituras e governos estaduais.

Cabe aos militares de pijama, na função de bedéis(censores, disciplinadores) tocar projetos educativos extraclasse e a busca 'ativa' dos alunos sob rigores indissociáveis da rotina da caserna.

Numa quadra em que nos atemos à premente necessidade de saber, via soberana decisão plebicitária,  que tipo de Forças Armadas nos interessa construir, na contramão do ranço de sua formação histórica, herdada dos ancestrais  'capitães do mato' do Brasil-Colônia, cabe-nos extirpar, com a devida urgência, esse deletério arcabouço destinado a inocular, em corações e mentes de nossa juventude, o ideário fascista novamente a emergir no planeta.

O programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, introduzido no finado (des)governo Bolsonaro,  integra a capilaridade do mais nefando autoritarismo, advindo do golpe de 1964, retomado em 2016, com chancela das urnas em 2018.

Mais uma ideia 'fake' de proeficiência que nos compete riscar do mapa com a premência de tempo recomendada para restauração das ansiadas premissas do Estado democrático de Direito. 

(AMgóes)

sábado, 24 de setembro de 2022

  
               PELO MUNDO
Neste sábado(24) - AO VIVO
17h00 no Brasil, 21h00 em Portugal   
com Antônio Júnior e Antônio Manoel Góes
Acesse PB DESPORTO no Youtube


domingo, 6 de março de 2022

 "Vô, por quem você está torcendo,  Ucrânia ou Rússia?"

         

Já cheguei aos 79, a caminho dos 80 no fim do ano. Por volta dos meus sete ou oito(faz algum tempo...), no antigo curso primário, fim da década de 1940, em minha cidade natal, Penedo/AL, multissecular ribeirinha próxima à foz do São Francisco, era um dos tantos alunos infantes a cantar um hino de ‘exaltação à Pátria’,  na formatura matinal que iniciava o dia letivo do Grupo Escolar ‘Gabino Besouro’.

Meninos e meninas perfilados, vestidos de branco e azul marinho, mão direita colada ao peito, naquela diuturna e inocente manifestação de patriótico amor febril. “Deus salve, América, terra de amor /  Verdes mares, florestas, lindos campos abertos em flor! / Berço amigo, da esperança, da bonança, o altar / Deus salve, América / meu céu, meu lar...”

Por volta dos 15 anos, entre 1957 e 58, descobri, por acaso, que ‘Deus salve América’ era uma versão sabuja do compositor João de Barro, na voz de Chico Alves,  do original ‘God bless America’, de Irving Berlin, notável  compositor de origem russo-judaica, naturalizado norte-americano, vocalizado por famosos do ‘hit parade’ como Bing Crosby, Ray Charles e Frank Sinatra.

Contextualizemos o ‘Deus salve América’ tupiniquim. Gravado em disco Odeon, 78 rotações, lançado em junho de 1945, fim da Segunda Guerra Mundial, nos estertores ditatoriais do Estado Novo que, por pressão 'yankee' do governo Roosevelt, remetera brasileiros para 'combater' na Itália as tropas da Alemanha nazista, depois da derrocada do fascismo de Benito Mussolini. Em troca, ‘ganhamos’(assimn mesmo, entre aspas) a Siderúrgica de Volta Redonda, onde passamos a produzir aço para suprir o mercado estadunidense, uma ‘comoditie’, convenhamos, negociada na Bolsa de Nova York a preço vil.

Naquela segunda metade dos anos 1940, curtíamos revistas infantis em quadrinhos, de infames legendas adaptadas para o Português, tipo ‘Reco-Reco, Bolão e Azeitona’, o avaro ‘Tio Patinhas’, o mau-caráter ‘Pato Donald’, Mickey e Minnie,  simpático casal de  ratinhos que jamais casou nem procriou, além dos ‘gibis’ infanto-juvenis, revistas originárias das ‘tirinhas’ em quadrinhos importadas pelo jornal O Globo a partir dos anos 1930, com personagens e ‘heróis’, de Tarzan criado por macacos na selva africana,do faroeste  de Tom Mix e Buck Jones até as aventuras interplanetárias de Flash Gordon, bem assim Capitão Marvel, Superman, Fantasma a povoar nosso imaginário de aventuras, criados em pranchetas norte-americanas.

Gerações de brasileiros, antes da minha e até nossos dias, formadas sob a visão semiótica da indústria cultural dos ‘States’, contagiadas pelo  cinema e depois pela TV, para cujas telas migraram, em carne e osso, os badalados mocinhos(e os bandidos também) nascidos em produções gráficas impressas, hoje em dia, com diferentes cenários e enredos, incrementados na internet.

Promovo esta volta no tempo para asseverar que permanecemos figadais consumidores dos superpoderosos e fictícios protagonistas do ‘show-bussines’ de Hollywood, com estereótipos clonados da cruenta vida real de conflitos fratricidas mundo afora, que alimentam, com insaciável voracidade, a dantesca indústria bélica dos Estados Unidos, sustentada por colossais instrumentos de hostilidades humanas, como a famigerada OTAN, para manter aquecida a ‘Guerra Fria’, ciclo que todos  conhecemos como da linha divisória do planeta, no pós-guerra contra o derrotado nazifascismo, entre o lado dos ‘bons, defensores da liberdade e da democracia’, e dos ‘maus, comunistas ateus, até hoje  comedores de criancinhas, cortadores de padres em picadinho e furadores, com alfinete, de hóstias consagradas, para que escorresse o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, como ensinou nosso orientador espiritual, na Cruzada Eucarística Infantil, da Catedral de Penedo, o ainda diácono, depois padre, Aldo de Melo Brandão. E eu nem tinha idéia de que meu irmão-paterno, André Papini Góes, era um comunista, à época cassado, com seu Partido, da  cena política brasileira pelo governo do general Dutra, um serviçal mequetrefe do Império do Norte. E corri o risco até de ser precocemente excomungado por conta de minha relação consanguínea. Não há, porém, histórico sobre suposto cardápio canibalesco de comunistas onde quer que seja, a oferecer criancinhas ao molho de vinagrete e picadinho de padre à cabidela.

A guerra de propaganda anticomunista, disseminada mundo afora para desfavorecer a Revolução de 1917, que levou o proletariado da Rússia ao poder, uma alternativa socioeconômica inaceitável para o  até hoje vigente e embolorado sistema  capitalista de oligarquias dominantes.

André Papini Góes, inveterado humanista, defensor de um mundo menos desigual, jornalista e advogado de trabalhadores alagoanos, explorados nas plantações e usinas de açúcar, com seu mandato parlamentar cassado em 1948, foi procurado, vivo ou morto, pela polícia do governador facista Silvestre Péricles de Góes Monteiro e só sobreviveu por mergulhar na clandestinidade.

Na última terça-feira de carnaval, dia 1º, um de meus netos, garoto 24 horas antenado nos aplicativos de seu celular, quis saber por quem estou ‘torcendo’, na guerra entre Ucrânia e Rússia.

Expliquei-lhe, em esforço de didática compatível com sua aguçada(e confusa) percepção infantil, que o conflito não era um jogo de futebol, uma justificativa complicada e pouco convincente diante do atual ‘vale-tudo’ de torcedores bandidos, país afora,  ao atentarem contra a vida de profissionais de seus próprios clubes.

Com invasões militares dos Estados Unidos transmitidas ao vivo e integrantes da grade  telejornalística, entre nós na GloboNews e CNN/Brasil, com repórteres especializados em pormenorizar as tais ‘operações cirúrgicas’, com poderosos armamentos de alta tecnologia(considerados ‘coisa de cinema’), - recorrentes desde a invasão norte-americana no Iraque -, fica difícil explicar ao senso comum, principalmente às crianças, as deletérias razões dos conflitos armados, todos eles, sem tirar nem pôr, por conta da sanha de hegemonia geopolítica do grande capital, centrado na poderosa indústria bélica norte-americana e subservientes parceiros europeus congregados na OTAN, à busca de apropriação de  matrizes energéticas indispensáveis a suas máquinas de produção que, via de regra, elas, sim, com insaciável antropofagia, sempre consumiram literalmente seus trabalhadores.   (AMgóes)


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Herdeiros  de  falidas  oligarquias  apagam História do Rádio em cidade multissecular    do interior alagoano


A autofágica intenção dos herdeiros de falidas oligarquias políticas de Penedo  em  apagar a História contemporânea da multissecular cidade, lenientes com sua progressiva degradação urbana, oficializa o desmonte  de  um marco  exponencial   da  comunicação  radiofônica  no estado de Alagoas.

Na postagem do site ‘aquiacontece.com.br’(AQUI), a concelebrada infâmia - com foros de judicializada politicalha, para justificar suposta ‘deterioração do imóvel que tem excelente localização e valor histórico inestimável...’ - configura-se com o propósito(não especificado) de transformar o casarão em sede de ‘atividades da Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Juventude (SEMCLEJ)’.

Medida pertinente se destinada, por exemplo, a um ponto de referência histórica sobre o Rádio alagoano, em parceria com a Capital e outras cidades do estado, a integrar a capilaridade da Comunicação que, além do convencional e ‘hertziano’ espectro eletromagnético,  majoritariamente em ‘frequência modulada’, hoje navega, via ‘aplicativos’, na rede mundial da internet.

Indigna-me, para além do discutível (des)propópsito de serventia do imóvel, a deletéria decisão do Executivo de Penedo, com a majoritária cumplicidade de vereadores, em disseminar ‘fake news’ para  entronizar o falecido ex-prefeito Hélio Lopes, pai do atual, como o ‘pioneiro’ do Rádio no interior de Alagoas, creditando-lhe, com fraude histórica(por ele jamais avocada, oportuno lembrar), o mérito na concessão radiofônica supostamente entregue, de mão beijada, à Mitra diocesana.

Deslavada e sórdida mentira! A Emissora Rio São Francisco Ltda, no ar, em  fase experimental, às 15 horas do sábado 25 de abril de 1959(este AMgóes, aos 16, estava lá, com outros pioneiros), foi um projeto idealizado pelo quarto bispo de Penedo, d. José Terceiro de Souza, assessorado pelo jovem Padre Hildebrando Veríssimo Guimarães, jornalista formado na PUC de Porto Alegre, único à época, na imprensa de Alagoas, com essa prerrogativa acadêmica,  concomitante com os estudos do presbiterato eclesial.  

D. José Terceiro, chegado a Penedo em 1957, procedera de Salvador, bispo-auxiliar de D. Augusto Álvaro da Silva, cardeal primaz da Bahia. Amigo pessoal do presidente Juscelino Kubitscheck, viabilizou, em curto prazo, a concessão de uma frequência de rádio, em ondas média(AM) e tropical(curta). Contrapartida:  a transmissão do programa ‘Escolas Radiofônicas’ para alfabetização(remota) de adultos, originário da Colômbia e implantado na Arquidiocese de Natal(RN) por d. Eugênio Sales, sob auspícios do Ministério da Educação. As ‘Escolas Radiofônicas’ foram  um sucesso, até sua desativação compulsória(e criminosa) pelo golpe de 1964, tidas como ‘nefasta propaganda comunista’, por estruturadas nas revolucionárias premissas socioeducativas de Paulo Freire, nosso laureado pedagogo nas mais renomadas universidades do planeta e patrono da Educação brasileira.

D. José Terceiro de Souza

A Emissora Rio São Francisco, sob o epíteto de ‘voz da unidade nacional’(alusivo ao ‘Velho Chico’), foi um divisor de águas nas seculares manifestações culturais de Penedo. Transmitimos tuuudo naqueles distantes tempos: missas, procissões, futebol, carnaval, jornais-falados, esquetes teatrais, política, cotidiano, uma miscelânea do caráter eclético e polidimensional de nossa neófita(e pretensiosa) programação. Através dos dois mais experientes  comunicadores de nosso ‘cast’, Haroldo Lessa e Andrade Filho, incorporo emocionada referência a todo o grupo de versáteis companheiros daqueles primórdios, fazedores, com engenho e arte,  de ‘coisas’(boas) das quais ‘até Deus duvida’.

Mons. Hildebrando
 Veríssimo Guimarães

Nas décadas subsequentes, já sem D. José Terceiro e Padre Guimarães(que seria pró-reitor na Universidade Federal de Alagoas), adveio recorrente inépcia gerencial dos prepostos da Diocese, com imersão da Emissora Rio São Francisco na areia movediça de fortuitos arrendamentos(ilegais, mas delituosamente usuais no Brasil, sob omissão fiscalizatória do poder concedente), até outras graves infringências que implicaram o fim da outorga.

Concessionário de uma rádio FM em Penedo, integrante de controverso grupo político dissociado das demandas locais, a exemplo de outros pretensos(e pranteados) ‘grandes líderes’ nativos, coincidentemente gestados nas sinecuras autoritárias, quase 60 anos atrás, o atual prefeito de Penedo quer reescrever a crônica citadina à luz de fugaz ideário cartorial dos ‘seus’, no rumo inverso à expectativa dos bolsões periféricos que o elegeram.

Todavia, dialeticamente predisposto a acreditar nos insondáveis bons propósitos dos circunstantes, compete-me a espera de salutar contraditório que afinal confira à Emissora Rio São Francisco, diluída pela insipiência dos que testemunharam seu  nascedouro e a deixaram soçobrar, uma póstuma e reconhecida lembrança de seus marcantes dias de glória, em patamar oposto às incongruências comportamentais de quem quer que seja.

(AMgóes)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

 Autocrítica: por que Lula e o PT , para se diferençarem da direita, não a fazem?


Em instigante conversa com apresentadores do podcast "Podpah'', de São Paulo, nessa quinta-feira(2), que 'bombou' nas redes sociais, o ex-presidente Lula descartou a 'autocrítica' como recurso de inflexão pessoal,  extensivo ao Partido dos Trabalhadores. 

O povo fica falando ‘você não tem autocrítica’. Por que eu mesmo iria me criticar? Deixa os adversários criticarem. Nunca vi ninguém pedir autocrítica pro FHC. Sabe por que não faço autocrítica? Porque quero que vocês me critiquem...” 

'Autocrítica' é um processo a que se submetem indivíduos ou instituições, 'por dentro' de si mesmos, à margem de obstinadas convicções ou dogmas comportamentais, sobre continuadas ou eventuais impropriedades no curso da História, na perspectiva de  pertinentes  correções e aprimoramentos.
 
Ainda que se nos apresente como repto meramente provocativo e desqualificante, o princípio do 'contraditório'  é salutar  na construção de uma sociedade democrática, levando-nos a imergir às profundezas viscerais para constatar percepções dogmáticas urdidas em arraigadas idiossincrasias. 

Recorrer, como regra,  ao juízo alheio pode soar como festejado atributo de modéstia e altruismo, mas  negaceia a admissão, gestada no subconsciente, de ocasionais incoerências em nossos atos.   

Aliás, ao concordar com  o 'rapper' e compositor Mano Brown, para quem 'o lugar do PT é na periferia', Lula, com sutileza, recomendou autocrítica a seu partido, sobre  recalcitrante autossuficiência no curso dos mandatos presidenciais, com efetivo retorno às bases de onde jamais deveria ter saído(AMgóes).