sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Sem Ana Moser,  governo Lula-3 patrocinará, em Alto Alegre do Pindaré,  primeira edição  das 'Fufuquíadas'no Brasil

                                                                                                                                                            (Foto: Estado de Minas)  

Extraio do Google resumos curriculares da renomada catarinene de Blumenau Ana Moser, 55 anos, recém-demitida do Ministério dos Esportes, e de seu sucessor, o pândego e mequetrefe André ‘Fufuca’, na barganha do governo Lula-3 com Arthur Lira, condestável ‘primeiro-ministro’ do ‘Centrão’:


                                                                   (                                                                                        Foto: Valor Econômico)  

ANA BEATRIZ MOSER (Blumenau, 14 de agosdto de 1968), descendente de alemães, é uma ex-voleibolista brasileira e ex-ministra dos Esportes do Brasil, cargo que exerceu de janeiro a setembro de 2023. /  Serviu à seleção brasileira que trouxe a primeira medalha olímpica para o voleibol feminino. Ela conquistou medalhas nas categorias de base da seleção brasileira, pela qual também disputou três edições dos Jogos Olímpicos. / Medalhista em Campeonato Mundial, Copa do Mundo, Copa dos Campeões e Jogos Pan-Americanos, foi capitã da seleção principal em várias competições, com títulos relevantes, entre os quais o tricampeonato do 'Grand Prix' de Vôlei e o bicampeonato no Mundial de Clubes. Ana Moser foi a primeira mulher empossada no Ministério do Esporte. / Após 20 anos nas quadras, ela se incorporou a atividades cidadãs e esportivas, liderando a criação da ‘Caravana do Esporte’ pelos grotões do país. / Em 2003, eleita vice-presidente da Comissão Nacional de Atletas, no contexto  da Comissão Nacional do Esporte do primeiro governo Lula. / Em 2018,  eleita conselheira do CNE como representante da sociedade civil. / Desde a época de atleta profissional, foi ativista de movimentos sociais, em especial, como lésbica assumida, no debate nacional sobre questões de gênero. / Integrou, na equipe de transição do governo Lula-3, o grupo de avaliação técnica sobre políticas públicas para o Esporte, empossada no Ministério em 1º de janeiro de 2023.

                                                                             (Foto: istoÉ)  

André Luiz de Carvalho Ribeiro, 34 anos, conhecido por André 'Fufuca', apelido ‘herdado’ do pai Francisco ‘Fufuca’ Dantas(prefeito de Alto Alegre do Pindaré-MA, nasceu em Santa Inês, do mesmo estado nordestino. / Formado em Medicina(profissão de jamais exerceu), foi deputado estadual em 2011/2014 e federal a partir de 2015, transitando pelo PSDB, PSD, PEN e PP, sigla atual. / Na Câmara, em Brasília, votou favoravelmente à MP 665 que endurecia as regras do seguro-desemprego e do abono salarial. / Foi entusiasta defensor do ‘impeachment’ da presidenta Dilma Rousseff, rejeitando idêntica proposta contra o golpista Michel Temer, voto (vencido) contra a cassação do deputado Eduardo Cunha. / 'Fufuca' votou favorável à PEC dos Gastos Públicos e pela Reforma Trabalhista de 2017 (excludente de direitos históricos dos trabalhadores). / Adepto de Bolsonaro em 2018 e 2022, foi derrotado, todavia, em sua base eleitoral, nos respectivos pleitos presidenciais.

                                                                                                                                               (Foto:Upaon-Açu/News)  

Ativo integrante do ‘Centrão’ e correligionário do poderoso Arthur Lira no ‘ProgreSsistas’, André 'Fufuca' foi incluído na insólita barganha por cargos do governo Lula(no caso, o Ministério dos Esportes de Ana Moser e seus anexos), em troca de votos pró-situação na Câmara, embora o partido insista em se declarar ‘independente’, sinal público de outras sub-reptícias sacanagens no radar.

Por que Lula e o PT não reagem

com um 'chega pra lá'?

Na ‘lata’, cara pálida: em nome da  'governabilidade de coalizão', Lula, o PT e o conjunto das esquerdas perderam faz  tempo a capacidade de mobilizar o povo nas ruas, burocratizando a luta das idéias, pautados e enquadrados, dia sim e outro também, pela mídia conservadora (Rede Globo à frente), mestra em chantagear com  ameaça de golpes desde tempos imemoriais.

 
                                                                                                                                                        (Foto: Blog Daniel Aguiar) 
 
Enquanto isso, em lugar da inclusiva ‘Caravana do Esporte’ de Ana Moser, a maranhense Alto Alegre do Pindaré, do alto de seus quase 40 mil habitantes, sonha em se tornar sede das primeiras ‘Fufuquíadas’ do país, um torneio de jogos eletrônicos que carreará recursos federais para o município do ministro/conterrâneo e o ‘paipai’ prefeito/‘benfeitor’ regional, patrono do  estádio de futebol da localidade('padrão Fifa', juram), o  ‘Fufucão’. 

                                                    (Foto: Timão.net) 

Vidrado no ‘pontapé inicial’ desses eventos esportivos, nosso ilustre presidente, ostentando a camisa do Corinthians e diante de uma multidão aos berros frenéticos de “olê-olê-olá-Lula-lá’”, comandará a abertura das ‘Fufuquíadas’, certamente, pelo andar da carruagem, já incluída no rol de investimentos públicos como ‘PAC do ESPORTE’. Quem (sobre)viver à fome insaciável do ‘Centrão', verá...

(Antônio Manoel Góes) 

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

STF sinaliza com  média de 15 anos de prisão  para 'paus-mandados' golpistas de 8 de janeiro                             

Iniciado, nessa quarta-feira(13), no Supremo Tribunal Federal, o julgamento dos mais de 1.100 envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro deste ano em Brasília,  com invasão e depredação das sedes dos Poderes da República.

O voto do ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Penal 1060, sinaliza que os membros da Corte, abstraídas eventuais dissenções técnicas,  deverão aplicar, em média, a pena de reclusão, de 15 anos de reclusão em regime fechado, afora multas pecuniárias,  para cada um(a) dos(as) integrantes da 'manada' responsável pela destruição do patrimônio público, com veemente apelo à 'intervenção militar', visando à deposição do presidente (Luís Inácio Lula da Silva) democraticamente eleito em 31 de outubro de 2022.

   
O libelo acusatório do Ministério Público Federal, que enquadrou o primeiro dos réus, Aécio Lúcio Costa Pereira, de Diadema(SP, foto acima) imputa-lhe "a prática de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima e deterioração de patrimônio tombado" (AQUI). 

Na acusação, a Procuradoria Geral da República sustenta ser '...identificável a existência de diferentes núcleos de atuação nos atos antidemocráticos que devem ser responsabilizados, “conforme a modalidade de participação na empreitada criminosa, quais sejam: 1) núcleo dos instigadores e autores intelectuais dos atos antidemocráticos; 2) núcleo dos financiadores dos atos antidemocráticos; 3) núcleo das autoridades de Estado responsáveis por omissão imprópria, e; 4) núcleo de executores materiais dos delitos (ora em julgamento), no qual está inserido o (primeiro) denunciado(Aécio Costa Pereira)”.

Empresários e políticos de ultradireita, além de militares de elevada patente(coronéis e generais da 'ativa'/'reserva', bem assim o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu entorno) constam do 'combo' processual em andamento, provavelmente passíveis de penas superiores às previstas para a 'massa de manobra' que operou na linha de frente da barbárie de 8 de janeiro,  presa preventivamente desde a época em Brasília.

(Antônio Manoel Góes)



segunda-feira, 3 de abril de 2023

Regulação das mídias não é censura, como  alardeiam os veículos empedernidos e golpistas

                  

Os  grupos   sociais    identificam-se,  via  de  regra,    com    uma  diversidade    de   opiniões  contrapostas no âmbito restrito de sua interação intramuros.

Historicamente, no cenário de propagação das ideias, há uma capilaridade corporativa de maior amplitude, caso dos conglomerados de comunicação que impõem, através de renovadas ferramentas midiáticas, notícias e imagens  para construir estereótipos universalizados de opinião nos diferentes estamentos sociais.

Por óbvio, as mensagens dos grandes grupos midiáticos, aqui e mundo afora, são estrategicamente formuladas à luz de seus interesses políticos e socioeconômicos, ao arrepio das expectativas de majoritários segmentos da população.

São informações de ‘marketing’(convencimento), destinadas a despertar, em meio a carências de toda ordem, a sensibilidade e subsequente adesão dos receptores a produtos mercadológicos ou padrões comportamentais.

Dois terços do território brasileiro são alcançados por proeminentes empresas de comunicação televisiva (Globo, Record, SBT e Band à frente,) com subsídio e parceria de afiliadas regionais, um poderoso oligopólio a produzir ‘verdades’ que induzem o procedimento massivo de 160 milhões.


Os conteúdos e a difusão das grandes empresas de comunicação direcionam-se prioritariamente às regiões Sudeste e Sul, com produções mais elaboradas, embora transmitidas em rede nacional,  todavia inacessíveis aos mercados dos grotões, de baixo poder aquisitivo,  onde só operam com o trivial da TV aberta.

A repercussão de mídias antidemocráticas, pulverizada nas ‘fake news’ pelo aparato das redes de internet e emissoras tradicionais, está nas urnas eletrônicas, que conferiram a vitoriosa votação de Bolsonaro em 2018, só embarreirada ano passado, no ‘photoshop’, pelo decisivo desempenho eleitoral de Lula no Nordeste.


Regular os meios de comunicação eletrônica, em todos os formatos, é tarefa fundamental à construção de nosso protagonismo sociopolítico, com práticas civilizatórias e democráticas faz tempo consolidadas mundo afora.

Essa regulação, aqui reclamada, não pode, entretanto, servir de anteparo a  exceções institucionais, ainda que amparadas em regramentos jurídicos, a configurarem censura à livre manifestação de pensamento consentânea com as Democracias.

A par do universo cibernético em que navega nosso cotidiano, compete-nos amplo debate para estabelecer o equilíbrio de poder, outorgando à sociedade o direito de gerir, soberanamente,  os rumos de suas expectativas e convicções, inclusive com espaços proporcionalmente justos à democrática inclusão das minorias.

(AMgóes)

 

terça-feira, 7 de março de 2023

 

Fardados, suposta ‘casta’ social acima da maioria à paisana

'Sociedade militar'.  Onde? Qual parágrafo, inciso ou item de rodapé da Constituição Federal estabelece a existência de tal segmento corporativo extralimites da SOCIEDADE CIVIL?

Quando possível, com recomendável brevidade, a pertinência de um plebiscito a fim  de a sociedade brasileira(civil, única e indivisível) definir o perfil de 'forças armadas' coerente com nossa perspectiva de Estado soberano, na profilaxia do farseco e multissecular  ranço genético herdado dos CAPITÃES DO MATO do Brasil-Colônia.

PATRIOTISMO não é 'reserva de mercado' dos militares que, ironicamente, mantêm um (nada dissimulado) flerte histórico com a famigerada teoria econômica da DEPENDÊNCIA brasileira ao 'big brother' do hemisfério norte, por sinal inserida, anos 1990, no debate acadêmico pelo sociólogo, então presidente, FHC .

Não à toa um general do Exército, Juracy Magalhães, nosso embaixador em Washington no pós-golpe de 1964, pronunciou frase tristemente sabuja para reiterar  incondicional  alinhamento brasileiro aos interesses geopolíticos da Casa Branca: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". 

Diversamente do disseminado vida afora por seus lenientes áulicos de plantão, os militares não constituem um 'poder'. Conforme as regras constitucionais, integram um compartimento subalterno ao supremo comando do presidente da República, como ademais ocorre nos quadrantes do planeta, responsável pela defesa de nossa integridade e soberania nacional . Ponto. O resto é exclusiva competência dos paisanos. 

(AMgóes)

domingo, 19 de fevereiro de 2023

IBAMA:  mais de  R$ 1,5 bilhão  em  multas virtualmente prescritas,  por desmatamento  na Amazônia

Reportagem  de Luís Fernando Toledo e Allan de Abreu, de 15 do corrente, publicada na revista PIAUÍ (AQUI),  sintetiza a inação de nossos órgãos ambientais, à mercê da criminosa leniência oficial que estimula o primado da mais desatada corrupção de servidores, incluída nessa esteira de permissividades  a cumplicidade policial e judicial. 
Uma diversidade de fatores contribui, desde a segunda metade da década passada , para a prescrição de dezenas de milhares de multas(mais de 65 mil) por queimadas, em desmatamentos ilegais, cujo valor atualizado chegaria a casa de R$ 1,5 bilhão, à frente  Amazonas, Pará e Mato Grosso.
A partir de 2016, sob Michel Temer, por conta do golpe que alijou do Planalto a presidenta Dilma Rousseff, e a sequência mais trágica com  Jair  Bolsonaro, foram desmontados os mecanismos punitivos contra agressões à natureza e as estatísticas confirmam, dia a dia, o nível incoercível da impunidade institucionalizada.

Milhares de processos amontoados em contêineres, sem procedimento de digitalização, deterioram-se com a ação do tempo e, o mais grave, prescrevem, sem que os destruidores do meio ambiente sejam  alcançados pelo braço da lei (Imagens da revista Piauí).

(AMgóes)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Bolsonaro e a 'engenharia' do golpe


Odilon Rios, jornalista, de Maceió, no Facebook

Sabíamos que Bolsonaro queria um golpe mas dificilmente alguém imaginaria o tamanho da aparelhagem, hoje sendo desmontada pelo governo Lula:
- Gente treinada para matar e morrer;
- Dinheiro de empresas;
- Vassalagem do Ministério da Justiça.
- Transporte e estrutura para sobrevivência de (muita) gente.
Tudo isso exige muita coisa. Principalmente dinheiro público.
O ex-ministro Anderson Torres está nos Estados Unidos atuando como informante de Bolsonaro. Torres sabe quem é quem e não viajou à toa. Não quer cair sozinho.
Não por acaso bolsonaristas falantes como Bia Kicis estão em silêncio. O Eduardo Bolsonaro correu para o Arthur Lira. Há políticos alagoanos calados. Estão preocupados, é lógico.
Ou Lula e Alexandre de Moraes continuam a desvendar toda esta sujeira ou haverá uma anistia que só interessa aos criminosos. A ditadura perdoou hipocritamente os assassinos e torturadores. Hoje, os filhotes deles destruíram prédios como o do STF.
E não usaram apenas um cabo e um soldado.                                                                        

domingo, 8 de janeiro de 2023

SEM ANISTIA para genocidas, golpistas e nazifascistas que destruiram o país

O regime autoritário instaurado em 1964 já estava podre e nauseabundo 20 anos depois, quando emergiu das cinzas o grito de amplos segmentos sociais por 'diretas já', até mesmo os originariamente beneficiários do golpe militar.  Frustramo-nos, porque  a emenda das 'diretas' não vingou no Congresso com maioria ainda acumpliciada aos generais.   ///   A ruptura do Estado de Direito, sob incondicional apoio de nossa embolorada classe dominante,  fora consumada sob a falaciosa justificativa de nos 'salvar'  da implantação de uma 'república comuno-sindicalista', na realidade (traumática) interrupção de incipiente projeto pró-inserção do  Brasil no rol do mundo desenvolvido, através das 'Reformas de Base'  preconizadas pelo governo nacionalista de João  Goulart.   ///   A quadra planetária bipolar da segunda metade do século passado,  conhecida por 'guerra fria' entre Estados Unidos e União Soviética,  deflagrou uma disputa entre visões globais diametralmente opostas, de fluidos maniqueistas determinantes dos 'bons'(por óbvio, o poder transnacional  liderado pelos norte-americanos, com seu 'puxadinho' europeu, a OTAN) e os 'maus', identificados nos processos revolucionários, disseminados no leste europeu, Ásia e (extremo acinte, imagine!) a então recente insurreição cubana, para socializar as economias nacionais.  ///  O golpe brasileiro de 1964, subsidiado por Washington, abortou nossa utópica expectativa de superação das crônicas desigualdades, aqui instauradas nos marcos remotos das capitanias hereditárias, de viés predatório e excludente em relação ao  seviciado andar de baixo,  nas relações de produção capitalista.  ///   O hiato experimental de 13 anos, nos governos de Lula e Dilma, conquanto tenha suscitado inédito crescimento de nosso mercado interno, com elevada ressonância no exterior, além de agregar  expressiva massa de excluídos ao bolo da riqueza nacional, fez disparar a facciosa reação dos endinheirados, figadais inimigos do equânime acesso de toda a população a uma decente qualidade de vida, daí a iniquidade do 'impeachment' da presidenta Dilma Rousseff, dissociado de base constitucional, e da condenação e prisão de Lula por demandas judiciais fundadas no criminoso objetivo de afastar da cena política o consagrado líder popular e  mundialmente reverenciado estadista brasileiro, construído nos embates sindicais do chão da fábrica.  ///  Eleito Bolsonaro presidente em 2018, um ex-milico fascistoide e sociopata, através de colossal estrutura de escabrosas mentiras nas redes sociais, nossas elites, contumazes manipuladoras de visceral ortodoxia segregacionista,  assistiram à diluição das potencialidades brasileiras, motivo de nosso rebaixamento à vergonhosa condição de párias internacionais.  ///   Mesmo a par da tragédia pandêmica, consequência dos desatinos de uma organização genocida  no Executivo federal, bem assim de nosso esfacelamento econômico, com leniência das Forças Armadas, os ricos brasileiros ainda se dividiram na opção eleitoral de 2022 e parte deles, sem a reeleição de seu famigerado presidente, ainda insiste em financiar  inocentes inúteis envolvidos com patéticos arreganhos por 'intervenção militar'.   ///   Empossado Lula-3, com a insólita tarefa de complicada reconstrução nacional,  compete-nos, aqui da base, vigorosa resistência ao deletério 'jeitinho brasileiro', que livrou a cara dos facínoras do último e longevo período ditatorial: SEM ANISTIA para Bolsonaro e sequazes,  paisanos e fardados!   ///   À memória dos 700 mil abatidos pela Covid19,  se constasse de nossas regras penais, seria justo que fossem  levados ao 'paredón', com o valor dos projéteis do justiçamento a débito das respectivas parentelas (aliás, meu voto seria pelo 'garrote vil', à moda do espanhol Francisco Franco, um dos 'gurus' de todos eles).   ///   E não me venham com brasílicos purismos porque já deletei qualquer resquício de beatitude e temperança. Afinal, cadeia será um prêmio de loteria para esses bandidos lesa-pátria...

(AMgóes)

 

sábado, 7 de janeiro de 2023

Escolas 'cívico-militares': urge desmontá-las 

      

Uma das prioritárias medidas profiláticas do novo governo na área educacional deve ser o desmonte do projeto que, a partir de 2019, passou a instalar no país as ditas escolas 'cívico-militares'.

Esse descalabro introduzido no ensino, por óbvio, à margem de um  debate em amplos segmentos da sociedade brasileira, teve por objetivo semear a falácia de que os colégios militares são 'únicos' de excelência na rede pública e, dessa forma,  constituem referência para os demais.

Daí a instituição do PECIM-Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, sob orientação e monitoramento de militares da reserva, aquinhoados com um 'puxadinho' remuneratório aos soldos previdenciários que recebem integrais, sem os decréscimos delimitados às pensões(via de regra, iníquas) dos comuns paisanos aposentados.

Aos professores e outros profissionais(civis) da Educação, a quem é exigida especialização acadêmica, até em nível de pós-doutorado, a depender das específicas obrigações magisteriais e gerenciais, a responsabilidade de se            circunscreverem ao manual das instruções didático-pedagógicas, ditas 'morais e cívicas', do ciclo Fundamental ao Médio.

Objetivo? 'Melhorar' o processo de ensino e aprendizagem nas escolas públicas, com base no 'alto nível' dos colégios  do Exército, das Polícias e dos Corpos de Bombeiros militares, em consonância com prefeituras e governos estaduais.

Cabe aos militares de pijama, na função de bedéis(censores, disciplinadores) tocar projetos educativos extraclasse e a busca 'ativa' dos alunos sob rigores indissociáveis da rotina da caserna.

Numa quadra em que nos atemos à premente necessidade de saber, via soberana decisão plebicitária,  que tipo de Forças Armadas nos interessa construir, na contramão do ranço de sua formação histórica, herdada dos ancestrais  'capitães do mato' do Brasil-Colônia, cabe-nos extirpar, com a devida urgência, esse deletério arcabouço destinado a inocular, em corações e mentes de nossa juventude, o ideário fascista novamente a emergir no planeta.

O programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, introduzido no finado (des)governo Bolsonaro,  integra a capilaridade do mais nefando autoritarismo, advindo do golpe de 1964, retomado em 2016, com chancela das urnas em 2018.

Mais uma ideia 'fake' de proeficiência que nos compete riscar do mapa com a premência de tempo recomendada para restauração das ansiadas premissas do Estado democrático de Direito. 

(AMgóes)

sábado, 24 de setembro de 2022

  
               PELO MUNDO
Neste sábado(24) - AO VIVO
17h00 no Brasil, 21h00 em Portugal   
com Antônio Júnior e Antônio Manoel Góes
Acesse PB DESPORTO no Youtube


domingo, 6 de março de 2022

 "Vô, por quem você está torcendo,  Ucrânia ou Rússia?"

         

Já cheguei aos 79, a caminho dos 80 no fim do ano. Por volta dos meus sete ou oito(faz algum tempo...), no antigo curso primário, fim da década de 1940, em minha cidade natal, Penedo/AL, multissecular ribeirinha próxima à foz do São Francisco, era um dos tantos alunos infantes a cantar um hino de ‘exaltação à Pátria’,  na formatura matinal que iniciava o dia letivo do Grupo Escolar ‘Gabino Besouro’.

Meninos e meninas perfilados, vestidos de branco e azul marinho, mão direita colada ao peito, naquela diuturna e inocente manifestação de patriótico amor febril. “Deus salve, América, terra de amor /  Verdes mares, florestas, lindos campos abertos em flor! / Berço amigo, da esperança, da bonança, o altar / Deus salve, América / meu céu, meu lar...”

Por volta dos 15 anos, entre 1957 e 58, descobri, por acaso, que ‘Deus salve América’ era uma versão sabuja do compositor João de Barro, na voz de Chico Alves,  do original ‘God bless America’, de Irving Berlin, notável  compositor de origem russo-judaica, naturalizado norte-americano, vocalizado por famosos do ‘hit parade’ como Bing Crosby, Ray Charles e Frank Sinatra.

Contextualizemos o ‘Deus salve América’ tupiniquim. Gravado em disco Odeon, 78 rotações, lançado em junho de 1945, fim da Segunda Guerra Mundial, nos estertores ditatoriais do Estado Novo que, por pressão 'yankee' do governo Roosevelt, remetera brasileiros para 'combater' na Itália as tropas da Alemanha nazista, depois da derrocada do fascismo de Benito Mussolini. Em troca, ‘ganhamos’(assimn mesmo, entre aspas) a Siderúrgica de Volta Redonda, onde passamos a produzir aço para suprir o mercado estadunidense, uma ‘comoditie’, convenhamos, negociada na Bolsa de Nova York a preço vil.

Naquela segunda metade dos anos 1940, curtíamos revistas infantis em quadrinhos, de infames legendas adaptadas para o Português, tipo ‘Reco-Reco, Bolão e Azeitona’, o avaro ‘Tio Patinhas’, o mau-caráter ‘Pato Donald’, Mickey e Minnie,  simpático casal de  ratinhos que jamais casou nem procriou, além dos ‘gibis’ infanto-juvenis, revistas originárias das ‘tirinhas’ em quadrinhos importadas pelo jornal O Globo a partir dos anos 1930, com personagens e ‘heróis’, de Tarzan criado por macacos na selva africana,do faroeste  de Tom Mix e Buck Jones até as aventuras interplanetárias de Flash Gordon, bem assim Capitão Marvel, Superman, Fantasma a povoar nosso imaginário de aventuras, criados em pranchetas norte-americanas.

Gerações de brasileiros, antes da minha e até nossos dias, formadas sob a visão semiótica da indústria cultural dos ‘States’, contagiadas pelo  cinema e depois pela TV, para cujas telas migraram, em carne e osso, os badalados mocinhos(e os bandidos também) nascidos em produções gráficas impressas, hoje em dia, com diferentes cenários e enredos, incrementados na internet.

Promovo esta volta no tempo para asseverar que permanecemos figadais consumidores dos superpoderosos e fictícios protagonistas do ‘show-bussines’ de Hollywood, com estereótipos clonados da cruenta vida real de conflitos fratricidas mundo afora, que alimentam, com insaciável voracidade, a dantesca indústria bélica dos Estados Unidos, sustentada por colossais instrumentos de hostilidades humanas, como a famigerada OTAN, para manter aquecida a ‘Guerra Fria’, ciclo que todos  conhecemos como da linha divisória do planeta, no pós-guerra contra o derrotado nazifascismo, entre o lado dos ‘bons, defensores da liberdade e da democracia’, e dos ‘maus, comunistas ateus, até hoje  comedores de criancinhas, cortadores de padres em picadinho e furadores, com alfinete, de hóstias consagradas, para que escorresse o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, como ensinou nosso orientador espiritual, na Cruzada Eucarística Infantil, da Catedral de Penedo, o ainda diácono, depois padre, Aldo de Melo Brandão. E eu nem tinha idéia de que meu irmão-paterno, André Papini Góes, era um comunista, à época cassado, com seu Partido, da  cena política brasileira pelo governo do general Dutra, um serviçal mequetrefe do Império do Norte. E corri o risco até de ser precocemente excomungado por conta de minha relação consanguínea. Não há, porém, histórico sobre suposto cardápio canibalesco de comunistas onde quer que seja, a oferecer criancinhas ao molho de vinagrete e picadinho de padre à cabidela.

A guerra de propaganda anticomunista, disseminada mundo afora para desfavorecer a Revolução de 1917, que levou o proletariado da Rússia ao poder, uma alternativa socioeconômica inaceitável para o  até hoje vigente e embolorado sistema  capitalista de oligarquias dominantes.

André Papini Góes, inveterado humanista, defensor de um mundo menos desigual, jornalista e advogado de trabalhadores alagoanos, explorados nas plantações e usinas de açúcar, com seu mandato parlamentar cassado em 1948, foi procurado, vivo ou morto, pela polícia do governador facista Silvestre Péricles de Góes Monteiro e só sobreviveu por mergulhar na clandestinidade.

Na última terça-feira de carnaval, dia 1º, um de meus netos, garoto 24 horas antenado nos aplicativos de seu celular, quis saber por quem estou ‘torcendo’, na guerra entre Ucrânia e Rússia.

Expliquei-lhe, em esforço de didática compatível com sua aguçada(e confusa) percepção infantil, que o conflito não era um jogo de futebol, uma justificativa complicada e pouco convincente diante do atual ‘vale-tudo’ de torcedores bandidos, país afora,  ao atentarem contra a vida de profissionais de seus próprios clubes.

Com invasões militares dos Estados Unidos transmitidas ao vivo e integrantes da grade  telejornalística, entre nós na GloboNews e CNN/Brasil, com repórteres especializados em pormenorizar as tais ‘operações cirúrgicas’, com poderosos armamentos de alta tecnologia(considerados ‘coisa de cinema’), - recorrentes desde a invasão norte-americana no Iraque -, fica difícil explicar ao senso comum, principalmente às crianças, as deletérias razões dos conflitos armados, todos eles, sem tirar nem pôr, por conta da sanha de hegemonia geopolítica do grande capital, centrado na poderosa indústria bélica norte-americana e subservientes parceiros europeus congregados na OTAN, à busca de apropriação de  matrizes energéticas indispensáveis a suas máquinas de produção que, via de regra, elas, sim, com insaciável antropofagia, sempre consumiram literalmente seus trabalhadores.   (AMgóes)