Ampla unidade
para a vitória de Haddad no segundo
turno
No VERMELHO
Um passo decisivo para a vitória. Assim a passagem
da chapa Fernando Haddad-Manuela d’Ávila para o segundo turno deve ser vista. Ao vencer a barreira imposta pelas
variadas limitações a um amplo debate sobre o sentido dessas eleições, as
forças progressistas chegam ao segundo turno revigoradas, autorizadas por
milhões de votos a representar a luta contra o fascismo e o combate às
propostas ultraliberais. Essa autoridade ganha ainda mais dimensão com as
votações de outros candidatos do campo democrático e popular, como Ciro Gomes e
Guilherme Boulos, que deram inestimáveis contribuições para impedir o triunfo
da chapa do arbítrio e da violência no primeiro turno. Juntos, os candidatos de
esquerda já somam mais de 41%. ||| A realização do segundo turno, por si, é um revés para
Bolsonaro. Ele montou uma grande operação, com apoio de poderosos interesses
econômicos e financeiros, além dos monopólios midiáticos, inclusive com ações
ilegais, para tentar a vitória no primeiro turno. Mesmo assim, não conseguiu. ||| Com essa responsabilidade nos ombros e com o vigor
democrático que emergiu das urnas, a chapa da coligação O Povo Feliz de Novo
tende a se fortalecer e se transformar num grande movimento de massas
anti-fascista. O desafio, imediato, é o de compor uma aliança envolvendo um
espectro político o mais amplo possível para fazer caber nele literalmente todas
as forças que se dispõem a formar uma sólida barreira com condições de impedir
a passagem do fascismo nas urnas do dia 28. Uma frente que absorva diferentes
propostas, que dialogue com variados setores da população, que una diversas
bandeiras e que amarre um projeto de defesa da nação, tendo como base o
programa da coligação. ||| Um movimento assim, genuinamente democrático, popular,
patriótico, tem potencial para galvanizar as ideias desenvolvimentistas e
buscar soluções para a grave crise do país. O primeiro passo nessa caminhada
que se inicia rumo à vitória no dia 28 de outubro é isolar as vias do fascismo
e criar as fundações de um sólido movimento de resistência à ofensiva
conservadora, que transcende as eleições. Dizer, enfaticamente, que a polarização
verdadeira se dá entre a restauração da democracia como premissa indispensável
ao desenvolvimento do país com direitos para o povo e a radicalização das
medidas do governo golpista de Michel Temer, que tantos males têm causado ao
povo e ao país, por meio do arbítrio e da violência. ||| Para o êxito dessa missão, impõe-se, já na largada, um
intenso debate com a população para que ela veja o imenso perigo que paira
sobre a nação. Dizer às claras que estão ameaçados, junto com a democracia, os
sistemas públicos de saúde, de educação e de programas sociais. Além da
mobilização popular, essa nova etapa da campanha eleitoral exige a propagação
de um programa mínimo, de aplicação imediata, para livrar o povo dos flagelos
causados pela marcha golpista e para iniciar a recuperação econômica. Um
programa que ao mesmo tempo abra espaços nos setores da sociedade que, por um
motivo ou outro, acreditam na panaceia de que uma mão forte desmontando o
Estado nacional pode trazer a salvação para a combalida economia brasileira. ||| O sentido de urgência de medidas como essas pode ser o ponto
divisor na polarização que opõe os interesses do povo e do país aos dos que
estão efetivamente representados no programa de governo da chapa ditatorial.
Não é difícil explicitar o elevado grau de ameaça das propostas da extrema
direita quando elas são comparadas com os seus resultados em países de
economias dependentes ultraliberais e neocoloniais, como se vê atualmente na
Argentina e se viu nas crises que assolaram a América Latina nas décadas de
1980 e 1990. Explicar que o programa de governo de Bolsonaro-Mourão prescreve,
letra por letra, aquilo que foi imposto como remédio para a crise e que
resultou tão somente na pesada carga de degradação social — especialmente o
desemprego elevado — posta nas costas do povo. Não à toa, ele foi trancafiado a
sete chaves, distante da vista de todos. ||| A história mostra que soluções milagreiras para a crise
resultam em tragédias sociais. Em diferentes ciclos, o recurso ao arbítrio e à
violência foi o meio utilizado para a sua aplicação. A história do Brasil está
pontilhada de exemplos assim. Com a extensão e a profundidade da crise atual,
essa receita nas mãos de pregoeiros da violência social certamente levará o
país a uma situação dramática. Nessa confrontação entre os reais interesses do
povo e da nação e as soluções milagreiras por meio de métodos fascistas está a
síntese das responsabilidades e o sentido de urgência de ações amplas e
unitárias da chapa Fernando Haddad-Manuela d’Ávila.
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