terça-feira, 13 de outubro de 2015

Você,  que, aos milhões,  ‘cunhou’ por
ingenuidade,  analfabetismo político
ou caradurismo, trate de ‘descunhar
Lelê Teles                   Resultado de imagem para Imagem da logo do Blog da maria Frô

Resultado de imagem para Imagem sobre 'Som os milhões de Cunhas'Somos milhões de Cunhas’, orgulhava-se uma faixa durante as raves cívicas.
Cunha, como se sabe, é um sobrenome.
Sabemos, também, que esses milhares de Cunha autodeclarados naquela faixa não são da família do encrencado parlamentar.
HHhmmm. então por que diabos? você se pergunta.
Cunha, filho do Homem, nesse caso é uma alcunha, um qualificativo.
E por que queria ser Cunha aquela multidão de revoltados? Ora, porque estavam sobre o torpor da midiotia.
Ser Cunha, ali, era ser contra a corrupção, era ser ético, era ser a favor da família, da heterossexualidade, do mercado, de Deus e do dinheiro.
E, sobretudo, ser contra o PT.
E por que usar o epíteto Cunha assim, metonimicamente?
A mídia explica.
Não faz muito tempo, tal qual o nosso inesquecível Pixuleco, a mídia inflou Cunha, um boneco vivo que cresceu a olhos vistos.
Resultado de imagem para Imagem de máscaras de eduardo CunhaManchetes de jornalões e revistonas alardeavam o seu “súbito poder” aos quatro ventos estocados; que Cunha era um herói, um “sabotador da República”, um homem-bomba, um salvador da pátria, the impeachment man.
Certa vez ele fez uma manobra canalha e, à sombra, encaixou um jabuti dando isenção fiscal à igrejas.
Os jornalões disseram que ele agiu de forma inteligente, conhecedor profundo da legislação, e blá, blá, blá.
Passaram a requalificar suas malandragens, ressignificá-las.
Inflavam o boneco.
Fariam dele o perfeito boneco de ventríloquo.
Seria a voz terceirizada da grande mídia, dos grandes perdedores e do grande capital; a voz do golpe, cheia de verniz e adornada com a cosmética semântica.
Para deixar claro que ele crescia como um ícone, João Roberto Marinho, o infante, lhe permitiu uma visita no dia 20 de julho.
Ambos tiveram um longo encontro na casa de um amigo comum.
(João Roberto)Marinho também se deixou fotografar apertando-lhe a mão no plenário da Câmara, gesto artificial, tramado e de forte simbolismo.
'Este é o nosso homem!', queria dizer.
Por isso, os midiotas adotaram Cunha por antonomásia.
Jesus os perdoaria. eles de fato não sabiam o que estavam a fazer, o faziam bovinamente.
Resultado de imagem para Imagem de caricaturas de eduardo CunhaAlgum “ativista” muito ativo e liberal já estava a confeccionar máscaras 'Cúnhicas' para o carnaval.
Grana certa.
Estavam todos inebriados pela droga que a mídia lhes aplicava homeopaticamente.
E explicação é essa.
Os barões da mídia – que falam por ventriloquia – não deram tantas qualidades a Cunha por ingenuidade, mas por esperteza.
Todos sabiam que Eduardo chegara ao poder nos braços de PC Farias e já chegou pecefarando.
Era uma criatura de submundos, que não andava sob o sol para que ninguém percebesse que era um homem sem sombra.
Resultado de imagem para Imagem sobre 'Som os milhões de Cunhas'Sua sombra agia pelos subterrâneos da criminalidade, esfregando-se pelas paredes, enquanto sua alma orava, cinicamente, num templo imundo e seu corpo disfarçava purismo e puritanismo para as câmeras e para a Câmara.
Enquanto isso, em corpo, sombra e alma, sua esposa e filha flanavam mundo afora, deslumbradas e gastãs, esfregando cartões de crédito em fendas de maquininhas luxuosas.
Um vício.
Mas aí, da Suíça veio a luz que tirou Cunha das sombras.
E atentai bem, não são ilações de torturados psicologicamente a fazer deduração premiada em uma cela imunda, só na saliva.
Agora são documentos, provas físicas, concretas, assinaturas, notas, rastros…
Fedeu.
Com mil diabos!
Agora, não se pode mais cunhar 'Cunha' como uma alcunha qualificativa.
Resultado de imagem para Imagem de máscaras de eduardo CunhaPorque 'Cunha', agora, é pejorativo.
Passou de 'alcunha' a 'vulgo'.
Você, que por ingenuidade, analfabetismo político ou, mesmo, por caradurismo, cunhou; descunhe-se.
Desculpe-se, reconheça, diga a seu cunhado ainda hoje no churrascão dos amigos: "cara, 'cunhei', mas já 'descunhei', me desculpe..."
E lhe dê um abraço.
Ele também lhe dirá que caiu na real.
Afinal, que raios de 'Cunha' é você aí num churrasco onde cada um traz o que vai beber?
Que diabos de Cunha é você, se a sua mulher jamais terá aulas de tênis com o professor da Sharapova?
Como 'Cunha'? Que 'Cunha', amigo, se a única 'Suíça' que o senhor conhece é a limonada?
'Somos milhões de Cunhas', orgulhava-se a faixa durante as raves cívicas.
Pobres 'Cunhas', faltou emendar.
Palavra da salvação!



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